Caiseri ou Cesareia (), antigamente chamada Mázaca, é uma cidade da Turquia situada na região da Anatólia Central, capital da área metropolitana e da província de Caiseri. Situada a uma altitude média de , área metropolitana tem e em 2021 tinha habitantes ().

Embora em termos de turismo seja mais comum associar o nome Capadócia à região mais ou menos correspondente à vizinha província de Nevexequir, historicamente Caiseri sempre fez parte da Capadócia, sendo inclusivamente a cidade mais importante da região, nomeadamente a capital das províncias romana e bizantina com esse nome.

O nome da cidade em é Καισάρεια , em Caesarea Mazaca e em . A grafia em era . Na Antiguidade clássica era conhecida como Mázaka ou Mázaca, posteriormente como Eusébia, Cesareia ou Cesareia Capadócia (Caesarea Cappadociae) e Kaisariyah.

Caiseri é uma grande cidade industrial rodeada de planícies verdes e férteis, e colinas com florestas junto a um vulcão extinto coberto de neve, o Monte Argeu (), a montanha mais alta da Anatólia Central, que se destaca no horizonte a sul da cidade. As construções de betão e diversas zonas industriais rodeiam a antiga cidade seljúcida.

Os habitantes (kayserili) são conhecidos em toda a Turquia por serem muito precavidos, de raciocínio rápido, muito empreendedores e terem um jeito natural para o negócio e economia, o que é ilustrado por algumas piadas pouco abonatórias que se contam em todo o país, como uma que conta que um kayserili roubou um burro ao seu pai, pintou-o, e depois vendeu-o novamente ao pai (há uma variante ainda mais maldosa em que a personagem roubada é a mãe). Algumas das famílias mais ricas da Turquia, como a (dona do maior grupo económico privado do país), Boydak ou são originárias de Caiseri. Além disso, tem muitos emigrantes espalhados por diversos países da Europa Ocidental, que asseguram entradas de divisas assinaláveis.

A cidade tem fama de ser das mais conservadoras da Turquia em termos políticos e religiosos, sendo o bastião principal do Partido de Ação Nacionalista (Milliyetçi Hareket Partisi, MHP), um partido ultra-nacionalista, mas apesar disso acolhe bem os visitantes estrangeiros.

A cidade é uma mistura de riqueza, modernidade e conservadorismo provinciano. e é frequentemente referida como uma das cidades que encaixa perfeitamente na definição de "Tigres da Anatólia", um termo usado internacionalmente para referir as cidades turcas que a partir dos anos 1980 apresentaram índices de crescimento económico impressionantes. A cidade é famosa pelas suas especialidades gastronómicas, como o mantı, pastirma and sucuk.

Embora a maior parte dos turistas que visitam a cidade o façam de passagem para as atrações mais populares da Capadócia, Caiseri tem muito para oferecer ao visitante, como sejam os monumentos do período seljúcida do Sultanato de Rum da parte antiga da cidade e atividades de ar livre (percursos pedestres, alpinismo, etc.) no Erciyes Dağı (Monte Argeu).

História Caiseri é habitada continuamente desde A cidade sempre foi um centro de comércio vital, já que está localizada numa das principais rotas comerciais do mundo, a Rota da Seda.

Os vestígios mais antigos de ocupação humana da região, um assentamento calcolítico do , encontraram-se em Cultepe, 21 km a nordeste da Caiseri. Durante o período hitita mais antigo, o sítio era composto de duas localidades: Canés, a capital do reino com o mesmo nome, provavelmente o mais poderoso do seu tempo na Anatólia; e Carum, um entreposto comercial assírio, o mais antigo do mundo. No , esta cidade era já um importante entreposto comercial entre os assírios e os hititas.

esquerda|thumb|upright=0.65|Taça cerâmica decorada do primeiro período hitita encontrada em Cultepe

A origem e idade da cidade atual, originalmente chamada Mázaca (Mazaka), é desconhecida, mas sabe-se que ganhou importância durante o período em que foi governada pelos frígios. A cidade foi depois a residência dos Reis da Capadócia. Na Antiguidade, era o cruzamento das rotas comerciais que ligavam Sinope, no Mar Negro, ao rio Eufrates, e a Estrada Real Persa, a antecessora do troço ocidental da Rota da Seda, que ligava Sardes, perto do Mar Egeu, a Susa. No período romano, uma rota similar a esta última ligava Éfeso, no Mar Egeu, ao Oriente e também passava por o que é hoje Caiseri.

O nome da cidade foi mudada para Eusébia, em honra do rei Ariarates V Eusébio Filopátor . No início do , a cidade foi saqueada pelo rei arménio .

No início da era cristã, quando o Reino da Capadócia já não era mais do que um protetorado dos romanos, o último rei capadócio, Arquelau IV , muda o nome da cidade para Cesareia Capadócia (para a distinguir de outras cidades com o mesmo nome), em honra de Augusto . Segundo outros autores, a mudança de nome foi ordenada pelo imperador romano Tibério em 17 ou 18, quando a Capadócia e a cidade foram formalmente integrados no Império Romano, criando a província da Capadócia.

thumb|upright=0.7|Alparslano, o sultão seljúcida que conquistou Caiseri no

Cesareia situava-se numa serrania de baixa altitude no lado norte do Monte Argeu (antigamente chamado Mons Argaeus, atualmente Erciyes Dağı). Esse local é atualmente chamado de cidade velha, mas são poucos os vestígios anteriores que resistiram até hoje. A cidade foi destruída pelo rei persa sassânida Sapor I após a sua vitória sobre o imperador romano Valeriano I em Segundo os registos desse tempo, a cidade teria então cerca de habitantes.

No , o bispo São Basílio Magno estabeleceu um centro eclesiástico na planície a cerca de 1,5&km a nordeste da cidade, o qual gradualmente suplantou em importância a cidade original. Ao longo do , a cidade foi um importante centro cristão, tendo aí nascido e vivido, além de São Basílio, diversos santos e teólogos famosos, como São Mamede e Gregório de Níssa, que desenvolveram doutrinas fundamentais do Cristianismo, nomeadamente a da Trindade. Citado no artigo

Uma parte da nova cidade de Basílio foi rodeado de fortes muralhas e convertido numa fortaleza pelo imperador bizantino . O general árabe , o primeiro califa omíada, invadiu a Capadócia e conquistou Cesareia em 647. Os árabes chamaram à cidade Kaisariyah. A cidade voltaria ao domínio bizantino poucos tempo depois e só voltaria a ser conquistada pelo sultão seljúcida Alparslano em 1064. Os seljúcidas chamavam à cidade Caiseri, o nome que perdurou até hoje.

Desde o final do até 1397, a cidade mudaria várias vezes de mãos, entre diversos grupos turcomanos, Templários e mongóis. Em 1067 ou 1074, a cidade foi conquistada pelos danismêndidas, os grandes rivais dos seljúcidas. A cidade tornou-se um dos centros mais proeminentes do reino danismêndida entre 1074 e 1178, e manteve essa importância quando passou a fazer parte do sultanato seljúcida de Rum, entre 1178 e 1243. Os Templários ocuparam a cidade brevemente em 1097. Em 1243 a cidade foi tomada pelos mongóis de Oguedai Cã, a que se seguiram pouco depois novamente governantes turcos. Em 1397, a cidade foi conquistada pelo sultão otomano . Após a expulsão dos otomanos em 1402 por Tamerlão, a cidade passa a fazer parte do Beilhique da Caramânia (). Finalmente, depois de breve período de domínio dos mamelucos egípcios, é definitivamente integrada no Império Otomano em 1515 por Selim I.

Principais pontos de interesse turístico thumb|muralhas de Caiseri Embora Caiseri seja essencialmente uma cidade moderna, quer devido ao crescimento acentuado desde os anos 1920, quer porque grande parte dos bairros mais antigos, muitos deles constituídos por mansões dos séculos XVIII e XIX, foram demolidos a partir da década de 1970, parte do encanto de Kayeseri é que os edifícios antigos ainda têm um papel importante no dia a dia da cidade. A sua existência é testemunha da consciência social dos seljúcidas. Os ensinamentos corânicos proibiam que se desse demasiada importância às casas privadas, o que levava as figuras públicas a oferecerem dinheiro em edifícios destinados a assistência social e atividades comunitárias.

A cidade tem inúmeras mesquitas, madraças (escolas islâmicas), antigos hospitais e asilos, túmulos e outras construções dos séculos XII a XV, principalmente de origem seljúcida. Além disso, destacam-se os mercados cobertos, que ainda são importantes para a vida diária da cidade. thumb|Vista noturna da cidadela thumb|Vista noturna da cidadela thumb thumb|upright|Mesquita de Cunate Catum

Mercados cobertos Bedesten — Construído em 1497, era usado por comerciantes de roupa e tecidos, sendo atualmente um mercado de tapetes. Nota: bedesten é um termo turco que designa um edifício usado para armazém e/ou guarda de bens valiosos. Vezir Hanı — Construído pelo grão-vizir Damat İbrahim Paşa em 1727, os principais produtos comercializados são o algodão em bruto, lã, os famosos tapetes de Caiseri e couro. Este último produto é também preparado no local para ser vendido por grosso. Mercado coberto (Kapali Çarsi) — Construído em 1859, tem 500 lojas que vendem todo o tipo de produtos. Cidadela (em turco: Kalesi) — Verdadeiro centro da cidade, foi originalmente construído no pelo imperador bizantino Justiniano I, mas a fortaleza construída em rocha vulcânica que existe atualmente é um obra de 1224, do sultão seljúcida . A fortaleza foi restaurada várias vezes ao longo do tempo, nomeadamente por , no . Fatih Camii — Pequena mesquita mandada construir por Maomé II junto da porta sudoeste da cidadela. Mesquita e külliye de Cunate Catum — Complexo religioso do mandado edificar por Maperi Cunate Catum, a esposa de origem arménia do sultão . A construção foi iniciada em 1239 e é constituído por uma mesquita e uma madraça. Este último, uma universidade islâmica, apontado como um dos mais belos exemplos da arquitetura seljúcida, tem um pátio aberto e dois eyvans (salas abobadadas abertas na frente). Junto ao mirabe da mesquita encontra-se uma caixa de madeira contendo um pêlo que se diz ser do Profeta Maomé. Nota: külliye é uma palavra turca de origem árabe que designa um complexo de edifícios com fins escolares e de apoio social e de saúde associados a uma mesquita importante. Grande Mesquita (Ulu Cami) — Obra do período danismêndida do , finalizada no pelos seljúcidas. Tem três entradas. O teto é suportado por quatro filas de pilares cujos capitéis são de vários tipos de mármore. Embora o teto atulamente existente seja mais recente, conserva o mimbar (púlpito) esculpido em madeira original. Mausoléus (kümbets) — Caiseri é por vezes chamada de cidade dos mausoléus devido à quantidade de túmlos monumentais que há espalhados por toda a cidade, às vezes nos locais mais inesperados, como por exemplo dois que se encontram em separadores da autoestrada para o Monte Erciyes. São construções graciosas de dois andares datadas dos séculos XII a XIV, com a câmara funerária e o caixão no piso superior. São decoradas com relevos esculpidos. A sua forma cónica é supostamente inspirada nos yurts, as tendas dos povos nómadas da Ásia Central. O mais conhecido é o Döner Kümbet (túmulo que gira), obra de 1275 ou 1276 construída para Şah Cihan Hatun, uma princesa imperial seljúcida. Tem doze lados e está decorado com relevos com animais, plantas e arabescos. É conhecido como o túmulo rotativo, devido à forma cónica do topo dar a ilusão de que o monumento roda. Perto do Döner Kümbet encontra-se o Döner Kümbet, igualmente interessante, mas menos elaborado. Casa Güpgüpoğlu (Etnoğrafya Müzesi) — Museu de etnografia instalado numa típica residência familiar otomana construída em enxaimel (madeira e alvenaria) onde são recriadas cenas da vida quotidiana do passado, com recurso a objetos originais e a bonecos de cera. Estão ainda expostos mosaicos seljúcidas de Cunate Catum, carpetes, kilim's e um topak ev (tenda de nómadas).