Catalão é um município brasileiro do estado de Goiás. Localiza-se à latitude 18° 9' 57" sul e à longitude 47° 56' 47" oeste e à altitude de 835 metros. Sua população, segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2022, é de habitantes e seu PIB recenseado em 2021 é de mais de 9,92 bilhões de reais e o coloca como a terceira maior economia de Goiás naquele ano. Possui área de aproximadamente 3778 km². Também dá nome ao distrito sede do município (os outros dois são Pires Belo e Santo Antônio do Rio Verde) e a uma microrregião do Estado de Goiás, formada pelos municípios de Catalão, Ipameri, Ouvidor, Três Ranchos, Davinópolis, Goiandira, Cumari, Nova Aurora, Anhanguera e Corumbaíba.

Etimologia A origem histórica da cidade de Catalão passa atualmente por estudos visando descobrir realmente suas origens, pois existe uma corrente tradicional e outra que traz nova configuração sobre este ponto. Assim, tradicionalmente, Catalão originou-se da penetração das entradas e bandeiras, organizadas em comitivas compostas por homens de armas, cavaleiros e padres, que adentravam pelos sertões para a captura de mão-de-obra indígena a ser escravizada e em busca de riquezas minerais.

Dados históricos demonstram a probabilidade da existência do povoado de Catalão a partir de 1728, tendo figurado como ponto de passagem de todas as bandeiras que penetravam pelo sertão goiano.

Em 1736, para cumprimento de ordens reais, veio ao território goiano D. Antônio Luiz da Távora, Conde Sarzedas e Governador da Capitania de São Paulo, a qual o atual estado de Goiás pertencia. Assim por meio de registros da época, fica comprovada a existência do povoado de Catalão.

A penetração pelos sertões goianos efetivou-se nas primeiras décadas do século XVIII, de onde se tinha notícia da existência dos indígenas Guyaz e de terras ricas em minérios, principalmente o ouro. E é assim que se inicia, em território goiano, o extermínio físico e cultural do povo indígena.

A bandeira comandada por Bartolomeu Bueno da Silva, filho de bandeirante cognominado pelos nativos de "Anhanguera", atravessou o Rio Paranaíba, onde abriu o Porto Velho (atual Porto do Lalau), deixando um barco na margem direita do Ribeirão Ouvidor, assinalando sua passagem e continuando sua viagem pelos sertões goianos.

Nas imediações de Catalão, permaneceu um dos capelões da comitiva, Frei Antônio, espanhol natural da Catalunha apelidado de "O Catalão". Juntamente com três companheiros, o frei resolveu criar um ponto de pouso nas proximidades do Córrego do Almoço, tendo em vista a qualidade do solo, a amenidade do clima e, principalmente, a necessidade de reabastecer a bandeira quando do retorno.

Catalão é feito do encontro de dois morros.

História

Período pré-colombiano

Não se conhece ao certo há quanto tempo iniciou-se a ocupação humana nas terras do atual município de Catalão. Sabe-se, contudo, que a região era habitada por dois grupos de indígenas no início do século XVIII.

Nas áreas atualmente correspondentes aos distritos de Catalão e Pires Belo, habitavam os Caiapó, muito provavelmente os mesmos que são hoje conhecidos como Panará e que atualmente habitam o Mato Grosso. Esses indígenas eram seminômades e é de se supor que conheciam a agricultura de abóbora, mandioca, milho e amendoim, pelo menos.

Já na região do atual distrito de Santo Antônio do Rio Verde não é certo que viviam os caiapós do sul, tendo sido aventada a possibilidade de haverem vivido nesta área um grupo genericamente conhecido como carijós, que foram mais tarde levados pelos portugueses para uma redução (local onde os colonizadores reuniam os nativos para catequizá-los) nos atuais municípios de Vazante, Paracatu ou Guarda-Mor. Há também a hipótese que afirma que os indígenas da chapada divisora das bacias do Paranaíba e São Francisco (como é o caso do Chapadão de Catalão) pudessem ser os araxás ou mesmo os cariris, se bem que a região estivesse próxima a aldeia de Itapiraçaba, do povo caiapó do sul. Seja como for, o certo é que, ao contrário das áreas planálticas e de veredas férteis a oeste e sul do município, sabida e longevamente ocupadas por caiapós do sul, a região da chapada, no nordeste do município, era uma área de passagens para várias tribos, até por que não apresentava condição de cultivo para tribos sedentárias, embora fosse muito provavelmente farta em animais para pesca e, sobretudo, caça, dadas estas mesmas condições.

Período colonial Embora desde 1580 expedições portuguesas tenham visitado as terras que hoje correspondem a Goiás, a referência histórica mais antiga sobre a ocupação do atual território catalano refere-se ao ano de 1728, e pode ser encontrada na obra História de Goiás em Documentos - cuidado para não se confundir com Catalão (Espanha), de autoria do filósofo e historiador hispano-brasileiro Luis Palacín Rodríguez. Neste texto, há relatos da época sobre a existência de um certo sítio do Catalão, sendo que este era supostamente um clérigo originário da Catalunha que acompanhou o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, em sua bandeira e que possivelmente estava, já por esta data, residindo na área que daria origem ao município. Portanto, desde 1722, já que foi neste ano que a referida bandeira entrou nas terras que viriam a ser Goiás. Como em 1736, Dom António Luís de Távora, filho do primeiro conde de Alvor e esposo da quarta Condessa de Sarzedas, para cumprimento de ordens reais, veio ao território goiano e mencionou a existência do dito sítio, fica evidente a existência de povoamento em Catalão.

A segunda referência histórica mais antiga sobre o "sítio de Catalão" foi escrita pelo primeiro historiador de Goiás, o padre Luís Antônio da Silva e Souza, em seu texto O descobrimento da Capitania de Goyaz, em 1812. Ele discorre sobre o assassinato do capitão de uma companhia militar que veio de Minas Gerais após uma desavença com Domingo Rodrigues do Padro, genro de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera filho. Isso deve ter ocorrido entre 1732 e 1736. SILVA e SOUZA, O descobrimento da capitania de Goyaz (1812). Goiânia, UFG, 1967.

É relevante destacar que a expressão "sítio", à época, tinha um significado mais amplo, remetendo de maneira mais conforme à expressão latina situ, que a originou. Neste sentido, sítio era mais que uma propriedade, era um lugar habitado. De toda forma, no sítio do Catalão conta-se haver estabelecido um certo clérigo de origem catalã, o qual, provavelmente em companhia de outras pessoas, produzia víveres para os bandeirantes que iam para as minas de ouro mais ao centro da então capitania de Goiás. Era Catalão, então, centro de abastecimento das bandeiras e da gente que viria a ocupar Goiás. Desta forma, Catalão é um dos únicos municípios de Goiás, além de Formosa (Arraial dos Couros - 1749), cuja povoação iniciou-se antes de 1800, que não surgiu em função da existência de ouro.

Em 1810, um fazendeiro chamado Antônio Manuel cedeu um lote de suas terras para a construção da igreja de Nossa Senhora Mãe de Deus. Este foi movido não só pela devoção, mas também pelo interesse de atrair moradores para a região e valorizar suas terras. Nesta igreja começaram a celebrar festas religiosas; surgem então ao redor da igreja armazéns e vendas, dando início a um comércio e, com isso, um povoado, que posteriormente se torna arraial, vila e cidade.

Período imperial thumb|esquerda|250px|Mapa do século XIX, em que consta Catalão. Em 1824, o arraial de Catalão tinha 18 casas e uma igreja ou capela, segundo estatística feita neste ano pelo brigadeiro Cunha Matos. Todavia, a pequena urbe deveria ser maior, já que por "casa" se entendia apenas as construções de alvenaria, se ignorando os "ranchos", feitos de pau-a-pique e recobertos por folhas de coqueiros, em especial o babaçu.

Em 1828, já havia um povoado na região com o nome de Catalão. Este povoado, em 1833, foi elevado à condição de município e sua sede elevou-se a vila, desmembrando-se de Santa Cruz.

Na década de 1830, era conhecida por ser uma região próspera, mas também era violenta. A violência não era devida à disputa de terras, mas se dava pelas disputas pessoais ou decorrentes de crimes passionais.

No ano de 1850, Catalão tornou-se sede da Comarca do Rio Paranaíba, a qual abrangia também os atuais municípios de Ipameri e Corumbaíba. Deve se destacar que por volta dessa época, o município fazia parte de duas rotas comerciais que vinham da Corte para o Estado de Goiás, uma provindo de Uberaba e outra de Araxá. Em 20 de agosto de 1859, a vila tornou-se cidade e, em 1868, foi criado o primeiro mercado público no município. Panoramas do que era a vida em Catalão em meados do século XIX podem ser encontrados na obra de Bernardo Guimarães, O Índio Afonso.

Em fins do século XIX, o local possuía de 190 a 200 casas e continha pouco mais de mil habitantes. Em 1892, Catalão figurava em quarto lugar em arrecadação do Estado; com a aproximação da estrada de ferro, nesta década, pelo Triângulo Mineiro, chegando até o município de Araguari (Minas Gerais), passou para primeiro lugar.

O coronelismo já havia adquirido forma definida no começo da década de 1860. Era a época de domínio do coronel Roque Alves Azevedo, que contava com o apoio unânime da Câmara Municipal. Não se sabe como, nem quando, o coronel Roque deixou de ser chefe político, mas por volta dos fins de 1860 começa a ascensão de Antônio Paranhos à condição de líder máximo da comunidade. Também nesta década, foi juiz em Catalão Bernardo Guimarães, o qual inclusive publicou, em uma de suas obras (O Ermitão de Muquém), histórias de personagens baseadas em tipos humanos que ele viu na comarca.

É importante destacar que o município de Catalão era, já na década de 1880, o mais populoso do Estado de Goiás (posto que a cidade só alcançaria no censo de 1920), o que de certa forma reflete o dinamismo econômico do local. Todavia, é lícito recordar que ao município de Catalão correspondiam todos os municípios que atualmente estão na região de mesmo nome, além de Urutaí, embora essa observação também valha para os demais municípios de Goiás à época, visto que todos eles sofreram desmembramento, sendo naquele tempo, pois, maiores do que atualmente.

Período republicano thumb|esquerda|Catalão em 1892; Expedição Cruls.

Nos primeiro anos do século XX, Catalão era fornecedora de gado e charque para as regiões produtoras de café. Na década de 1910, com a chegada da ferrovia, o município, que passara a vender também arroz e feijão para as regiões cafeicultoras, se torna o mais rico do Estado de Goiás, além do mais populoso do Centro-Oeste, com 34 524 habitantes.

Todavia, a transferência da capital estadual para Goiânia, urdida por Pedro Ludovico Teixeira na década de 1930, a transferência da capital nacional para Brasília, na década de 1960, e a modernização da economia de Uberlândia, nas décadas de 1970 e 1980, por deslocarem o centro econômico da região, fizeram a importância do município declinar sensivelmente.

Somente a descoberta e a posterior exploração de minérios no Domo Ultramáfico Alcalino de Catalão I e no Domo Ultramáfico Alcalino de Catalão II, em especial nióbio e fosfato, dão novo alento à economia catalana, que volta a se desenvolver.

Uma nova crise surge no começo da década de 1990, por causa da privatização da Goiasfértil (hoje Fosfertil) pelo governo federal e da perda de competitividade do fosfato nacional. No entanto, a forte industrialização do município, motivada por políticas estaduais de incentivos fiscais, a partir da segunda metade da década de 1990, torna a economia catalana, em 2005, a terceira mais importante de Goiás, uma conquista relevante ao passo que era o 16º município mais populoso do estado.