A Mosca () é um filme estadunidense de 1986, dos gêneros terror e ficção científica, dirigido por David Cronenberg. Produzido pela Brooksfilms e distribuído pela 20th Century Fox, o filme é estrelado por Jeff Goldblum, Geena Davis e John Getz. Vagamente baseado no conto "The Fly" de George Langelaan, publicado em 1957, o filme conta a história de um cientista excêntrico que, depois que um de seus experimentos dá errado, lentamente se transforma em uma criatura híbrida. Sua trilha sonora foi composta por Howard Shore e os efeitos de maquiagem foram criados por Chris Walas, junto com o maquiador Stephan Dupuis.

O longa foi lançado em 15 de agosto de 1986 nos Estados Unidos, sendo recebido com aclamação da crítica e do público, recebendo elogios principalmente aos efeitos especiais e ao desempenho de Goldblum. A Mosca arrecadou um pouco mais de sessenta milhões de dólares nas bilheterias do mundo contra seu orçamento estimado entre nove e quinze milhões de dólares, tornando-se o maior sucesso comercial da carreira de Cronenberg. O trabalho de Walas e Dupuis no filme resultou na conquista de um Óscar na categoria de Melhor Maquiagem e Penteados, sendo o único filme dirigido por Cronenberg a ganhar uma estatueta na cerimônia. Uma sequência, dirigida por Walas, foi lançada em 1989.http://www.oscars.org/education-outreach/teachersguide/costumesmakeup/introduction.html

Enredo

Seth Brundle, um cientista brilhante, mas excêntrico, conhece Veronica "Ronnie" Quaife, jornalista de ciências, em um evento de imprensa. Ele a leva ao seu armazém onde mantém o seu laboratório e mostra a ela sua invenção: um conjunto de "cápsulas-telepods" que permite o teletransporte instantâneo entre as mesmas. Seth convence Ronnie a manter a invenção em segredo em troca de direitos exclusivos à história para sua reportagem e ela documenta o trabalho dele. Embora as cápsulas possam funcionar com objetos inanimados, o equipamento é falho ao fazer testes com seres vivos, a qual Brundle demonstra para Ronnie ao tentar teletransportar um babuíno, fazendo-o virar pelo avesso durante um experimento.

Seth e Ronnie começam um relacionamento. A primeira relação sexual do casal inspira Seth a reprogramar o telepod para entender a composição dos tecidos vivos e ele teleporta com sucesso um segundo babuíno. Ronnie sai do laboratório antes que eles possam comemorar o feito e Seth se preocupa que ela esteja reacendendo seu relacionamento com seu editor-chefe Stathis Borans quando, na realidade, Ronnie havia se encontrado com Borans para confrontá-lo sobre uma ameaça velada, estimulada por seu ciúme de sua relação com Seth, para publicar a história do telepod sem o consentimento dela. Seth, desiludido e convicto de que sua invenção agora funciona perfeitamente, decide se teletransportar sozinho, mas não percebe que uma mosca doméstica voou para dentro do compartimento do transmissor com ele; o cientista sai da cápsula receptora aparentemente normal e sadio.

Seth e Ronnie se reconciliam. Seth, com os passar dos dias, demonstra um notável aumento de força, resistência e potência sexual, que ele acredita serem o resultado do teletransporte que "purificou" seu corpo; ele passar a consumir bastante açúcar e Ronnie está preocupada com a deterioração da sanidade de Seth e também com alguns cabelos estranhos e crespos que crescem de um ferimento nas costas dele. Seth se torna arrogante e violento, insistindo que o processo de teletransporte é benéfico e tenta forçar Ronnie a se teletransportar; quando ela se recusa, ele a abandona, vai a um bar e participa de uma disputa de luta de braço, onde ele deixa seu oponente com uma fratura exposta. Ainda no local, Seth conhece uma mulher chamada Tawny e a leva consigo para o seu armazém; os dois têm relações sexuais e Seth tenta coagi-la a se teletransportar na máquina. Ronnie chega e a desestimula de tentar o teletransporte, fazendo Tawny ir embora; Seth expulsa Ronnie para fora do laboratório, mas ao notar que suas unhas estão caindo, ele percebe que algo deu errado durante seu teletransporte. O cientista verifica os registros de seu computador e descobre que o sistema da máquina telepod, confuso com a presença de duas formas de vida no pod de envio, fundiu seus genes com a da mosca que havia entrado junto com Seth na máquina.

Seth continua se deteriorando, perdendo partes do corpo e ficando cada vez menos humano em sua aparência. Depois de várias semanas com muito medo de entrar em contato com Ronnie, ele telefona para ela e diz que está se tornando um ser híbrido humano-inseto, tendo se apelidado de "Brundlefly". O cientista passa a vomitar enzimas digestivas em sua comida para dissolvê-la, uma vez que seu sistema digestivo humano agora não funciona mais, e ganha a capacidade de se agarrar a paredes e tetos; ele percebe que está perdendo sua racionalidade e compaixão humanas, sendo estimulado por impulsos primitivos de inseto que ele não consegue controlar.

Seth instala um programa de fusão no computador do telepod, planejando diluir os genes da mosca em seu corpo com o DNA humano, mas a máquina não reconhece mais a sua própria voz por conta de sua assustadora deterioração. Ronnie descobre que está grávida de Seth e, em uma noite, sonha que está a dar à luz uma larva gigante, fazendo com que ela se preocupe com a eventual saúde do seu filho. Após ser informado por Ronnie de sua gravidez, Stathis convence um médico a fazer um aborto no meio da noite, mas Seth ouve a conversa escondido deles e sequestra Ronnie da clínica antes que o aborto ocorra; ele a leva para seu laboratório e implora para que ela tenha a criança normalmente, pois o bebê pode ser o último remanescente de sua humanidade. Stathis, que os seguiu, invade o laboratório de Seth com uma espingarda, mas Seth o captura e o ataca com seu vômito corrosivo.

Desesperado, Seth revela seu plano para Ronnie: ele usará os telepods para fundir a si e a ela, junto com o filho ainda não nascido deles, em uma única entidade. Enquanto Seth arrasta Ronnie em desespero para um dos telepods, ela acidentalmente arranca sua mandíbula, desencadeando sua transformação final em uma criatura insetoide-humana, que surge de dentro da pele humana deteriorada de Seth. A criatura prende Ronnie dentro do primeiro telepod e entra no outro; Stathis, apesar de ferido, consegue usar sua espingarda para atirar nos cabos que ligam o telepod de Ronnie ao computador, os rompendo, permitindo que Ronnie escape da máquina e pegue a arma. Arrombando a porta de sua própria cápsula, assim que o processo de fusão é ativado, a criatura é terrivelmente fundida com a porta de metal e os cabos do segundo telepod. Quando a criatura deformada se arrasta para fora da cápsula receptora, ela, num último ato humano de Seth, implora silenciosamente a Ronnie que ela acabe com seu sofrimento e aponta o cano da espingarda para sua própria cabeça; Ronnie inicialmente reluta, mas acaba cedendo a vontade de Seth, atirando fatalmente na criatura aos prantos.

Elenco Jeff Goldblum .... Seth Brundle Geena Davis .... Veronica "Ronnie" Quaife John Getz .... Stathis Borans Joy Boushel .... Tawny Leslie Carlson .... Dr Brent Cheevers George Chuvalo .... Marky David Cronenberg .... ginecologista do sonho de Ronnie

Produção No início dos anos 80, o co-produtor Kip Ohman abordou o roteirista Charles Edward Pogue com a ideia de refazer o clássico filme de terror de ficção científica The Fly, de 1958. Pogue começou lendo o conto de George Langelaan e depois assistiu ao filme original, que ele nunca havia visto. Decidindo que este era um projeto em que ele estava interessado, ele conversou com o produtor Stuart Cornfeld sobre a criação da produção e Cornfeld concordou de imediato. A dupla então apresentou a ideia aos executivos da 20th Century Fox e recebeu uma resposta entusiasmada, com Pogue recebendo um financiamento inicial para escrever um primeiro rascunho. Inicialmente, ele escreveu um esboço semelhante ao da história de Langelaan, mas ele e Cornfeld pensaram que seria melhor refazer o material para focalizar uma metamorfose gradual em vez de um monstro instantâneo. No entanto, quando os executivos leram o roteiro, ficaram tão impressionados que se retiraram imediatamente do projeto. Depois de alguma negociação, Cornfeld orquestrou um acordo pelo qual a Fox concordaria em distribuir o filme se ele pudesse estabelecer financiamento através de outra fonte.

O novo produtor era Mel Brooks e o filme seria produzido por sua empresa, a Brooksfilms. Cornfeld era um colaborador frequente e amigo de Brooks, que juntos também produziram o filme de David Lynch O Homem Elefante em 1980. Cornfeld entregou o roteiro a Brooks, que gostou, mas achou que era necessário um escritor diferente; Pogue foi então removido do projeto e Cornfeld contratou Walon Green para uma reescrita, mas considerou-se que seu rascunho não era um passo na direção certa; portanto, Pogue foi levado de volta para retrabalhar o material. Ao mesmo tempo, Brooks e Cornfeld estavam tentando encontrar um diretor adequado. A primeira escolha deles foi David Cronenberg, mas ele estava cogitado para trabalhar em Total Recall e não pôde aceitar. Cornfeld decidiu contratar um jovem diretor britânico chamado Robert Bierman depois de assistir a um de seus curtas-metragens; Bierman foi levado de avião para Los Angeles para se encontrar com Pogue e o filme estava nos estágios iniciais da pré-produção quando uma tragédia ocorreu: a família de Bierman estava de férias na África do Sul e sua filha havia sido morta em um acidente. Bierman embarcou em um avião para ir ver sua abalada família e Brooks e Cornfeld esperaram um mês antes de abordá-lo sobre a retomada do trabalho em A Mosca; Bierman disse a eles que não conseguiria começar a trabalhar tão cedo por conta do transtorno e Brooks disse que esperaria mais três meses para entrar em contato com ele novamente. No final dos três meses, Bierman disse formalmente aos produtores que não iria mais participar do projeto; Brooks compreendeu e o libertou de seu contrato.

Cornfeld ouviu então que Cronenberg havia sido descartado da produção de Total Recall e mais uma vez se aproximou dele com a proposta para dirigir A Mosca. Cronenberg concordou em assinar o contrato como diretor do filme se ele pudesse reescrever o roteiro, o que foi aceito pelos produtores.Fear of The Flesh: The Making of The Fly, 20th Century Fox, 2005The Fly Papers, Tim Lucas, Cinefex Magazine, 1986AMC Backstory- The Fly Papers: The Buzz on Hollywood's Scariest Insect (2000) Apesar de apenas revisar o roteiro de Pogue, Cronenberg também pediu que ele fosse creditado como roteirista junto com Pogue, entrando inclusive com um apelo no Writers Guild of America sob a justificativa de que sua versão não poderia ter acontecido sem o roteiro de Pogue para servir de base. Assim como fizera em O Homem Elefante, Mel Brooks não permitiu que seu nome fosse incluído nos créditos de A Mosca para evitar que o público nos cinemas pensasse que o filme fosse uma comédia.

Com um roteiro que todos aprovaram, Cronenberg reuniu sua equipe habitual e iniciou o processo de filmagem, decidindo por Jeff Goldblum e Geena Davis nos papéis principais. Chris Walas, que havia projetado as criaturas em Gremlins, foi contratado para lidar com os extensos efeitos especiais do filme. As filmagens ocorreram em Toronto, no Canadá, entre 1985 e 1986.