A culinária do Paraná se caracteriza pelo preparo de alimentos e diferentes pratos e resulta de uma mistura de ingredientes indígenas, europeus, africanos e asiáticos típicos do estado do Paraná, no Brasil.
A alimentação diária é feita basicamente em três refeições, envolve o consumo de café com leite, pão, frutas, bolos e doces no café da manhã, feijão com arroz no almoço - refeição básica do brasileiro, aos quais são somados, por vezes, massas (como o macarrão), proteína animal (carnes) e salada (legumes e verduras) - e, no jantar, também as várias comidas locais. O prato mais conhecido é o barreado da região litorânea do Paraná. As bebidas mais típicas do Paraná são o café e o chimarrão. As destiladas foram trazidas pelos portugueses ou, como a cachaça, fabricadas na terra. O vinho é também muito consumido, por vezes somado à água e açúcar. Já a cerveja é hoje uma das bebidas alcoólicas mais comuns em todo o estado.
Alguns produtos típicos possuem registro de indicação geográfica, com certificação de procedência ou de denominação de origem. É o caso da bala de banana, de Antonina; da cachaça e aguardente, de Morretes; da erva-mate de São Mateus do Sul; da farinha de mandioca, do litoral; da goiaba, de Carlópolis; das uvas finas de mesa, de Marialva; do barreado, do litoral; do queijo, de Witmarsum; do mel de Ortigueira; do mel do Oeste do Paraná; do melado e açúcar mascavo, de Capanema; dos cafés especiais, do Norte Pioneiro.
História
A culinária do Paraná envolve saberes e técnicas de preparo de alimentos regionais. Tem como tradição a carne de charque, o churrasco, o barreado, o pinhão e as influências de hábitos culinários de gaúchos, paulistas e mineiros, e influências da imigração no Brasil. Embora os principais pratos da cozinha paranaense sejam originários da interação entre portugueses e indígenas, esta possui influência posterior de imigrantes alemães, franceses, italianos, ucranianos, poloneses, holandeses, austríacos, árabes, sírio-libaneses e japoneses.
No começo da colonização do Paraná, os hábitos culturais encontrados no estado eram dos índios e dos ibéricos (da Europa: de Portugal e de Espanha). O povo paranaense legou uma grande quantidade dos hábitos, como o costume de consumo de ervas, milho, mandioca, mel e tabaco. No século XVII, portugueses e paulistas começaram a ocupar a região a partir da descoberta do ouro em Minas e permaneceu até o século XIX com sua economia baseada na pecuária. Depois, os tropeiros colaboraram com a cultura de consumir o chimarrão, o café e o feijão de tropeiro e os escravos africanos trouxeram como legado, por exemplo, a feijoada e o hábito de consumir cachaça. A diversidade étnica e cultural no Paraná contribuiu para construir a identidade de cada região do estado.
Em diversas regiões do estado é possível encontrar peculiaridades, destacando-se a culinária de muitos dos 399 municípios. Na capital paranaense, Curitiba, há três pratos principais: o barreado, o pinhão e a carne de onça. No litoral observa-se a culinária caiçara e portuguesa. Na região sul e nos campos gerais pode ser observado a comida tropeira, que é uma comida campeira e mais rústica, como o entrevero de pinhão e a quirera com carne de porco, como na Lapa, em Castro, Tibagi, Telêmaco Borba e Jaguariaíva. Em Tibagi é comum o bolinho de polvilho e a paçoca de carne. Em Castro, Piraí do Sul e Ventania o tradicional virado. A quirera na Lapa e Jaguariaíva. E o entrevero de pinhão de Telêmaco Borba.
No final do século XIX se intensifica os processos imigratórios e o Paraná passou a receber diferentes povos que constituíram diversas colônias. Assim sendo, a cultura paranaense se enriqueceu e diversificou-se ainda mais a culinária. O governo do estado reconhece 28 etnias que contribuíram com a colonização do Paraná. Os imigrantes europeus diversificaram o cultivo da terra e introduziram novas técnicas de produção. Diferentes pratos, temperos e bebidas foram incorporados à culinária local. Vegetais, produtos lácteos, vinho e cerveja começaram a ser produzidos e inseridos na alimentação. Os germânicos e os eslavos, por exemplo, diversificaram os pães, bolos e doces. Os italianos introduziram o uso das massas caseiras e do vinho.
A comida italiana é facilmente encontrada na região metropolitana de Curitiba, sul e norte do estado. A culinária germânica deixou uma herança em diversas cidades, como em Curitiba, Rio Negro, Palmeira, Marechal Cândido Rondon, Rolândia, Cambé, Lapa e Guarapuava. Em Carambeí estão as tradicionais tortas e o bolinho Oliebol. Na região centro-sul é comum encontrar a cozinha eslava, hábitos culinários poloneses e ucranianos, como em Pitanga, Prudentópolis, Ivaí, Irati, Mallet, São Mateus do Sul e União da Vitória. No norte pioneiro, há a presença da cozinha espanhola e mineira. A comida paraguaia também pode ser encontrada nas cidades de fronteira, como na região de Guaíra. A comida árabe é muito comum em Foz do Iguaçu e Curitiba, e em redutos em outras cidades, como Ponta Grossa e Maringá. A comida japonesa pode ser encontrada em Curitiba e no norte do Paraná, como em Londrina, Assaí, Apucarana e Maringá. Já a culinária asiática do Extremo Oriente, com destaque para a mongólica, como coreanos e chineses, é ainda recente, e é concentrada mais nas grandes cidades.
As carnes mais consumidas são a bovina e suína, além disso podem ser encontrados pratos servidos com a galinha caipira e com o pintado. O preparado mais tradicional é o assado, principalmente na forma de churrasco, tradição herdada principalmente dos tropeiros nos campos de Curitiba e Campos Gerais. Já no oeste e sudoeste paranaense, a cultura gaúcha do mesmo modo mantém viva a tradição do churrasco.
Alimentos, produtos e pratos típicos Preparo de carnes
Como a pecuária foi por muitos anos a base da economia, há muitos pratos tradicionais preparados com carne. O porco no tacho, a costela ao fogo de chão, a costela do ferra mula, o carneiro ao molho de vinho e o carneiro no buraco. Outro hábito culinário que também leva carnes é a típica produção de embutidos, como as salsichas. O uso de salsichas é bem comum no consumo com pães, costume que ficou conhecido como pão com vina. O cachorro-quente tornou-se um dos lanches mais tradicionais do estado, sendo típico das cidades do interior o cachorro-quente prensado.
Charque
O charque é uma carne salgada que tornou-se no século XIX o principal produto da economia do Rio Grande do Sul. Pela ausência de tecnologias de refrigeração da carne à época, o animal vacum abatido para retirada do couro, de bom valor de mercado, não tinha sua carne aproveitada adequadamente. O charque também está presente na culinária paranaense, sendo trazida pelos tropeiros. Em 1870, a Estrada das Missões estava aberta ao tráfego e, apesar de mais perigosa devido ao ataque de índios, foi a preferida pelos tropeiros, porque encurtava o trajeto até Sorocaba, passando por Guarapuava e seus antigos distritos de Palmas, Pinhão, Candói e outros. Além disso, o terreno é mais seco, com grandes extensões de campos e menos rios correntosos que teriam que ser atravessados a nado.
A carne é salgada e exposta em galpões ventilados. Além de não ser exposta ao sol, difere da carne de sol ou jabá pela grande quantidade de sal que necessita, em virtude do clima úmido das regiões produtoras. Ainda difere do frescal, produzido nas regiões dos municípios catarinenses de Lages e São Joaquim, mais elaborado, pois a carne salgada só é exposta à noite. O charque passa por um processo demorado. O boi todo é desossado e a carne fica em torno de dez dias de molho no sal grosso, e quase uma semana no sereno, costume herdado dos tropeiros. Contudo, o charque tem como variante a carne-seca produzida no nordeste brasileiro, a diferença está no modo de preparo e quantidade de sal necessária conforme a umidade da região.
Em São Mateus do Sul é comum encontrar o charque a vapor. Já o município de Candói revive as tradições de seus antepassados durante a Festa Nacional do Charque. O evento acontence desde 1998, sempre com o objetivo de resgatar a tradição e o tropeirismo existente na região. São servidos mais de 15 pratos típicos a base de charque, entre eles charque na maçã, arroz carreteiro, filé à parmegiana de charque, churrasco de charque, bolinho de charque, charque na moranga, charque tipo frescal e consomê de charque.
Carne cozida Barreado direita|180px|thumb|Prato de barreado com banana pronto para o consumo.
Já preparado pelos índios carijóss que fabricavam a panela de barro, o barreado tornou-se um prato típico paranaense, em especial da culinária litorânea. Os caboclos e mestiços ao irem almoçar na casa de seus patrões, levavam produtos da lavoura e tapiocas e lhes era servido uma espécie de guisado. Era um prato feito de carne bovina gorda e toucinho, preparados com muitos temperos durante várias horas em uma panela de barro. A panela era "barreada", ou seja, era vedada com uma massa de farinha de mandioca e água e/ou cinzas do fogão para o vapor não escapar. Essa comida podia ser guardada por dias e requentada várias vezes, sem perder o sabor e ficando cada vez mais gostosa. Assim, o prato passou a participar dos hábitos alimentares do Entrudo, o precursor do Carnaval. Durante os dias de carnaval litorâneo não se comia outra coisa que não o barreado. Geralmente é servido com ou sem arroz, farinha de mandioca, banana e como aperitivo, cachaça do litoral.
Carne de carneiro direita|180px|thumb|Monumento do carneiro ao vinho, em Peabiru. O preparado do carneiro tornou-se uma iguaria da cozinha paranaense, que recebeu influências tropeiras e eslavas. O consumo de carne de carneiro possui origem árabe e chegou ao Paraná com os imigrantes libaneses. A carne de carneiro é apreciada em vários municípios, como o prato típico de Ipiranga, o carneiro no sal fino preparado assado. O carneiro no buraco é um dos mais famosos preparos de carneiro no Paraná. O costume de cozinhar a carne no buraco era um método muito utilizado pelos índios da região de Campo Mourão, como forma de evitar queimadas e conservar a carne por mais tempo. É servido com pirão, arroz branco e salada. Já a iguaria com vinho é um prato típico do município de Peabiru, onde é servido anualmente na Festa do Carneiro ao Vinho.
Churrasco
esquerda|180px|thumb|Churrascaria em Carambeí.
Leitão maturado
Anualmente, o município de Goioerê realiza a Festa do Leitão Maturado, umas das maiores festas gastronômicas do estado e o maior evento com carne suína do Brasil, servindo em torno de 15 mil pratos por ano. A festa é sempre realizada no mês de junho no parque de exposições da cidade e conta com dois palcos principais onde são realizados shows de artistas renomados além do tradicional campeonato do leitão na lama. O prato principal consiste na carne suína que recebe o preparo de maturação, processo que antecede a defumação desse tipo de carne, mas no caso deste prato típico a carne após ser maturada, é assada em grelhas sobre a brasa. Pode ser acompanhado de arroz branco, creme de milho, farofa, e saladas.
Carne no rolete
Boi no rolete
Consiste no preparo do boi praticamente inteiro, que é espetado e colocado em fornos preparados para isso, ficam assando por mais de 12 horas. É muito saboroso. As tradicionais festas do boi-no-rolete acontecem por todo o Estado.
Porco no rolete
Porco no rolete é um prato típico brasileiro. Seu preparo consiste em um porco assado inteiro sobre fogo ou brasas, porém sempre girando em estacas (daí o nome), o que dá uniformidade no ponto. O município de Toledo é que realiza a mais tradicional e conhecida festa do porco no rolete.
Carne processada Embutidos direita|180px|thumb|Linguiças e carnes sendo defumadas, em Ortigueira.