Itaúna é um município brasileiro localizado no estado de Minas Gerais, na Região Centro-Oeste do estado. Integra o Colar Metropolitano de Belo Horizonte e situa-se a cerca de 80 quilômetros da capital mineira, inserido na área de influência do Quadrilátero Ferrífero. O município limita-se com Itatiaiuçu ao sul, Mateus Leme a leste, Carmo do Cajuru a oeste, Pará de Minas ao norte e Igaratinga a noroeste.
O território de Itaúna foi ocupado a partir do século XVIII, no contexto da expansão bandeirante e da exploração mineral em Minas Gerais, desenvolvendo-se inicialmente em função das atividades agropecuárias e do comércio regional. Ao longo do século XX, o município consolidou-se como um importante polo urbano regional, com destaque para os setores industrial, comercial e de serviços, exercendo influência sobre cidades vizinhas do Centro-Oeste mineiro.
Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Itaúna possuía, de acordo com estimativas feitas em 2025, uma população de aproximadamente habitantes, figurando entre os municípios de médio porte do estado de Minas Gerais. thumb|esquerda|Do tupi itá (pedra) + una (preta, escura), formando o significado "pedra preta" ou "pedra negra". Etimologia
O topônimo "Itaúna" tem origem na língua tupi, derivando da junção dos termos itá ("pedra") e una ("preta" ou "escura"), resultando no significado de "pedra preta" ou "pedra negra". A denominação está associada a características naturais da paisagem local, especialmente à presença de afloramentos rochosos escuros na região onde se desenvolveu o núcleo original do povoamento.
História Primórdios: séculos XVII e XVIII A história de Itaúna começa durante o período colonial, em que as bandeiras paulistas adentravam o sertão brasileiro. Segundo informações retiradas de "História de Itaúna", de Miguel Augusto Gonçalves de Souza, o primeiro branco a percorrer a região em que se encontra Itaúna foi Lourenço Castanho Taques, que ao contrário de outro bandeirante, Fernão Dias Pais Leme, enfrentou indígenas Cataguases em 1675 e fez um acampamento às margens do Rio São João, no que hoje seria Itaguara. Lourenço era filho de Pedro Taques, português, e Ana de Proença, paulista. Faleceu em São Paulo, em 1677.Em 1710, após a Guerra dos Emboabas, o bandeirante Manoel de Borba Gato, em uma de suas sesmarias, alcançou o vale do São João.
Nesse momento, a história da Bahia, da Literatura Brasileira e de Itaúna se confundem. O Poema Árcade Caramuru conta a história de Diogo Álvares, o homônimo, e Catarina Paraguaçu. Fato é que eles tiveram uma filha, Apolônia Álvares. Antônio Guedes de Brito, uma vez governador interino da província da Bahia, em 1676, era descendente de Apolônia. Brito, de 1652 a 1684 comprou 160 léguas de terra ao longo da margem direita do Rio São Francisco, do Morro do Chapéu, na Bahia, até a foz do Rio Pará, na atual Minas Gerais, onde hoje de encontra Itaúna. Diz Souza: "Antônio Guedes de Brito, foi, assim, por ordem cronológica, o terceiro proprietário, comprovadamente, do território do atual município de Itaúna, apenas precedido pelo sesmeiro capitão-mor Brás Rocha Cardoso e o rei de Portugal. Nascido na Bahia entre 1626 e 1627, faleceu e foi sepultado, em Salvador, entre 1692 e 1695."
D. Isabel Maria Guedes de Brito era filha de Antônio Guedes de Brito e foi, cronologicamente, a quarta proprietária do território, herdado. A já citada sesmaria de Borba Gato o fez dono das terras, já que, em certo ponto, foram consideradas "devolutas". Em 24 de setembro de 1739, fora concedida a Manoel Pinheiro Diniz uma carta de Sesmaria, fazendo dele o sexto e último grande proprietário de terras a possuir a região de Itaúna.
Sant'Ana de São João Acima - séculos XVIII e XIX Há certa discussão acerca de quem foi o primeiro povoador dessas terras. De acordo com João Dornas Filho, o primeiro morador do município foi Antônio Gonçalves da Guia, do que discordou o engenheiro e empresário itaunense, já falecido, Osmário Soares Nogueira, também estudioso da história da região, para quem o habitante pioneiro foi Manuel Pinto.
A polêmica sobre o primeiro povoador da região não se encerra nesses dois nomes. Guaracy de Castro Nogueira, historiador e genealogista itaunense, ex-reitor da Universidade de Itaúna, sustenta que o pioneiro na região foi o Sargento-mor Gabriel da Silva Pereira, cujo penta neto, Osmando Pereira da Silva, veio a ser prefeito da cidade. Manoel Pinto de Madureira, erroneamente às vezes gravado como Manoel Pinto Moreira, é, para Miguel Augusto Gonçalves de Souza, "comprovadamente, construtor, no mais amplo sentido da expressão, da Capela de Santana [Hoje Rosário], e, sobretudo, como DOADOR, de seu patrimônio, núcleo inicial formador do novo arraial".A doação, referente à construção da capela, foi feita em 11 de outubro e registrada pelo Arcebispado de Mariana em 14 de outubro de 1765, o que torna Manoel Pinto de Madureira o incontestável fundador do Arraial de Santana do São João Acima.
Com a iminente exaustão das minas auríferas no estado, Minas Gerais começou a um processo de inflexão. Somente com a substituição da atividade mineradora pela agrícola que MG voltou a ter um avanço significativo na economia. Santana do São João Acima sempre fora uma região calcada nas atividades rurais, por mais que Madureira houvesse tentado achar ouro no Ribeirão Jacuba, afluente da margem esquerda do Rio São João. "Somente já na última década do Século XIX é que a 'localização de indústrias' passou a condicionar e direcionar o crescimento urbano, tornando-se, aliás, fator preponderante."
Nesse sentido, tem-se que a construção religiosa no alto do morro foi o primeiro fator para condicionar a ocupação humana na região. O primeiro núcleo se deu justamente em volta da capela do Rosário, com meia dúzia de casas ao redor, e, logo abaixo do morro, uma aglutinação já maior dos pecuaristas e dos já, praticamente desde sempre, decadentes mineradores, já que o São João nunca fora rico no metal. Além disso, a posição do morro também influenciou a ocupação de modo que a Rua Direita, atual Getúlio Vargas, fosse a principal durante as priscas eras do arraial, ligando ruas de meia encosta estabelecidas a oeste do córrego do Sumidouro, popularmente conhecido como Prainha, e a leste do próprio Rio São João, estabelecendo uma base para a projeção ortogonal existente, a qual se adequa com o relevo acidentado.
A Pecuária e a Mineração foram as principais atividades que fizeram o território ser povoado. Nas primeiras décadas do Século XIX, a mineração estava em evidente declínio, e a agricultura, outrora somente de subsistência, passou a ganhar mais relevância. Durante esses 76 anos, o ainda arraial pertencia a Pitangui. Como citado anteriormente, Santana do São João Acima era subordinada, religiosamente, à Mariana. Contudo, em 3 de abril de 1839, pela lei nº138 da Assembleia Provincial, foi criada a paróquia do Espírito Santo de Itapecerica, na atual Divinópolis, à qual foi desmembrada de Pitangui e, por dois anos, seria Santana subordinada. Em 7 de abril de 1841, o curato de Santana foi elevado à categoria de Paróquia. Com a criação desta, o fluxo migratório, que permanecia estável, começou a ser mais expressivo. Um exemplo é a própria família Gonçalves de Souza, que se fixou, vinda de Bonfim, entre as décadas de 1830 e 1840. Em 23 de dezembro de 1874, após sucessivas trocas de poder com Pitangui, o arraial passa a ser um distrito e se subordinar à Pará de Minas, quadro esse que perdurou até a emancipação política total. Contudo, o desenvolvimento do arraial era lento, mas seguro e contínuo. Algumas datas e fatos marcantes do período: Em 1850, foi criada a primeira escola de primeiro grau; Segundo o censo de 1872, a população do arraial era de 4259 habitantes, sendo 1718 homens livres, 1830 mulheres livres, 341 escravos e 370 escravas, portanto, 16,69% da população era escravizada; Em 17 de fevereiro de 1877, visível sinal de progresso, foi inaugurada a agência do correio.miniaturadaimagem|Peia e Libambo, instrumentos de tortura do período escravocrata expostos no Museu Municipal Francisco Manoel Franco. O primeiro era usado como uma espécie de algema para os pés, impedindo que os escravizados fugissem. Já o segundo era preso ao pescoço, fazendo barulho caso o escravizado fugisse e tinha pontas para se prender em obstáculos, dificultando a locomoção. Escravidão Desde os primeiros habitantes até a promulgação da Lei Áurea, os escravizados fizeram parte da composição do arraial. Nos registros do Censo Demográfico de 1831, dos mais de 2500 habitantes da povoação, pelo menos 1000 eram escravizados e 70% continha algum grau de afrodescendência. Em novo censo, realizado 40 anos depois, aproximadamente 17% continuavam escravizados. Segundo conta João Dornas Filho, o grande contingente se dava pela agropecuária da região e, também, por Santana se localizar numa região de entreposto entre o centro e as regiões mais a oeste da então província. Os donos das fábricas da cidade, como Manoel Gonçalves, fundador da Santanense, eram quem detinham o maior número de escravizados, cujas famas eram de ser "bons" para seus "funcionários". No entanto, segundo consta, na região da Barragem, as famílias de Custódio Duarte e de Juca Ribeiro não são das mais memoráveis, já que os maus tratos imperavam, com castigos físicos que variavam da introdução de pimenta nas genitálias até o uso de ferramentas próprias para o fim da tortura. Juca, por exemplo, salgava a comida de seus escravos propositalmente, justamente para comerem menos, e alguns, cansados dessa vida, atiravam-se no açude para morrerem afogados. Em 1887, pouco mais de um ano antes de promulgada a Abolição, o negro Adjucto teria pagado 600$000 réis pela sua alforria em Sant'Ana do São João Acima.
Religiosidade na construção do Arraial
Rosário e Santana: as duas capelas
Conta Miguel Augusto: "É marco importante, da época, a construção, no local onde hoje se ergue a Matriz de Santana, o mais nobre da cidade, da pequena capela de Senhora do Rosário. Está foi edificada, na Década de 1840, pelos escravos, em seus momento de folga, sendo, em seguida, ampliada, sob a supervisão de nossos primeiros vigários, Antônio Maia, João da Cruz Penido, João Miranda e Antônio Campos [que viria a ser o primeiro vice-prefeito de Itaúna], e a ampla colaboração dos grandes fazendeiros locais. As obras de ampliação foram completadas, em 1875, com o término da pintura interna de autoria do artista Pedro Campos, de Sabará, com a colaboração de Antônio José dos Santos, mais conhecido por Tônio do Bá. A ampliação da Matriz, informa-nos João Dornas Filho, custou a vida do carpinteiro João Júlio César Silvino, que, ao trabalhar, nas obras de cobertura no interior da igreja, como consta do livro de óbitos, número 1. Trata-se, provavelmente do primeiro acidente de trabalho típico ocorrido em nossa história municipal. Em 1853 ocorreu a permuta da denominação das duas capelas: a do Rosário passou a chamar-se capela de Santana e a localizada no alto da colina do mesmo nome, marco inicial da fundação do arraial, capela do Rosário" Para saber mais sobre essa troca, acesse a página Igreja de Nossa Senhora do Rosário (Itaúna). Ela passou por reformas em 1929.
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