Rodrigo Melo Franco de Andrade (Belo Horizonte, – Rio de Janeiro, ) foi um advogado, jornalista, escritor, editor e administrador público brasileiro. Organizou o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) e o dirigiu de 1937 a 1967. O órgão passou depois a se chamar Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Sob sua direção, o SPHAN tombou e restaurou edifícios, preparou inventários e levantamentos métricos, reuniu acervos documentais e fotográficos, criou uma biblioteca especializada, recuperou obras de arte e abriu museus. Sua equipe reuniu escritores, arquitetos, historiadores e artistas ligados ao modernismo brasileiro, entre eles Mário de Andrade, Lúcio Costa, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Oscar Niemeyer, Cândido Portinari, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda.

Infância e formação

Andrade nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 17 de agosto de 1898. Era o filho mais velho de Rodrigo Bretas de Andrade e Dália Melo Franco de Andrade. Foi educado em casa antes de ingressar no Ginásio Mineiro, em Belo Horizonte.

Aos 12 anos, mudou-se para Paris e foi morar com o tio, o escritor Afonso Arinos. Concluiu os estudos secundários no Lycée Janson-de-Sailly. Por intermédio do tio, conheceu brasileiros que viviam ou passavam pela capital francesa, entre eles Graça Aranha, Tobias Monteiro e Alceu Amoroso Lima.

De volta ao Brasil, estudou direito no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em São Paulo. Formou-se pela antiga Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, antecessora da Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Enquanto estudava em São Paulo, trabalhou em um banco e conheceu Aníbal Machado, Mílton Campos, João Alphonsus, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Abgar Renault e Oswald de Andrade. Essas amizades o aproximaram do movimento modernista.

Jornalismo e modernismo

Andrade começou a trabalhar como jornalista em 1921, no jornal O Dia. Escreveu depois para O Estado de Minas, A Manhã, Diário da Noite, O Estado de S. Paulo, O Cruzeiro, Diário Carioca, Módulo e O Jornal. Seus artigos abordavam política, educação, governo, literatura, humor e artes.

Depois da Semana de Arte Moderna de 1922, Andrade passou a integrar o movimento modernista brasileiro.A Semana de Arte Moderna foi realizada em São Paulo, em fevereiro de 1922. Suas exposições, concertos e conferências reuniram artistas e escritores que contestavam as regras ensinadas pelas escolas de arte e academias literárias brasileiras. Em 1926, Assis Chateaubriand comprou a Revista do Brasil de Monteiro Lobato e nomeou Andrade redator-chefe. Sob sua direção, a revista publicou escritores e artistas ligados ao modernismo.

Serviço público antes do SPHAN

Andrade trabalhou no escritório de advocacia dos tios Afrânio de Melo Franco e João de Melo Franco. Depois, tornou-se chefe de gabinete de Francisco Campos, ministro da Educação e Saúde Pública. Também foi secretário-geral de Viação e Obras Públicas do Distrito Federal.O Distrito Federal correspondia então à cidade do Rio de Janeiro, capital do Brasil até 1960.

Casou-se com Graciema Melo Franco de Andrade em 1930. Em dezembro daquele ano, recomendou Lúcio Costa para a direção da Escola Nacional de Belas Artes. Costa foi nomeado para o cargo.

Entre os filhos do casal estava o cineasta Joaquim Pedro de Andrade.

Criação e direção do SPHAN

Em 1936, o ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, pediu a Mário de Andrade que preparasse um plano para um órgão federal dedicado à proteção de edifícios, obras de arte e outros bens culturais. Mário de Andrade e Manuel Bandeira recomendaram Rodrigo Melo Franco de Andrade para organizar e dirigir o novo órgão. Andrade começou o trabalho em 1936 e assumiu formalmente a direção quando o SPHAN foi criado, em 1937. Permaneceu no cargo até 1967.

O SPHAN foi criado em 1937, ano em que Getúlio Vargas instaurou o Estado Novo. A primeira equipe reunia pessoas de diferentes correntes políticas brasileiras, inclusive integrantes da esquerda.

O IPHAN chama as primeiras décadas do órgão de "fase heroica". Uma equipe pequena precisou definir métodos de trabalho, recrutar especialistas e coordenar projetos em todo o país.

Proteção do patrimônio

O SPHAN protegia edifícios, objetos e locais por meio do tombamento.O tombamento é o ato administrativo que submete um bem à proteção legal. Um bem tombado não pode ser demolido ou alterado sem autorização do órgão responsável. O órgão formou técnicos, preparou inventários, pesquisou edifícios e objetos, mediu e fotografou construções e supervisionou trabalhos de conservação e restauração.

O órgão reuniu documentos de arquivos públicos e privados, formou um arquivo fotográfico e uma biblioteca especializada e recuperou pinturas, esculturas e documentos. Abriu o Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, em 1938, o Museu das Missões, em Santo Ângelo, em 1940, e o Museu do Ouro, em Sabará, em 1945. Vieram depois o Museu do Diamante, em Diamantina, em 1954, o Museu da Abolição, no Recife, em 1957, e o Museu Regional de São João del-Rei, em 1963.

Na análise da historiadora Márcia Chuva, Andrade e Lúcio Costa definiram os primeiros critérios do SPHAN para tombamentos e restaurações a partir de uma leitura modernista dos edifícios coloniais e da arte religiosa. Eles privilegiaram obras avaliadas como excepcionais por suas qualidades artísticas ou arquitetônicas.

Equipe e colaboradores

thumb|Da esquerda para a direita, Cândido Portinari, Antônio Bento, Mário de Andrade e Andrade no Palace Hotel, no Rio de Janeiro, em 1936

Andrade recrutou escritores, historiadores, antropólogos, arquitetos e artistas para o SPHAN. Entre eles estavam Oscar Niemeyer, Luiz de Castro Faria, Sérgio Buarque de Holanda, Heloísa Alberto Torres, Vinicius de Moraes, Cândido Portinari, Gilberto Freyre, Carlos Drummond de Andrade, Renato Soeiro e Lúcio Costa.

A equipe e os colaboradores externos também incluíam Lígia Martins Costa, Sílvio de Vasconcellos, Augusto Carlos da Silva Teles, Alcides da Rocha Miranda, José de Sousa Reis, Edson Motta, Judith Martins, Paulo Thedim Barreto, Miran de Barros Latif, Luís Saia, Airton Carvalho e Edgar Jacinto da Silva.

A historiadora da arquitetura Flavia Brito do Nascimento afirma que os arquitetos formavam o maior grupo profissional nos primeiros anos do SPHAN. Lúcio Costa dirigia grande parte do trabalho arquitetônico do órgão. Os arquitetos se concentraram em edifícios coloniais e centros urbanos e aplicaram ideias modernistas à escolha e à restauração de construções mais antigas.

Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

A Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional começou a circular em 1937. Andrade foi seu editor e convidou colaboradores que conhecia dos anos em que trabalhou no jornalismo e no mercado editorial. A revista publicava artigos, fotografias, desenhos e documentos sobre arquitetura, arte e história do Brasil.

Andrade também dirigiu a série Publicações do SPHAN, que editava estudos sobre arquitetura, arte, arqueologia e edifícios protegidos.

Os primeiros números da revista examinavam edifícios e obras de arte escolhidos para proteção. Também explicavam como os historiadores, arquitetos e conservadores do SPHAN estudavam construções, objetos e documentos.

Publicações

Em 1925, Andrade publicou o poema "Ode pessimista" na revista Estética. A coletânea de contos Velórios saiu em 1936 e reuniu oito histórias.

Também escreveu sobre arte, arquitetura e história do Brasil. Seus livros incluíram Brasil: monumentos históricos e arqueológicos, publicado em 1952, Rio-Branco e Gastão da Cunha, de 1953, e Artistas coloniais, de 1958.

Seus artigos abordaram a pintura colonial de Minas Gerais, a arquitetura civil, antigos métodos de construção e artistas do período colonial. Escreveu sobre Antônio Francisco Lisboa, conhecido como Aleijadinho, e trabalhou pela proteção de edifícios coloniais e obras de arte.

Dois volumes de seus textos foram publicados depois de sua morte. Rodrigo e seus tempos: coletânea de textos sobre artes e letras saiu em 1986, seguido por Rodrigo e o Sphan: coletânea de textos sobre o patrimônio cultural, em 1987.

Últimos anos e morte

Andrade aposentou-se da direção do órgão federal de patrimônio em 1967, depois de trinta anos no cargo. Permaneceu como membro do Conselho Consultivo até morrer no Rio de Janeiro, em 11 de maio de 1969.

Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

miniaturadaimagem|esquerda|Logomarca do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, com a imagem do próprio Rodrigo Melo Franco de Andrade

O IPHAN criou o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade em 1987. Concedido em todo o país, o prêmio apoia projetos de proteção de edifícios, objetos, arquivos e práticas culturais.

Ver também

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), instituição que fundou Lista de bens tombados pelo IPHAN, edifícios, monumentos, objetos e locais protegidos pelo instituto Arquitetura colonial do Brasil, principal foco arquitetônico dos primeiros trabalhos do SPHAN Barroco no Brasil, arte e arquitetura estudadas e protegidas em muitos dos primeiros projetos do órgão

Notas

Bibliografia complementar

Ligações externas

Rodrigo Melo Franco de Andrade na Enciclopédia Itaú Cultural Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade no IPHAN

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