Soure é um município brasileiro localizado na zona fisiográfica da Ilha de Marajó, no estado do Pará, na Região norte do Brasil, a uma latitude 00º43'00" sul e a uma longitude 48º31'24" oeste, estando a uma altitude média de 10 metros, sendo o ponto culminante estando a uma altitude de 37 metros. Sua população estimada em 2025 era de 25 409 habitantes, segundo o IBGE. A localidade foi originalmente elevada à categoria de vila em 1757 por Francisco Xavier de Mendonça Furtado; extinta em 1833, foi restaurada em 20 de janeiro de 1847. Soure está localizada a 80 km da capital paraense Belém.
História
Fonte:
Período pré-colonial e início da colonização A região onde se localiza o atual município de Soure era originalmente habitada pelos índios maruanazes, que ocupavam áreas do leste da então chamada ilha Grande de Joanes. A partir do século XVII, missionários religiosos passaram a atuar na região com o objetivo de catequização indígena e pacificação dos conflitos entre nativos e colonizadores portugueses.
Em 1653, o padre Antônio Vieira chegou a Santa Maria de Belém do Grão-Pará, acompanhado de outros missionários jesuítas, com poderes régios para intervir nas guerras entre portugueses e indígenas, sobretudo na ilha Grande de Joanes. Após negociações com as populações locais, foi autorizado a fundar o povoado de Joanes, onde ocorreu a concentração de um grande número de indígenas para a formalização de acordos de paz.
Missões religiosas e organização econômica (séculos XVII e XVIII) Durante a segunda metade do século XVII, diversas ordens religiosas — entre elas jesuítas, carmelitas, mercedários e capuchos de Santo Antônio — estabeleceram missões na ilha Grande de Joanes. Além da catequização, essas ordens tiveram papel relevante na introdução da pecuária e na organização da pesca, atividades que se tornaram fundamentais para o abastecimento de Belém.
A ilha foi doada pela Coroa portuguesa em 23 de dezembro de 1665, no reinado de D. João IV, permitindo a concessão de sesmarias a religiosos e particulares. A partir desse período, instalaram-se diversas feitorias de pesca ao longo do litoral oriental da ilha, especialmente nas áreas correspondentes ao atual território de Soure, como as regiões do Cambu, Cajuúna, Araruna e Maguari.
Produtos como a tainha, o pirarucu e a tartaruga passaram a ter grande importância econômica, sendo utilizados tanto para alimentação quanto como forma de pagamento em transações comerciais e administrativas.
Formação das aldeias e freguesias No início do século XVIII, especialmente a partir de 1702, foram fundadas aldeias missionárias em áreas mais elevadas da ilha, visando à fixação indígena e à produção agrícola e pesqueira. Entre elas destacaram-se as aldeias de Menino Jesus, formada majoritariamente por indígenas maruanazes, e São Francisco Xavier.
Em 1737, durante o governo interino de Antônio Duarte de Barros, essas aldeias foram elevadas à categoria de freguesias. A freguesia de Menino Jesus ficou sob responsabilidade dos franciscanos de Santo Antônio, enquanto São Francisco Xavier passou à administração dos capuchos de São Boaventura. Outras aldeias da região também foram institucionalizadas nesse período.
Elevação a vila e reformas pombalinas (1750–1760) A incorporação definitiva da ilha Grande de Joanes à Coroa portuguesa ocorreu em 29 de abril de 1754, por meio de Carta Régia, durante o governo de Francisco Xavier de Mendonça Furtado. No contexto das reformas administrativas do período pombalino, foi decretada, em 1755, a lei de liberdade dos índios e instituído o Diretório dos Índios, que promoveu a transformação de aldeias em freguesias e vilas.
Em 1757, a freguesia do Menino Deus foi elevada à vila de Soure, adquirindo autonomia administrativa. No mesmo ano, a ilha Grande de Joanes passou a ser denominada ilha do Marajó, termo de origem tupi (imbara-yó, "barreira do mar"). Também nesse contexto, localidades receberam denominações portuguesas, como Soure, Salvaterra, Monsarás e Condeixa, em referência a cidades de Portugal.
Séculos XVIII e XIX: pesca, pecuária e instabilidade administrativa Ao longo do final do século XVIII, Soure consolidou-se como importante centro de produção pesqueira, responsável por parte significativa do abastecimento de Belém. Em 1786, foi instalado o Pesqueiro Real, ampliando a produção de tainha e outros peixes. No início do século XIX, esse estabelecimento passou a ser denominado Pesqueiro Nacional.
Apesar da importância econômica, o município enfrentou crises decorrentes de epidemias, conflitos e redução da mão de obra indígena. Em razão desse declínio, o Conselho da Província do Pará determinou, em 1833, a extinção da vila de Soure, com anexação de seu território ao município de Monsarás.
A Lei Provincial nº 138, de 9 de novembro de 1847, restaurou o predicamento de vila, mas a efetiva reinstalação do município ocorreu apenas em 20 de janeiro de 1859, após eleições e posse da nova Câmara Municipal.
Período republicano miniaturadaimagem|Soure no início do século XX
Com a Proclamação da República, em 1890, a Câmara Municipal de Soure foi dissolvida, sendo criado um Conselho de Intendência Municipal. Ainda nesse ano, pelo Decreto nº 194, de 19 de setembro de 1890, Soure foi elevada à categoria de cidade.
Em 1894, com a extinção do município de Monsarás, Soure teve seu território ampliado. Ao longo do século XX, ocorreram novos ajustes territoriais, destacando-se a criação do município de Salvaterra, em 1961, a partir de desmembramento do território sourense.
Na divisão territorial estabelecida pelo Decreto-Lei estadual nº 4.505, de 30 de dezembro de 1943, para vigorar entre 1944 e 1948, o município de Soure passou a ser composto pelos distritos de Soure, Condeixa, Joanes e Salvaterra.
Nesse século soure teve vários eventos marcantes como, a construção e asfaltamento da Estrada Soure-Pesqueiro, o náufragio do navio Presidente Vargas, o primeiro banco de Soure, o banco da Amazônia, desenvolvimento da educação, entre outros.
Também Soure recebeu visitas marcantes nesse século, como visitas da família real do Brasil, do presidente da república e do Ministro Plenipotenciário dos Estados Unidos.
No século XXI, eventos marcantes foi, a inauguração da EETEPA em Soure, Terminal Hidroviário e da Caixa Econômica Federal do município.
Geografia
Hidrografia
A hidrografia do município de Soure é marcada pela influência do sistema costeiro-marinho do arquipélago do Marajó, com predominância de ambientes estuarinos, canais de maré, rios de pequeno e médio porte, lagoas e extensas áreas alagáveis. O principal curso d’água é o Rio Paracauari, que banha a área urbana do município e exerce papel central na dinâmica econômica e ambiental local.
O Rio Paracauari atravessa Soure e estabelece, em parte de seu curso, o limite natural com o município de Salvaterra. É um rio navegável, utilizado historicamente para o transporte fluvial, a pesca artesanal e o escoamento de produtos locais, além de abrigar o porto da cidade. Suas águas deságuam no Rio Pará, também referido como baía do Marajó, integrando-se ao complexo estuarino influenciado pelo Golfão Amazônico.
Além do Paracauari, o território municipal é drenado por rios menores, igarapés e canais naturais, que se conectam a lagoas interiores e áreas de campos inundáveis. Esses corpos hídricos apresentam forte influência das marés, especialmente na planície costeira, onde ocorrem manguezais, restingas e praias oceânicas. Durante os períodos de cheia, algumas dessas áreas tornam-se acessíveis por pequenas embarcações.
Do ponto de vista geológico e hidrológico, Soure está inserido em uma região formada predominantemente por sedimentos quaternários, com aluviões recentes, planícies flúvio-marinhas e canais de maré, refletindo a dinâmica deposicional e erosiva característica da costa amazônica. Esses processos condicionam a morfologia dos rios e a sazonalidade das inundações.
A hidrografia também está relacionada a desafios ambientais e urbanos, como a gestão dos recursos hídricos e o saneamento básico. Em áreas urbanizadas, registram-se perdas na rede de abastecimento de água e lançamento de efluentes em cursos d’água, incluindo o Rio Paracauari.
Parte significativa dos ambientes aquáticos e costeiros do município integra a Reserva Extrativista Marinha de Soure, unidade de conservação federal que protege manguezais, estuários e áreas de uso tradicional. A hidrografia local contribui ainda para o turismo, com atividades como passeios fluviais pelo Paracauari e o acesso a praias do litoral marajoara, como Pesqueiro e Araruna, associadas à diversidade dos ecossistemas costeiros.
Relevo
O relevo do município de Soure, localizado na Ilha do Marajó, é predominantemente plano e de baixa altitude, característico das áreas de transição entre a planície amazônica e o ambiente costeiro-marinho. As altitudes são geralmente inferiores a 5 metros acima do nível do mar, o que confere à paisagem extensas áreas sujeitas a alagamentos periódicos, fortemente influenciadas pelas marés e pela dinâmica fluvial.
Grande parte do território municipal é ocupada pela planície costeira holocênica, formada por sedimentos recentes de origem flúvio-marinha, compostos principalmente por lama e areia. Essa unidade geomorfológica abriga manguezais, campos inundáveis, canais de maré e praias oceânicas, sendo moldada pela ação conjunta das correntes, das ondas e das variações do nível das águas.
Em áreas mais elevadas, ocorrem baixos platôs e superfícies suavemente onduladas, associados ao chamado planalto costeiro de idade terciária. Essas formações são constituídas por sedimentos areno-argilosos mais antigos e apresentam altitudes ligeiramente superiores às da planície costeira, geralmente acima de 5 metros. Nesses setores, são encontrados remanescentes de vegetação secundária e áreas de cerrado marajoara.
O município de Soure situa-se em uma zona de transição geomorfológica, marcando a interrupção da extensa planície amazônica e o início das feições costeiras do Marajó. Esse contexto está relacionado ao Arco do Gurupá, estrutura geológica que influencia a diferenciação entre os ambientes fluviais do Amazonas e os sistemas costeiros da ilha.
A rede hidrográfica, composta por rios como o Paracauari, além de lagos, furos e igarapés, exerce papel fundamental na modelagem do relevo local. Durante o período chuvoso, grandes áreas do município são inundadas, reforçando o caráter dinâmico da paisagem e a predominância de ambientes de baixa energia e deposição sedimentar.
Clima Soure possui um clima tropical de monção (Am, de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger). O clima predominante em Soure é o quente e úmido, por estar próximo ao Oceano Atlântico e ao nível do mar. Tem estabilidade no tempo, embora de janeiro a maio tenha um período de chuvas abundantes. Esse período ocorre devido às massas de ar equatoriais atlântica e continental, ambas quentes, ao receberem a dominância da massa polar atlântica, que é fria.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1961 a menor temperatura registrada em Soure foi de em 30 de abril de 2016, e a maior atingiu em 15 de dezembro de 1976. O maior acumulado de precipitação foi de milímetros (mm) em 16 de março de 2009. Outros acumulados iguais ou superiores aos foram: em 2 de fevereiro de 1966, em 1 de abril de 1995, em 23 de março de 1990, em 5 de março de 1975 e em 10 de abril de 1995. O mês de maior precipitação foi abril de 1995, com .
Vegetação A vegetação do município de Soure é caracterizada por um mosaico de ecossistemas típicos da região costeiro-marinha do arquipélago do Marajó, resultante da interação entre ambientes fluviais, estuarinos e costeiros. Predominam formações adaptadas à dinâmica das marés, aos solos hidromórficos e aos regimes periódicos de inundação.