O Clube Náutico Capibaribe (mais conhecido como Náutico) é um clube desportivo brasileiro sediado na cidade do Recife, estado de Pernambuco. Entre os clubes brasileiros em atividade, o Náutico é o clube poliesportivo mais antigo da região Nordeste, a considerar sua fase embrionária, sendo ainda o clube esportivo mais antigo em atividade fora do eixo Rio-São Paulo.

Fundado por dois grupos de remadores recifenses em 1898 como Club Náutico do Recife, tem como data de fundação oficial 7 de abril de 1901. No futebol, teve seu primeiro time em 1905, formado por ingleses e alemães. Em Pernambuco, foi o primeiro clube a atingir notoriedade regional e nacional, sendo hoje, em nível estadual, o clube com mais sócios, conforme informações públicas em seu site oficial. É reconhecido como o clube de maior destaque da região Nordeste em competições regionais e nacionais durante a década de 1960, tendo sido inclusive o clube da região que mais disputou semifinais de Campeonato Brasileiro na década, figurando, desde à época, como um dos "gigantes" do futebol nordestino, alcunha inclusive utilizada até hoje pelos torcedores alvirrubros e em campanhas e mídias publicitárias.

O clube fez campanhas relevantes a nível nacional, tendo sido vice-campeão do Campeonato Brasileiro de 1967 e semifinalista em 1961, 1965, 1966 e 1968. No Norte-Nordeste, o Náutico ocupa o rol dos quatro clubes da região com mais participações na Série A do Campeonato Brasileiro e mais bem posicionados no ranking histórico da CBF, junto a Bahia, Sport e Vitória, sendo ainda o clube do Norte-Nordeste que mais vezes terminou o Campeonato Brasileiro entre os quatro primeiros colocados (G-4), posto dividido com o Bahia. A nível internacional, ocupa o rol dos quatro únicos clubes do Nordeste a terem disputado a Copa Libertadores da América, ao lado de Bahia, Sport e Fortaleza, sendo o segundo clube nordestino, em ordem cronológica, a disputar a competição, após o Bahia.

Em Pernambuco, foi o primeiro clube a disputar uma final de Campeonato Brasileiro e também a Copa Libertadores da América. O Náutico foi o primeiro clube pernambucano a conseguir classificação para a disputa da Copa Sulamericana, tendo participado da competição na edição de 2013. É detentor do hexacampeonato pernambucano, maior sequência ininterrupta já conquistada por um clube no Campeonato Pernambucano, feito conquistado entre os anos de 1963 e 1968, década em que teve incontestável hegemonia local, tendo em todas as edições o seu rival Sport como vice-campeão. O Náutico disputa com o Sport o clássico mais antigo do Norte-Nordeste, sendo o terceiro mais antigo do Brasil e também o de maior rivalidade e equilíbrio de Pernambuco: o Clássico dos Clássicos. Em menor grau, o clube mantém ainda uma grande rivalidade com o Santa Cruz, com quem faz o já centenário Clássico das Emoções, esse que por sua vez já decidiu o campeonato estadual por diversas vezes. O Náutico também possui uma rivalidade saudosista com o América Futebol Clube — o confronto leva o nome de Clássico da Técnica e Disciplina.

O clube pernambucano tem sua sede no bairro recifense dos Aflitos, contando com uma grande estrutura como a sede social, piscina olímpica oficial para a prática das modalidades do tipo, duas quadras poliesportivas, bem como e principalmente o Estádio Eládio de Barros Carvalho, mais conhecido como Estádio dos Aflitos, por localizar-se no bairro recifense dos Aflitos. Tanto o estádio como a sede e todo seu entorno foram classificados como patrimônios imateriais de Pernambuco. A capacidade da praça de esportes atualmente é de cerca de 20 mil espectadores. Também lhe pertence o Centro de Treinamento Wilson Campos — o maior do Norte-Nordeste do país —, situado no bairro da Guabiraba, no Recife, que possui 54 hectares de área construída e conta com cinco campos oficiais e dois campos de futebol de dimensão reduzidas além de inúmeros alojamentos. Suas cores, presentes no escudo e bandeira oficial, são o vermelho e branco, enquanto que seus torcedores são conhecidos como alvirrubros. Atualmente, é o clube esportivo com o maior número de sócios em Pernambuco, contando com mais de 25 mil torcedores afiliados, número alcançado ainda em 2022, conforme dados públicos em seu sítio oficial.

História Apesar de a data oficial de fundação ser 7 de abril de 1901, já se falava no Clube Náutico Capibaribe desde o século anterior, quando dois grupos rivais de remadores recifenses se uniram. No início de tudo, em 1897, um grupo de rapazes amantes do remo, comandados pelo português João Victor da Cruz Alfarra, alugava barcos da antiga Lingueta, saindo em pequenas excursões até a antiga Casa de Banhos do Pina. Essas viagens alcançavam até o bairro de Apipucos. centro|miniaturadaimagem|854x854px|Panorama do rio Capibaribe de onde se localizava a antiga Casa de Banhos, local ligado a origem do Náutico Quando, depois de terminada a Revolta dos Canudos, os recifenses preparavam-se para receber as tropas pernambucanas, comandadas pelo general Artur Costa, uma vasta programação foi realizada para a recepção aos soldados. João Alfarra e alguns companheiros de proeza pelo Rio Capibaribe foram encarregados de preparar a parte náutica da recepção, e ficou marcada uma grande regata para o dia 21 de novembro de 1897.

Essa competição despertou o interesse dos recifenses, que sentiram a necessidade de fazer outras promoções do gênero. Na época, o remo já era um esporte nacional e começou a ganhar novos adeptos e, no ano seguinte, empregados dos armazéns das ruas Duque de Caxias e Rangel formaram uma agremiação, à qual deram o nome de Clube dos Pimpões. Os componentes do outro grupo, o que tinha brilhado na regata da recepção às tropas de Canudos, animaram-se e houve uma série de combates entre as duas turmas, em 1898, na Casa de Banhos. miniaturadaimagem|383x383px|Imagem de vitória do Náutico em regata no ano de 1913. Detalhe para a cor azul presente no escudo náutico e até hoje utilizada na numeração dos uniformes listrados. |alt=|esquerda No final de 1898, ficou acordada a fundação de uma outra sociedade, que congregaria os dois grupos antes mencionados: o Club Náutico do Recife. Em 1899, por decisão dos seus dirigentes, o clube passou por um processo de reorganização, mas manteve a fidelidade aos esportes náuticos. Nessa ocasião, seu nome foi mudado para Recreio Fluvial, porém a nova denominação não foi do agrado de todos, resultando que, no início de 1901, foi definido o nome pelo qual o clube passou a ser oficialmente reconhecido até hoje — Club Náutico Capibaribe.

Em 7 de abril de 1901, João Alfarra convocou todos os ligados ao remo para uma solenidade na qual seria lavrada e registrada a primeira ata da agremiação, data que ficou reconhecida oficialmente como a fundação do clube. O documento histórico recebeu a assinatura de todos os presentes — de Antônio Dias Ferreira, presidente da reunião, de Piragibe Haghissé, secretário, e de João Victor da Cruz Alfarra, líder do grupo e pai da ideia. A primeira bandeira tinha as cores vermelha, branca e azul, razão pela qual até os tempos de hoje o Náutico joga com os números da camisa na cor azul. O primeiro uniforme do Náutico era azul e branco por conta da representação náutica, base para a fundação do clube, mas logo o vermelho substituiu o azul e se juntou ao branco até pelo fato de a cor já estar presente em sua bandeira.Ata de Fundação (nautico.info)

O começo do futebol no Clube Náutico Capibaribe Fundado em 1901, a modalidade "futebol" só apareceu no clube anos depois, mais precisamente em 1905, mas só no ano seguinte um grupo de ingleses formou o primeiro time, porém, as atividades de fato limitavam-se aos domingos, no campo de Santana ou na campina do Derby. No Jornal Pequeno de 12 de maio de 1909 encontra-se a primeira referência ao futebol do Náutico, mais precisamente a criação do departamento de futebol do clube, já para a primeira partida: "Consta-nos que os rapazes do Náutico tratam de formar um eleven para bater-se com os do Sport Club".

Ainda no ano de 1909 aconteceria a primeira partida de futebol do Náutico, e logo contra a equipe que viria ser seu maior rival, o Sport Recife. A equipe adversária também vinha do remo, mas há alguns anos já tinha a prática do futebol como relevante, sendo, portanto, uma equipe mais experiente no esporte. Do lado alvirrubro, era a primeira partida contra uma outra equipe de fato. As duas equipes marcaram o jogo para 25 de julho de 1909, o Jornal Pequeno noticiou a o encontro entre as duas agremiações no dia 24 de julho, um dia antes:No dia marcado ocorreu no campo do Britsh Club — hoje Museu do Estado de Pernambuco — o que anos mais tarde seria considerado o "Clássico dos Clássicos". A equipe alvirrubra jogou com King (goleiro), Avila (lateral direito), Smith (zagueiro central), Ivatt (quarto zagueiro), Cook (lateral esquerdo), Ramage (cabeça-de-área), H. Grant (meia-direita), Thomas (meia-esquerda), Américo Silva (ponta-direita), Maunsell (centro-avante) e João Maia (ponta-esquerda) e venceu a partida pelo placar de 3–1, os dois primeiros gols foram marcados por Rolland Maunsell, e o terceiro gol por Thomas.

Em 1914, foi criada a Liga Recifense de Futebol, mas o Náutico não fez parte dela. Os seus jogadores procuraram ingressar nos outros clubes que se haviam filiado. O clube João de Barros, atual América, foi o que mais ganhou com a evasão dos jogadores do Náutico.

Em 1915, porém, sentiu-se a necessidade de criar uma nova entidade para orientar o futebol da cidade. Foi fundada dessa maneira a Liga Sportiva Pernambucana, à qual o Náutico se filiou. Com isso, os jogadores voltaram, e o clube passou a participar de todas as competições da liga, mas sem muito interesse no futebol, só deu a devida importância após a chegada do profissionalismo em 1937, mesmo assim já tinha se sagrado campeão na temporada de 1934.

Anos 30: primeiras conquistas e a era dos Carvalheiras thumb|223x223px|Taça do Campeonato Pernambucano de 1934 No início da década, o clube já demonstrava estar engajado em procurar seu lugar de destaque no cenário estadual, esteve entre os primeiros colocados desde o início, alcançando ainda um vice-campeonato. Em 1934, na vigésima edição do Campeonato Pernambucano, o Náutico sagrou-se campeão pela primeira vez no futebol. O time alvirrubro, comandado pelo uruguaio Humberto Cabelli fez grande campanha tendo aplicado um sonoro 8–1 no Sport na última rodada levando a competição para a decisão em partida única. Na final, o Timbu enfrentou o Santa Cruz e venceu o tricolor pelo placar de 2–1. Os gols alvirrubros foram marcados por, Estevão e Fernando Carvalheira, este último ainda se sagrou artilheiro da competição naquele ano com 28 gols marcados.

A equipe era formada por jogadores de uma mesma família: Arthur, Fernando e Zezé Carvalheira, esses foram os primeiros ídolos alvirrubros. Em sua carreira, Arthur Carvalheira anotou nada menos que 54 gols em sua passagem pelo Náutico, por sua vez Fernando Carvalheira é até hoje o segundo maior artilheiro da história do Timbu, com 185 gols anotados com a camisa alvirrubra, e também é um dos maiores artilheiros em clássicos contra o Sport e Santa Cruz.

Em 1939, o Timbu voltou a ser campeão estadual tendo como grande destaque novamente os Carvalheiras. Fernando e Zezé ainda atuavam, enquanto Arthur já havia abandonado o futebol. Além dos dois remanescentes de 1934, havia mais um Carvalheira: Emídio, e o alvirrubro venceu naquele ano os dois turnos do campeonato se tornando campeão estadual de 1939.

Anos 40: início de uma época de ouro