thumb|right|250px|Localização da Operação Weserübung.

A Operação Weserübung foi o assalto alemão sobre as nações-neutras da Dinamarca (Weserübung-Süd) e Noruega (Weserübung-Nord) em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial.

Esse ataque marcou o início da Campanha da Noruega, que seria ganha pelos alemães. O nome da operação significa "Exercício no Weser", sendo este um rio alemão. Foi planejada pelo general alemão Nikolaus von Falkenhorst, a pedido de Hitler.

Às 4h15 da madrugada na hora local, A "hora Weser", de 9 de abril de 1940, o "dia Weser", a Alemanha invadiu a Dinamarca e a Noruega, supostamente para protegê-las de um possível ataque da França e Inglaterra.

A Dinamarca resistiu algumas horas à ofensiva alemã, tendo morrido 26 soldados dinamarqueses e 20 alemães.

A resistência norueguesa durou mais tempo, tendo inicialmente os noruegueses afundado o cruzador pesado Blücher e ganhado tempo para a família real fugir para Inglaterra, enquanto Narvik resistiu com ajuda de britânicos, franceses e polacos.

A Dinamarca somente foi liberada da dominação nazista no dia 4 de maio de 1945.

Contexto

Na primavera de 1939, o Almirantado Britânico começou a considerar a Escandinávia como um potencial teatro de guerra em um futuro conflito contra a Alemanha Nazista. Contudo, o governo britânico mostrava-se relutante em se envolver em outro conflito terrestre no continente europeu, temendo a repetição do desgaste da Primeira Guerra Mundial. Por conseguinte, os britânicos passaram a planejar bloqueios navais contra a Alemanha caso a guerra eclodisse. A indústria alemã era fortemente dependente da importação de minério de ferro proveniente das minas na Lapônia sueca, e a maior parte desse minério era transportada pelo porto norueguês de Narvik, livre de gelo durante todo o ano. O controle da costa norueguesa serviria para intensificar um eventual bloqueio contra a Alemanha.

Em outubro de 1939, o chefe da Kriegsmarine, o Grão-Almirante Erich Raeder, discutiu com Adolf Hitler o perigo representado por potenciais bases dos Aliados na Noruega e a necessidade de a Alemanha ocupar preventivamente tais posições. A Kriegsmarine sustentava que a ocupação alemã da Noruega permitiria o controle dos mares adjacentes e serviria de base de lançamento para operações submarinas contra os Aliados. No entanto, os demais ramos da Wehrmacht não demonstraram interesse imediato, e Hitler emitiu uma diretriz estabelecendo que o esforço principal seria uma ofensiva terrestre através dos Países Baixos.

No final de novembro de 1939, Winston Churchill, recém-nomeado membro do Gabinete de Guerra de Chamberlain, propôs a minagem das águas territoriais norueguesas por meio da Operação Wilfred. Isso forçaria os navios de transporte de minério a navegar pelas águas abertas do Mar do Norte, onde a Marinha Real Britânica poderia interceptá-los. Churchill presumia que a Operação Wilfred provocaria uma resposta alemã e que os Aliados poderiam, então, executar o Plano R 4 e ocupar a Noruega. Embora implementada mais tarde, a Operação Wilfred foi inicialmente rejeitada por Neville Chamberlain e por Lord Halifax, temendo uma reação adversa de nações neutras, como os Estados Unidos.

A eclosão da Guerra de Inverno entre a União Soviética e a Finlândia em novembro de 1939 alterou o cenário estratégico, levando o Reino Unido e a França a planejar formalmente, em dezembro de 1939, a ocupação do norte da Noruega e da Suécia sob o pretexto de enviar ajuda militar à Finlândia. O plano previa o desembarque de forças em Narvik, no norte da Noruega — principal porto de exportação do minério sueco —, para assumir o controle da ferrovia Linha do Minério de Ferro (Malmbanan) entre Narvik e Luleå, na costa sueca do Golfo de Bótnia. Isso também permitiria às forças aliadas ocupar as minas de ferro suecas na Lapônia. O plano obteve o apoio de Chamberlain e de Halifax, que contavam com a cooperação da Noruega para mitigar entraves jurídicos; entretanto, advertências severas feitas pela Alemanha à Noruega e à Suécia suscitaram forte oposição em ambos os países nórdicos. O planejamento expedicionário prosseguiu, mas a justificativa formal ruiu com a assinatura do Tratado de Paz de Moscou entre a Finlândia e a União Soviética em março de 1940, encerrando a Guerra de Inverno.

Planejamento

Após uma reunião com o político norueguês Vidkun Quisling em 14 de dezembro, Hitler voltou sua atenção para a Escandinávia. Convencido da ameaça representada pelos Aliados ao fornecimento de minério de ferro, ordenou ao Oberkommando der Wehrmacht que elaborasse um plano preliminar para a invasão da Noruega. O projeto inicial foi denominado Studie Nord e previa o emprego de apenas uma divisão de tropas alemãs.

Entre 14 e 19 de janeiro, a Kriegsmarine desenvolveu uma versão ampliada do plano, baseada em dois fatores fundamentais: o elemento surpresa era vital para neutralizar a resistência norueguesa (e impedir a intervenção aliada), e navios de guerra alemães mais velozes deveriam ser utilizados no transporte de tropas em vez de cargueiros mercantes lentos, permitindo que todos os alvos fossem ocupados simultaneamente. O novo plano mobilizava um corpo de exército completo, incluindo uma divisão de montanha, uma divisão aerotransportada, uma brigada motorizada de fuzileiros e duas divisões de infantaria. Os objetivos operacionais incluíam a capital norueguesa, Oslo, e os principais centros urbanos: Bergen, Narvik, Tromsø, Trondheim, Kristiansand e Stavanger. O plano previa também a rápida captura dos reis da Dinamarca e da Noruega, na expectativa de forçar uma rendição imediata.

Em 21 de fevereiro de 1940, o comando da operação foi confiado ao General Nikolaus von Falkenhorst. Tendo combatido na Finlândia durante a Primeira Guerra Mundial, ele possuía experiência em operações no Ártico, mas assumiria o comando exclusivo das forças terrestres, a despeito do desejo de Hitler por um comando unificado. O plano definitivo recebeu o codinome "Operação Weserübung" em 27 de janeiro de 1940. O contingente terrestre seria o XXI Corpo de Exército, composto pela 3.ª Divisão de Montanha e cinco divisões de infantaria, nenhuma das quais havia sido testada em combate até então. A fase inicial envolveria três divisões de assalto, com o restante na vaga seguinte. Três companhias de paraquedistas (Fallschirmjäger) seriam empregadas na tomada de aeródromos. A decisão de incorporar a 2.ª Divisão de Montanha foi tomada posteriormente.

Quase todas as operações de U-boats no Atlântico foram suspensas para que os submarinos apoiassem a invasão. Todos os submarinos disponíveis, incluindo embarcações de treinamento, foram alocados na Operação Hartmut em suporte à Operação Weserübung. Inicialmente, o planejamento previa a invasão apenas da Noruega, obtendo o controle dos aeródromos dinamarqueses por vias diplomáticas. Todavia, em 1.º de março, Hitler emitiu uma nova diretriz determinando a invasão conjunta da Dinamarca e da Noruega, atendendo à insistência da Luftwaffe na necessidade de bases para caças e instalações de alerta aéreo antecipado. O XXXI Corpo de Exército, formado para a invasão da Dinamarca, reunia duas divisões de infantaria e a 11.ª Brigada Motorizada. Toda a operação contaria com o apoio do X Corpo Aéreo, dispondo de cerca de 1.000 aeronaves de diversos tipos.

Preliminares

Em fevereiro de 1940, o contratorpedeiro britânico abordou o navio-tanque alemão Altmark em águas territoriais norueguesas. A tripulação do Cossack dominou os marinheiros alemães e resgatou os prisioneiros de guerra britânicos a bordo, cuja presença as autoridades norueguesas haviam ignorado repetidamente. Tanto a ação armada britânica quanto o transporte de prisioneiros de guerra pelo Altmark configuravam violações da neutralidade da Noruega. Hitler interpretou o incidente como um indício inequívoco de que os Aliados não respeitariam a neutralidade norueguesa, consolidando sua decisão de invadir o país.

Em 12 de março, o Reino Unido decidiu enviar uma força expedicionária à Noruega no momento em que a Guerra de Inverno chegava ao fim. O embarque das tropas iniciou-se em 13 de março, mas a operação foi cancelada e a força desmobilizada com a assinatura do armistício na Finlândia. Em alternativa, o gabinete de guerra de Chamberlain aprovou a execução da minagem das águas norueguesas, seguida pelo desembarque de tropas.

Em 5 de abril de 1940, a Operação Wilfred foi colocada em marcha, e uma esquadra da Marinha Real liderada pelo cruzador de batalha partiu de Scapa Flow para posicionar campos minados na costa da Noruega. Os primeiros navios da frota de invasão alemã zarparam em 7 de abril de 1940, às 03h00. As minas britânicas foram lançadas no Vestfjorden nas primeiras horas de 8 de abril. Com a conclusão da Operação Wilfred, no mesmo dia, o contratorpedeiro britânico , que se havia desgarrado em 7 de abril à procura de um homem caído ao mar, foi interceptado e afundado pelo cruzador pesado alemão e dois contratorpedeiros da frota invasora. Em 9 de abril, a invasão alemã estava em pleno curso, deflagrando a execução imediata do Plano R 4 pelos Aliados.

Invasão da Dinamarca

thumb|upright=1.3|Blindados alemães Pz.Kpfw. I em Aabenraa, Dinamarca, em 9 de abril de 1940. Estrategicamente, a Dinamarca servia à Alemanha como plataforma de apoio logístico e base de operações para a campanha na Noruega. Sendo uma nação de pequeno porte na fronteira norte da Alemanha, era considerada um território que inevitavelmente teria de ser ocupado. Dada a sua posição geográfica no Mar Báltico, o país era crucial para assegurar o controle das rotas navais e do tráfego marítimo em direção aos principais portos alemães e soviéticos.

Às 04h00 de 9 de abril de 1940, o embaixador alemão na Dinamarca, Cecil von Renthe-Fink, telefonou para o Ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Peter Rochegune Munch, solicitando uma reunião urgente. No encontro, ocorrido 20 minutos depois, Renthe-Fink declarou que tropas alemãs estavam em marcha para ocupar a Dinamarca a fim de protegê-la de um ataque iminente anglo-francês. O embaixador exigiu a cessação imediata de qualquer resistência dinamarquesa e o estabelecimento de contato entre as autoridades do país e as Forças Armadas alemãs. Caso as exigências fossem recusadas, a Luftwaffe bombardearia a capital, Copenhague.

thumb|upright=1.3|Veículo blindado de reconhecimento alemão Leichter Panzerspähwagen na Jutelândia. No momento da apresentação do ultimato, as primeiras incursões alemãs já estavam em andamento: forças de infantaria desembarcaram de uma balsa comercial em Gedser às 03h55 e avançaram rumo ao norte. Unidades de paraquedistas (Fallschirmjäger) realizaram desembarques sem oposição e capturaram dois aeródromos no Aeroporto de Aalborg, a Ponte de Storstrøm e a fortaleza de Masnedø, registrando o primeiro ataque de paraquedistas em combate na história militar.

Às 04h20 (horário local), um batalhão reforçado de infantaria do 308.º Regimento alemão desembarcou no porto de Copenhague a partir do navio lança-minas , capturando a guarnição dinamarquesa no Citadela sem encontrar resistência. Do porto, as tropas marcharam em direção ao Palácio de Amalienborg para capturar a família real dinamarquesa. Ao chegarem à residência real, a Guarda Real Dinamarquesa já havia sido alertada e reforços estavam a caminho do palácio. O ataque alemão inicial contra Amalienborg foi repelido, dando tempo ao rei Cristiano X e aos seus ministros para deliberar com o comandante do Exército Dinamarquês, o General Prior. Enquanto as discussões transcorriam, esquadrilhas de bombardeiros Heinkel He 111 e Dornier Do 17 sobrevoaram a cidade lançando panfletos de propaganda com o cabeçalho em dinamarquês OPROP! ("Proclamação!").