João Lobo é um artista visual e realizador luso-brasileiro que trabalha com fotografia e vídeo-arte. Autor de livros e filmes, atua como curador de fotografia e cinema. Doutor em Belas Artes, é pesquisador, docente, palestrante, formador em máster classes e workshops. Premiado internacionalmente, registra-se a sua produção artística no livro JOÃO LOBO: Coleção SENAC, Volume 15, Editora SENAC, São Paulo, Brasil. Realizou diversas exposições no Brasil e no exterior, produziu e participou de eventos de fotografia internacionais e desde 2006 cria trabalhos artísticos com a imagem minimalista, pesquisa acadêmica e a realização de filmes experimentais.

Biografia Nascido no interior da Paraíba, em Brejo de Cruz, a vida de João Lobo mudou quando começou a se interessar por imagens aos 20 e poucos anos, na década de 1980. Anos nos quais o país também mudava: saíamos dos anos de chumbo e andávamos em direção à luz.

No início, pequenos audiovisuais de caráter educativo. De lá para a fotografia profissional foi um passo rápido. Inquieto e curioso, o trabalho de fotojornalismo - primeira escolha na área fotográfica - não o satisfez. Sua vontade era ir além do fato, da imagem-notícia, da narrativa de um evento. Sua agitação pedia mais: queria experimentar, ir além do registro e, assim como os "velhos" fotógrafos do Photo-Secession, mostrar que a fotografia era sim capaz de produzir arte.

Suas buscas acabaram por encontrar fotógrafos como Ernst Haas, Ansel Adams, William Klein e Marc Riboud - Áreas diferentes, mas todos com grande criatividade e inovação de linguagem.

Essas experiências o levaram para o meio acadêmico, onde aprofundou conhecimentos teóricos e começou a lecionar para que seu trabalho não fosse tão solitário como se apresentava: "A universidade foi consequência do meu aprendizado. O meu estudo de fotografia sempre foi solitário." Assim como um cientista, sua aprendizagem foi a experiência, a tentativa do erro e do acerto. Isso o fez sair do Brasil e levar seus trabalhos para diversos países, como Portugal, Argentina, Espanha, França, Holanda e Chile.

Além de levar conhecimento, nessas viagens iniciou um intercâmbio com diversos fotógrafos. Em Villaguay, na Argentina, por exemplo, conheceu as imagens de Pedro Luis Raota - uma de suas grandes influências, pelo enquadramento, dramaticidade da luz e altos contrastes.

As imagens de João Lobo buscam desconstruir o real e servem como suporte e estímulo ao trabalho sempre inovador que o caracteriza. Talvez por isso as imagens do Raota o encantaram. Mas outros, também entre os brasileiros, tornaram-se, se não referência, pelo menos parte de seu museu imaginário: Klaus Mitteldorf e Hélio Oiticica, que apesar de não ser fotógrafo, realizou trabalhos importantes usando a fotografia.

João Lobo é um experimentalista no sentido mais amplo da palavra. Trabalha com a luz, com diferentes filmes, quebrando regras de exposição e processamento, obtendo resultados que quase sempre supreendem, e acaba produzindo imagens que nos causam um descondicionamento do olhar. Nada é visto da forma que realmente é. Isso é possível, com sucesso, porque sua base tradicional e acadêmica na fotografia é bastante consistente. Nada é por acaso, os riscos são calculados. Ele conhece muito de regras e padrões, a ponto de quebrá-los e, novamente, como qualquer cientista, ser capaz de reproduzir a experiência, obtendo os mesmos resultados - base necessária para a transmissão do conhecimento.

Talvez por isso o ato fotográfico tenha sido pouco para ele. Já há alguns anos desenvolve projetos na área didático-cultural que envolvem parte do Nordeste. A exemplo do que acontece em Paraty, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília, a Paraíba também tem seu festival da imagem, já há quatro anos. "Senti a necessidade de intercambiar idéias e projetos com outras culturas. Em 2004 produzi e realizei um intercâmbio em que quatro fotógrafos paraibanos mostraram suas produções por lá, e aqui, durante um festival de arte, expuseram cinco portenhos. O Parahyba Digital, em sua terceira edição, mostrou-me a necessidade deste tipo de intercâmbio. Indica a viabilidade de juntar profissionais comungando um mesmo sentimento e somendo idéias que se propagaram com o tempo."

Voltado para a discussão de conceitos fotográficos e da fotografia digital, a cada ano João Lobo consegue, com grande esforço e apesar das dificuldades, reunir dezenas de profissionais e interessados na arte fotográfica em torno de objetivo comum: falar sobre imagem.

Estes quase 30 anos transitando entre a prática e a teoria permitiram-lhe desenvolver um olhar crítico e um conhecimento da produção contemporânea, especialmente quando o assunto é arte, uma área em que muitos ainda patinam e se eximem de comentar. O sangue paraibano de João Lobo não lhe permite isenção. É categórico ao afirmar: "A fotografia está no ápice de seu reconhecimento como arte. A gama de possibilidades que o digital proporcionou induziu o fotógrafo a mostrar suas produções mais abertamente e em maior escala."

Nisso, ele também tem razão. E, como bom crítico, não fica apenas num discurso saudosista ou criticando novas tecnologias. Ele consegue compreender a transformação de visualidade que o digital trouxe, não só para a fotografia mas para a arte de uma maneira geral: "Outro aspecto salutar é a maior interatividade entre fotografia e artes visuais. De um modo geral, isso facilita o aprendizado e define uma melhor contextualização no ambiente artístico."

Coerente com suas idéias e empenho na divulgação do conhecimento fotográfico, atualmente João Lobo desenvolve uma pesquisa sobre a história do nu na fotografia, mas sem deixar de lado sua produção fotográfica, como o ensaio fotográfico sobre as inscrições rupestres da Pedra do Ingá, na Paraíba.

Texto transcrito do Livro João Lobo, autoria de Simonetta Persichetti, 2008.

Livros publicados

Tessituras urbanas. Ed. UFPB, 2012. Across lens. Ed. UFPB, 2011. O essencial é invisível. João Pessoa: Forma, 2009. João Lobo Coleção Senac de Fotografia. São Paulo: Senac, 2008. Corpo e Alma. João Pessoa: Editora Universitária UFPB, 2000. Apesar de Sertão. João Pessoa: Editora Universitária UFPB, 1996.

Lista de Referências

Categoria:Alumni da Universidade de Lisboa