A dieta diabética tem como principais objetivos, além da satisfação das necessidades nutricionais básicas do indivíduo com diabetes, o alcance do peso, do controle glicêmico, dos níveis de pressão e do percentual plasmático de lipídios adequados.Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes. Brasília (DF): Clannad; 2019 [acesso em 22 jun 2022]. Disponível em: http://www.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Diretrizes-Sociedade-Brasileira-de-Diabetes-2019-2020.pdf.
Para tal, é imprescindível a adoção de uma alimentação variada e diversificada, baseada em alimentos in natura e minimamente processados e com ingestão limitada de alimentos com alto teor de gordura saturada, sal e açúcar adicionados e bebidas alcoólicas e açucaradas.Silva MVV. Alimentação e diabetes: material de educação alimentar e nutricional para profissionais de saúde no contexto da atenção primária à saúde. Porto Alegre: Grupo Hospitalar Conceição, 2020. Trabalho de Conclusão de Residência do Programa Saúde da Família e Comunidade. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2021/04/1177215/tcr-matheus-vinicius-vieira-da-silva.pdf
É recomendado que os alimentos sejam preparados, de preferência, de modo grelhado, assado, cozidos no vapor ou, ainda, ingeridos crus. O fracionamento do plano alimentar em cinco a seis refeições distribuídas ao longo do dia também é importante, a fim de promover maior saciedade e um fornecimento equilibrado de micronutrientes.
Terapia nutricional A terapia nutricional é um tratamento para uma doença ou condição através da intervenção alimentícia. Esta é fundamental no manejo do diabetes Mellitus (DM), visto que o controle metabólico contribui para a redução dos riscos de complicações relacionadas a esta doença. A abordagem nutricional deve ser individualizada e requer alterações no estilo de vida, bem como ajustes na quantidade, proporção ou balanço de proteínas, lipídios e carboidratos e a reorganização do número e da frequência das refeições.Mahan LK, Raymond JL. Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2018.
Para pacientes obesos ou em sobrepeso, é recomendado a perda de 5% do seu peso inicial, com sua manutenção ao longo de todo o tratamento, pois o tecido adiposo visceral está relacionado a danos no pâncreas e no fígado, reduzindo significativamente a captação da glicose e a sensibilidade à insulina.Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral e Federación Latinoamericana de Nutrición Parenteral y Enteral. Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no Diabetes Mellitus. 4. ed. São Paulo: BRASPEN Journal; 2020. v. 35 [acesso em 22 jun 2022]. Disponível em: http://www.braspen.org/braspen-journal.
Em alguns casos, a diabetes também está relacionada à perda de peso involuntária, visto que a relação entre a desnutrição e a hiperglicemia gera um comprometimento imunológico, associado a uma redução da massa magra.
Nos pacientes diabéticos, a terapia nutricional pode levar a uma redução do valor sérico da hemoglobina glicada em 3 a 2%. Estudos mostram que a adoção de padrões alimentares saudáveis, combinada à prática de atividade física, redução do peso corporal, baixa ingestão alcoólica e ausência do tabagismo, reduziu em torno de 70% o risco do desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2. A terapia nutricional deve ser aplicada mediante o acompanhamento profissional, de maneira precoce e mantida durante toda a progressão da doença, a fim de atingir as metas terapêuticas.
Recomendação para a ingestão de macronutrientes As recomendações para a ingestão de macronutrientes para pessoas com diabetes mellitus Ministério da Saúde (BR). Abordagem nutricional em diabetes mellitus. Brasília (DF); 2000 [acesso em 20 jun 2022]. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/abordagem_nutricional_diabetes_mellitus.pdf. são apresentadas na tabela 1.
Tabela 1. Recomendação para a ingestão de macronutrientes MacronutrientesIngestão diária média recomendada Carboidratos Entre 45 a 60%SacaroseDe 5 a 10% FrutoseNão se recomenda adição aos alimentosFibra alimentarMínimo 14 g a 20 g/1.000 kcal Gordura total (GT)De 20 a 35%; sempre dando preferência a ácidos graxos insaturados e limitando os saturados em até 10%; já para as gorduras trans a recomendação é que a dieta seja isenta.ProteínaEntre 15 a 20% VET: valor energético total (considerar as necessidades individuais, considerando parâmetros semelhantes aos da população sem diabetes, em todas as faixas etárias).
Recomendação para a ingestão de micronutrientes Pacientes com uma dieta balanceada e variada apresentam satisfação das quantidades requeridas de micronutrientes, de modo que não existe uma recomendação específica para a sua ingestão.
No entanto, algumas complicações podem estar relacionadas a vitaminas e minerais, como uma possível deficiência de ácido fólico e vitamina B1, decorrente do uso prolongado de metformina. Além disso, a deficiência de vitamina B12 pode estar associada a neuropatia diabética, enquanto a vitamina D está relacionada a efeitos positivos na secreção e sensibilidade à insulina. Porém, não existem evidências do benefício da suplementação em pacientes com diabetes.
Contagem de carboidratos A contagem de carboidratos constitui uma ferramenta para o controle glicêmico em pacientes com diabetes. Estes não devem ser excluídos da alimentação, mas sim ingeridos na proporção adequada em relação às suas necessidades energéticas.
Um dos métodos que a constituem é a contagem em gramas, que permite ajustar, a partir da quantidade de carboidratos ingerida, as doses de insulina aplicadas previamente às refeições. Com isso, o indivíduo tem a possibilidade de controlar sua resposta glicêmica e, logo, realizar escolhas alimentares mais flexíveis.Melo DS, Oliveira CF, Setti C, Bortoli MC, DeMaio P, Boeira LS. Revisão Rápida: Estratégias alimentares efetivas para o tratamento da diabetes mellitus em adultos. Brasília (DF): Instituto Veredas; 2021 [acesso em 15 jun 2022]. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Laura-Boeira/publication/352669772_Estrategias_alimentares_efetivas_para_o_tratamento_da_diabetes_mellitus_em_adultos_Revisao_Rapida/links/60f1bd3b9541032c6d461a95/Estrategias-alimentares-efetivas-para-o-tratamento-da-diabetes-mellitus-em-adultos-Revisao-Rapida.pdf
Tendo em vista que não somente a quantidade, mas também a qualidade dos carboidratos consumidos é determinante na resposta glicêmica, tal estratégia deve ser atrelada ao consumo prioritário de carboidratos complexos, os quais são digeridos e absorvidos de maneira mais lenta, gerando um aumento gradativo da glicemia. É importante que a ingestão destes se dê principalmente por meio de alimentos in natura e minimamente processados1 e de forma conjunta a outros nutrientes, como as fibras, proteínas e gorduras, que corroboram a redução da velocidade de sua absorção.
Padrões alimentares recomendados para pacientes com Diabete Mellitus Alguns padrões alimentares específicos são referidos na literatura por possuírem benefícios comprovados no controle dos indicadores de diabetes.
Um deles é a dieta mediterrânea, que, além de promover a longevidade, possibilita a redução de 9% do índice de mortalidade decorrente de doenças cardiovasculares. Ela é baseada no consumo de alimentos de origem vegetal in natura e minimamente processados e fontes de gorduras insaturadas (com destaque para o azeite de oliva), consumo moderado de peixes, aves, ovos e laticínios e quantias limitadas de carnes vermelhas e doces.Ministério da Saúde (BR), Universidade de Brasília. Protocolos de uso do Guia Alimentar para a população brasileira na orientação alimentar de pessoas adultas com obesidade, hipertensão arterial e diabetes mellitus: bases teóricas e metodológicas. Brasília (DF); 2022 [acesso em 15 jun 2022]. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/protocolos_guia_obesidade_fasciculo1.pdf
Outro padrão que é destacado pela literatura é o DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), que caracteriza-se pelo aumento do consumo de ácidos graxos monoinsaturados e saturados e redução do teor de lipídios totais.
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