Militares vermelhos foi o nome com que ficaram conhecidos, especialmente pelas populações da ex-províncias ultramarinas portuguesas, os militares relacionados com o Partido Comunista Português (PCP) e a esquerda política que tiveram assento no Movimento das Forças Armadas (MFA).

A expressão foi especialmente aplicada aqueles que durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC) trabalharam para fortalecer os grupos políticos populares, de esquerda e socialistas.

Contexto No mundo vivendo a guerra fria, o mundo dividia-se entre a influência do Bloco Ocidental e o Bloco de Leste. Essa pressão era particularmente evidente na Europa. O Portugal de Salazar depois de ter apoiado Franco na guerra civil Espanhola, e vendido volfrâmio à Alemanha Nazi, tinha-se reposicionado com o Bloco Ocidental, entrando inclusivamente para a NATO em 1949.

Pelo contrário, a oposição que sobreviveu à repressão do Estado Novo estava maioritariamente organizada à volta do Partido Comunista Português. Ao contrário de outras posições políticas da oposição particularmente em face da guerra colonial, o PCP defendia a participação nas forças armadas, de forma a promover os seus ideais. Isso granjeou-lhe forte influência em alguns setores.

Fora da Europa, a guerra fria também se fazia sentir. Dado que a maioria das potências ou ex-potências coloniais pertenciam ao Bloco Ocidental, os movimentos independentistas acabaram por ter uma forte ligação ao Bloco de Leste. Após a revolução dos cravos, a pressão para a descolonização, já de si tardia, aumentou quer por forças internas (programa MFA; soldados não querem combater), quer por forças externas (ONU; movimentos independentistas).

Personalidades O caso mais paradigmático terá eventualmente sido o do almirante Rosa Coutinho governador em Angola no pós 25 de Abril que ficou conhecido por ter mandado entregar todas as armas na posse da população civil às autoridades enquanto abria a porta à entrada de soldados e material de guerra da esfera comunista a partir da ponte aérea Cuba-Angola.

Outros exemplos são o de Vasco Gonçalves e de Otelo Saraiva de Carvalho, que chegou a visitar Fidel Castro em Havana em pleno verão de 1975, no exato momento em que a ponte aérea Cuba-Angola se encontrava no seu auge.

Em geral alinhados com Vasco Gonçalves ou Otelo de Carvalho, vários viriam a ter um papel no 25 de Novembro. Como Delgado da Fonseca, gonçalvista convicto, Duran Clemente e Eurico Corvacho, tendo nesta ocasião os mais implicados nessa intentona sido compulsivamente passados à reserva, ou sofrido diversos revezes na sua carreira.

Ligações externas Rosa Coutinho Governador de Angola

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