O Estádio do Marítimo, anteriormente designado Estádio dos Barreiros, localiza-se na cidade do Funchal, na Ilha da Madeira, Portugal e é propriedade do Club Sport Marítimo, onde manda os seus jogos. Foi oficialmente inaugurado a 5 de Maio de 1957 e reinaugurado em 2016, tem 10 600 lugares sentados totalmente cobertos, incluindo 42 camarotes distribuídos por dois níveis.
Lugar mítico do futebol madeirense, conhecido pelo "Caldeirão dos Barreiros", foi propriedade da Região Autónoma da Madeira até 2009. Em reunião de Conselho do Governo Regional da Região Autónoma da Madeira a 13 de Setembro de 2007,Funchal, Diário de Notícias "O Governo Regional da Madeira propôs ao CS Marítimo prescindir do prometido Estádio para a zona da Praia Formosa e, ao que foi possível apurar, os responsáveis do clube terão aceite a nova/velha ideia de fazer dos 'Barreiros' um novo e moderno espaço desportivo(…)" o estádio passou a ser propriedade do Club Sport Marítimo.
Alvo de remodelação profunda, já nas mãos do Club Sport Marítimo, entre 2009 e 2016 o estádio transformou-se, por criação do Arq. Pedro Araújo, num equipamento de elevada qualidade para a realização de espetáculos desportivos, culturais e de lazer, moderno e polivalente. O estádio foi alvo de um investimento de 46.5 milhões de euros tendo o Governo Regional da Madeira comparticipado com 31.5 milhões e o Marítimo com o restante.
História (1923-1957) A história do Estádio dos Barreiros inicia-se em 1923, ano em que o Clube Desportivo Nacional tomou posse de cerca de 18.000 m² de terrenos no Sitio dos Barreiros para a construção de um recinto pelado onde se praticava futebol, em concorrência com o campo Almirante Reis, no centro do Funchal.Separata do Boletim Distrital nº 5 de Maio de 1957, da Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal
As obras tiveram início em 1925 e em 26 de Junho de 1927, o campo de futebol foi inaugurado, com a presença do Vitória Futebol Clube de Setúbal.
Consistia num terreno de terra batida com as dimensões regulamentares para a pratica de futebol (não havia qualquer pista de atletismo), e uma orientação quase perpendicular ao recinto atual (Poente-Nascente). Incluía umas pequenas bancadas localizadas a Poente e outras a Sul. Este Campo desenvolvia-se de forma paralela à Rua Dr. Pita e ocupava os terrenos (em cerca de 5.000 m²) da atual Rua dos Barreiros, que na altura não existia, bem como parte do terreno do atual Estádio na sua parte Norte junto à Rua Dr. Pita (com cerca de 13.000 m²).
Então, dos cerca de 30.899 m² do atual Estádio, apenas 13.000 m² foram, nessa altura, ocupados pelo campo (Stadium) dos Barreiros, nos poucos anos em esteve na posse do Clube Desportivo Nacional.
Apesar da inauguração ter ocorrido em 1927, as obras só ficaram concluídas em 1930 e com custos muito elevados para a altura (848 contos).
É nesta altura que o Club Sport Marítimo, mais interessado no investimento no (seu) campo do Almirante Reis, chega a não participar em competições regionais, destacadas para o campo dos Barreiros.
Pouco demorou até que o acumular os problemas financeiros por parte do Clube Desportivo Nacional viessem à tona. Os custos das obras - por pagar - e as despesas com a manutenção e gestão do espaço não encontraram cobertura, não tendo sido possível reunir esforços a partir de qualquer grupo de sócios e simpatizantes daquele clube, no sentido de salvar o respetivo património. miniaturadaimagem|250x250px|Campo dos Barreiros - 1936 Assim, apenas três anos depois da conclusão das obras, Diogo Freitas, gerente comercial e consorte e António Pereira Camacho, construtor civil e consorte, empreiteiros, em consequência do não pagamento de dívidas, arremataram judicialmente no dia 4 de Março de 1933, o prédio denominado Stadium dos Barreiros ou Campo dos Barreiros, perante o Tribunal Judicial do Funchal com autos de execução requeridos contra o Clube Desportivo Nacional, distribuídos ao então Escrivão do quarto ofício, António Fernandes Camacho, tendo ficado proprietários plenos do prédio que se compunha de cerca de dezoito mil metros quadrados(18.000 m²), descritos pelos números 27.319, 75.320 e 27.321 do Livro B (matriz predial, artigo 37).Escritura pública de 24 de Fevereiro de 1939
Termina aí, logo em 1933, ou seja dez anos após ter tomado posse do terreno, a curta relação do Clube Desportivo Nacional com o Campo dos Barreiros.
Ultrapassada a breve fase nacionalista, e após aquela arrematação, um grupo de personalidades, constituído por figuras ilustres da Madeira - incluindo os novos proprietários (empreiteiros) - decidiram manter o Campo em atividade suportando as despesas de manutenção.
Criou-se, então, uma "Comissão de Manutenção e de Exploração" do espaço, constituída por um extenso grupo de personalidades e empresas do Funchal, na defesa de um espaço da Cidade e para o Desporto.
Mas, em 1938, também aquele grupo viu infrutífera a sua ação, tendo pedido à então Junta Geral do Funchal que nele realizasse os melhoramentos necessários (in Notícia Histórica, no mesmo Boletim) devido ao mau estado de conservação do campo. Há relatos de jogos transferidos para outros locais devido ao lamaçal em ficava o campo quando chovia.
No mês de Março de 1938, a Junta Geral do Funchal deliberou fazer o estudo das obras necessárias para a construção de um Estádio digno desse nome e da Cidade e nomeou uma comissão para se encarregar desse estudo. Em Fevereiro de 1939 o estudo foi entregue à Junta Geral do Funchal e o anteprojeto foi aprovado. As obras previstas foram orçadas em 1.400 contos e o campo ficaria com uma lotação de 10.600 espectadores.
Na sequência deste estudo, e, diz-se, por influência do Vice-Presidente da Junta Geral Autónoma do Distrito, o Eng. António Egídio Henriques de Araújo, que era ao mesmo tempo membro da lista de acionistas (personalidades) da referida Comissão que assegurou a manutenção (funcionamento) do Campo após 1933, e segundo outorgante, em representação da Junta Geral do Funchal na escritura de 24 de Fevereiro de 1939, os senhores Diogo Freitas e consorte e António Pereira Camacho e consorte, legítimos proprietários do prédio “Stadium dos Barreiros” prometeram à Junta Geral do Funchal a cedência gratuita, ou doação de todo o prédio (de dezoito mil metros quadrados), subordinado às seguintes condições:Idem
a) pagamento a António Pereira Camacho a importância de 35.000$00;
b) 2.300$00 por contribuição predial;
c) Livre-trânsito para os elementos da comissão de manutenção ou exploração do campo;
d) o uso do referido prédio principalmente para o exercício da educação física dos alunos dos estabelecimentos de ensino da Região, sem quaisquer indicações imediatas que não a de realização oportuna das obras necessárias ou convenientes à mesma e aplicação exclusiva e permanente do bem à prática desportiva.
Nessa altura, recorde-se, existia um campo de futebol, sem pista de atletismo, num terreno de 18.000 m².
Algumas referências registam que a cedência do campo é feita pelos acionistas ou associados (da Comissão de Exploração) mas a escritura pública de 24 de Fevereiro de 1939 apenas refere que é concretizada pelos dois empreiteiros. Pelo que tudo aponta para que a “dívida” pendente devido às obras efetuadas (até 1930) a mando do Clube Desportivo Nacional, tenha sido efetivamente saldada por esse grupo que também se encarregou (aí sem sucesso a curto prazo) da manutenção do espaço. Motivados pelo facto de entenderem ser aquele espaço, destinado ao desporto, uma mais-valia para a Cidade do Funchal que merecia aquela intervenção.
Após a tomada de posse dos referidos 18.000 m², a Junta Geral do Funchal encarregou um arquiteto para elaborar o projeto dum recinto de Jogos, o que não chegou a concretizar-se, devido ao reconhecimento de que a área disponível nos Barreiros (o terreno recebido) não era suficiente para construir o Estádio pretendido.
A solução do problema foi então entregue à Câmara Municipal do Funchal, que, em 1947 nomeou uma comissão com a finalidade de encontrar um novo local. Esta comissão depois de ter visitado diversos terrenos (Quintas Pavão e Bianchi, Pombal, Almirante Reis e Ilhéus), chegou à conclusão que o sitio apropriado era mesmo o dos Barreiros, na zona do antigo campo, sendo, no entanto necessário expropriar mais cerca de 20.000 m² para o lado poente, permitindo a criação de novos acessos viários e que o novo Estádio pudesse servir outros desportos além do futebol, nomeadamente, o Atletismo.
Em 23 de Março de 1949 deliberou a Junta Geral, encarregar o arquiteto António Couto Martins para elaborar o projeto de ampliação do Campo dos Barreiros. Para este propósito o Estado Português comparticipou com 1.000 contos, em 21 de Março de 1951 através do Comissariado do Desemprego.
Mais tarde, em 1952, o projeto foi retificado pelo mesmo arquiteto e pelo Eng. Félix do Amaral.
Na sequência da aprovação do projeto a Câmara Municipal do Funchal, sob o patrocínio da Junta Geral do Funchal, procedeu entre 30 de Setembro de 1952 e 19 de Janeiro de 1953 a diversas expropriações, totalizando cerca de 20.000 m², em que os expropriados declararam, no termo de expropriação com força de escritura pública, que aceitavam e se davam satisfeitos com as quantias recebidas, cedendo livre e espontaneamente para todo o sempre à Junta Geral do Funchal, todo o domínio, direito e posse ou acção que à mesma tinham e possuíam. A maior parte do terreno então expropriado pertencia a uma empresa (“The Ocean Island Fruits Company limited”) com cerca de 15.800 m².
O concurso público foi realizado no dia 25 de Março de 1953, sendo a obra sido adjudicada ao construtor João Augusto de Sousa.
Em 27 de Abril do mesmo ano iniciaram-se as obras, tendo sido o Governador do Distrito, capitão-de-mar-e-guerra Camacho de Freitas a dar a primeira “enxadada”.
A receção definitiva da obra foi concretizada a 18 de Fevereiro de 1956.
Estádio dos Barreiros (1957-2009) thumb|250x250px|Antigo Estádio dos Barreiros - 1997O projeto do antigo Estádio dos Barreiros foi elaborado pelo arquiteto António Couto Martins em 1953. A implantação do Estádio ocupou cerca de 26.600 m² para uma capacidade de cerca de 17.000 espectadores distribuídos por duas Bancadas, uma a Poente constituída pela denominada "Central" e duas "Cabeceiras" - Norte e Sul - e a Bancada Nascente, mais conhecida pelo "Peão", por ser uma bancada destinada a espectadores que viam os jogos de pé. A área do parque de estacionamento era de 1.800 m² e situava-se a Poente, por detrás da Bancada Central. O relvado tinha as dimensões de 107 x 70 m, com uma orientação Norte-Sul, envolvida por uma pista de atletismo com apenas 4 pistas em terra batida. Os balneários situavam-se no topo sul do estádio onde se situava o marcador de informação do resultado, muito característico, já que os números eram colocados a mão junto à parede por cima das portas dos balneários. O custo total da obra atingiu os 12.000 contos, para além do custo das expropriações que atingiu os 2.300 contos, aproximadamente. A comparticipação do Estado ascendeu a pouco mais de 1.300 contos.
No dia 5 de Maio de 1957, realizou-se, às 15.30 horas, a inauguração do antigo Estádio dos Barreiros, presidida pelo então Ministro das Obras Públicas o Eduardo de Arantes e Oliveira, na presença de 12 mil espectadores, tendo-se obtido uma receita de bilheteira de cerca de 254 contos.
Desde então, muitas pequenas obras foram efetuadas no estádio, para o adaptar às necessidades dos nossos dias, que o alteraram significativamente do ponto de vista estético e mesmo funcional.
Das alterações introduzidas, salientamos; as 8 pistas de atletismo em piso sintético, sendo para isso necessário o corte da Bancada - Cabeceira Norte - a construção de uma tribuna, cabines de imprensa, a redução da área do recinto de jogo, a reconversão do "Peão" em zona de bancada, e a colocação de cadeiras plásticas individuais aparafusadas às antigas Bancadas de pedra de basalto natural da Madeira.