Dionísio é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação do município predomina a Mata Atlântica. Com 82% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com quatro estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,702, considerando como alto em relação ao estado.
O povoamento do lugar teve início no decorrer do século XIX, com a descoberta das terras férteis na região, que propiciaram o desenvolvimento da agricultura, tendo a cidade emancipada em 1948 e instalada em 1º de janeiro de 1949. Parte de sua área é englobada pelo Parque Estadual do Rio Doce (PERD), que é a maior floresta tropical do estado e um dos principais remanescentes de Mata Atlântica nativa existentes no Brasil.
História A área do atual município de Dionísio era ocupada, até meados do século XIX, exclusivamente por indígenas botocudos. Neste período chega à região Dionysio, oriundo de Ouro Preto. Era um soldado que procurava esconder-se em fuga da polícia, após ter matado o pai de sua mulher, a fim de viver a sós com ela; a moça havia pago pela liberdade do pai, que foi preso por Dionysio, em cumprimento a um crime, porém a esposa veio a falecer pouco tempo depois, sem saber da morte de seu pai. O soldado estabeleceu-se como o primeiro habitante do lugar, adotando a agricultura para sua própria subsistência, porém ao longo do tempo precisou comprar mantimentos em povoados próximos, passando a relacionar-se com os moradores. Alguns destes conheceram as terras de Dionísio e, dada a fertilidade, também passaram investir no cultivo na área, principalmente do café e da cana-de-açúcar, dando início ao povoamento. O primeiro nome dado à localidade em formação foi Areias, mais tarde alterado para Dionísio, em homenagem ao soldado.Luiz Prisco de Braga. História do Município de São Domingos do Prata. 18–20 p.
A região encontrava-se em desenvolvimento em função da agricultura. Dado o desenvolvimento, o povoado foi elevado à categoria de distrito, pela lei provincial nº 2.876, de 20 de setembro de 1882, pertencente ao município de Itabira, passando mais tarde a pertencer a São Domingos do Prata, recebendo a denominação de São Sebastião do Dionísio em 1º de setembro de 1920. Pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, volta a chamar-se simplesmente Dionísio, vindo a emancipar-se pela lei estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948. A instalação veio a ocorrer cinco dias depois, em 1º de janeiro de 1949. Pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, cria-se o distrito de Conceição de Minas e pela lei municipal nº 301, de 4 de abril de 2002, cria-se o distrito de Baixa Verde.
Geografia thumb|esquerda|Ribeirão Mumbaça na zona rural do município A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constitui a zona urbana. Situa-se a 19°50'34" de latitude sul e 42°46'37" de longitude oeste e está a uma distância de 165 quilômetros a leste da capital mineira, fazendo parte do colar metropolitano do Vale do Aço juntamente com outras 23 cidades (além dos quatro municípios principais). Seus municípios limítrofes são Marliéria, a norte; São Domingos do Prata, a oeste; São José do Goiabal, a sul; Córrego Novo, a leste; e Pingo-d'Água, a nordeste.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Ipatinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Itabira, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte.
Relevo e hidrografia O relevo do município de Dionísio é predominantemente montanhoso. Em aproximadamente do território dionisiano há o predomínio de mares de morros e terrenos montanhosos, enquanto cerca de é coberto por áreas onduladas e os restantes são lugares planos. A altitude máxima encontra-se no Alto da Trindade, que chega aos 910 metros, enquanto que a altitude mínima está em um trecho de divisa com o município de São José do Goiabal, com 262 metros. Já o ponto central da cidade está a 350 m.
O território é banhado por vários mananciais, sendo os principais os rios Doce e Mumbaça, que fazem parte da bacia do rio Doce. A região do município é bastante rica em recursos hídricos, estando parte do território dionisiano incluída nos limites do Parque Estadual do Rio Doce (PERD), onde concentram-se cerca de 50 corpos lacustres (aproximadamente 31% do total presente na bacia do Rio Doce), que ocupam ocupam 6% da área total.
Clima Maiores acumulados diários de precipitação registrados em Dionísio (Ponte Alta) por meses (INMET) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 04/01/1997 Julho 01/07/1990 Fevereiro 20/02/1990 Agosto 30/08/1990 Março 07/03/1999 Setembro 17/09/1992 Abril 10/04/2004 Outubro 24/10/1984 Maio 21/05/1991 Novembro 15/11/1991 Junho 12/06/1993 Dezembro 09/12/1994 Período: 01/05/1981 a 30/11/1985, 01/09/1987 a 30/09/1988 e 01/01/1990 a 30/09/2004 O clima dionisiano é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical subquente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), com temperatura média compensada anual em torno dos e pluviosidade média de , concentrados entre os meses de outubro e abril, sendo dezembro e janeiro os meses de maior precipitação. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , enquanto que no mês mais frio, julho, a média é de . Apesar da queda da temperatura no inverno, eventos de frio em demasia são incomuns. Outono e primavera são estações de transição.
A umidade do ar é relativamente elevada, sendo a média anual superior a 80%. No entanto, baixos índices de umidade podem ser registrados durante a estação seca ou em longos veranicos. Nesses períodos, aumenta o risco de queimadas na vegetação seca, inclusive na área do Parque Estadual do Rio Doce.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) coletados na localidade de Ponte Alta, referentes ao período de 1981 a 1985, 1987 a 1988 e 1990 a 2004, a menor temperatura registrada em Dionísio foi de nos dias 11 de junho de 1985 e 18 de julho de 2000, e a maior atingiu em 28 de novembro de 1993. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 135 milímetros (mm) em 15 de novembro de 1991. Outros grandes acumulados iguais ou superiores a foram em 23 de novembro de 1996, em 4 de janeiro de 1997 e em 25 de janeiro de 1982. Janeiro de 1992, com , foi o mês de maior precipitação. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 75º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 8,5256 raios por quilômetro quadrado.
Ecologia e meio ambiente Parte do município situa-se sobre proteção ambiental do Parque Estadual do Rio Doce (PERD), que foi criado pelo decreto-lei nº 1.119, de 14 de julho de 1944 e engloba ainda partes dos municípios de Marliéria, Timóteo e Córrego Novo. Com um total de hectares, o PERD é considerado como a maior floresta tropical de Minas, sendo um dos principais remanescentes de Mata Atlântica nativa existentes no Brasil. Devido a existência de vários atrativos naturais, há uma grande concentração de estabelecimentos comerciais, hotéis, pousadas, restaurantes e áreas de camping nos municípios integrantes da reserva.
A área de conservação possui uma grande variedade de espécies animais e vegetais, tendo uma das maiores biodiversidades do país. Na fauna destacam-se o chauá, jacuguaçu, saíra, anumará, capivara, anta, macaco-prego, sauá, paca e a cotia, assim como espécies ameaçadas de extinção, a exemplo da onça pintada, macuco e muriqui-do-sul, além de peixes como bagre, cará, lambari, cumbaca, manjuba, piabinha, traíra e tucunaré. Na flora também é possível encontrar espécies raras nativas do domínio da Mata Atlântica, tais como o jequitibá, a garapa, o vinhático, a sapucaia, o jacarandá-da-bahia e a canela-sassafrás.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. No mesmo ano, habitantes (21,36%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (67,51%) tinham de 15 a 64 anos e 972 pessoas (11,12%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 74,2 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 1,6. thumb|esquerda|Igreja Matriz de São Sebastião de Dionísio
Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano, a população dionisiana era composta por brancos (28,06%); negros (14,33%); 43 amarelos (0,49%); pardos (57,08%) e quatro indígenas (0,05%). Considerando-se a região de nascimento, 34 eram nascidos na Região Nordeste (0,38%) e no Sudeste (99,46%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (98,68%) e, desse total, eram nascidos em Dionísio (77,95%). Entre os 115 naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 51 pessoas (0,58%), seguido pelo Rio Grande do Norte, com 24 residentes (0,27%), e pelo Espírito Santo, com nove habitantes residentes no município (0,1%).
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Dionísio é considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,702 (o 1842º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,647, o valor do índice de longevidade é de 0,821 e o de renda é de 0,651. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 68,9% e em 2010, 86,2% da população vivia acima da linha de pobreza, 9,2% encontrava-se na linha da pobreza e 4,6% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,458, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 50,1%, ou seja, 11,4 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 4,4%.
De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Dionísio está composta por católicos (68,49%), evangélicos (21,45%), 729 pessoas sem religião (8,34%), seis espíritas (0,07%) e 1,65% divididos entre outras religiões. Segundo divisão elaborada pela Igreja Católica, o município sedia a Paróquia São Sebastião, subordinada à Diocese de Itabira-Fabriciano.
Política e administração A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O candidato que venceu as eleições municipais de 2016 foi Farias Menezes de Oliveira, do Partido Social Liberal, eleito com 51,20% dos votos válidos e empossado em 1º de janeiro de 2017, ao lado de Emídio Bicalho como vice-prefeito. No entanto, sua chapa foi cassada e por isso um novo pleito foi realizado em 1º de setembro de 2019. Na eleição suplementar quem venceu foi Francisco Castro Souza Filho (Nando), do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), ao lado de Marciny Martins Pereira como vice-prefeito., chapa que foi reeleita para o Mandato de 2021 a 2024.