miniaturadaimagem| Nelson Ferreira Nelson Heráclito Alves Ferreira (Bonito, 9 de dezembro de 1902 — Recife, 21 de dezembro de 1976) foi um compositor brasileiro.

Era conhecido entre os amigos e no ambiente musical como Moreno bom

Tendo de sua autoria composições de vários ritmos e estilos, como foxtrote, tango, canção, especializou-se e foi conhecido no Brasil como compositor de frevos.

Biografia Nelson Ferreira nasceu em Pernambuco, filho de um violonista vendedor de jóias e de uma professora primária. Aprendeu a tocar violão, violino e piano.

Fez sua primeira composição aos quinze anos, a valsa Vitória, sob encomenda.

Tocou em pensões, cafés e saraus e nos cinemas Royal e Moderno, no Recife, sendo considerado o pianista mais ouvido na época do cinema mudo.

Foi diretor artístico da Rádio Clube de Pernambuco, convidado por Oscar Moreira Pinto.

Casou-se em 17 de julho de 1926 com dona Aurora Salgueiro Ramos (9 de abril de 1904 - 31 de janeiro de 1985), na Matriz de Santo Antônio, no Centro de Recife. Tiveram um único filho: Luiz Carlos Ramos Ferreira (4 de novembro de 1933 - 4 de janeiro de 2022). O maestro ficou eufórico com o nascimento do herdeiro.

Nelson morou com a esposa e o filho em um casarão na Av. Mário Melo, desde 1937, mas em 1974 viu sua casa ser demolida para a abertura da Avenida Mário Melo (inspiração da Evocação n.º 3).

Saiu de sua casa com a família para um apartamento e só viveu mais dois anos. Em sua homenagem foi erguido seu busto na praça que tomou o seu nome na Avenida Mário Melo.

Também Diretor artístico da Fábrica de Discos Rozenblit, selo Mocambo, única gravadora de discos instalada nos anos 1950 fora do eixo Rio/São Paulo. Estudou no Grupo Escolar João Barbalho - Recife/PE. Maestro, formou uma orquestra de frevos cuja fama percorreu todo o Brasil.

Composições Nelson Ferreira é um dos nordestinos com maior número de músicas gravadas na discografia brasileira. Grande parte delas, no entanto, restringiu-se a Pernambuco e ao Nordeste.

Sua primeira composição gravada foi Borboleta não é ave, em parceria com J. Borges pela gravadora Odeon, em 1923 pelo Grupo do Pimentel, como samba, e pelo cantor Baiano, como marcha carnavalesca. Essa composição é considerada como o primeiro sucesso do carnaval pernambucano gravado em disco.

A composição mais famosa, um frevo de bloco, foi Evocação número 1, a primeira das 7 evocações compostas por ele, e que foi sucesso no carnaval de 1957 no Rio de Janeiro, cantada em ritmo de marcha.

Outras composições de sua autoria, famosas na época: Não puxa, Maroca Dedé O dia vem raiando Quarta-feira ingrata Frevo da saudade Chora, palhaço Boca de forno Sabe lá o que é isso? Pernambuco, você é meu Cabelos brancos Bem-te-vi Arlequim Veneza americana Bloco da vitória

Nelson Ferreira compôs o hino do Bloco Timbu Coroado, que sai pelas ruas do bairro dos Aflitos, no Recife, no domingo de Carnaval e pertence ao Clube Náutico Capibaribe. Para este clube, também fez o frevo Come & Dorme, talvez a música que mais esteja associada ao futebol alvirrubro pernambucano. Também é o autor do frevo-canção Cazá Cazá Cazá(1955), após o pedido na época do jovem Eunitônio Edir Pereira, que anos depois iria compor o Hino Oficial do Sport Club do Recife.

Parceiros Nelson Ferreira teve como parceiros musicais, entre outros: Sebastião Lopes Ziul Matos Aldemar Paiva Oswaldo Santiago Eustórgio Wanderley Nestor de Holanda

Evocações As composições da série Evocações foram feitas para homenagear carnavalescos companheiros seus Felinto Pedro Salgado Fenelon Mário Melo e outros compositores e imortais da poesia, tais como: Manuel Bandeira Ataulfo Alves Lamartine Babo Francisco Alves O pesquisador Leonardo Dantas no seu livro Carnaval do Recife destaca que Nelson Ferreira sempre buscou homenagear figuras de destaques dos antigos blocos de carnaval do Recife, como o jornalista Mario Melo, Mestre Vitalino e Dona Santa, os poetas Ascenso Ferreira e Manoel Bandeira. Ele também foi responsável por homenagear muitas ruas do bairro de São José, bairro considerado como o berço do carnaval e do frevo pernambucano e que hoje abriga o maior bloco do mundo - Clube das Máscaras o Galo da Madrugada.

Intérpretes Além de Claudionor Germano, um de seus maiores intérpretes, cantor de frevos de outros compositores, principalmente Capiba, também gravaram composições de Nelson Ferreira os cantores: Francisco Alves Almirante Carlos Galhardo Aracy de Almeida Joel Batista Nelson Gonçalves Expedito Baracho

Homenagens Em vida Nelson Ferreira recebeu homenagens de prefeituras, governo do estado, clubes e entidades carnavalescas.

O maestro Vicente Fittipaldi escreveu sobre ele:

Recebeu, também, do presidente Médici a condecoração de Oficial da Ordem Rio Branco.

Após a morte O maestro Vicente Fittipaldi declarou, em depoimento no livro de Valter de Oliveira (médico, composistor e ator), o seguinte: "Ele era como Mário Melo, Ascenso Ferreira, Valdemar de Oliveira, uma das instituições da cidade. Era, com sua música, aquilo que Garrincha foi para o futebol, a alegria do povo."

Gilberto Freyre escreveu, no Diario de Pernambuco:

Em sua homenagem foi erigido um busto, em praça que tomou o seu nome, onde antes foi um antigo casarão, sua residência na Avenida Mário Melo.

Dia do Frevo Desde 2007 tramita no Congresso Nacional o projeto de lei, proposto pela ex-deputada Ana Arraes, que institui o dia 9 de dezembro, data do nascimento de Nelson Ferreira, como Dia Nacional do Frevo.Texto do projeto de lei de instituição do Dia Nacional do FrevoRelatório da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania sobre o Projeto de lei 79/2007.

Contudo, o frevo já é comemorado nacional e localmente, no estado de Pernambuco, com as datas 14 de setembro (nacional) e 9 de fevereiro (em Pernambuco)

Ligações externas Fundação Joaquim Nabuco Frevos de Pernambuco MPB Cifrantiga Entrevista com Angela Belfort, autora do livro "Nelson Ferreira, o dono da música"

Categoria:Mortos em 1976 Categoria:Compositores de Pernambuco Categoria:Naturais de Bonito (Pernambuco)