O transtorno de ansiedade social (TAS), também conhecido como fobia social, é um transtorno de ansiedade caracterizado pelo medo persistente e excessivo de ser criticado e julgado em situações sociais ou de desempenho. Neste transtorno, os indivíduos acreditam que estão sob constante escrutínio pelas outras pessoas. Diante de tais situações os indivíduos tendem a apresentar sintomas típicos de ansiedade como palpitações, tremores, sudorese, tensão muscular, boca seca, náusea, diarreia ou dor de cabeça o que leva o indivíduo a evitar situações onde tais possibilidades possam surgir. Apesar da alta prevalência na sociedade, o TAS é uma condição sub-reconhecida e sub-diagnosticada por estar associada a outras condições clínicas como depressão, distimia, abuso e dependência de álcool e drogas, ideação suicida, transtornos alimentares e outros transtornos de ansiedade.

Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos da América, aproximadamente 12,1% dos adultos americanos experimentaram o Transtorno de Ansiedade Social em algum momento da sua vida, com uma prevalência ligeiramente superior em indivíduos do sexo feminino. Um estudo (com base nos anos de 2008 e 2009) mostrou que possivelmente de 5% a 13% dos brasileiros (cerca de 26 milhões) sofrem deste transtorno.Transtorno de ansiedade social atinge 13% dos brasileiros (2 de julho de 2008).Milhões de brasileiros sofrem “fobia social” (18 de março de 2009). E apenas 1% sabe ou tem conhecimento do problema.

A terapia cognitivo-comportamental é o modelo psicoterápico com a maior eficácia no tratamento da doença. Drogas também podem ser usadas para seu tratamento, como antidepressivos : inibidores seletivos da recaptação da serotonina (SSRIs), inibidores da recaptação da serotonina e norepinefrina (IRSNs) e inibidores da monoamino oxidase (IMAOs). Outros medicamentos usados ​​são beta-bloqueadores e benzodiazepínicos.

Sintomas As pessoas afetadas por essa patologia compreendem que os seus medos são excessivos e irracionais. No entanto, experimentam uma enorme ansiedade e apreensão ao confrontarem situações socialmente temidas e tendem a fazer de tudo para evitá-las. Durante as situações temidas, os pacientes têm a sensação de que os outros as estão julgando e temem ser reputados como muito ansiosos, fracos ou estúpidos. Por conta disso, tendem muitas vezes a se isolarem.

De um modo geral, os pacientes com ansiedade social começam a evitar situações sociais que provocam respostas ansiosas desagradáveis, levando uma sensação de alivio acompanhada com sentimentos de culpa por não estar conseguindo enfrentar o problema. Cada conduta de evitação reforça o receio e promove a sua manutenção de tal forma que, se não tratada, a ansiedade social tende a ser crônica e incapacitante. Isso é observado na prática clínica, quando o paciente é estimulado a enfrentar o problema, resultando no agravamento do estado mental e em maior isolamento.

Prevalência O Transtorno de Ansiedade Social foi o transtorno ansioso mais prevalente nos estudos epidemiológicos feitos nos Estados Unidos da América (EUA) e na Europa. A prevalência teve uma variação de 2% a 12%. Um estudo epidemiológico e de comorbidades entre pacientes com ansiedade social evidenciou sua prevalência ao longo da vida em 5,0%. Já no estudo de Kessler et al. (2005) do National Comorbity Survey (NCS), a prevalência da TAS ao longo de 12 meses foi de 12,1%.

Segundo o DSM-5 (APA, 2013), há uma prevalência no diagnóstico do TAS de aproximadamente 7% na população americana. No Brasil, estudos apontam uma prevalência de 7,8% em uma amostra de adolescentes e de 23,12% em uma população de alunos de ensino fundamental e médio na cidade de Porto Alegre. Em um estudo realizado em uma área de captação próxima ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, se observou uma prevalência de 3,5% para o TAS.

Estudos apontam fatores sociais, estilos de vida e formas de convívio entre as pessoas que podem causar a fobia social. Parece haver um padrão associado a um papel familiar como modelo de resposta às situações sociais: educação autoritária, superprotetora e pais inseguros predispõe a fobia social, mas também há fatores genéticos: o córtex singulado anterior e a amídala cerebral. Gêmeos, particularmente os univitelinos (idênticos), têm maior incidência da doença do que a população em geral.

Parece haver uma associação estatisticamente significativa entre o TAS e o ambiente familiar: quanto maiores os níveis de proteção e autoritarismo exercidos pelos pais, maiores os índices de fobia social, e, quanto maiores os níveis de carinho e autonomia dada pelo pais, menores são os índices de fobia social. Os pacientes frequentemente são jovens e vivem em grandes cidades, onde o contato social é teoricamente maior. Estudos apontam que esse transtorno tem mais incidência nas mulheres do que aos homens.

Exemplos de situações temidas As situações sociais temidas e a intensidade da reação para estas situações variam notavelmente de indivíduo para indivíduo. Existem casos de ansiedade social específica, onde envolve uma única situação ou um grupo restrito de situações relacionadas, ou generalizada, envolvendo diversas situações não específicas. Alguns exemplos de situações que podem gerar respostas ansiosas são:

Encontrar-se ou/e desenvolver um diálogo com pessoas desconhecidas. Fazer amizades. Flertar ou demonstrar interesses amorosos ou sexuais a alguém que esteja interessado. Falar ou atuar em público ou para um pequeno grupo. Ir a uma entrevista. Comer, beber, escrever, trabalhar, dirigir ou praticar esportes enquanto é observado. Ser fotografado ou filmado. Andar na rua, ser observado e julgado pelas pessoas. Comemorar aniversário, participar de eventos sociais, festas ou ser o centro das atenções. Estar em espaço fechado onde há gente desconhecida. Fazer ou receber chamadas telefônicas. Ir ao médico, dentista, cabeleireiro ou a outros profissionais de necessidade rotineira.

Características O Transtorno de Ansiedade Social começa a se manifestar na infância e início da adolescência e segue um curso crônico com alta proporção de comorbidades, fazendo com que seja considerado um importante problema de saúde pública. A ansiedade social é frequentemente confundida com excesso de timidez e com traços de personalidade, levando a que muitos sofram a vida inteira sem procurar ajuda médica. Quando o diagnóstico e tratamento não são precoces, há prejuízo clínico para o paciente, podendo levar a situações como pedidos de demissão, afastamento do trabalho, absenteísmo, etc.

As pessoas com ansiedade social são excessivamente preocupadas com o julgamento alheio, com a opinião dos outros a seu respeito, perfeccionistas e determinadas. Com essas características, os portadores costumam ter alto senso de responsabilidade, bom desempenho profissional e avidez pelos desafios enfrentados. A preocupação excessiva com as situações sociais onde estará sob apreciação alheia desperta intensa ansiedade antecipatória.

Os pacientes tendem a pensar que estão a ser observadas de maneira diferente ou que percebem algo nela anormal (como no rosto, comportamento ou aparência), levando a que evitem o contacto visual e andem de cabeça baixa. Mesmo quando têm consciência de que as pessoas não estão a olhar para eles ou a julgá-los, as reações continuam a ocorrer por serem embasadas num medo irracional. Alguns evitam sair de casa, e quando saem ficam ansiosos por voltar. Em situações de exposição social, sentem um grande incômodo psicológico e físico, normalmente desproporcionado da ameaça real. Mesmo quando a exposição social a desconhecidos ocorre dentro de casa (como um convidado de um membro do agregado familiar), verificam-se reações significativas.

Dependendo de como é o movimento de pessoas em sua casa, podem restringir ainda mais sua zona de conforto, passando a ficar a maior parte do dia em seus quartos. É comum que não atendam a porta, o telefone e se tranquem em seus quartos quando há visitas em casa, saindo apenas quando o visitante for embora. O paciente frequentemente "marca" as pessoas que lhe trouxeram mais ansiedade e sofrimento (mesmo que estas não tenham feito nada de errado) e tenta evitar ao máximo seu contato com estas pessoas novamente. Além de evitá-las, tende a rotulá-las através de criticas negativas, racionalizações e antipatizando com elas, quando na realidade a evitação não está tão depositada nas características da pessoa, mas na própria reação fóbica que experimentou no contato com ela, baseado no seu próprio medo irracional.

O portador frequentemente tem uma autoimagem negativa (independente da atratividade física), crê que os outros são melhores do que ele, adota uma personalidade muito pensativa a pequenos pormenores e acha que faz tudo mal, mesmo quando é o melhor. Apesar destes sentimentos serem muito característicos, muitos portadores do transtorno não os experimentam conscientemente. Alguns experimentam um sentimento oposto em forma de defesa, se julgando superiores (principalmente em questões intelectuais e/ou morais) em relação a grande maioria das pessoas, apesar dos pensamentos inconscientes pulsantes de inferioridade que eles próprios carregam. Por vezes, o sentimento de inferioridade perante os outros é facilmente notado e consciente para o próprio, demonstrados por pensamentos e falas autoderrotistas. Em outros casos, o paciente dificilmente apresenta alguma demonstração clara de pensamentos de inferioridade, e nunca ou quase nunca demonstra isso em suas falas, normalmente assumindo uma posição de superioridade no plano intelectual, ético, moral, ou em alguns casos financeiro. Nesse último caso, a ideia de sentir-se inferior pode parecer incoerente e inaceitável para o fóbico.

As características que revelam o sentimento de inferioridade (conscientes ou inconscientes) são principalmente as reações de fuga e esquiva, os pensamentos automáticos negativos e os comportamentos autoderrotistas. Por mais que o paciente inconsciente de suas crenças de inferioridade racionalize as explicações para suas características pessoais e para o seu problema, ele apresenta reações automáticas e inconscientes típicas de crenças de inferioridade. É importante ressaltar também que assim como o medo que o paciente sente, estas crenças também são irracionais, e de maneira alguma significam que o indivíduo é realmente inferior aos demais. É uma crença irracional, mas que o portador crê de maneira irracional e inquestionável (esteja consciente ou não). Um dos pontos importantes do tratamento é conscientizar o doente de suas crenças, conscientizar do valor irracional e infantil delas, e trabalhar uma maneira de enfraquecê-las e substituí-las por crenças mais saudáveis, adultas e condizentes com a realidade.

Nas cidades pequenas o hábito de conversar sobre a vida alheia e o maior contato com pessoas conhecidas pode ser pior para o transtorno, pois implica numa maior exposição e vulnerabilidade ao julgamento. Alguns se sentem melhor com uma mudança para cidades grandes, mas esse sentimento pode ser interpretado como uma fuga do problema, nunca uma solução. Pode até ocorrer um alívio imediato, mas em pouco tempo o transtorno vai novamente tomar forças quando o indivíduo se adaptar a nova cidade e a nova rotina, se tornando o mesmo transtorno de sempre, mas moldado com a nova imposição ambiental.