Adrien Henri Vital van Emelen (Lovaina, 10 de outubro de 1868 — São Paulo, 27 de julho de 1943) foi um escultor, pintor e professor belga que se radicou no Brasil em 1920. Viveu em São Paulo e realizou diversas obras encontradas ainda hoje no Mosteiro São Bento e no Museu Paulista, por exemplo.

Nascido na pequena cidade de Lovaina, ou Lovânia - localizada a 30 quilômetros da capital da Bélgica, Bruxelas, Adrien era filho de Leon Van Emelen, escultor belga e de Catherine Sophie van Emelen (nascida como Catherine Sophie Casteleyn). Assim como seu pai, ele frequentou a Escola de Belas Artes de sua cidade natal.

Durante a sua formação artística, foi discípulo do escultor e pintor belga Constantin Meunier (1831 - 1905) e, assim com o mestre, acabou dedicando sua carreira não apenas às esculturas, mas também às pinturas. Em 1892, sob recomendação de seu mestre Meunier, começou a estudar com Auguste Rodin (1840 - 1914) em Paris, período este que não há muitos registros.

De volta à Bélgica, Van Emelen participou em 1884,1894 e 1897 das competições preliminares do Prêmio de Roma para a escultura. Ele exibiu suas esculturas no “Salon triennal de Bruxelles” em 1893 e 1903 e na “Exposição Universal des Beaux-Arts” em Antuérpia no ano 1894. A partir de 1896, Adrien passou a exercer a profissão de professor de desenho.

Em geral, na Bélgica, ele projetou figuras de terracota e bronze. A Galeria Engelen - Marx em Lovaina e a Galeria Filip Kesteloot ainda possuem uma coleção de mineiros, vendedores e trabalhadores de campo que medem entre 35 e 50cm feitas pelo artista. Alguns parentes de Adrien, na Bélgica, também têm entre seus pertences algumas figuras religiosas realizadas por van Emelen.

Com a invasão de sua cidade natal pelo exército alemão em agosto de 1914, sua casa acabou sendo destruída por um grande incêndio, obrigando o artista a exilar-se inicialmente no País de Gales durante o período da Primeira Guerra Mundial. Com o fim do conflito, van Emelen voltou à Bélgica, mas acabou se mudando para o Brasil em 23 de agosto de 1920. Sua mulher e filhos chegaram ao país no final do mesmo ano.

Durante o período que esteve no Brasil, ele esculpiu algumas obras para o Mosteiro de São Bento, para a Bolsa de Santos, entre outros, além de diversas pinturas que hoje encontram-se espalhadas por diversos acervos, como o da Pinacoteca do Estado de São Paulo e no Museu Paulista, pertencente à Universidade de São Paulo e popularmente conhecido como Museu do Ipiranga.

Biografia Adrien Henri van Emelen era filho de Léon van Emelen (Bekkevoort, 1829 - Lovaina, 1900). Foi um conhecido escultor de estátuas que representavam santos e outros temas religiosos, como as encontradas na Igreja Sint-Jan-de-Doperkerk em Tongeren, Bélgica, bem como de personalidades públicas, como as três estátuas colocadas nos nichos da Prefeitura de Lovaina. Ele foi um dos discípulos de Constantin MeunierConstantin Meunier: A Dialogue with Allan Sekula / editor Hilde van Gelder. - Leuven : Universitary Press, 2005. - p. 27 em sua cidade natal, tendo projetado diversas figuras em terracota e medalhões de retratos em bronze. Durante sua juventude também teria sido recomendado, em 1892, para estudar junto ao colega de Meunier, Auguste Rodin, em Paris, na França, porém, não existem muitos registros que relatem mais informações desta época na vida do artista. De qualquer forma, a sua obra possui grande semelhança com a de Constantin Meunier, principalmente quanto ao tema e por privilegiar o realismo dos assuntos sociais e tipos urbanos. Ainda, segundo registros, ainda na juventude, Van Emelen chegou também a realizar quatro esculturas para a decoração da fachada do Hôtel de Ville de Lovaina.

Van Emelen possuía outros sete irmãos, sendo o mais velho, Jacobus Marie Joseph (ou Jacques), um monge beneditino que se transferiu para o Brasil na última década do século XIX e adotou como nome Dom Amaro van Emelen (1863-1943), tendo sido ele, inclusive, reitor do Colégio São Bento, em São Paulo, durante o período de 1905 e 1906, e também, 1909 e 1910. D. Amaro foi, então, enviado pelo abade, Dom Miguel Kruse, para a Bélgica, em 1907, com a missão de buscar junto à Universidade Católica de Lovaina um professor para a criação da Faculdade de Filosofia e Letras de São Bento. Antes, em São Paulo, D. Amaro já estava a par das reformas planejadas pelo abade para a reconstrução do edifício do mosteiro de São Bento e teria comentado sobre o assunto para seu irmão, Adrien, durante sua visita à Bélgica. Iniciada a partir de 1910, segundo projeto do arquiteto alemão Richard Berndl, as obras do mosteiro começaram a partir de 1912 a ter pinturas decorativas no interior da Basílica, obra do beneditino holandês Adalbert Gressnicht.

Há informações de que Adrien Henri van Emelen chegou inicialmente a São Paulo, no Brasil, para uma visita junto a seu outro irmão, o pastor Léon Charles Victor Van Emelen. A mudança definitiva do artista para a capital paulista, que teria acontecido em 23 de agosto de 1920, não tem seus motivos totalmente claros, porém, existem relatos de que ele teria sido convidado por Dom Miguel Kruse, abade do Mosteiro de São Bento e pelo historiador Afonso d'Escragnolle Taunay, nesse tempo o então diretor do Museu Paulista, atualmente incorporado à Universidade de São Paulo e popularmente conhecido como Museu do Ipiranga. O convite teria acontecido pelo desejo de ambos em criar grandes obras de arte, feitas por artistas talentosos, para adornarem as instituições que pertenciam.

Enquanto esteve em São Paulo, van Emelen realizou diversas obras como as 12 estátuas dos apóstolos para a capela principal do Mosteiro de São Bento, as figuras que adornam a entrada do atual Museu do Café, em Santos, a figura do bandeirante Manuel Preto para o Museu Paulista, entre outras diversas esculturas e pinturas. Enquanto esteve realizando as obras para o Mosteiro, utilizou um ateliê no Palácio das Indústrias na cidade de São Paulo, o que demonstra que Van Emelen se inseriu rapidamente no meio artístico local. O Liceu era o principal estabelecimento do gênero na cidade, onde tiveram origem monumentos públicos de grande importância para São Paulo. Adrien também manteve um espaço de trabalho no Centro das Artes do Palácio das Indústrias,ESPÍRITO SANTO, José Marcelo do. Palácio das Indústrias : Estudo e Reapropriação de um espaço paulistano - São Paulo: USP FAU, 1987. - veja p. 83 disponibilizado pelo engenheiro e arquiteto renomado, Ramos de Azevedo.Ramos de Azevedo e seu escritório / Carlos A.C. Lemos. - São Paulo: Pini, 1993. - p. 78

Adrien Henri van Emelen era casado com Maria Valentina Van Emelen (nascida como Maria Valentina Stockmans em Hoegaarden, Bélgica, 12 de Maio de 1869 - São Paulo, 16 de Abril de 1957) e tido sete filhos: Marie Henriete Celane, casada com Raul Sartorio; Marie Gislaine Alphonse Catherine casada com Bogaert; Jean François Elie, casado com Olydia Lobato; Maria Nelly Suzanna Leonia, casada com José Maurício Putzeys; Georges Corneille Léon Joseph; Pierre van Emelen, casado com Maria Otilia Giudice e Marie Louse Margherite Helène casada com Nicolau Giudice. Faleceu em São Paulo, em 1943, aos 74 anos.

Carreira como escultor Como escultor, Adrien van Emelen é autor de obras importantes e de acesso público em São Paulo. Ele chegou a São Paulo em 1920 - período de grande importância econômica e no momento em que a cidade estava prestes a comemorar o centenário da independência do Brasil.

Principais trabalhos

Escultura Mosteiro de São Bento (Basílica de Nossa Senhora da Assunção) No Mosteiro de São Bento (também conhecido como Basílica Nossa Senhora de Assunção), Adrien van Emelen esteve envolvido na realização de algumas obras durante a construção a pedido de Dom Miguel Kruse que era o então diretor do local. Entre os seus trabalhos para a catedral, está o esculpimento de 12 esculturas representativas dos apóstolos de Jesus. Cada uma das esculturas possui aproximadamente três metros de altura e estão localizadas em frente à nave central da igreja beneditina. Segundo consta, as peças foram moldadas em gesso nas oficinas do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo em 1921 e entregues em 1922 após serem policromadas pelo próprio artista.

Além das figuras dos apóstolos, Adrien também foi autor da estátua de Santa Gertrudis localizada na nave esquerda do local, representando a santa brabantina, da família dos pipinidas, que foi monja, fundadora e primeira abadessa de Nivelles (Bélgica), padroeira da cidade de Nivelles. Outra santa que teve sua figura esculpida nas mãos de van Emelen foi Sant'Ana, ou Anna, conhecida por ter sido mãe de Maria e avó de Jesus Cristo. Na escultura de van Emelen, Sant'Ana tem um vestido bem simples em core azul clara e a Maria não parece uma menina mais um adulto em tamanho reduzido como era o costume na arte gótica. alt=Durante os trabalhos de conservação preventiva, pelo restaurador João Rossi|miniaturadaimagem|Nossa Senhora da Piedade, de VAN EMELEM

Por último, o artista também é autor da obra Pietà, colocada a capela lateral na direita do Mosteiro.A imagem é feita em estuque - uma massa pesada - e pesa cerca de 150 kg. Curioso é que a imagem, por dentro, é oca, e teve uma estrutura montada de forma a aglomerar massa e na parte final, ser aplicado um gesso mais fino. A figura central da escultura é a Virgem Maria, que domina o espaço. O Cristo é muito bem esculpido e ambas as imagens demonstram uma profunda análise dos grupos musculares dos braços e pernas do ser humano para uma melhor representação na arte. Desde que a imagem foi feita por van Emelen, foram feitas duas intervenções no rosto de Jesus Cristo - entre elas a devolução da cor original de toda a carnação do cristo, que apresenta um aspecto pais pálido . Muito bem conservadas e com ações de prevenção, o Mosteiro de São Bento tem se tornado referencia na preservação da arte. Apesar da linha de pensamento da época ser considerada gótica, alguns estudiosos consideram que a obra seja mais semelhante ao barroco.

Bolsa do Café (Museu do Café) A Bolsa de Café ou o Palácio da Bolsa Oficial do Café foi primeiramente instalada em um salão alugado no centro de Santos, cidade litorânea do Estado de São Paulo. Ela acabou sendo transferida em 1922 para um palácio construído especialmente para suas atividades, o qual funcionou até o fim da década de 1970, quando foi abandonado. Após ter sido restaurado em 1998, o prédio do palácio foi reinaugurado como o Museu do Café.

Importante salientar que a antiga Bolsa do Café foi construída para centralizar e controlar as operações do mercado cafeeiro na cidade de Santos, então o principal porto exportador do “ouro verde”. O edifício foi projetado pela Companhia Construtora de Santos sob a direção do engenheiro Roberto Simonsen - o qual teria sido o responsável por realizar o convite a Adrien Henry van Emelen para elaborar as figuras alegóricas representativas da Indústria, Comércio, Lavoura e Navegação, as quais ornam a torre do edifício do Museuhttp://www.prodam.sp.gov.br/pal_ind/pl4.htm (3° Parágrafo - Data de acesso: 13/10/2017).

Voltadas para os quatro pontos cardeais, as quatro esculturas se encontram a 40 metros de altura, na torre do relógio do antigo prédio da Bolsa do Café, e foram esculpidas em massa fina cinza claro, medindo aproximadamente quatro metros e meio cada uma.