Erasmo de Carvalho Braga (Rio Claro, 23 de abril de 1877 — Niterói, 11 de maio de 1932) foi um pastor, professor, missionário, escritor, tradutor, pianista e organista brasileiro.
Filho de João Ribeiro de Carvalho, também pastor, convertido após ler uma bíblia que havia sido vendida como papel de embrulho em 1871 e Alexandrina Teixeira da Silva Braga.
Estudou na Escola Americana e foi ordenado pastor em 5 de setembro de 1898. Em 1899 fundou a revista O Puritano como alternativa a O Estandarte, junto com Álvaro Reis.
Líder do Período de Cooperação da implantação da Igreja Presbiteriana do Brasil, Erasmo Braga foi um dos maiores influenciadores evangélicos do seu tempo, por sua capacidade de dialogar, respeitar as diferenças e crença na colaboração entre religiões.
Participou do Congresso de Ação Cristã no Panamá, em 1916, onde foram discutidas as estratégias missionárias e o ecumenismo para a América Latina. Como desdobramento desse Congresso, Erasmo Braga organizou, ainda em 1916, no Rio de Janeiro, uma Conferência Regional de evangélicos, para discutir um plano geral para o protestantismo brasileiro. A agenda daquela conferência incluiu: a organização de escolas protestantes; apoio financeiro para as igrejas nacionais; a criação de uma universidade que alcançasse as classes mais educadas; a formação de um seminário não-denominacional, o Seminário Unido; a criação de um Comitê de Cooperação Brasileiro, no estilo do Comitê de Cooperação Latino-americano (CCLA).
Em 1918, criou o Comitê Brasileiro de Cooperação (CBC) que presidiria até sua morte em 1932, que chegou a reunir dezenove organismos eclesiásticos, incluindo igrejas, sociedades missionárias e outras organizações evangélicas.
O CBC produziu literatura para as Escolas Bíblicas Dominicais, desenvolveu projetos missionários entre povos indígenas, estabeleceu relações com movimentos sociais, fundou o Seminário Unido, publicou livros e enviou Erasmo Braga como seu representante na Conferência Missionária do Conselho Mundial de Igrejas em Jerusalém, em 1928.
Foi o primeiro presidente do Conselho do Colégio Mackenzie (1923).
Em 1925, presidiu o Congresso de Montevidéu, no qual foram debatidas estratégias missionárias de diversas denominações protestante para a América Latina, esse evento, apesar de contar com diversos missionários norte-americanos dentre os seus integrantes, teve o espanhol como língua oficial. Em 1929, foi presidente de honra do Congresso de Havana, no qual 118 dos 200 delegados eram latinoamericanos. Esse evento teve os seguintes temas centrais: solidariedade evangélica, educação, ação social e literaturaMovimento Ecumênico e o Surgimento da Responsabilidade Social no Protestantismo Brasileiro, acesso em 22/01/2021..
De 1924 a 1926 presidiu a Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil. Seu pai foi o também pastor João Ribeiro de Carvalho Braga, que também presidiu o Supremo Concílio.
Panorama da época O panorama da época em que viveu Erasmo de Carvalho braga, século XX, foi característico pelo término do regime monárquico, sob grande influência do clero católico e do catolicismo em geral. O Brasil, nesse momento, trilhada em direção de algo novo. Se tornam pauta os ideais de progresso, modernidade, desenvolvimento e civismo.
Outro fator importante era a admiração pelo modelo de vida dos Estados Unidos que eram, naquela época, o melhor exemplo de nação unida e desenvolvida.
A grande maioria da população ainda estava concentrada na zona rural e o índice de analfabetismo era alto.
Inserido nesse período, Erasmo foi considerado um personagem que não explica o seu tempo, mas que foge dele por ser e estar além dele.
Editoras que investiram na criação e desenvolvimento de materiais didáticos e infantis, como a Editora Melhoramentos e a Editora Weiszflog Irmãos se destacaram entre as outras. Essas editoras tiveram em seguida uma grande demanda de produção devido a discussão sobre a reforma do sistema educacional brasileiro, pauta que se tornou eminente com o advento da República. Primeiros anos e formação - Educador e Pastor desde pequeno Erasmo Braga passou toda a sua infância em Botucatu(SP), cidade em que estudou pela primeira vez em uma escola, a Escola Botucatuense.
Sua mãe, Alexandrina Teixeira da Silva Braga, dirigia a Escola Botucatuense e, por esse motivo, Erasmo desde cedo auxiliava não só sua mãe em suas responsabilidades, como os professores nas aulas.
Naquela época, era, também conhecido por ser o “menino brincava de imitar os pregadores”. Revelando a sua vocação, de certa forma, desde pequeno.
Em 1890, conclui o curso primário em Botucatu e se muda para São Paulo com o plano de ingressar na Escola Americana. Também fazia parte desse plano que Erasmo seguisse a carreira de Direito e se formasse na Escola de Direito do Largo São Francisco, na qual foi aprovado.
Sua vocação e chamado, no entanto, se tornou clara para Erasmo antes que se matriculasse no Largo São Francisco e decidiu, então, começar os estudos no recém criado Instituto Teológico (1893-1897) concluindo os seus estudos com 20 anos.
Ainda aos 20 anos de idade, se transferiu para o Rio de Janeiro onde foi ordenado Ministro do Evangelho. Após a sua ordenação tornou- se pastor da Congregação Presbiteriana de NiteróiI/RJ e em seguida fundou o jornal "O Puritano". Quatro anos depois, com 24 anos encontra com Olindina Jardim sua futura mulher. Após o casamento, Erasmo e Olindina voltam para São Paulo, uma vez que Erasmo foi convidado a exercer o magistério no Mackenzie College e no Seminário Presbiteriano.
Mestre, professor e educando Sua vocação para a docência, levou Erasmo Braga a lecionar nas seguintes instituições:
Colégio Progresso (Niterói) Mackenzie College (São Paulo) Seminário Presbiteriano (São Paulo e Campinas) Ginásio “Culto à Ciência” (Campinas) Faculdade de Teologia das Igrejas Evangélicas (Rio de Janeiro)
Em 1909 foi um dos fundadores da Academia Paulista de Letras juntamente com Benedito Otávio de Oliveira, Alberto Faria, Raul Soares de Moura e Basílio Magalhães.
Instituições científicas, de estudo do território paulista, do ramo artístico, de serviços humanitários e éticos e de educação também tiveram sua participação seja como correspondente ou efetivo. Algumas das instituições das quais foi membro ao longo dos anos:
Sociedade Científica de São Paulo (1903) Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo Centro de Ciências (Campinas) Letras e Artes de Campinas Comissão Brasileira de Cooperação Rotary Club (Rio de Janeiro) Associação Brasileira de Educação Academia Fluminense de Letras Académie Latine des Sciences Arts et Belles Lettres (Paris) Société Académique d’Histoire Internationale (Buenos Aires) Sociedad Missionera Nacional (Lima) Diretoria da Instrução do Governo do Estado de São Paulo.
O Líder da Cooperação - Igreja Presbiteriana do Brasil A implantação da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) e dos seus dogmas, valores e princípios no Brasil foi dividida em períodos específicos, começando em 1859 com o período da Implantação, em que o fundador da IPB Ashbel Green Simonton veio ao Brasil. Em 1869, se inicia o período da Consolidação, em que os primeiros missionários da Igreja do Sul dos EUA (PCUS), George N. Morton e Edward Lane, trouxeram novos meios de evangelização para o Brasil. Em 1888, se estabelece o período da Dissensão com a conquista da autonomia da IPB as igrejas norte americanas; em 1903 a Reconstituição em que a IPB já estava com mais de 10 mil membros; em 1917 se inaugura o período de Cooperação do qual Erasmo Braga foi o principal líder. Em 1932, com o período de Organização, a IPB reorganiza sua estrutura de funcionamento e em 1959, a Polarização foi caracterizada pelo impacto na IPB pela divisão dos Brasileiros entre conservadores e progressistas e o regime militar de 1964.
A liderança de Erasmo Braga no quinto período - Cooperação de 1917 a 1932 - de implantação da Igreja Presbiteriana do Brasil foi essencial uma vez que a sua experiência de vida se desenvolveu em um momento em que todas as igrejas protestantes no Brasil procuravam se fortalecer frente a secularização do catolicismo e conquistar a evangelização dos brasileiros. O diferencial de Erasmo e desse período foi identificar que a disputa entre crenças e religiões diferentes poderia se evolver no diálogo e na cooperação entre não só indivíduos, como instituições, valores, dogmas e princípios.
Foi nomeado secretário da Comissão Brasileira de Cooperação, entidade que desenvolveu a cooperação entre a grande maioria das igrejas evangélicas do Brasil e fundou no Rio de Janeiro o chamado Seminário Unido, em que as instituições se reuniam entre si, em busca do unitário baseados no conceito do ecumenismo.
Erasmo Braga auxiliou, também nesse período, na fundação de duas instituições essenciais para o movimento da cooperação:
Instituto José Manoel da Conceição, São Paulo (1928) Associação de Catequese dos Índios (1928)
Missões - "Nenhum de nós vive por si mesmo, nem morre para si mesmo" (Rm 14:7) Seu versículo da bíblia preferido da bíblia: "Nenhum de nós vive por si mesmo, nem morre para si mesmo"(Rm 14:7), certamente foi condizente com suas contribuições. Erasmo Braga combinou sua fé inabalável e sua vocação para a docência ao longo de sua vida e se dedicou a participar de missões, conferências, concílios, ações cristãs e congressos entre 1916 e 1931:
Missão em Portugal Federação das Escolas Evangélicas Missão de Catequese Caiuás Confederação Evangélica do Brasil Igreja Presbiteriana do Brasil
Ação Social
Acreditava que:
A linguagem de Braga, voltada para uma “cristianização da ordem social”, era muito semelhante à da teologia do evangelho social, cujo principal representante era o norte-americano Walter Rauschenbusch.
A Série Braga - Moralidade protestante e introdução à Literatura Em 1910, Erasmo Braga passou a se dedicar a uma série de cartilhas didáticas para utilização no Ensino Fundamental ou Ensino Primário, que naquela época era dividido em quatro séries de um ano. O objetivo era a produção de um material dividido em quatro volumes, um para cada ano, que pudesse servir de apoio para o educador e o educando possibilitando a formação da identidade deste último através de valores protestantes. O plano da série era facilitar o aprendizado da leitura e da escrita tal como é o aprendizado da linguagem oral, através do incentivo de sentimentos, imaginação e raciocínio, além de incentivar e influenciar o contato dos educandos com a literatura em geral. Dessa forma, a escrita, a leitura e a fala do educando se nivelariam em um mesmo plano com a mesma riqueza sensorial e expressiva.
Os volumes são constituídos de textos e narrativas que tratam de assuntos interdisciplinares enquanto pregam valores e princípios da moralidade e da ética de acordo com os dogmas protestantes, que, segundo Braga, são essenciais para uma educação transformadora e de qualidade, uma vez que motivam e influenciam o educando corretamente em direção à sua identidade.