Theaceae é uma família botânica pertencente à ordem Ericales. Ela inclui atualmente 9 gêneros e 254 espécies, distribuídas especialmente nas regiões temperadas quente, tropicais e subtropicais do Velho Mundo (China, Japão, Sudeste Asiático), e também na América. Existem ainda algumas espécies na África e Oceania, e na Europa se encontram ausentes.
O termo "Theaceae" deriva de Thea que, por sua vez, tem sua origem no termo mandarim chá (tsay, conforme pronúncia em alguns locais da China), sendo que através dos comerciantes holandeses na Europa o nome teve sua pronúncia conservada e foi popularizado como “tea”. Thea é o nome genérico dado por Carl von Linné a certas espécies desta família.
O gênero Camellia abriga espécies de grande interesse econômico, como é o caso de C. sinensis do qual se extrai suas folhas para a obtenção de chá, sendo extensivamente cultivada pelos países asiáticos da qual é nativa, e também em plantações em outras regiões como na faixa equatorial da África. C. japonica, popularmente conhecida como camélia, também é cobiçada economicamente devido às suas características ornamentais, uma vez que apresenta flores grandes e bastante coloridas, cuja beleza é comparável à das rosas.
Outros gêneros também importantes são Stewartia e Gordonia, gêneros asiáticos com grandes flores ornamentais; Franklinia alatamaha, nativa dos Estados Unidos porém atualmente se encontra extinta na natureza.
Distribuição Costumam ser encontradas em florestas temperadas, subtropicais e tropicais. A maior diversidade em relação ao número de gêneros e espécies se concentra no Velho Mundo. Apesar da família, em geral, ser amplamente distribuída ao redor do mundo, os gêneros costumam se apresentar restritos a uma única e grande área geográfica, demonstrando relativo endemismo, salvo exceções como em Stewartia, em que apenas 2 espécies se encontram no leste da América do Norte, enquanto o restante das espécies desse gênero se encontram na Ásia.
Distribuição no Brasil Poucos trabalhos citam a distribuição do táxon no Brasil. Um deles avalia essa diversidade no estado da Bahia, indicando a ocorrência exclusiva de Laplacea fruticosa. Outro trabalho indica a ocorrência de dois gêneros no estado de São Paulo, sendo eles Laplacea e Ternstroemia. Entretanto, Ternstroemia não é mais um gênero pertencente a Theaceae, e sim a Pentaphylacaceae, o que deixaria Laplacea como o único gênero atual presente no estado de São Paulo, representado também unicamente por L. fruticosa. No momento da publicação, a espécie era a única representante do gênero presente na América do Sul, exibindo ampla distribuição no Brasil, da Amazônia até o Paraná. Entretanto, a espécie foi realocada e atualmente pertence ao gênero Gordonia. Assim, de forma geral, com a mudança de diversos gêneros de Theaceae lato sensu para Pentaphylacaceae, apenas Gordonia fruticosa (antiga L. fruticosa) é encontrada com distribuição natural no Brasil, embora gêneros de Camellia, sobretudo Camellia japonica, seja muito cultivada em jardins brasileiros.
Morfologia
Hábito e folhas São caracterizadas como árvores ou arbustos mesofíticos, glabrosos ou não. Suas folhas são simples, persistentes, alternas, espiraladas, coriáceas e frequentemente de pecíolo curto, de margem serreada, sem estípulas, prefoliação convoluta ou conduplicado-involuta. Encontram-se conforme o padrão de filotaxia como opostas dísticas.
A lâmina é imbuída com uma venação peninérvea e cruzada, e é disposta dorso-ventralmente com 2 a 3 camadas de parênquima paliçádico. É comum observar o mesófilo com idioblastos esclerenquimáticos, com variações entre cada gênero.
Flores As flores são frequentemente vistosas, apresentando 5 ou mais sépalas e pétalas livres entre si. Em Camellia, as sépalas e pétalas costumam ser bastante semelhantes e com número variado, e por isso considera-se que possuam tépalas. O androceu conta com numerosos estames, e o gineceu com ovário súpero, com um a cinco estiletes, estigmas lobados ou capitados. Pseudopólen é produzido do tecido conectivo. A função do pseudopólen é desconhecida, sem indícios de que seja nutritivo.
Frutos Os frutos podem ser carnosos ou não, assim como também podem ser deiscentes ou não. É comum serem capsulares, porém também são observados frutos capsulares-indeiscentes, bagas e drupas. A cápsula geralmente é loculicida e com uma columela persistente. Apresentam 3 ou mais sementes de constituições diversas. A abertura pode ser apical, valvar, ou irregular.
Sementes As sementes são comumente não-endospérmicas. Podem ser conspicuamente pilosas ou não. A germinação das sementes varia entre o padrão fanerocotiledonar e criptocotiledonar.
Histologia A cortiça é pericíclica. As perfurações entre vasos são escalariformes opostas. Podem possuir fibras pericíclicas. Possuem esclereídes e células mucilaginosas. Estômatos podem ser paracíticos, anisocíticos ou ciclocíticos. Tricomas unicelulares. A testa é maciça, e enquanto a endotesta e exotesta podem ou não ser lignificadas, a mesotesta é lignificada, sendo fibrosa e com esclereídes. O endosperma é nuclear/cenocítico.
Fitoquímica Não cianogênico. Não produzem látex. Alcaloides podem estar presentes ou ausentes. Iridoides não detectados. Proantocianidinas geralmente presentes. Flavonoides podem estar presentes ou ausentes. Ácido elágico pode estar presente ou ausente. Geralmente são acumuladoras de alumínio. O chá feito com folhas de Camellia sinensis é associado com diversos benefícios à saúde humana, benefícios esses atribuídos a polifenóis passados da folha ao chá, como a catequina, epicatequina, epigalocatequina e ácido gálico.
Evolução, Filogenia e Taxonomia
História Natural O grupo coroa de Theaceae é datado entre cerca de 63 Ma a 49 Ma. Junto a Magnoliaceae, Lauraceae e Fagaceae, o grupo é um componente proeminente de florestas perenes subtropicais de folhas largas do Leste Asiático, sendo cerca de 148 espécies, isto é, 55% da família crescendo lá. Outros 33% crescem na Ásia Tropical.
Camellia japonica participa de uma interação com o gorgulho da camélia (Curculio camelliae), predador das sementes. Para acontecer, a cápsula da planta deve ser do tamanho de uma maçã, o pericarpo de espessura de 2 cm, acompanhado do rostro do gorgulho de mais de 2 cm, o qual utiliza para perfurar a fruta, buraco por onde depositará o ovo nas sementes.
Filogenia Conforme resultados de análises moleculares filogenéticas, Theaceae se encontra como uma família pertencente à ordem Ericales, abrigando apenas 1 única subfamília, Theoidae. Ainda é desconhecido o táxon com parentesco mais próximo dessa família, mas sugere-se que haja uma certa aproximação com Pentaphylacaceae. centro|miniaturadaimagem|639x639px|Árvore filogenética da ordem Ericales: nota-se a proximidade de Theaceae com Pentaphylacaceae.
Lista de espécies A lista para os 9 gêneros atuais é fornecida pelo World Flora Online.
Apterosperma Apterosperma oblata H.T.Chang
Camellia