direita|thumb|200px|Uma folha de papel branco O papel é um material constituído por elementos fibrosos de origem vegetal, como a celulose, geralmente distribuído sob a forma de folhas ou rolos. Tal material é feito a partir de uma espécie de pasta desses elementos fibrosos, secada sob a forma de folhas, que por sua vez são frequentemente utilizadas para escrever, desenhar, imprimir, embalar, etc. Do ponto de vista químico, o papel se constitui basicamente de ligações de hidrogênio.
Linha do tempo Desde os tempos mais antigos e com a finalidade de representar objetos inanimados ou em movimento, o homem vem desenhando nas superfícies dos mais diferentes materiais. Nesta atividade, tão intimamente ligada ao raciocínio, utilizou, inicialmente, as superfícies daqueles materiais que a natureza oferecia praticamente prontos para seu uso, tais como paredes rochosas, pedras, ossos, folhas de certas plantas, etc.
Acompanhando o desenvolvimento da inteligência humana, as representações gráficas foram se tornando cada vez mais complexas, passando desse modo a significar ideias. Este desenvolvimento, ao permitir, também, um crescente domínio dessas circunstâncias através de utensílios por ele criado, levou o homem a desenvolver suportes mais adequados para as representações gráficas. Com esta finalidade, a história regista o uso de tabletes de barro cozido , tecidos de fibras diversas, papiros, pergaminhos e, finalmente, papel.
A maioria dos historiadores concorda em atribuir a Cai Luan (ou Tsai Luan) da China a primazia de ter feito papel por meio da polpação de redes de pesca e trapos, e mais tarde usando fibras vegetais. Este processo consistia num cozimento forte das fibras, após o que eram batidas e esmagadas. A pasta obtida pela dispersão das fibras era depurada e a folha, formada sobre uma peneira feita de juncos delgados unidos entre si por seda ou crina, era fixada sobre uma armação de madeira. Conseguia-se formar a folha celulósica sobre este molde, mediante uma submersão do mesmo na tinta contendo a dispersão das fibras ou mediante o despejo da certa quantidade da dispersão sobre o molde ou peneira. Procedia-se a secagem da folha, comprimindo-a sobre a placa de material poroso ou deixando-a pendurada ao ar. Os espécimes que chegaram até os nossos dias provam que o papel feito pelos antigos chineses era de alta qualidade, o que permite, até mesmo, compará-los ao papel feito atualmente.
Matéria-prima As fibras para sua fabricação requerem algumas propriedades especiais, como alto conteúdo de celulose, baixo custo e fácil obtenção — razões pelas quais as mais usadas são as vegetais. O material mais usado é a polpa de madeira de árvores, principalmente pinheiros (pelo preço e resistência devido ao maior comprimento da fibra) e eucaliptos (pelo crescimento acelerado da árvore). Antes da utilização da celulose em 1840, desenvolvida pelo engenheiro alemão Friedrich Gottlob Keller, outros materiais como o algodão, o linho e o cânhamo eram utilizados na confecção do papel.
Atualmente, os papéis feitos de fibras de algodão são usados em trabalhos de restauração, de arte e artes gráficas, tal como o desenho e a gravura, que exigem um suporte de alta qualidade.
Nos últimos 20 anos, a indústria papeleira, com base na utilização da celulose como matéria-prima para o papel, teve notáveis avanços, no entanto as cinco etapas básicas de fabricação do papel se mantêm: (1) estoque de cavacos, (2) fabricação da polpa, (3) branqueamento, (4) formação da folha, (5) acabamento.
No início da chamada "era dos computadores", previa-se que o consumo de papel diminuiria bastante, pois ele teria ficado obsoleto. No entanto, esta previsão foi desmentida na prática: a cada ano, o consumo de papel tem sido maior.
É fato que os escritórios têm consumido muito mais papel após a introdução de computadores. Isso pode ter ocorrido tanto porque, com os computadores, o acesso à informação aumentou muito (aumentando a oferta de informações, aumenta também a demanda), quanto pela facilidade do uso de computadores e impressoras, o que permite que o uso do papel seja menos racional que outrora (escrever à mão, ou à máquina datilográfica, exigia muito mais esforço, diminuindo o ímpeto de gastar papel com materiais inúteis). De fato, a porcentagem de papéis impressos que nunca serão lidos é bastante alta na maior parte dos escritórios (especialmente os que dispõem de impressoras a laser (as quais imprimem numerosas páginas por minuto).
Produção
thumb|As cinco etapas principais do processo tradicional de produção do papel na China
Para se transformar a madeira em polpa, que é a matéria prima do papel, é necessário separar a lignina, a celulose e a hemicelulose que constituem a madeira. Para isso se usam vários processos, sendo os principais os processos mecânicos e os químicos.
Os processos mecânicos basicamente trituram a madeira, separando apenas a hemicelulose, e assim produzindo uma polpa de menor qualidade, de fibras curtas e amareladas.
O principal processo químico é o kraft, que trata a madeira em cavacos com hidróxido de sódio e hidrossulfeto de sódio, que dissolve a lignina, liberando a celulose como polpa de papel de maior qualidade. O principal inconveniente deste processo é o licor escuro também conhecido como licor negro que é produzido pela dissolução da lignina da madeira. Este licor deve ser tratado adequadamente devido a seu grande poder poluente, já que contém compostos de enxofre tóxicos e mal-cheirosos e grande carga orgânica. O reaproveitamento desta lignina é diverso, podendo o licor ser concentrado por evaporação e usado até mesmo como combustível para produção de vapor na própria fábrica. O branqueamento da polpa de papel subsequente também é potencialmente poluente, pois costumava ser feito com cloro, gerando compostos orgânicos clorados tóxicos e cancerígenos. Atualmente o branqueamento é feito por processos sem cloro elementar conhecido como ECF do inglês "elemental chlorine free" (usam dióxido de cloro) ou totalmente livres de cloro conhecido como TCF do inglês "total chlorine free" (usam peróxidos, ozônio, etc.). Estudos apontam que o efluente que sai de ambos os processos quando tratado não possui diferença significativa quanto ao teor tóxico sendo ambos de baixíssimo impacto ambiental. Aplicações industriais têm apontado para uma redução na emissão de óxidos de nitrogênio (dióxido de nitrogênio e monóxido de nitrogênio) na mudança do processo TCF para o processo ECF. Essas duas evidências em conjunto têm começado a fazer o setor repensar quanto a qual processo dentre os dois é efetivamente menos poluente e quebra um grande paradigma no setor que acreditava como dogma que o processo totalmente livre de cloro (TCF) era o mais adequado ambientalmente.
Produção mundial Maiores produtores de papel e celulose do mundo em 2019, em milhões de toneladas por ano (fonte: WorldPaperMill) 1. China 99,3 2. Estados Unidos 75,0 3. Japão 26,6 4. 22,6 5. 12,1 6. 11,4 7. 11,3 8. 11,2 9. 10,1 10. 10,0
Tamanhos padronizados
thumb|Diferentes tamanhos de papel
As folhas de papel comercialmente vendidas são cortadas em tamanhos predefinidos. Os mais comuns são Carta e A4, usados em escritórios e tarefas escolares. As gráficas também usam papel em tamanho A3, principalmente para confecção de cartazes. As dimensões são agrupadas em um tipo de "família", onde os valores crescem na seguinte proporção: A) a altura do tamanho atual passa a ser a largura do próximo tamanho, e B) a altura do próximo tamanho é o dobro da largura do tamanho actual. Alguns exemplos:
W=width, largura H=height, altura
Tamanhos de papel conhecidos U.S. standard Polegadas cm Pontos Nome W × H W × H W × H 11x17 11.0 17.0 27.9 43.2 792 1224 11×17in portrait (retrato) ledger 17.0 11.0 43.2 27.9 1224 792 11×17in landscape (paisagem) legal 8.5 14.0 21.6 35.6 612 1008 letter 8.5 11.0 21.6 27.9 612 792 lettersmall 8.5 11.0 21.6 27.9 612 792 archE 36.0 48.0 91.4 121.9 2592 3456 archD 24.0 36.0 61.0 91.4 1728 2592 archC 18.0 24.0 45.7 61.0 1296 1728 archB 12.0 18.0 30.5 45.7 864 1296 archA 9.0 12.0 22.9 30.5 648 864 Norma ISO a0 33.1 46.8 84.0 118.8 2380 3368 a1 23.4 33.1 59.4 84.0 1684 2380 a2 16.5 23.4 42.0 59.4 1190 1684 a3 11.7 16.5 29.7 42.0 842 1190 a4 8.3 11.7 21.0 29.7 595 842 a4small 8.3 11.7 21.0 29.7 595 842 a5 5.8 8.3 14.9 21.0 421 595 a6 4.1 5.8 10.5 14.9 297 421 a7 2.9 4.1 7.4 10.5 210 297 a8 2.1 2.9 5.2 7.4 148 210 a9 1.5 2.1 3.7 5.2 105 148 a10 1.0 1.5 2.6 3.7 74 105 isob0 39.4 55.7 100.0 141.4 2836 4008 isob1 27.8 39.4 70.7 100.0 2004 2836 isob2 19.7 27.8 50.0 70.7 1418 2004 isob3 13.9 19.7 35.3 50.0 1002 1418 isob4 9.8 13.9 25.0 35.3 709 1002 isob5 7.0 9.8 17.7 25.0 501 709 c0 36.1 51.1 91.7 129.7 2600 3677 c1 25.5 36.1 64.8 91.7 1837 2600 c2 18.0 25.5 45.8 64.8 1298 1837 c3 12.8 18.0 32.4 45.8 918 1298 c4 9.0 12.8 22.9 32.4 649 918 c5 6.4 9.0 16.2 22.9 459 649 c6 4.5 6.4 11.4 16.2 323 459 JIS standard jisb0 103.0 145.6 jisb1 72.8 103.0 jisb2 51.5 72.8 jisb3 36.4 51.5 jisb4 25.7 36.4 jisb5 18.2 25.7 jisb6 12.8 18.2 ISO/JIS switchable b0 (ver *) b1 (ver *) b2 (ver *) b3 (ver *) b4 (ver *) b5 (ver *) Outros flsa 8.5 13.0 21.6 33.0 612 936 U.S. foolscap flse 8.5 13.0 21.6 33.0 612 936 European foolscap halfletter 5.5 8.5 14.0 21.6 396 612
Tipos de papel Entre os muitos conhecidos podem-se citar:
Papel ácido Papel alcalino
Papel químico Papel autocopiativo Papel bíblia Cartolina (ou papel-cartão) Papel para cartucho – para armas de fogo antigas Papel couché
Papel de cera
– um tipo de papel termossensível Papel higiênico Papel-jornal
Papel fotográfico
Papel manteiga Papel offset Papel de parede Papel térmico Papelão Papel reciclado
Papel vegetal Papel vergé Papel sulfite Papel de arroz
Ver também Reciclagem de papel Polpa de celulose
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