Cidadão Samba é um título concedido anualmente pela imprensa carioca a sambistas e representantes notórios das escolas de samba do Rio de Janeiro.

A condecoração foi criada em 1936 pelo Jornal A Nação, inspirada em um concurso promovido no ano anterior, pelo mesmo jornal, e que visava escolher o melhor compositor dos morros do Rio de Janeiro.

O concurso teve diversas fases, passando pela organização de diferentes órgãos da impressa carioca. De 1936 a 1950, foi organizado pelo Jornal A Nação. De 1958 até 1964, foi organizado pela Associação das Escolas de Samba da cidade do Rio de Janeiro, entidade que organizava os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. De 1965 a 1971 foi promovido através de concursos públicos. Em 1972, retornou ao comando da AESCRJ, sendo decidido em plenárias da entidade. A partir de 1983, voltou a ser realizado através de concursos públicos, até 1997, quando foi concedido o título de Cidadão Samba Vitalício a Anatólio Izidoro da Silva, compositor da escola de samba Unidos de Lucas. Em 2013, o Jornal Extra passou a organizar o concurso Cidadão Samba Extra, que visa resgatar a disputa entre os sambistas através do voto popular. O concurso é realizado através de votação online no site do Jornal.

Entre os sambistas condecorados com o título de Cidadão Samba estão: Paulo da Portela, Cartola, Ismael Silva, Zé Keti, Jamelão, Tia Surica, Vilma Nascimento, Nelson Sargento, entre outros. O mestre-sala João Paiva dos Santos foi o sambista que mais vezes recebeu o título, totalizando quatro conquistas. Bené da Cuíca, Carlinhos Melodia, Jorginho do Império e Tião Copeba foram eleitos duas vezes. A Portela é a escola de samba que mais teve sambistas condecorados.

História Antecedentes Em 1935, o Jornal A Nação promoveu um concurso a fim de se verificar qual o maior compositor de sambas dos morros do Rio de Janeiro. Este concurso foi vencido por Paulo da Portela, apesar de Osvaldo Cruz não ser exatamente um morro, era considerado por alguns autores da época como uma "favela na planície". Esse concurso originou outras promoções criadas por outros jornais, tais como o Cidadão Momo e o Cidadão Samba.

1936–1950: Organizado pelo Jornal A Nação miniaturadaimagem|Cartola foi eleito Cidadão Samba em 1950. Nesta primeira fase, a escolha era realizada através do voto em cupons distribuídos nos jornais da cidade. O primeiro Cidadão Samba foi Eloi Antero Dias. Conhecido como Mano Elói, era cantor, compositor, pai de santo, líder sindical e um dos fundadores das escolas de samba Deixa Malhar e Império Serrano. O segundo concurso, realizado em 1937, foi vencido pelo compositor Paulo da Portela, um dos fundadores da Portela. O terceiro Cidadão Samba foi Antenor Gargalhada, compositor e líder da escola de samba Azul e Branco do Salgueiro. Nesse ano, o concurso foi organizado pelo jornal A Pátria e elegeu também o melhor Compositor: Carlos Cachaça da Estação Primeira de Mangueira; o melhor Tamborinista: João Silveira da Unidos da Parada de Lucas; o melhor Sapateador: Waldemar Dantas da Paz e Amor; o melhor Mestre-sala: Orlando Barbosa da União Entre Nós; a melhor Porta-bandeira: Irene Barbosa da Unidos da Parada de Lucas; e a Rainha do samba: Maurinda Silva da Paraíso do Tuiuti.FERNANDES, Nélson da Nóbrega. Escolas de Samba: sujeitos celebrantes e objetos celebrados - pág. 107 (125 no e-book)

Em 1939, Alfredo Costa, presidente da escola Prazer da Serrinha, foi eleito Cidadão Samba. Em 1940, o eleito foi Paulo Brazão, compositor da Unidos de Vila Isabel. Não houve concurso entre 1941 e 1944. Em 1945, o concurso foi reativado com a vitória do dançarino e compositor Getúlio Marinho da Silva, mais conhecido como Amor. O compositor da escola Depois Eu Digo, Eden Silva, conhecido como Caxiné, foi eleito em 1946. O concurso foi novamente paralisado entre 1947 e 1949. O Cidadão Samba de 1950 foi o cantor e compositor Cartola, um dos fundadores da Mangueira. AnoVencedorEscola de sambaReferência1936Eloi Antero Dias (Mano Elói)Deixa Malhar1937Paulo da PortelaPortela1938Antenor GargalhadaAzul e Branco do Salgueiro1939Alfredo CostaPrazer da Serrinha1940Paulo BrasãoUnidos de Vila Isabel1941–1944Não houve o concurso1945Getúlio Marinho (Amor)–1946Eden Silva (Caxiné)Depois eu Digo1947–1949Não houve o concurso1950CartolaEstação Primeira de Mangueira

1947: Jornal A Tribuna Em 1947, o prêmio foi organizado pelo jornal A Tribuna, ligado ao Partido Comunista BrasileiroFERNANDES, Nélson da Nóbrega. Escolas de Samba: sujeitos celebrantes e objetos celebrados - pág. 130 (148 no e-book), embora algumas fontes não reconheçam esse concurso. AnoCidadão SambaImperatriz do SambaReferência1947Roldão Lima "Cavuca" (Paraíso das Morenas)Teresa Pereira de Lima "Moreninha" (Paraíso das Morenas)

1958–1964: Compra de votos através da AESCRJ Em 1958, a escolha passou a ser decidida a partir de votos vendidos pelos concorrentes através da Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro, órgão representante das escolas de samba do Rio. João Paiva dos Santos, um dos primeiros mestres-sala da carnaval carioca, com atuação marcante nos ranchos carnavalescos, foi eleito em 1958 e 1959. Em 1960 foi eleito Ismael Silva, cantor, compositor e um dos fundadores da primeira escola de samba da história - a Deixa Falar. João Paiva dos Santos, da Paraíso do Tuiuti, voltou a vencer em 1961 e 1962, sendo o sambista que mais vezes conquistou o título de Cidadão Samba. Em 1963, Jorge Zacarias, presidente da Aprendizes de Lucas, foi eleito Cidadão Samba. Em 1964, o título ficou com Tião Copeba, da Unidos de Vila Isabel. AnoVencedorEscola de sambaReferência1958João Paiva dos SantosParaíso do Tuiuti1959João Paiva dos SantosParaíso do Tuiuti1960Ismael Silva–1961João Paiva dos SantosParaíso do Tuiuti1962João Paiva dos SantosParaíso do Tuiuti1963Jorge ZacariasAprendizes de Lucas1964Sebastião Moretson (Tião Copeba)Unidos de Vila Isabel

1965–1971: Realizado através de concurso público miniaturadaimagem|Jorginho do Império foi eleito Cidadão Samba nos anos de 1971 e 1994.A terceira fase da premiação foi realizada através de concursos públicos. Em 1965, Tião Copeba recebeu o título pela segunda vez consecutiva. Em 1966, o compositor da Imperatriz Leopoldinense, Murilo da Penha Aparecida e Silva, mais conhecido como Bidi, foi eleito Cidadão Samba. Em 1967, o título ficou com Sebastião Vieira da Silva, o Tião dos Acadêmicos do Salgueiro. O cantor e compositor Zé Keti, da Portela, foi eleito Cidadão Samba em 1968. Jorge Peçanha, cantor e compositor do Império Serrano foi eleito em 1969. Silvinho da Portela, intérprete oficial da Portela, foi eleito em 1970. Em 1971, o eleito foi Jorginho do Império, cantor e compositor do Império Serrano. AnoVencedorEscola de sambaReferência1965Sebastião Moretson (Tião Copeba)Unidos de Vila Isabel1966Murilo da Penha Aparecida e Silva (Bidi)Imperatriz Leopoldinense1967Sebastião Vieira da Silva (Tião do Salgueiro)Acadêmicos do Salgueiro1968Zé KetiPortela1969Jorge PessanhaImpério Serrano1970Silvinho da PortelaPortela1971Jorginho do ImpérioImpério Serrano

1972–1982: Indicação do plenário da AESCRJ Na quarta fase do concurso, os concorrentes eram indicados e votados nas plenárias da Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro. O diretor de harmonia dos Acadêmicos do Salgueiro, Jorge dos Santos Silva, conhecido como Jorge Calça Larga, foi eleito Cidadão Samba 1972. Em 1973, a escolhido foi Olivério Ferreira (o Xangô da Mangueira), diretor de harmonia da Estação Primeira de Mangueira. Antônio dos Santos, conhecido como Mestre Fuleiro, o diretor de harmonia do Império Serrano, foi eleito cidadão samba em 1974. Antônio Rufino, um dos fundadores e compositores da Portela, foi eleito em 1975. Neca da Baiana, do Salgueiro, foi o escolhido em 1976. Jaburu, diretor da Unidos de Vila Isabel, foi eleito em 1977. Em 1978, a escolhido foi Mano, da Mangueira. Alvaiade , cantor e compositor da Portela, foi eleito Cidadão Samba em 1979. Em 1980, o escolhido foi Paulo Miranda, diretor de harmonia da Portela. Djalma das Mercês, compositor da Unidos de São Carlos, foi eleito em 1981. Nilton Delfino Marçal, o Mestre Marçal da Portela, foi eleito Cidadão Samba em 1982. AnoVencedorEscola de sambaReferência1972Jorge Calça LargaAcadêmicos do Salgueiro1973Xangô da MangueiraEstação Primeira de Mangueira1974Mestre FuleiroImpério Serrano1975Antônio RufinoPortela1976Neca da BaianaAcadêmicos do Salgueiro1977JaburuUnidos de Vila Isabel1978ManoEstação Primeira de Mangueira1979AlvaiadePortela1980Paulo MirandaPortela1981Djalma das MercêsUnidos de São Carlos1982Mestre MarçalPortela

1983–1997: Concurso público miniaturadaimagem|Jamelão foi eleito Cidadão Samba em 1984.A quinta fase da premiação retomou a escolha dos laureados através de concursos públicos. Velha, cantor e compositor da Portela, foi eleito Cidadão Samba em 1983. Em 1984, o cantor e intérprete oficial da Mangueira, Jamelão, foi o escolhido. Bené da Cuíca conquistou dois títulos consecutivos, em 1985 e 1986. O instrumentista chegava a desfilar em mais de sete escolas de samba, além da sua escola de coração, a Unidos da Tijuca. Em 1987, o eleito foi Joel Xangô, ou Xangô do Estácio, da escola de samba Estácio de Sá. Claudinho do Espírito Santo da Unidos de Vila Isabel foi eleito em 1988. Carioca da Em Cima da Hora foi escolhido em 1989. Em 1990 o eleito foi Edson da Silva Monteiro da União da Ilha do Governador. O compositor Altair Cardoso, da Unidos de Lucas, foi eleito Cidadão Samba de 1991. Em 1992, o título ficou com Baianinho, compositor da escola Em Cima da Hora. Elson Macula, da Portela foi eleito no concurso de 1993. Em 1994, Jorginho do Império conquistou o título de Cidadão Samba pela segunda vez. A primeira vez foi em 1971. O compositor Carlinhos Melodia, da Unidos da Tijuca, foi eleito por duas vezes seguidas, em 1995 e 1996. Em 1997, Anatólio Izidoro da Silva, ex-presidente das escolas Unidos da Capela e Unidos de Lucas, foi eleito Cidadão Samba Vitalício, para exercer as funções que lhe cabem até sua morte. AnoVencedorEscola de sambaReferência1983Velha da PortelaPortela1984JamelãoEstação Primeira de Mangueira1985Bené da CuícaUnidos da Tijuca1986Bené da CuícaUnidos da Tijuca1987Xangô do EstácioEstácio de Sá1988Claudinho do Espírito SantoUnidos de Vila Isabel1989CariocaEm Cima da Hora1990Edson da Silva MonteiroUnião da Ilha do Governador1991Altair CardosoUnidos de Lucas1992BaianinhoEm Cima da Hora1993Elson Gomes da Silva (Macula)Portela1994Jorginho do ImpérioImpério Serrano1995Carlinhos MelodiaUnidos da Tijuca1996Carlinhos MelodiaUnidos da Tijuca1997–presente(Vitalício)Anatólio Izidoro da SilvaUnidos de Lucas

2013–presente: Cidadão Samba Extra A partir do ano de 2013, o Jornal Extra passou a organizar o concurso Cidadão Samba Extra, visando resgatar a disputa entre os sambistas através do voto popular. A escolha dos vencedores é feita através de votação online no site do Jornal. Cada escola participante do Grupo Especial do carnaval carioca tem direito a indicar um representante para concorrer ao título. Os pré-requisitos são: ter a cara da escola, representar o samba, e ser um "baluarte" da agremiação. esquerda|miniaturadaimagem|Tia Surica desfila na Portela com a faixa de Cidadão Samba 2015. Em 2013, o concurso fez parte do evento "Carnaval Histórico", organizado pelo Jornal Extra. O primeiro vencedor da nova fase do concurso foi o compositor Zé Katimba, um dos fundadores da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. A faixa de cidadão samba foi entregue à Zé Katimba pelo Cidadão Samba Vitalício, Anatólio Izidoro da Silva, numa ceimônia realizada no dia 30 de janeiro de 2013, no Centro Cultural João Nogueira, também conhecido como Imperator, no Méier.