Lorena é um município brasileiro do estado de São Paulo, localizado na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte. Sua população estimada no ano de 2025 era de 87.468 habitantes.
Toponímia O nome Lorena é homenagem ao então governador da capitania de São Paulo, o capitão-general Bernardo José Lorena (mais tarde, Conde de Sarzedas), que em 14 de novembro de 1788 assinou um decreto elevando a freguesia a vila.
Inicialmente a região compreendida entre Taubaté e Lorena era conhecida pelos indígena puris como Ipacaré. Após o início do povoamento, Ipacaré começou a designar uma região gradativamente menor até denominar apenas a região de Lorena. Porém os registros históricos também denominam Ipacaré como sendo um rio da região que por vezes era chamado de Pacaré, Hepacaré e Guaipacaré e provavelmente referem-se ao rio que hoje tem o nome de Taboão. Havia também a alusão de que o povoado existente na região chamava-se Guaipacaré, mas pelos que navegavam o rio, o nome dado ao porto dessa região era Hepacaré. Há ainda a referência aos nomes de Aypacaré, Aguapacaré, Goapacaré e Guapacaré, também designando a mesma região.
Embora haja a menção de que Guaipacaré ou Hepacaré signifique em tupi o "lugar das goiabeiras", aparentemente, a palavra mais aceitável para a designar a região seria Guapacaré: que em tupi (guâ-upa-caré) significa a lagoa torta da baixada, ou braço do rio, em referência ao braço do rio Paraíba que existiu naquela região.
História Século XVII A região vale-paraibana conhecida pelos indígenas como Guaipacaré, localizada entre os atuais municípios de Taubaté e Lorena, foi povoada no século XVII, com a fixação de colonos e bandeirantes vindos da vila de São Paulo e arredores, no contexto das expedições bandeirantistas à procura de pedras preciosas e indígenas para escravizar e a necessidade de novas terras para a lavoura.
No final do século XVII, por volta de 1695, o bandeirante Bento Rodrigues Caldeira, junto com familiares e amigos, se fixou nas margens do rio Paraíba. Com isso, surgiu a povoação de Porto de Guaipacaré, cuja origem se deve à necessidade de apoio às expedições dos bandeirantes e viajantes na travessia do rio Paraíba em busca do ouro em Minas Gerais, haja vista que estava próximo a um porto, como seu nome indica. O povoado era na época, um importante entroncamento de vários caminhos: o Caminho Geral do Sertão (saindo de São Paulo em direção a Lorena); o Caminho das Minas (de Lorena, passando pelo vale do Embaú e de Passa Vinte em direção a Ouro Preto); o Caminho "Velho" (de Lorena até Paraty e dali, por mar, até o Rio de Janeiro) e o Caminho "Novo" da Piedade (de Lorena, por terra até o Rio de Janeiro).
Na época, o arraial desse porto situava-se em território da freguesia de Guaratinguetá e era o último núcleo de povoamento no nordeste da capitania de Itanhaém, que, posteriormente, tornou-se a capitania de São Paulo.
Século XVIII Entre os primeiros moradores, além do bandeirante Bento Rodrigues Caldeira, pode-se citar João de Almeida Pereira, seu vizinho, Pedro da Costa Colaço e Domingos Machado Jácomo que em 1705 construíram uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora da Piedade. A capela, filial da matriz da Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá, foi construída próxima ao porto, para que os viajantes pudessem orar antes de partir para Minas Gerais ou na volta rumo a São Paulo ou ao litoral.
Em 1718, por ordem de D. Francisco de São Jerônimo, Bispo do Rio de Janeiro, o povoado foi elevado à categoria de freguesia, com o nome de freguesia de Nossa Senhora da Piedade. Sendo que o seu primeiro pároco foi o padre Pedro Vaz Machado, que a governou até 1720.
Uma vez criada a freguesia, os moradores demoliram a capela e construíram a nova igreja matriz, localizada no mesmo largo porém um pouco mais distante da margem do Paraíba. A matriz dá as costas para cidade e a explicação é o fato da capela original ter sido construída de frente para o rio, para "receber" os viajantes que o atravessavam, enquanto o povoado localizado na mesma margem do rio onde estava a capela só poderia se estender para trás dela.
Em 1788, os moradores enviam um requerimento para governador da capitania de São Paulo solicitando a transformação da freguesia em vila. A razão para isso era que, com a prosperidade da freguesia, havia a necessidade de controlar melhor os caminhos, o fluxo de mercadorias e a população, que já havia crescido. Além disso, gerava a possibilidade de aumento de arrecadação de impostos e de homens para o serviço militar. Dessa forma em 6 de setembro de 1788, o governador defere o pedido, expedindo uma portaria. Em 14 de novembro de 1788, foi erigido o pelourinho, símbolo da autonomia municipal, e portanto nessa data, a freguesia de Nossa Senhora da Piedade foi elevada à categoria de vila, obtendo a sua emancipação política de Guaratinguetá, passando a receber o nome de Lorena, em homenagem ao governador da capitania de São Paulo, o Capitão-general Bernardo José de Lorena (mais tarde, Conde de Sarzedas).
Século XIX Em 1816, vinte e oito anos depois de criado seu município, Lorena sofre seu primeiro desmembramento: Areias se emancipava, levando consigo todas as terras hoje pertencentes a Areias, Bananal, Silveiras, Queluz, São José do Barreiro e Lavrinhas, num total de 2487 km², ou seja, uma área correspondente a dois terços da área original do município lorenense. Mais tarde, houve o desmembramento de Cruzeiro, em 1871; Cachoeira Paulista em 1880 e Piquete em 1891.
Conhecida como a "cidade das palmeiras imperiais", recebeu a Monarquia Imperial Brasileira, desde, D.Pedro I, cujo caminho esta foi para a Proclamação da Independência. Depois recebeu a visita do Imperador D. Pedro II, Princesa Isabel e seu marido, o Conde D'eu, que se hospedaram na suntuosa residência do Sr. Conde Moreira Lima.
Em 1842, como punição ao envolvimento no movimento revolucionário (revoltas liberais de 1842), Lorena foi, juntamente com outros municípios (Silveiras, Areias, Queluz e Bananal), privada das garantias constitucionais e incorporada à Província do Rio de Janeiro, pelo decreto no 18 de 18 de junho de 1842. A volta à província de São Paulo se deu pelo decreto no 216 de 29 de agosto de 1843.
Pela Lei Provincial nº 26, de 24 de abril de 1856, a vila de Lorena foi elevada à categoria de cidade.
Em 1860, entre Lorena e Silveiras, só o que se via eram choupanas caipiras; uma população quase nômade, que contruía albergues "toscos e mesquinhos", semelhantes às tendas árabes. Essas moradas muitas vezes tinham, à frente, apenas um alpendre de duas vigas, com lombilhos, rédeas, esporas, garruchas e violas pendurados nas colunas. No interior, uma cozinha e um quarto, separados por cortina de chita. Quando o Caipira estava em casa, sentava-se à porta do lar, fumando cigarro de fumo mineiro, olhando seu cavalo pastar.ZALUAR, Augusto-Emílio. Peregrinação pela Província de S.Paulo (1860-1861). São Paulo: Livraria Martins Editora, 1976. 237 p. ( Biblioteca histórica paulista, 2 )
A cidade foi edificada em uma planície que se localiza abaixo do nível da estrada. Três estradas importantes se cruzavam no município: estrada geral de S. Paulo, a de Mambucaba a Paraty, e a de Minas (onde circulavam mais de vinte mil animais por ano). Na entrada da cidade, havia uma majestosa figueira, cuja imensa sombra poderia abrigar umas poucas de famílias; e onde os moradores da cidade gostavam de passear à tarde, apesar do pouco esforço da municipalidade para tornar este largo um local mais aprazível.
Internamente, a cidade tinha ruas extensas e alinhadas, povoadas por edificações soberbas e elegantes, muitas lojas (mais de 70). Dentre elas,um hábil relojoeiro, uma excelente fábrica de chapéus, e alguns indivíduos que entrançam com toda a perfeição rédeas e chicotes de couro, indústria conhecida com o nome de arreios de Sorocaba. Na Rua dos Ourives, [...] trabalha-se em prata [...], sobretudo em facas, freios, arreios de luxo, e finalmente todas as obras deste metal.Eram três grandes praças: Matriz, Rosário e Imperial. Mas os edifícios públicos não tinham o bom gosto arquitetônico das construções particulares. A igreja matriz estava em construção, custeada pelos munícipes e localizada em uma grande praça em frente ao rio Paraíba. A Câmara Municipal e Cadeia haviam sido destruídas por um incêndio, e ainda não haviam sido reconstruídas. A câmara estava funcionando em uma das salas do prédio do Sr. padre Manuel Teotónio de Castro, e os presos ficavam em uma espécie de arribana / cabana rústica (dois detentos já haviam fugido). A ponte sobre o Paraíba ficava em frente à cidade e estava em ruínas. O cemitério ficava em uma colina fora do povoado, por questões de bom senso e higiene.
Havia ainda um pequeno teatro, construído com dinheiro do Sr. capitão José Vicente de Azevedo. Lorena possuía quatro escolas: uma pública de instrução primária masculina para 51 alunos e outra feminina para 30 alunas; uma escola pública de idiomas latim e francês com 6 alunos, e uma particular de instrução primária para mais de 30 alunos. Os professores não eram bem recompensados.
Os moradores de Lorena eram formosos e tinham bom gosto para se vestir, contudo não eram de sociabilidades: não se reuniam em salões e reuniões. Nesse sentido, eram mais de permanecer no interior de suas casas, que eram cômodas e bem mobiliadas; onde as mulheres raramente apareciam nas salas e os homens recebiam visitas apenas para conversar. Entre os prédios particulares de destaque pela arquitetura estavam os de Joaquim José Moreira Lima, João Batista de Azevedo, comendador Antônio Clemente dos Santos, João José Antunes Guimarães, Joaquim Honorato Pereira de Castro, major Antônio Bruno de Godói Bueno, João José Rodrigues Ferreira, D. Maria Pereira da Guia de Azevedo, Manuel de Oliveira Pinto Junior, Antônio Moreira de Castro Lima, padre Manuel Teotônio de Castro.
Em 1860, a população de Lorena era de 13.000 pessoas. A produção de café era de menos de 100.000 arrobas. Havia grande área plantada de cana e gêneros alimentícios. Só eram trazidos de fora (de Minas Gerais) feijão e toucinho.
A primeira iluminação pública que a cidade recebeu ocorreu em 1865, com a instalação de 24 lampiões de azeite, por iniciativa do presidente da câmara, Coronel Castro Lima. Estes permaneceram por 10 anos, quando em 1875 foram substituídos por 50 lampiões a querosene.
Por meio da Lei nº 61, de 20 de abril de 1866, Lorena tornou-se comarca, da qual faziam parte originalmente também os municípios de Silveiras e São José do Barreiro.
Em meados do século XIX, durante o auge da cultura cafeeira, Lorena atingiu uma das fases mais prósperas de sua economia, tendo tido sua aristocracia do café, ali tendo vivido mais de 10 titulares do império. Entre estes pode-se citar Joaquim José Moreira Lima Junior (conde de Moreira Lima), D. Carlota Leopoldina de Castro Lima (viscondessa de Castro Lima), Antônio Moreira de Castro Lima (barão de Castro Lima), Francisco de Paula Vicente de Azevedo (barão da Bocaina), Antônio Rodrigues de Azevedo Ferreira (barão de Santa Eulália).
Após a decadência do café, no final do século XIX, ganharam destaque na economia lorenense a policultura, sobretudo de arroz e cana-de-açúcar.
Século XX Na década de 1920, a chegada de famílias vindas de Minas Gerais à região de Lorena trouxe para a região a pecuária leiteira. As antigas propriedades rurais foram transformadas em fazendas de criação.
Em meados do século XX, a inauguração da Rodovia Presidente Dutra (BR-116), ligando São Paulo ao Rio de Janeiro, impulsionou o desenvolvimento de Lorena, alavancado por sua localização estratégica, o que tem atraído investimento e indústrias para o município.
Geografia Localiza-se a uma latitude 22º43'51" sul e a uma longitude 45º07'29" oeste, estando a uma altitude de 524 metros. Sua área territorial é de 414,16 km² após a emancipação política de Canas, seu último distrito.