A região de Corumbá (Mato Grosso do Sul) está localizada no extremo oeste do estado de Mato Grosso do Sul em uma região afastada dos grandes centros mais desenvolvidos e consumidores. Dispõe de um complexo sistema intermodal de transporte que inclui linha aérea, rodovias, Estrada de Ferro e o rio Paraguai que ligam a cidade ao resto do país. No município a interligação com Distritos, vilas, lugarejos, sítios e fazendas pode ser feito por estradas pavimentadas e não pavimentadas que permitem acesso durante todo o ano.
De acordo com a Fundação de Turismo de Corumbá, o fluxo anual de pessoas que vem à Corumbá é de 50.400 passageiros, tanto por via terrestre quanto por via aérea. Durante o carnaval de 2013 80% dos turistas que vão a cidade são de classe média e 20% de classe média alta. Os meios de transporte usados são carro próprio (50%), ônibus (45%) e avião (5%).Prefeito se reúne com a Azul e busca melhorias no transporte aéreo - Prefeitura de Corumbá
Frota veicular O sistema individual de transporte de Corumbá é uma opção de meio de transporte privado, pois atende apenas poucas pessoas, sendo caracterizado por veículos pequenos, como por exemplo automóveis.
Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em 2011 trafegavam um frota total de quase 30 mil veículos nas avenidas corumbaenses, sendo cerca de 14 mil automóveis e 9,5 mil motocicletas/motonetas. Na cidade de Corumbá totaliza cerca de 105 mil habitantes, o que dá uma proporção de 3,65 habitantes por veículo. A frota local cresceu mais de 100% a partir de 2000. O acesso fácil à aquisição de veículos é apontado como um fator que gerou o crescimento da frota em poucos anos. Comprar um carro ou uma moto hoje é muito fácil, além disso o transporte coletivo tem suas deficiências e optar por um veículo próprio é a saída mais frequente.Frota - Denatran
A frota municipal em 2013 era de veículos, sendo automóveis, motocicletas, caminhonetes, 850 caminhões, 546 camionetas, 208 ônibus, 1385 motonetas, 76 micro-ônibus, 94 veículos utilitários, 298 caminhões-trator e 5 trator mistos. Outros tipos de veículos incluíam 202 exemplares.
Transporte rodoviário Rodovias, ferrovias e hidrovias formam uma importante rede de transporte multimodal que liga a cidade a outras cidades e estados, além do exterior.
Rodovias BR-262 thumb|250px|right|Ponte Poeta Manoel de Barros travessando o Rio Paraguai no BR-262. Em MS a BR-262 cruza a cidade de Três Lagoas, divisa com o estado de SP até Campo Grande, no entroncamento das rodovias BR-060 e BR-262, e prossegue por esta última com direção oeste até o acesso a Aquidauana, por 136 km. Daí segue margeando o Pantanal por 69 km até Miranda. O trecho de Miranda até a travessia do rio Paraguai tem 148 km, atravessando o Pantanal. Na travessia do rio Paraguai há uma ponte de cerca de 2 km com um pedágio, que termina em Porto Morrinho. A partir deste ponto, a rodovia toma a direção norte por cerca de 60 km até o Anel Viário de Corumbá, seguindo a partir daí até a fronteira com a Bolívia. O percurso também é feito através do Pantanal mas com leito já consolidado. Esta rodovia significou a inclusão de Corumbá nas escalas estadual e federal. O asfaltamento da rodovia se deu em duas etapas: a primeira fase ocorreu em 1986 com o asfaltamento da rodovia e ficando excluídos 23 km relativos à construção da ponte sobre o rio Paraguai em Porto Morrinho. Antes da ponte, a travessia dos carros, ônibus e caminhões era feita por balsas e demorava em média 40 minutos, quando não havia problemas climáticos ou mecânicos. A segunda fase se deu após a construção da ponte, a qual levou mais de cinco anos para ser concluída, entre 1996 e 2001. A partir daí o acesso a Corumbá melhorou, apesar de continuar enfrentando os mesmos problemas de manutenção das estradas precárias em razão do excesso de carga dos caminhões. Esta rodovia apresenta impactos ambientais por conta da imprudência dos motoristas, que atropelam impunemente animais silvestres da região, além de deixarem lixos pela rodovia. O trecho Aquidauana-Corumbá está recebendo investimentos para ser a primeira rodovia ecologicamente correta do Brasil.
Estrada Corumbá-Ladário
Estrada que liga Corumbá com a cidade de Ladário. Com cerca de 4,2 km de pista dupla que começa no início da Avenida Rio Branco, em Corumbá, e termina no Sexto Distrito Naval, em Ladário, a via é a principal ligação entre os dois municípios.
Estrada Parque Pantanal
Estrada com finalidade meramente turística, com 120 Km e 87 pontes de madeira, onde é possível ver aves, mamíferos e jacarés.
Brasil-Bolívia (BOL 4)
Corumbá é interligada no território boliviano pela rodovia BOL-04. O trecho entre Corumbá e Santa Cruz de la Sierra tem 659 km e acabou de ser asfaltado, inclusive com empréstimo do BNDES. A principal cidade atravessada é San José de Chiquitos. A partir de Santa Cruz existem rodovias pavimentadas até o Pacífico. O melhor corredor sai de Santa Cruz com rumo norte até Guabirá, num percurso de 60 km. Em Guabirá entronca-se com o corredor Brasília - Cuiabá – Bolívia – Pacífico.
Projetos inacabados
Transpantaneira: projeto inacabado que ligaria Corumbá à Cuiabá. Oficialmente batizada de MT-060, a Estrada Transpantaneira tinha o propósito de ligar os dois estados cruzando a planície pantaneira. O início de sua construção atingiu Poconé chegando somente até a localidade de Porto Jofre, ainda no lado mato-grossense. Nesse trecho, somam-se 147 quilômetros. Há planos para a conclusão desta rodovia, que integra um corredor de ligação de Corumbá em direção à Amazônia, especialmente Rondônia, Acre e Pará. Estrada Forte Coimbra: outro projeto inacabado que ligaria a BR-262 ao distrito de Forte Coimbra. Não há previsão para a sua finalização.
Passageiros thumb|250px|right|Terminal Rodoviário de Corumbá. Ônibus
Em Corumbá há um terminal rodoviário de passageiros situado no Centro da cidade que liga a cidade com variados centros urbanos do estado, da região e do resto do país e registra um grande fluxo de passageiros para outras cidades, especialmente em datas comemorativas. Este terminal foi reformado em 2013, sendo a primeira reforma realizada após a sua inauguração em 1988. As empresas que operam no terminal são a Empresa de Transportes Andorinha e Viação Cruzeiro do Sul, além de empresas que tem o terminal como ponto de passagem como Autobuses Cruceña e La Preferida.
Táxi boliviano
Para transporte fronteiriço há ainda os taxis bolivianos, que é outra opção de meio de transporte composta por veículos brancos, geralmente mal-cuidados, que possui taxas de preço muito baixas. É muito requisitado especialmente para quem necessita se deslocar até a Bolívia, pois não há linhas de ônibus urbanos para atender a população além da fronteira.
Carga
Na rodovia BR-262 se encontra o Porto Seco de Corumbá.
Corredor bioceânico Estrategicamente Corumbá está localizada no extremo Oeste de Mato Grosso do Sul, dispõe de eixos viários que permitem inserir o espaço geográfico, podendo integrar uma rede de influência com os países da América do Sul, chegando até o oceano Pacífico, por um lado, e até o oceano Atlântico, por outro. Chamamos a atenção para o fato de que o transporte de mercadorias por containers reforça a viabilidade destes corredores.Saída para o Pacífico: A busca de uma nova via oceânica - Marco Ribeiro Dantas (Associação Comercial do Rio de Janeiro)
Corumbá se integra com vistas aos portos do Oceano Atlântico e Pacífico através de dois eixos de integração:
Eixo de integração continental para o Atlântico No fim da primeira metade do século XIX, foi concedida autorização para a livre navegação na rede do rio Paraguai e seus afluentes, possibilitando o contato interno com a fronteira sul regional, através dos rios Apa, Aquidauana, Taquari e Miranda, através da via fluvial platina, proporcionando a comunicação fluvial e o intercâmbio de mercadorias entre os países da bacia platina (Argentina, Paraguai e Uruguai). Em razão dessa comunicação, Corumbá se integrou aos portos do Oceano Atlântico.
Este sistema viário vem sendo muito utilizado, permitindo o acesso até países da Europa, pois existe relação comercial de Mato Grosso do Sul com o bloco regional da União Europeia (UE), favorecendo também a integração fluvial do Brasil pelo rio Paraguai até a Argentina e Uruguai. Schabib Hanny aponta como se processa esta conectividade com a Bacia do Prata: … o sistema fluvial da Bacia do Prata (rio Paraguai), que está conectado ao porto de Buenos Aires através de Corumbá (Mato Grosso do Sul), no Brasil, tem uma extensão total de 2.771 km, dos quais apenas 48 km estão em território boliviano (Puerto Quijarro). A Bolívia usa atualmente o terminal portuário intermodal de Ladário (Mato Grosso do Sul), no Brasil, para o embarque de minérios e produtos agropecuários do Norte de Santa Cruz para exportação.
Apesar disso, os produtos brasileiros oriundos da região fronteiriça do Brasil, atualmente exportados pelos portos do Atlântico, estão com a sua competitividade ameaçada. Além dos longos percursos rodoviários, a má conservação das estradas está causando o encarecimento dos fretes. Por outro lado, as tarifas portuárias em Santos e em outros portos do litoral brasileiro são consideradas muito altas para padrões mundiais, além do congestionamento verificado.
Eixo de integração continental para o Pacífico O Brasil vem incrementando o seu comércio exterior com os países do Oriente, mas necessita cada vez mais de saídas rodoviárias para o Oceano Pacífico, em estradas pavimentadas e confiáveis, de molde a baratear os fretes globais. Os mercados do Pacífico, em especial os do Japão, China e os dos Tigres Asiáticos (Coreia do Sul, Taiwan e Cingapura), vêm crescendo progressivamente, especialmente o da China. Por outro lado, a produção de grãos nas regiões Centro-Oeste e Norte vem crescendo ano após ano em proporções surpreendentes. O eixo de acesso ao oceano Pacífico se concretizou depois da implantação da ferrovia que liga o Brasil à Bolívia, na década de 1950 e favorece a integração do Brasil com dois países andinos (Bolívia e Chile), utilizando acesso terrestre do Brasil (Corumbá) ao porto de Arica, localizado na cidade de mesmo nome, no Chile. A integração é possível por via terrestre, pela Bolívia, utilizando sistema ferroviário ou rodoviário, e no Chile (a comunicação se dá por sistema rodoviário, com os quais pode se manter acordos que promovam a integração social, cultural, econômica e política). O trecho rodoviário Campo Grande – Corumbá – Santa Cruz possui 1.090 km. Por outro lado, a extensão de ferrovia para cobrir o mesmo trecho é de 1.114 km. O percurso rodoviário equivalente ao ferroviário (em termos de custo de transporte) é de 1.114 x 0,514 = 573 km. Assim sendo, pode-se considerar que, usando-se a ferrovia em vez da rodovia neste trecho, teremos uma economia teórica de: 1.090 – 573 km = 517 km. Esta extensão deverá ser abatida das extensões apontadas no item B1 acima.
Entre os produtos a serem exportados da região de influência dos corredores para o Pacífico aqui estudados, abrangendo os Estados (ou parte deles) de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Amazonas e Acre, podemos citar: Produtos Agrícolas com ou sem beneficiamento (soja, milho, arroz, açúcar, cacau, café, frutas, etc.), Produção extrativista vegetal (madeira beneficiada, borracha, castanha, etc.), Carne frigorificada (de boi e de frango) e Produtos industrializados.