Serge Latouche (Vannes, 12 de janeiro de 1940) é um economista e filósofo francês.
Muito influenciado pelos trabalhos de François Partant, Latouche é membro fundador e ex-presidente da associação La ligne d'horizon, cujo objetivo é prosseguir as reflexões de Partant, contidas em seus livros e artigos.
Também conhecido por seus trabalhos de Antropologia econômica, Latouche desenvolveu uma teoria crítica da ortodoxia econômica. Denunciou o economicismo e o utilitarismo nas Ciências Sociais e criticou, tanto através de uma argumentação teórica consistente como da abordagem empírica, constituída de numerosos exemplos, o conceito de desenvolvimento e as noções de eficácia e racionalidade econômica.
Adversário do consumismo e da racionalidade instrumental, contrário à ocidentalização do planeta, Latouche é um dos mais conhecidos partidários do decrescimento sustentável.
No documentário "Obsolescencia Programada" refere que: "Vivemos numa sociedade em crescimento cuja lógica não é de crescer para satisfazer as necessidades, sim crescer por crescer. Crescer infinitamente com uma produção sem limites, E, para o justificar, o consumo deve crescer sem limites.
Quem acredite num crescimento ilimitado é compatível com um planeta limitado ou é louco ou é ecomomista. O drama é que hoje somos todos economistas".
Segundo Latouche, é preciso descolonizar nosso imaginário. Em especial, desistir do imaginário econômico (...) Redescobrir que a verdadeira riqueza consiste no pleno desenvolvimento das relações sociais de convívio em um mundo são, e que esse objetivo pode ser alcançado com serenidade, na frugalidade, na sobriedade, até mesmo em uma certa austeridade no consumo material, ou seja, aquilo que alguns preconizaram sob o slogan gandhiano ou tolstoísta de "simplicidade voluntária".
Se você está em Roma e deve ir de trem para Turim, mas, por engano, embarca em direção a Nápoles, não basta diminuir a velocidade da locomotiva, frear ou mesmo parar. É preciso descer e pegar outro trem, na direção oposta. Para salvar o planeta e assegurar um futuro aceitável para os nossos filhos, não basta moderar as tendências atuais. É preciso sair completamente do desenvolvimento e do economicismo, assim como é preciso sair da agricultura produtivista, que é parte integrante disso, para acabar com as vacas loucas e as aberrações transgênicas.
Atividades
Serge Latouche atua em vários coletivos na elaboração do conceito de pós-desenvolvimento. É também um dos contribuintes históricos de La Revue du MAUSS (Mouvement anti-utilitariste en sciences sociales), professor emérito da Faculdade de Direito, Economia e Gestão Jean Monnet da Universidade de Paris XI (Paris-Sud), em Sceaux, e no Institut d'études du dévoloppement économique et social (IEDS) de Paris. Além disso, dirige o Groupe de Recherche en Anthropologie, Épistémologie et Économie de la Pauvreté (GRAEEP).
Bibliografia
Epistémologie et économie: Essai sur une anthropologie sociale freudo-marxiste, Paris: Anthropos, 1973. Le Projet marxiste : Analyse économique et matérialisme historique, Paris: PUF, 1975. Critique de l'impérialisme, Paris: Anthropos, 1979. Le procès de la science sociale, Paris: Anthropos, 1984. Faut-il refuser le développement, Paris: PUF, 1986. L'Occidentalisation du monde: Essai sur la signification, la portée et les limites de l'uniformisation planétaire. La Découverte, 1989. La Planète des naufragés. La Découverte, 1991. L'Autre Afrique, entre don et marché. Albin Michel, 1998. La Planète uniforme, 2000. La déraison de la raison économique : Du délire d'efficacité au principe de précaution. Paris: Albin Michel, 2001. Justice sans limites. Fayard, 2003. La pensée créative contre l'économie de l'absurde'. Paris: Parangon, 2003. Justice sans limites - Le défi de l'éthique dans une économie mondialisée, Paris: Fayard, 2003. La pensée créative contre l'économie de l'absurde, Paris: Parangon, 2003. Survivre au développement: De la décolonisation de l'imaginaire économique à la construction d'une société alternative. Mille et Une Nuits, 2004. La Mégamachine: Raison technoscientifique, raison économique et mythe du progrès. 2004. L'invention de l'économie. 2005. Le pari de la décroissance. 2006.
Obras traduzidas em português
A ocidentalização do mundo: ensaio sobre a significação, o alcance e os limites da uniformização planetária. ("L'occidentalisation du monde"). Petrópolis, RJ: Vozes, 1994. ISBN 85-326-1265-2 Os perigos do mercado planetário ("Les Dangers du Marché Planétaire"). Lisboa: Instituto Piaget, D.L. 1999. Análise econômica e materialismo histórico ("Le Projet marxiste : Analyse économique et matérialisme historique"). Rio de Janeiro: Zahar, 1977. Pequeno tratado do decrescimento sereno. São Paulo: Martins Fontes, 2009. ISBN 9788578272012
Ver também Decrescimento sustentável Simplicidade voluntária
Ligações externas
O desenvolvimento é insustentável. Entrevista com Serge Latouche. -Artigos de Serge Latouche em Le Monde Diplomatique-BR. Acessado em 7 de julho de 2007. Serge Latouche: enregistrement de sa conférence à Rouffach en 2006 - mp3 Serge Latouche: Le développement n'est pas le remède à la mondialisation, c'est le problème! (2002) Serge Latouche: Et la décroissance sauvera le Sud (2004) Serge Latouche: Pour une société de décroissance (2003) Serge Latouche: En finir, une fois pour toutes, avec le développement(2001) A bas le développement durable ! Vive la decroissance conviviale !Institut d'études économiques et sociales pour la décroissance soutenable, Paris, Jan. 2006. Autres articles La Revue du Mauss
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