O Estádio Doutor Oswaldo Teixeira Duarte, mais conhecido como Estádio do Canindé, é um estádio de futebol localizado na Marginal Tietê no limite norte do bairro do Canindé, na cidade de São Paulo, cuja propriedade é da Associação Portuguesa de Desportos. Dividindo o terreno do clube, encontra-se também o complexo social-poliesportivo.

História esquerda|thumb|A construção do atual Canindé foi concluída em 1972

Aquisição e Construção A Associação Alemã de Esportes (AAE), clube da colônia alemã em São Paulo, alugava um imóvel no bairro do Canindé, onde praticava os mais variados esportes. Mas, com a Segunda Guerra Mundial, o Brasil rompeu relações com os países do Eixo e iniciou-se uma perseguição a clubes das colônias desses países, inclusive a alemã. A AAE, assim como diversos outros clubes, sofreu pressão da Diretoria de Esportes do Estado de São Paulo (DEESP) para sofrer um processo de nacionalização, em que ela se tornaria uma sociedade brasileira.

Assim, Nelson Fernandes, do DEESP, e Henrique Schenk, da AAE, procuraram o São Paulo Futebol Clube em fevereiro de 1942, para conversar sobre uma possível incorporação, que acabaria votada e aprovada em 13 de março. O São Paulo Futebol Clube já tinha resolvido seu problema com estádio para jogos, adotando o Estádio do Pacaembu, mas ainda não tinha um local para treinamento. Com a incorporação, o São Paulo passou a ser o locatário das instalações, que seriam efetivamente compradas da família Vannucci em 1944, por 740 mil cruzeiros. Os sócios da AAE aderiram ao São Paulo.

Em 1956, a Portuguesa adquiriu o imóvel no bairro do Canindé, do seu proprietário, Wadih Sadi, um sócio do São Paulo, que comprara o imóvel do próprio clube, que usou o dinheiro nas obras do Estádio do Morumbi. No local havia apenas uma pequena infraestrutura, que incluía um campo para treinos, um pequeno salão, vestiários e outras dependências de treinamento. Para que pudessem ser realizadas partidas oficiais no local e atender às exigências da Federação Paulista de Futebol, foram realizadas várias reformas, levantados alambrados e uma arquibancada provisória de madeira. Estas primeiras arquibancadas acabaram conferindo ao estádio o apelido carinhoso de "Ilha da Madeira" — título que, além de ser alusivo à condição da edificação, também se refere à ilha portuguesa, tendo as suas arquibancadas de madeira existido até 1962.Livro Lusa: 100 anos de amor (2020), página 189.

Com tais características, o Canindé recebeu sua primeira partida oficial em 11 de novembro de 1956, quando a Portuguesa venceu um combinado dos rivais Palmeiras e São Paulo por 3 a 2. Nelsinho do São Paulo fez o primeiro gol desta partida no estádio ainda de madeira. Com o nome de Estádio Independência, o Estádio do Canindé foi inaugurado oficialmente em 9 de janeiro de 1972, com a partida Portuguesa 1×3 Benfica. Nessa inauguração oficial o estádio já contou com arquibancadas de concreto, mas sua capacidade ainda era de apenas dez mil espectadores. O árbitro foi Oscar Scolfaro, com gols de Vitor Batista, Jordão, Marinho Peres (pênalti) e Simões (pênalti). A Portuguesa jogou com Aguilera, Deodoro, Marinho Peres, Calegari e Fogueira; Lorico e Dirceu (Luís Américo); Ratinho (Xaxá), Cabinho, Basílio e Piau; o Benfica, com José Henrique, Da Silva, Messias, Rui Rodrigues e Adolfo; Toni e Vitor; Nenê (Artur), Vítor Batista, Jordão e Simões.

Em 1979, o presidente Manuel Mendes Gregório rebatizou o estádio com o atual nome de Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte, homenageando seu predecessor na presidência do clube. A capacidade total foi ampliada para 28 500 espectadores sentados. Anteriormente à construção deste estádio, porém, foi encomendado ao arquiteto João Batista Vilanova Artigas (que já havia projetado o Estádio do Morumbi na década anterior) um estudo para o estádio-sede do clube, no mesmo local. Este estudo — caracterizado por arquibancadas triangulares e por estar aberto às marginais —, porém, foi descartado em favor do projeto que constitui o atual estádio.

Ampliação thumb|Estádio do Canindé foi estudado para ser sede paulista da Copa do Mundo

Antes da candidatura a sede da Copa Antes da candidatura a estádio-sede da Copa do Mundo de 2014, a diretoria da Portuguesa trabalhava em um projeto para ampliar a capacidade do Canindé para 40 mil espectadores e transforma-lo numa confortável arena multiuso. A localização privilegiada na cidade de São Paulo, as avenidas e as estações de metrô e de ônibus (inclusive com linhas interestaduais) que o cercam tornam o Canindé num estádio sempre requisitado para vários eventos além do futebol. Bingos, encontros religiosos, shows musicais e diversas festas sempre ocorrem no Canindé. O projeto original é do arquiteto Hoover Américo Sampaio, ex-aluno e professor da Arquitetura da Mackenzie.Um dos projetos de ampliação e revitalização do Estádio do Canindé

Após o anúncio da candidatura a sede da Copa Motivado pela indefinição sobre a sede paulista para a Copa do Mundo de 2014, a Portuguesa oficializou, no dia 14 de julho de 2010, o interesse de ter o Canindé como estádio paulistano para o Mundial que foi recebido pelo Brasil.

A proposta apresentada pelo presidente Manuel da Lupa à Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente, realizada na Câmara Municipal de São Paulo, que à primeira vista foi encarada como piada, acabou sendo aceita, e o campo lusitano tornou-se oficialmente um dos candidatos a receber a Copa. O que primeiro pareceu piada, logo foi adotado pelos presentes, inclusive pelo vereador e dirigente do São Paulo Futebol Clube, Marco Aurélio Cunha (PSD), que afirmou apoiar a proposta. "Fui a primeira pessoa a sugerir o Canindé. Se a Portuguesa tiver oportunidade de fazer um projeto com verba privada e autossustentável, tem o meu total apoio. Até porque não vejo opção mais bem localizada. Talvez até mesmo que o próprio Cícero Pompeu de Toledo".

Como constatado pela Prefeitura, o Canindé apresentou o melhor conjunto de vantagens para sediar a Copa. Uma delas foi o estacionamento. Há uma área de 33 mil metros quadrados que pertence à Prefeitura ao lado do estádio, que poderia ser usada para estacionar os carros durante os jogos. Para ressaltar as qualidades do Canindé, Manuel da Lupa apresentou dados sobre o tamanho do local — de acordo com o mandatário, a área física do clube possui cem mil metros quadrados.thumb|Dependências do estádio paulista deveriam passar por reformas para abrigar a Copa do Mundo Outro ponto favorável ao campo da Portuguesa e destacado está na localização. O fato de o Canindé estar localizado na Marginal Tietê, principal via de São Paulo, e a proximidade com o Terminal Rodoviário Tietê, as estações de metrô Armênia e Portuguesa-Tietê e até um aeroporto (Campo de Marte), favoreciam o Canindé. Além disso, acrescia-se o fato de que o estádio possui ligação direta com os aeroportos de Cumbica e Congonhas, e possui em seu entorno ampla rede hoteleira, além de hospitais e três shopping centers.

De acordo com diretoria do clube, o Canindé, que atualmente conta com capacidade para 21 mil pessoas, passaria a ter sessenta mil lugares, atendendo assim ao padrão exigido pela Fifa para abertura da competição. "Hoje, o Canindé fica localizado no lugar ideal para se ter um estádio para a Copa. É claro que atualmente ele não tem condições de receber algo desse porte, mas uma nova arena, construída para o Mundial, poderia ser a saída para São Paulo", afirmou Da Lupa.

O mandatário da Portuguesa afirmou que a construção do novo Canindé seria realizada por intermédio de parcerias com empresas privadas, negando a utilização de dinheiro público, como ocorreria no caso de Pirituba ser escolhida a sede paulista para o torneio. Segundo Da Lupa, a construção do novo estádio seria bancada pela iniciativa privada. Votorantim e Banif teriam demonstrado interesse, além da Kyocera.

Os custos desse projeto também representam uma vantagem do Canindé sobre as outras propostas. Considerado o mais economicamente viável dos projetos, a nova arena da Lusa, com capacidade de 60 mil lugares, custaria apenas R$ 250 milhões, em comparação com os R$ 630 milhões do projeto de reforma do Morumbi aprovado pela Fifa, dos R$ 350 milhões do estádio de 40 mil pessoas proposto pelo Corinthians e dos R$ 700 milhões da proposta do Piritubão de 65 mil lugares.

A proposta, que foi reforçada após uma visita de inspetores da FIFA, previa a construção do novo Canindé em até 3 anos. Eventualmente a proposta foi preterida e a Arena Corinthians foi escolhida para a abertura da Copa do Mundo.

Dívidas e crise no Canindé thumb|Detalhe de símbolo da Portuguesa dentro do gramado do CanindéEm 2015, com a Portuguesa passando por grave crise financeira que chegou à penhora do Canindé, a diretoria do clube decidiu por iniciar uma reforma que reduziria a capacidade do estádio para quinze mil espectadores e permitiria maior exploração comercial do terreno. O ginásio do Canindé chegou a ser alugado para uma igreja.

Após ser rebaixada três vezes consecutivas no Campeonato Brasileiro, a Portuguesa passou a viver grande crise esportiva e financeira. As dívidas do clube beiraram os duzentos milhões de reais. A alternativa encontrada pela Justiça para que as pendências fossem pagas foi leiloar a área do estádio do Canindé pertencente à Portuguesa. As alternativas encontradas para evitar o leilão foram o tombamento da sede lusitana ou um modelo de negócio no qual a área do estádio seria gerido por diferentes empresas. Dentre este período, que se sucedeu entre setembro e novembro de 2016, um jogador das categorias de base da Portuguesa morreu dentro das dependências do Canindé.

Leilão do estádio por dívidas trabalhistas Em novembro de 2016, o estádio do Canindé quase deixou de ser da Associação Portuguesa de Desportos. Afundada em crise financeira, que beira os R$ 200 milhões, a Lusa teve que enfrentar o risco de dois leilões do local neste período. A área foi penhorada para o pagamento de dívidas trabalhistas que ultrapassam R$ 55 milhões. O processo que deu início aos leilões foi registrado pela advogada Gislaine Nunes. Cinco jogadores profissionais de futebol - Ricardo Oliveira, Rogério Pinheiro, Tiago Barcelos, Marcus Vínicius e Rafael - se juntaram para requisitar o dinheiro de dívidas trabalhistas feitas no começo dos anos 2000.

A área do Canindé colocada a leilão corresponde a 42 mil metros quadrados do local, cerca de 45% do total da sede da Lusa – o restante pertence à Prefeitura de São Paulo, que também já autorizou a venda dessa parte.

Em 5 de setembro, a 10ª Vara Cível do Foro Central da Capital anunciou que a sede da Portuguesa seria leiloada em 7 de novembro, com lance inicial de R$ 154.296.529,68, pela Mega Leilões. Em 25 de outubro, a diretoria do clube conseguiu suspender o leilão por uma brecha encontrada no processo. O efeito suspensivo foi conquistado por causa de erro de cálculo no valor de juros da dívida da Lusa. A Portuguesa teria déficit ainda maior do que deveria, portanto o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo decidiu por impugnar o leilão.

Após o leilão na vara cível não ser concretizado, a disputa pelo terreno na vara trabalhista ganhou força. Este leilão foi marcado para 18 de novembro. As bases eram parecidas com o próximo citado da vara cível, porém os valores eram diferentes. A sede da Portuguesa foi colocada a venda pelo valor de R$ 74 milhões como lance inicial pela Fidalgo Leilões. Em 30 de outubro, o Canindé apareceu nos classificados do periódico O Estado de S. Paulo no setor de classificados.