A Grande Família é uma série de televisão brasileira de comédia produzida e exibida pela TV Globo de 29 de março de 2001 a 11 de setembro de 2014, em 485 episódios divididos em 14 temporadas. A série é um reboot baseado no seriado homônimo transmitido de 1972 a 1975 escrita por Oduvaldo Vianna Filho e Armando Costa.

Exibida originalmente nas noites de quinta-feira, a sitcom gira em torno dos membros da fictícia família Silva, de classe-média, moradora de um subúrbio na Zona Norte do Rio de Janeiro, formada pelo casal Lineu e Nenê, os filhos Tuco e Bebel, o genro Agostinho Carrara e o sogro Seu Flor, além dos diversos agregados e amigos da família. Conta com as atuações de Marco Nanini, Marieta Severo, Rogério Cardoso, Lúcio Mauro Filho, Guta Stresser, Andréa Beltrão e Pedro Cardoso nos papéis principais e Marcos Oliveira, Tonico Pereira, Evandro Mesquita e Natália Lage nos papéis recorrentes.

A série tornou-se um grande sucesso, sendo indicada a diversos prêmios e consolidando-se como o programa humorístico mais assistido da televisão brasileira. Seu sucesso resultou no longa-metragem lançado em 2007 e assistido por cerca de 2 milhões de espectadores. Em 2008, o seriado recebeu indicação ao Emmy Internacional de melhor ator pela atuação de Pedro Cardoso como Agostinho Carrara. Com uma música-tema clássica que conquistou os lares dos brasileiros: "Esta família é muito unida, e também muito ouriçada, brigam por qualquer razão, mas acabam pedindo perdão [...]".

Produção Concepção Guel Arraes, diretor de núcleo da série, já projetava um remake da série exibida nos anos 70, após ter analisado os textos de Oduvaldo Vianna Filho. Sendo assim o projeto foi iniciado, após a aprovação da Rede Globo. Em novembro de 2000, uma equipe de roteiristas, formada por: Marcelo Gonçalves, Bernardo Guilherme, Adriana Falcão e Cláudio Paiva, que idealizaram a série no estilo de uma comédia de situação norte-americana, porém acharam que seria muito "frio" para o estilo de uma família brasileira de classe média.

Os roteiristas alteraram alguns fatores presentes na primeira versão. Retiraram o personagem Júnior, que tinha como característica seu interesse por política, algo que foi adicionado a Lineu, e atualizaram o modo de vida dos personagens, como Tuco. A família também passou a morar no Rio de Janeiro, e não em São Paulo, como na primeira versão.

"A Grande Família" foi inicialmente idealizado para ser apenas um especial em homenagem à primeira versão, com apenas 12 episódios que depois tornaram-se 17 episódios e foram aumentando ano após ano. Cada episódio custa 200.000 reais, mesma quantidade financeira de um capítulo de novela, sendo considerado um ótimo negócio para a emissora, pois cada 30 segundos do programa custava R$ 490.000,00, sendo o quarto programa mais caro da emissora (atrás apenas da Novela das nove, Jornal Nacional e Fantástico, respectivamente) e sendo o mais caro do horário de shows.

"A minha relação com eles é muito mais social do que profissional. A gente, quando está junto, sempre comenta os personagens e eles terminam me dando ideias ótimas, mas sem planejamento nenhum. As coisas brotam." Adriana Falcão sobre reunião de pauta com os atores da série.

Direção e roteiro Mauro Mendonça Filho foi o diretor geral da série na primeira temporada, sendo substituído por Maurício Farias, que permaneceu no cargo até 2011, quando foi substituído por Luis Felipe Sá.

O roteirista Cláudio Paiva também saiu do projeto, contudo, a série conta com: Adriana Falcão, Bernardo Guilherme, BÍbi da Pieve, Cláudia Jouvin, Cláudio Torres Gonzaga, Marcelo Gonçalves, Mariana Mesquita, Maurício Rizzo, Mauro Wilson, Max Mallmann e Paulo Cursino. Pedro Cardoso, ator da série, escreveu alguns episódios da 12ª temporada.

Os closes, das câmeras, foram retirados para mostrar mais os atores e cenários; com "quatro paredes" as gravações tinham que ser feitas mais de uma vez por um outro ângulo. Ambas situações não eram tão comuns no meio televisivo. O roteiro, ao longo dos anos, misturou ficção com fatos ocorridos no dia a dia de muitos brasileiros e na mídia, como: política, violência, novela, entre outros temas, tudo sendo tratado com humor e inteligência. Após o primeiro ano, não existia mais texto do Vianinha, que chegou a ser misturado mais de um episódio em apenas um da versão mais nova para dar mais ritmo. Os novos redatores passaram a fazer textos próprios, fazendo críticas e reflexões do mundo atual. Textos tão bem amarrados que os atores evitavam cacos. Mesmo assim, Pedro Cardoso criava cacos o que irritava, no início, a redatora Adriana Falcão que, com tempo, passou a gostar e a achar que os improvisos melhoravam o texto, se rendendo assim ao talento do ator. A evolução dos personagens foi acompanhada ano após ano, com a família começando em uma casa simples e ascendendo conforme as mudanças ocorridas no país e na personalidade dos personagens. Essa ascensão veio a ser chamada, com o tempo, de "Classe C", e a série é considerada como um reflexo dessa grande parte da população brasileira graças ao seu texto, figurinos coloridos, cenários kitsch e clima de subúrbio. O elenco da série fez parte do processo criativo até o fim da série, em reuniões para debater sobre os episódios. Nas duas últimas temporadas, o drama entrou no roteiro para aprofundar os sentimentos dos personagens antes de chegar até o derradeiro final, misturando com o humor já característico.

Elenco thumb|250px|Elenco da série, com Marco Nanini (Lineu), Marieta Severo (Nenê), Lúcio Mauro Filho (Tuco), Rogério Cardoso (Floriano), Pedro Cardoso (Agostinho), Guta Stresser (Bebel) e Marcos Oliveira (Beiçola). Uma das primeiras etapas do projeto foi a escolha do elenco. Marco Nanini foi convidado para interpretar Lineu, com um curto contrato, o qual ele ja vinha recebendo pelas demais participações. Ao final da primeira temporada, Nanini assinou com a emissora por mais 3 anos. Uma das preocupações do ator, no início da série, era dar credibilidade a um pai de família careta que tenta segurar as rédeas da casa, mas que surta em algumas situações. Segundo o ator, ele demorou para achar o tom certo do personagem, sem descaracterizar a proposta original do Vianinha. Na pré-produção, ainda em novembro de 2000, o nome de Marília Pêra estava cogitado para dar vida a mãe da família Silva: dona Nenê. Entretanto, um tempo depois, houve uma troca e quem foi convidada para ser a matriarca dos Silva foi a atriz Marieta Severo. A atriz trabalhava na novela Laços de Família quando recebeu um chamado do Guel Arraes, que é o diretor de núcleo do seriado. A atriz gosta tanto de trabalhar com ele que aceitou, e o fato de o texto ser do Vianinha também colaborou para a aceitação. Um dia após a última cena da novela, a atriz já estava pronta para a série e chegava a ficar uma hora e meia enrolando o cabelo para a personagem. Com essa série, os atores Marco Nanini e Marieta Severo estariam trabalhando juntos mais uma vez.

Pedro Cardoso foi convidado para ser um dos filhos de Lineu e Nenê, o que acabou não acontecendo quando mais tarde ele se tornou o Agostinho. Então, para o papel dos filhos, alguns testes foram feitos. André Marques tentou o papel de Tuco, mas não foi aprovado. Aconselhado por Mauro Mendonça Filho, Lúcio Mauro Filho seguiu o conselho. O ator acreditou que não tivesse muitas opções de atores para o Tuco, mas foi fazer o teste. Chegando lá encontrou sua amiga de longa data: Guta Stresser Os dois fizeram o teste e foram tão bem que no final acreditaram que ficariam com os papéis, o que acabou acontecendo. Rogério Cardoso foi convidado para fechar o elenco. Em 2003, Rogério faleceu. O elenco e a direção da emissora se reuniram para discutir a perda. A decisão foi unânime: o ator é insubstituível, e seu Flor sai de cena com ele. Participações foram feitas para uma possível entrada no elenco fixo, o que acabou ocorrendo com a entrada de Andréa Beltrão como Marilda, que fez duas participações em 2002, integrou o elenco fixo em 2003 e entrou para o time de protagonistas em 2004, onde ficou até 2009, quando saiu da série. Na décima segunda temporada, com a passagem de tempo, o personagem Florianinho virou um pré-adolescente e testes foram feitos. Vinícius Moreno foi o escolhido para fazer o personagem.

Os atores coadjuvantes passaram a integrar a série após participações especiais. O elenco grava no Projac e em três dias da semana fazem um episódio. Segunda e terça gravam em estúdio e na quarta-feira gravam as externas na cidade cenográfica. Na 13ª temporada mais um dia foi incluído: quinta-feira. Sempre do meio-dia às 21h.

Cenário O produtor artístico da série, Guga Feijó, junto com o cenógrafo, Keller Veiga, procuravam uma casa no Rio de Janeiro que servisse de inspiração para a série. Foi assim que a equipe encontrou uma moradia em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, que obtinha o que buscavam: "Criamos uma casa de verdade, usando o máximo possível de elementos reais. As instalações, o chuveiro, o interruptor, a tomada, tudo funciona. E, como a câmera é imprevisível, tudo é devassável. Por isso, temos que ter um compromisso maior com a realidade, com os acabamentos do cenário", explica Keller Veiga. Detalhes como pichações, cartazes, azulejos sujos e quebrados, fiação gasta, calçadas remendadas e cores desbotadas foram feitas pela cenografia para ficarem próximas a realidade. Em sua 1ª temporada, a série era gravada no teatro Fênix e em Jacarepaguá, em uma casa de 120 metros que possuía: três quartos, um banheiro, uma cozinha com copa integrada, uma varanda e uma garagem para abrigar a Belina 1972 de Lineu. A casa tinha também uma passagem para o quintal, que, assim como a varanda, fazia a transição do estúdio para a área externa, gravada no bairro da Freguesia, em Jacarepaguá, onde a equipe encontrou uma casa ideal, de 1960, para servir de amostra nos takes da frente da casa.

Na 2ª temporada a série passou a ser gravada no Projac, com uso de uma cidade cenográfica. No início havia apenas a casa da família Silva e a pastelaria. Depois, o local aumentou com a chegada do salão da Marilda, que posteriormente ganhou um segundo andar, e o clube Paivense. A inspiração para atualizações vem dos subúrbios do Rio de Janeiro, criando um ar romântico e saudosista na rua da série, não mais existente na vida real. Luciane Nicolino entrou no lugar de Veiga, como cenógrafa, e começou a fazer as mudanças na casa da família junto com Feijó. No início, já no Projac, a equipe procurava fazer uma casa semelhante à anterior para não ficar uma mudança muito brusca, visualmente, para os telespectadores. Com o sucesso, a casa foi saindo da realidade e ficando com um ar mais cafona para ajudar no humor da série. Os cenários são atemporais, possuindo objetos de várias décadas. Entretanto, durante todas as temporadas, a casa de todos os personagens tiveram inspiração entre os anos de 1970 e 1980, com leves modificações no decorrer das temporadas.

Mais uma mudança ocorreu na 10ª temporada, com a saída de Nicolino e a entrada de Fumi Hashimoto. No ano seguinte, Feijó saiu do projeto após anos (ele estava desde o início) e quem ficou no seu lugar foi Alda Gonçalves: "Ir no estúdio com o cenário montado, me causou um impacto muito grande porque é o mais realista com o qual gravei", declarou Alda, elogiando o trabalho de Feijó e equipe. Com a passagem de tempo na 12ª temporada, fizeram mudanças sutis como um cantinho de costura para Nenê e piscina na casa de Bebel e Agostinho, como também levou um ar urbano e colorido ao inserir digitalmente uma comunidade e um viaduto na cidade cenográfica.

Figurino