Infinite é o álbum de estúdio de estreia do rapper norte-americano Eminem, distribuído independentemente nos Estados Unidos através do selo Web Entertainment a 12 de Novembro de 1996. O artista iniciou a sua carreira no rap em 1988 ao juntar-se ao amigo DJ Butterfingers e formar o grupo que vir-se-ia a chamar Soul Intent no ano seguinte. Em 1992 conseguiu assinar um contracto discográfico com a editora FBT Productions sob administração dos irmãos Jeff e Mark Bass, proprietários da mesma. Após publicar alguns trabalhos com os seus amigos, em 1995, Eminem finalmente deu início às sessões de gravação no estúdio Bassment Sound do que viria mais tarde a ser divulgado como Infinite, álbum cuja produção e arranjos ficaram encarregues a Mr. Porter, com Proof assumindo a programação da bateria. Além de ter co-composto todas as faixas com Mr. Porter, Eminem foi também responsável pela co-produção de duas faixas.
Além dos acima mencionados, Infinite apresenta participações especiais de outros amigos de Eminem, inclusive Eye-Kyu, Three, Thyme, e Angela Workman. Foi durante o período de gravação e produção do projecto que o grupo que viria a ser mais tarde conhecido como D12 foi criado. O conteúdo lírico do álbum aborda, em geral, as dificuldades pelas quais Eminem passava ao cuidar da sua filha recém-nascida sob o salário mínimo que recebia enquanto trabalhava em um bar em Detroit, Michigan. Outros temas inclusos são o amor e a traição. A produção do projecto é minimalística e semelhante à das obras de rap concebidas ao longo da década de 1990, e a maioria das faixas fazem uso de amostras de trabalhos de outros artistas — inclusive "Jealous" (1989) de LL Cool J, usada em duas faixas.
Na altura do seu lançamento, Infinite foi recebido com opiniões negativas tanto pela crítica especialista em música contemporânea bem como pelo público ouvinte de hip hop, com ambas partes acusando o rapper de imitar o estilo de outros artistas, particularmente AZ e Nas. Eminem mais tarde se defendeu declarando que ambos foram suas grandes inspirações no início da carreira. Todavia, com o passar do tempo, as opiniões receberam uma melhoria e, hoje, o álbum é condecorado como responsável por definir o som de Eminem e recebeu um novo respeito por ouvintes de rap e hip hop; a faixa-título foi considerada uma das melhores canções de Eminem pela revista Rolling Stone em 2019. Devido ao seu lançamento limitado, como apenas uma quantidade inferior a mil unidades foram produzidas, Infinite teve um desempenho comercial fraco, movimentando um estimado de mil exemplares até Agosto de 2008.
Um mini-documentário de dez minutos que narra os acontecimentos por detrás da produção de Infinite foi lançado por Eminem em Novembro de 2016 para celebrar o vigésimo aniversário do projeto. No ano seguinte, o disco foi mencionado pelo artista em duas canções do álbum Revival.
Antecedentes e concepção
Eminem começou a fazer rap com apenas quatorze anos de idade juntamente com Mike Ruby, seu amigo de escola secundária. Eles adoptaram os nomes "Manix" e "M&M", com este último sendo um acrónimo das suas iniciais (Marshall Mathers), mais tarde evoluindo para "Eminem". Ocasionalmente, o jovem esgueirava-se para a escola secundária vizinha de Osborn, no noroeste de Detroit, Michigan, para participar de competições de freestyle de rap à hora do almoço. Aos sábados, Eminem e Ruby assistiam e também participavam de concuros de microfone aberto no Hip-Hop Shop, um local situado no West 7 Mile e considerado "marco zero" do cenário rap da cidade. Enquanto batalhava para se suceder em uma indústria predominantemente negra, o rapper recebeu apoio de ouvintes de hip hop underground. Ao compor as suas estrofes e versos, a sua intenção era de fazer as palavras rimarem; o jovem escrevia palavras e frases longas em papéis e, nos seus versos, trabalhava nas rimas para cada sílaba. Embora frequentemente as palavras não fizessem muito sentido, a práctica ajudou Eminem a desenvolver o seu som, bem como as suas rimas. Em 1988, o artista assumiou o nome artístico "MC Double M" e, com Ruby — que agora assumia o pseudónimo DJ Butterfingers — formou o seu primeiro grupo, nomeado New Jacks; com um EP auto-intitulado sendo divulgado passado um tempo. No ano seguinte, ambos juntaram-se ao grupo Bassmint Productions, que viria mais tarde a alterar o nome para Soul Intent em 1992, com a adição do rapper Proof e outros amigos de infância.
miniatura|150px|AZ foi um dos rappers nos quais Eminem se inspirou no início da sua carreira. Em 1992, o rapper assinou um contrato com a editora discográfica FBT Productions sob administração dos irmãos Jeff e Mark Bass, proprietários da mesma. Naquele momento, Eminem tinha um emprego de salário mínimo no qual cozinhava e lavar louça no restaurante Gilbert's Lodge na cidade de St. Clair Shores, Michigan. Em 1996, o álbum de estreia de Eminem, Infinite, cuja gravação ocorreu no Bassmint — um estúdio de gravação pertencente aos irmãos Bass — foi lançado sob o seu selo independente, Web Entertainment. O artista foi encorajado por outros, que notaram que ele tinha um som similar ao dos rappers Nas, Esham e AZ. A faixa-título, na qual Eminem canta monotonamente em rap usando palavras multisilábicas, foi inspirada no desempenho vocal de AZ em "Rather Unique", faixa do seu projecto de estreia Doe or Die (1995).
Eminem trabalhou ao lado de Mr. Porter, responsável pela produção e arranjos de todo o material, em todo o álbum, com Proof chegando mais tarde e assumindo a programação da bateria. Mr. Porter descreveu a sua experiência de trabalho em Infinite como "marada", em entrevista ao blogue musical HipHop'n'More. Eminem fez com que as canções de Infinite fossem "amigas da rádio" propositadamente, com o fim delas serem reproduzidas nas estações de rádio de Detroit, Michigan. O álbum apresenta participações especiais de colegas e amigos de Eminem, sendo eles Proof, Mr. Porter, Eye-Kyu, Three, e Thyme. Foi por volta deste período que Eminem, juntamente com Proof e Mr. Porter, juntou-se a um grupo de outros rappers que viriam a assumir o nome de D12, que interpretavam em um estilo similar a Wu-Tang Clan. Embora tenha co-composto e produzido todo o álbum, Mr. Porter revelou em 2015, em entrevista à MTV, ter sido "lixado" financeiramente pelos irmãos Bass, afirmando ainda que caso o disco fosse disponibilizado em plataformas digitais, preferiria que Paul Rosenberg, empresário e advogado de Eminem, lidasse com a distribuição.
Música Inspiração e sonoridade A produção de Infinite é minimalística e semelhante à das obras de rap concebidas ao longo da década de 1990. A instrumentação consiste em caixa e bumbo, com outros instrumentos como o teclado de jazz, guitarra e uma linha do baixo sendo usados ocasionalmente em algumas faixas. "Backstabber" destaca-se das outras canções do disco pelo uso proeminente de sons de arranhões de disco de vinil, introduzidos por DJ Butterfingers.
Dentre os assuntos abordados em Infinite estão inclusos as dificuldades do rapper em cuidar da sua filha então recém-nascida, Hailie Jade Scott Mathers, contando com fundos limitados e o seu desejo forte de enriquecer. Em Infinite, Eminem aborda "a sua educação não-ortodoxa lidando com o racismo, [pensamentos sobre] suicídio e um pai negligente em uma idade pequena." Após o lançamento do projecto, as batalhas pessoais de Emimem, associadas so abuso de drogas e álcool, resultaram em uma tentativa de suicídio. Em comparação aos projectos subsequentes do artista, Infinite contrasta por não conter uma vastidão de palavras obscenas.
Em canções como "313" e "Open Mic", Eminem coloca em dispor a sua sagacidade, demonstrando a sua proficiência em auto-vangloriação e saber se expressar. Enfrentando um adversário anónimo, ele exibe uma vastidão de liricismos balísticos, usando rimas difíceis de desenredar e metáforas violentas para dominar simbolicamente a concorrência. Além disso, Infinite contém ainda reflexões autobiográficas e mais sérias. Em "Never 2 Far", que inicia com uma conversa impromptu encenada em uma paragem de autocarro de Detroit em um dia frio, Eminem e um amigo afro-americano lamentam as suas dificuldades financeiras. A introdução é seguida por um rap sobre manter-se inspirado e alcançar os seus sonhos para que possa tratar a sua família adequadamente. Próximo ao fim do disco estão duas canções sobre amor juvenil: a primeira, "Searchin'", com participação da amiga Angela Workman, vê Eminem a cantar "ternamente" sobre aninhar-se, beijar e abraçar uma amante anónima; "Jealousy Woes II", em contraste, conta os problemas que o rapper enfrenta em um relacionamento com uma amante também anónima que o maltrata apesar do quão duro ele se esforça para impressioná-la.
Estrutura musical e conteúdo A canção de abertura homónima é uma ode a conceitos científicos, tais como o infinito na qual Eminem usa um esquema rimal complexo:
Ayo, my pen and paper cause a chain reaction To get your brain relaxin', the zany actin' maniac in action A brainiac in fact, son, you mainly lack attraction You look insanely wack when just a fraction of my tracks run
A segunda faixa "W.E.G.O." é um interlúdio de 21 segundos no qual Proof e DJ Head participam a fazer paródia das estações de rádio locais, alegando que a canção subsequente, "It's Okay", é o tema mais pedido pelos ouvintes da rádio. Em "It's Okay", por sua vez, Eminem canta sobre as suas batalhas anteriores à gravação do álbum, contudo, deixa claras as suas esperanças não apenas para o seu futuro, como também o da sua filha e esposa, evidenciado em versos como "And have at least a half a million for my baby girl." Tanto "It's Okay" quanto "313" contam com a participação de Eye-Kyu, amigo de Eminem que mais tarde viria a integrar o D12. Em "Tonite", Eminem aborda aspesctos variados sobre a cultura rap predominante naquele momento, inclusive a misoginia, competição entre rappers, bem como o rap por si mesmo. O modo de rap do artista nesta faixa destaca-se das outras pela sua densidade e multisilabismo, como o músico consegue fazer rimas complexas caberem em espaços curtos. "Tonite" teve produção e arranjos adicionais pelo D.J. Butterfingers.
miniatura|150px|A canção "Jealous" (1989), do rapper LL Cool J, foi usada como amostra em duas faixas de Infinite. "Maxine", com participação de Mr. Porter e Three, inicia com um diálogo entre Porter e Maxine. Maxine, por sua vez, é uma personagem criada por Eminem com o intuito de referenciar a canção "Murder She Wrote" (1993), lançado pelo duo jamaicano de reggae Chaka Demus & Pliers. Esta canção viria novamente a ser mencionada por Eminem em "Murder Murder", faixa de Slim Shady EP (1997). Maxine é também o nome da rua no qual o bar Gilbert’s Lodge, no qual o rapper trabalhava em meio-período naquele momento. "Open Mic" é uma faixa na qual Eminem e Thyme mostram as suas proezas de freestyle e recordam a experiência de terem competido no Hip Hop Shop. "A Hip Hop Shop era tipo uma loja de roupas que virava um [local de] microfone aberto aos sábados das quatro às seis [horas da tarde]. Tinha o Proof como apresentador e era marado," afirmou o rapper Elzhi em uma entrevista na qual abordava a sua experiência de trabalho com Eminem. "Never 2 Far" inicia com um diálogo com Mr. Porter e teve suas letras encorajadoras e esperançosas comparadas às de "It's Okay", enquanto "Searchin'", com participação de Angela Workman, vê o rapper em busca de amor. Ao contrário de todas outras faixas de Infinite, "Searchin'" não contém linguagem obscena.