Viçosa é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na Zona da Mata Mineira, estando situado a cerca de a sudeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A colonização da região teve início no , sendo intensificada no decorrer do , associada ao ciclo do ouro em Ouro Preto e Mariana, que influenciou o estabelecimento dos primeiros moradores na localidade chamada inicialmente de "Santa Rita". O município foi emancipado em 1871, em um contexto de ascensão da produção de café. Na década seguinte, Viçosa passou a ser atendida pela Estrada de Ferro Leopoldina, que também beneficiou a economia e o crescimento da cidade.
Em 1926, foi inaugurada pelo então presidente da República, Artur Bernardes, nascido na cidade, a Universidade Federal de Viçosa (UFV). A presença do campus direcionou a dinâmica econômica, o crescimento urbano e a inserção do município como cidade universitária, principalmente a partir da década de 1970. Nessa época, com a expansão da universidade e das vagas para estudantes, seguiu-se um súbito aumento da população urbana e das atividades econômicas associadas.
Trata-se, assim, de uma cidade essencialmente vocacionada para a educação, sobretudo devido ao campus da Universidade Federal de Viçosa. Entretanto, conta ainda com outras instituições de ensino superior privadas, acentuando ainda mais o caráter educacional do município. Eventos científico-acadêmicos são responsáveis por atrair frequentadores de outras partes do Brasil e de outros países. Além disso, Viçosa é reconhecida como a "capital estadual do doce de leite".
História Exploração da região A região pertencente ao atual município de Viçosa era habitada originalmente por povos puris. A exploração e ocupação da Zona da Mata Mineira por forasteiros era desencorajada pela Coroa Portuguesa no período colonial, a fim de evitar o surgimento de rotas alternativas para o escoamento da produção de ouro de Minas Gerais que não fosse pela Estrada Real. Para isso, diziam que os indígenas eram selvagens, como forma de provocar medo em quem quisesse passar pela área. Contudo, o relevo acidentado e as florestas densas também foram impedimentos.
Um dos primeiros forasteiros a explorar a região do baixo Piranga foi Antônio Rodrigues Arzão, que saiu de Taubaté em 1693 em busca de novas reservas de ouro. Posteriormente, a área foi frequentada pelo seu concunhado Bartolomeu Bueno de Siqueira, também à procura de metais preciosos e ainda de indígenas. Contudo, a atual região norte da Zona da Mata, incluindo Viçosa, passou a ser povoada por colonos através de incentivos do governador da capitania de Minas Gerais, que começou a distribuir sesmarias destinadas à busca do ouro na região em 1745. Quanto aos nativos, diferentes decretos foram feitos permitindo que se tornassem submissos.
Começo do povoamento e emancipação thumb|esquerda|Fachada da Residência nº 3 da Avenida Bueno Brandão (onde funcionou o primeiro hospital da cidade), construída na década de 1850. thumb|esquerda|Antiga Matriz de Santa Rita de Cássia, inaugurada em 1851 e demolida em 1954. Foto de 1940. Em Viçosa, 144 sesmarias foram doadas no entorno do rio Turvo Limpo até 1825, sendo que 90% das terras já haviam sido doadas em 1799. Entretanto, a ocupação começou lenta, devido ao relevo e à vegetação densa. Em 8 de março de 1800, Dom Frei Cipriano de São José, bispo da Arquidiocese de Mariana, autorizou a construção de uma capela dedicada a Santa Rita de Cássia, obra que ficou a cargo do padre Francisco José da Silva. Essa veio a se tornar, depois, a Capela Nosso Senhor dos Passos. Em 1805, capitão Manoel Cardoso Machado e dona Ana Joaquina de Fraga doaram terras próximas ao ribeirão São Bartolomeu à igreja local, o que favoreceu a formação do núcleo habitacional que viria a originar a cidade. O local ficou conhecido como Santa Rita, nome da padroeira.
Os primeiros moradores eram, em sua maioria, famílias que não obtiveram sucesso no ciclo do ouro em Ouro Preto e Mariana. Eles praticavam a agricultura de subsistência, porém exportavam parte da produção para as áreas de mineração. Em 1813, foi construída uma nova igreja, dessa vez onde atualmente é o Centro de Viçosa. Esse novo local, mais plano, permitiu o surgimento de uma praça, onde eram realizadas festas religiosas. Em seguida, a morte de padre Castro, em 1819, fez com que suas terras (situadas a cerca de 500 metros do templo) fossem parceladas e repassadas a seus herdeiros ou vendidas a forasteiros. Uma terceira igreja, maior, também no Centro de Viçosa, começou a ser construída na década de 1850, ao lado de onde atualmente se encontra a Praça Silviano Brandão. Isso incentivou o estabelecimento de moradores ao redor.
Enquanto o novo templo foi batizado em honra a Santa Rita de Cássia, o anterior foi dedicado a Nossa Senhora do Rosário. Com isso, a cidade continuou a se desenvolver ao redor de três igrejas: de Nosso Senhor dos Passos, de Nossa Senhora do Rosário e de Santa Rita de Cássia (Matriz). Ao mesmo tempo, o cultivo do café beneficiava a localidade e incentivava o crescimento populacional. Nesse contexto, o município se emancipou pela lei provincial nº 1.817 de 30 de setembro de 1871, com terras desmembradas de Mariana, Ubá e Ponte Nova. Foi reconhecido como cidade pela lei provincial n° 2.216 de 3 de junho de 1876. Após emancipado, recebeu o nome de "Viçosa de Santa Rita", posteriormente simplificado para "Viçosa", em homenagem ao bispo de Mariana Dom Antônio Ferreira Viçoso.
Crescimento econômico e Estrada de Ferro Leopoldina thumb|esquerda|Mapa de Viçosa na década de 1910 thumb|esquerda|Maria Fumaça chegando a Viçosa, 1925. Ao fundo, observa-se o Grande Hotel, que mais tarde se tornou o Hotel Rubim. Em 1872, foi autorizada a construção da Estrada de Ferro Leopoldina, no intuito de escoar a produção de café da Zona da Mata Mineira ao Rio de Janeiro. A via férrea passou a atender Viçosa no final de 1885, ocasião em que a cafeicultura estava em ascensão no município. A primeira estação da localidade, chamada de Estação da Violeira ou Estação Velha, estava situada a seis quilômetros do atual Centro de Viçosa.
A ferrovia favoreceu o escoamento da produção local, cujo sucesso dava sequência ao acréscimo populacional, além de gerar vetores de crescimento urbano em seu curso. Nesse ínterim, outros setores que estavam em alta eram a indústria têxtil e o comércio. Há de se ressaltar a chegada de imigrantes italianos e libaneses no começo do , cuja vinda ao Brasil estava sendo incentivada pelo governo nesse período, sendo empregados sobretudo em fábricas e no comércio.
Em 1900, começou a ser aberta a Avenida Santa Rita, primeira intervenção pública de grande porte na malha urbana da cidade. Também nos primeiros anos do começou a ser construída uma nova Igreja Matriz, o atual Santuário Santa Rita de Cássia, enquanto que a Praça Silviano Brandão, à frente do templo, veio a ser inaugurada em 1915. Em 1908 foi fundada a Casa de Caridade de Viçosa, que hoje é o Hospital São Sebastião (em um primeiro momento instalado à Avenida Bueno Brandão, só mudando para o atual local à Rua Tenente Kummel, com o término da construção do edifício em 1930).
Data de 1914 a inauguração das estações Central e Silvestre, após uma alteração no traçado da ferrovia que levou o trem a passar pelo distrito e pelo Centro de Viçosa, culminando na desativação da antiga Estação da Violeira em 1912. Já em 1916, a população era de cerca de 2 mil habitantes. No fim dessa década, a cafeicultura entrou em declínio, ao passo que estavam em ascensão o cultivo da cana-de-açúcar e a agropecuária. Aproveitando o trajeto da Estrada de Ferro Leopoldina pelo Centro, ao lado da via férrea começou a ser construída, em 1919, a Avenida Bueno Brandão, margeada por balaustres e sobrados imponentes.
Também no início do desponta em Viçosa a figura de Artur Bernardes, nascido no município em 8 de agosto de 1875. Atuou em diversas funções, como contador, revisor de jornal, professor e advogado, tendo ascendido na política local sob influência de seu sogro, o senador Carlos Vaz de Melo. Bernardes foi eleito então vereador, tendo sido presidente da Câmara Municipal de Viçosa, antes de ser deputado estadual, secretário estadual de finanças na gestão de Delfim Moreira e deputado federal. Posteriormente, o viçosense foi presidente de Minas Gerais de 1918 a 1922, até ser eleito o 12º Presidente do Brasil, exercendo a presidência de 1922 a 1926. De 1927 a 1930, foi ainda senador por Minas Gerais.
ESAV, UREMG e configuração administrativa thumb|direita|Vista parcial de Viçosa em junho de 1932 thumb|direita|Vista da ESAV (atual UFV) em 1933 Devido ao baixo desenvolvimento da região, a Zona da Mata Mineira foi escolhida para sediar a Escola Superior de Agricultura e Veterinária (ESAV), cuja criação foi autorizada pela lei nº 761 de 6 de setembro de 1920, assinada pelo então presidente de Minas Gerais Artur Bernardes, sendo efetivada com a fundação da instituição pelo decreto nº 6.053 de 30 de março de 1922. A sede seria numa região de predominância de pequenas e médias propriedades cafeicultoras na Zona da Mata, que dependeriam da modernização agrícola para resistir às pressões das políticas de valorização do café. Viçosa foi a cidade selecionada devido à disponibilidade de terras em condições adequadas, dentre outros municípios sondados, como Ponte Nova e Ubá.
Em 1923, o campus começou a ser construído, baseado em campi de instituições do interior dos Estados Unidos, que também tinham a intenção de desenvolver áreas rurais. O projeto previa autossuficiência em relação à cidade, incluindo assim alojamentos para alunos. A inauguração da ESAV aconteceu em 28 de agosto de 1926, sob a presença do agora presidente da República Artur Bernardes. Na mesma década de 1920 foi construído na antiga Fazenda da Vargem, também pelo presidente, o Patronato Agrícola Arthur Bernardes, que era uma instituição de ensino para menores infratores. Tanto a ESAV como o Patronato Agrícola tiveram influência no crescimento do espaço urbano.
A universidade foi expandida em 1948, com o aumento da quantidade de cursos, quando também foi transformada na Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (UREMG). Em 1950, Viçosa possuía uma população de habitantes, porém predominantemente rural, com residentes na zona urbana, segundo o censo demográfico do IBGE. Outrossim, até a década de 60 o município passou por diversas modificações territoriais, com sucessivas criações e emancipações de distritos, o que reduziu a população total nos censos. De Viçosa foram desmembrados distritos que deram origem aos municípios de Ervália, Teixeiras, Pedra do Anta (desmembrados em 1938), Coimbra (1948), Canaã, São Miguel do Anta (1953) e Cajuri (1962).
UFV e consolidação urbana thumb|esquerda|Estação Central de Viçosa, da Estrada de Ferro Leopoldina, que operou transporte de passageiros até a década de 80. thumb|esquerda|Prédio do antigo Patronato Agrícola em uso pelo Parque Tecnológico de Viçosa (TecnoPARQ), inaugurado em 2011. Na década de 1960, teve início um intenso êxodo rural associado à busca por melhores condições de vida na zona urbana. Nesse tempo, cerca de pessoas migraram para a cidade. A partir disso começou o processo de verticalização da região central. No final da década de 60, a então UREMG foi federalizada, passando a ser a Universidade Federal de Viçosa (UFV) pelo decreto nº 64.825 de 15 de julho de 1969, assinado pelo presidente Arthur da Costa e Silva. Essa federalização foi seguida de um novo crescimento da quantidade de cursos (de 19 em 1974 para 39 em 1975), o que demandou obras de ampliação do campus.