Panenteísmo (do grego antigo πᾶν-ἐν-Θεός, "Todos em Deus") ou Krausismo é uma doutrina que diz que o universo está contido em Deus, mas Deus é maior do que o universo (bem distinto do Panteísmo e Monismo). Termo esse que foi proposto por Karl Christian Friedrich Krause , na sua obra "System des Philosophie" , daí o termo krausismo que designa sua doutrina teológica. No panenteísmo, Deus é visto como imanente, a alma do universo, o espírito universal presente em todos os lugares e no qual todos os seres participam, ao mesmo tempo que transcende todas as coisas criadas. Uma frase atribuída a Epimênides de Creta "Nele vivemos, nos movemos e temos nosso ser" e citada por Paulo de Tarso em Atos 17:28 é famosa como exemplo de possível panenteísmo.

Terminologia e desenvolvimento O termo passou a ser utilizado para designar múltiplas tentativas análogas, extravasando o sentido original dado por Karl Krause. Agora são empregados vários termos teológicos para conceitualizar as idéias panenteístas, são eles:Encyclopédie de la philosophie (ISBN 2253130125).

Teísmo Clássico; Panteísmo; Transcendência; Imanência; Kenosis; Kenosis Essencial.

Termos influenciados pelo idealismo alemão de Hegel e Schelling:

Dialética; Infinito; Pericorese.

Termos influenciados pela filosofia do processo de Whitehead:

Relações Internas e Externas; Dipolar.

Termos relacionados ao pensamento científico atual:

Reducionismo; Superveniência; Emergência; Causação Top-Down; Emaranhamento.

Embora numerosos significados tenham sido atribuídos ao “em” no panenteísmo,Clayton 2004, 253 os mais significativos são:

Significado Locativo;

Base metafísica para ser (Absoluto);Clayton 2008, 118-119

Base Metafísica-Epistemológica para ser;Göcke 2013

Potencial interativo metafísico;Keller 2003, 219

Metáfora de emergência;

Significado analógico da mente/corpo;

Parte/significado analógico inteiro.

Ainda que a maioria das expressões contemporâneas do panenteísmo envolvam cientistas e teólogos ou filósofos protestantes, articulações de formas de panenteísmo também se desenvolveram na tradição católica romana, na tradição ortodoxa e em outras religiões além do cristianismo. Dentre os filósofos que aderiram ao panenteísmo incluem-se; Alfred North Whitehead, Thomas Hill Green (1839–1882), James Ward (1843–1925), Andrew Seth Pringle-Pattison (1856–1931). A partir da década de 1940, Charles Hartshorne examinou numerosas concepções de Deus. Ele revisou e descartou o panteísmo, o deísmo e o pandeísmo em favor do panenteísmo, descobrindo que tal doutrina contém todo deísmo e pandeismo, exceto suas negações arbitrárias. Hartshorne formulou Deus como um ser que poderia se tornar mais perfeito: Ele tem perfeição absoluta em categorias para as quais a perfeição absoluta é possível e a perfeição relativa (isto é, superior a todas as outras) em categorias para as quais a perfeição não pode ser determinada com precisão. Nos estudos acadêmico em especial o da Universidade de Stanford sobre Filosofia onde há um estudo que oferece em sua abordagem uma ordem cronológica do desenvolvimento do pensamento panenteísta, cujo início remonta há 1300 a.C.:

Iknaton (1375–1358 a.C.);Hartshorne 1953, 29-30 Vedanta, incluindo tradições como a Vishishtadvaita de Ramanuja; Upanishads;Whittemore 1988, 33, 41-44 Lao-Tse (século IV a.C.).Hartshorne 1953, 32-38

Nas reflexões filosóficas na Grécia Antiga:

Platão (427/428-348/347 a.C.);Hartshorne 1953, 54 Plotino (204–270);Cooper 2006, 35-39, Baltzly 2010 Proclo (412–485) e Pseudo-Dionísio (final do quinto ao início do sexto século).Cooper 2006, 42-46

Na Idade Média, a influência do neoplatonismo continuou no pensamento de:

Eriugena (815-877); Eckhart (1260–1328); Gregório Palamas (1296–1359); Nicolau de Cusa (1401–1464); Boehme (1575–1624).Cooper 2006, pp. 47–62

No período moderno por:

Moses ben Jacob Cordovero (1522–1570);

Isaac Luria (1534–1572);

Bruno (1548–1600); Spinoza (1631–1677). Israel ben Eliezer (1698–1760)—Hassidismo

Nos pensadores posteriores, os platonistas:

De Cambridge (século XVII), por exemplo Herbert de Cherbury (1583–1648); Jonathan Edwards (1703–1758); Friedrich Schleiermacher (1768–1834).Cooper 2006, pp. 64–90

Nos séculos XIX e XX com o idealismo filosófico e a adaptação filosófica do conceito científico de evolução forneceram as fontes básicas da posição explícita do panenteísmo.

Chaim Volozhiner (1749–1821); Soyen Shaku (1860–1919);

Hegel (1770–1831)—Hegelianismo; Schelling (1775–1854);Clayton 2000, 2008, p. 125, Hartshorne 1953, 234, Cooper 2006, 95 Karl Krause (1781–1832);Reese, 2008, p. 1, Cooper 2006, 107

Samuel Alexander (1859–1938); Henri Bergson (1859–1941); C. Lloyd Morgan (1852–1936). Mordecai Kaplan (1881–1983) Liev Tolstói (1828–1910)

Os últimos três ainda que possa haver questionamentos sobre seu relacionamento com o panenteísmo, por certo, formam o plano de fundo para o desenvolvimento sistemático da filosofia processual de Whitehead e posteriormente Hartshorne como uma expressão do panenteísmo.

Ver também Teísmo Deísmo Pandeísmo Panteísmo Pantiteísmo Teísmo Aberto

Bibliografia

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