Superman é um personagem fictício de histórias em quadrinhos que atravessou diversas décadas e tornou-se símbolo do gênero de super-heróis.
História 1933-1938: Invenção
O primeiro personagem Superman criado por Jerry Siegel e Joe Shuster não era um herói, mas um vilão. Sua história "The Reign of the Super-Man" (O Reino do Superman) concebia um vilão que pretendia conquistar o mundo. A história não vendia, forçando os dois a reposicionar o personagem no lado certo da lei. Em 1935, sua história de Superman foi novamente rejeitada por syndicates com receio em relação a lei, os quais reconheciam o personagem como um Hugo Danner, personagem principal de Philip Wylie no romance Gladiator, levemente alterado. Uma editora em crescimento, DC Comics, publicou outra de suas criações, Dr. Oculto, que fez sua primeira aparição em New Fun Comics #6, Outubro de 1935. DC decidiu dar uma chance ao Superman, até que uma eventual disputa judicial ocorresse, neste caso suspenderiam a publicação do personagem.Gerard Jones. Homens do Amanhã - geeks, gângsteres e o nascimento dos gibis. [S.l.]: Conrad Editora, 2006. 85-7616-160-5
De 1938 à década de 1950: Era de Ouro
Década de 1950: Uma década "perdida" Em 1947 teria início a disputa de Siegel e Shuster com a editora pelos direitos do personagem, o que resultaria em um julgamento desfavorável aos criadores, bem como na perda de seus empregos. O afastamento dos dois representaria uma significativa queda na qualidade das histórias durante a primeira metade da década seguinte. Adicionalmente, o surgimento do Comics Code Authority, em 1954, uma organização que impôs uma série de regras que visavam impedir que as histórias influenciassem negativamente as crianças americanas, também seria visto como um fato que contribuiria para que a década de 1950 fosse considerada uma "década perdida" para o personagem, ainda que tivesse ocorrido em 1958 e 1959 a publicação de histórias que estabeleceriam importantes elementos da mitologia de Superman: em Action Comics #241 seria publicada a primeira história envolvendo o conceito de uma "Fortaleza da Solidão" e na edição seguinte surgiria Brainiac, que viria a se tornar um dos mais importantes antagonistas. Em março do ano seguinte seria publicada Action Comics #252, responsável por apresentar Kara Zor-El, a prima de Superman, a primeira personagem a adotar a alcunha de Supergirl e continuar aparecendo de forma recorrente nas histórias da editora. Em maio do mesmo ano surgiria Bizarro, uma versão defeituosa de Superman inspirada numa história publicada no ano anterior na revista Superboy #68.
Década de 1960 e início da década de 1970: Era de Prata
Década de 1970 e início da década de 1980: Julius Schwartz e a "Era de Bronze"
A década de 1970 marca o término das contribuições do editor Mort Weisinger, que em 1971 se aposentaria, sendo substituído por Julius Schwartz. Alguns historiadores entendem que a "Era de Prata" das histórias em quadrinhos americanas terminou em abril de 1970, mês em que Schwartz - o homem responsável por iniciar o período com a reformulação do herói Flash em Showcase #4 - abandonou o cargo de editor da revista Green Lantern, protagonizada por um dos heróis que ele havia ajudado a reinventar, em favor de Denny O'Neil e Neal Adams.Jacobs, p. 154. Na coluna "Scott's Classic Comics Corner", um dos jornalistas do site americano Comic Book Resources apontaria diversas possibilidades para a sucessão e, embora uma das mais aceitas fosse a publicação de Green Lantern/Green Arrow #76, a primeira história de O'Neil e Adams, houve outros eventos significativos naquele período, incluindo a aposentadoria de Weisinger, evento que poderia ser entendido como o ponto de transição entre a "Era de Prata" e a "Era de Bronze"
Anualmente, Weisinger já vinha tentando se desligar do trabalho de editor das revistas de Superman, mas as negociações com Jack Liebowitz sempre levavam à reajustes no salário e sua permanência por mais um ano. Em 1967, a DC Comics foi vendida ao grupo Kinney Publishing, e no ano seguinte, o grupo também adquiriu a Warner Bros.. Um grande conglomerado de escritórios reunia as diferentes empresas, e a DC passou por algumas alterações no seu quadro de funcionários: Liebowitz designaria o desenhista Carmine Infantino, responsável por uma série de bem-sucedidas revisões no design dos personagens da DC, como "diretor editorial". Infantino, por sua vez, promoveria as próprias alterações, designando outros artistas para ocuparem funções administrativas. Eventualmente, Liebowitz decidiria se aposentar, e permitiria que Weisinger o acompanhasse. Ambos se desligariam da editora em 1970.DANIELS, p. 131-132. Com a aposentadoria de Weisinger, diferentes editores assumiriam cada uma das revistas de Superman então publicadas. Ao passo que Schwartz assumiu o comando de Superman, Murray Boltinoff se tornaria o editor de Action ComicsDANIELS, p. 135, 138-140
À época, o grupo editoral do personagem compreendia ainda outras cinco revistas em publicação: Adventure Comics, Superboy, Lois Lane, Jimmy Olsen e World's Finest. Inicialmente, Schwartz acumularia o cargo de editor de Superman com o de World's Finest, revista onde eram publicadas as histórias de Superman em parceria com Batman; Boltinoff por sua vez acumularia Superboy, com as histórias do jovem Superman, e Jimmy Olsen, com as histórias do personagem homônimo com Action Comics; Mike Sekowsky se tornaria o editor de Adventure Comics, onde eram publicadas as histórias de Supergirl; e o editor de Lois Lane a partir de 1970 seria E. Nelson Bridwell. (trechos arquivados no site "Superman Through the Ages! ")
Embora agissem separadamente, todos os editores possuíam um objetivo comum: tornar as revistas menos fantasiosas, produzindo histórias mais "realistas" e em sintonia com a época.. Boltinoff trabalharia com Leo Dorfman e Cary Bates em Action Comics e nem sempre havia muito respeito às mudanças então implementadas em Superman - Bates continuaria utilizando em suas histórias um dos elementos fantasiosos que Schwartz explicitamente queria se livrar: os "super-robôs" da Fortaleza da SolidãoDANIELS, p. 133. A necessidade de produzidas histórias cujas tramas fossem "modernas" nem sempre era bem-sucedida: em outra edição da revista, Superman chegou a enfrentar "os perigos do rock n' roll", que um vilão musical utilizava para transformar os jovens em criminosos. Uma história significativa do período se deu em Lois Lane #106, logo no início da reformulação em 1970: por um dia a personagem se transformava numa afro-americana
Cerca de um ano após ter tomado à frente dos roteiros de Superman, e insatisfeito com a o que via como a sua "incapacidade de fazer jus" ao personagem em seus roteiros, Denny O'Neil decidiria se desligar da revista.. Schwartz, então, começaria a trabalhar com alguns escritores que, embora menos experientes, não foram menos inventivos de O'Neil. Dentre os sucessores do popular escritor estão Cary Bates, Elliot S! Maggin e Martin Pasko. Bates contribuiria em uma série de histórias, substituindo O'Neil a partir de Superman #243, ignorando as alterações anteriormente realizadas e, entre Action Comics 480 e 483 escreveria uma série de confrontos entre Superman e o vilão Amazo. Suas histórias são vistas como a representação do personagem na "Era de Bronze": um herói experiente, mas que não age como "escoteiro". Maggin, por sua vez, contribuiria com uma das mais significativas histórias do personagem: Must There Be a Superman?, publicada em Superman #247, se tornou conhecida por sua dramaticidade, ao colocar o personagem se questionando se suas ações tinham um efeito positivo sobre a humanidade, ou se ele já estava intervindo de tal forma que as pessoas estavam começando a se tornar dependentes de sua ajuda
1986-1988: John Byrne
Em meados de 1985 o editor Andrew Helfer recebeu da DC Comics a incumbência de escolher os escritores que trabalhariam nas revistas de Superman após a conclusão do evento "Crise nas Infinitas Terras", e vários autores foram abordados. Há registros de que pelo menos John Byrne, Frank Miller, Steve Gerber, Cary Bates, Elliot Maggin, Marv Wolfman e Alan Moore tenham encaminhado propostas à editora.
Seria Byrne quem acabaria sendo contratado pela editora para reformular o personagem após o evento e como parte dessa reformulação criou inclusive uma uma nova origem, narrada na minissérie The Man of Steel, lançada entre junho e agosto de 1986. A partir de setembro, uma nova revista intitulada Superman foi lançada, com roteiros e desenhos de Byrne, e as duas outras revistas do personagem foram alteradas - a revista Superman original, mantendo sua numeração, teve seu título alterado para Adventures of Superman e passou a ser escrita por Marv Wolfman, enquanto Action Comics, também mantendo sua numeração original, passou a partir da edição 584 a ser uma revista dedicada à histórias do gênero team-up. (trechos arquivados no site "Superman Through the Ages!")MILLER, p.35-44
A partir de The Man of Steel vários elementos foram removidos da mitologia do personagem. Dentre as alterações realizadas estava uma inversão na caracterização do personagem: "Clark Kent" passaria a ser a identidade principal do personagem, e "Superman" passaria a ser o disfarce adotado por ele para poder utilizar seus poderes e habilidades livremente. Apesar das alterações, a origem de Clark/Superman continuaria essencialmente mesmo: enviado para o planeta Terra, sua nave caiu na cidade de Smallville (Pequenópolis, na versão brasileira) e Jonathan e Martha Kent o criaram como seu próprio filho. A carreira de Superboy do personagem seria eliminada da continuidade e somente ao atingir a idade adulta e já ter se mudado para Metrópolis que ele passaria a agir como Superman.
1988-1989: O Superman após Byrne O trabalho desenvolvido por Byrne continuaria influenciado as histórias do personagem mais de uma década após ele abandoná-lo.. Imediatamente após sua saída, o editor Mike Carlin, o escritor Roger Stern - contratado como o novo escritor de Superman - e Jerry Ordway - agora acumulando as funções de roteirista e desenhista de Adventures of Superman - tiveram que lidar com a responsabilidade de não apenas dar continuidade à revitalização da mitologia de Superman, mas também que lidar com os elementos do enredo que não haviam sido resolvidos por ByrneNOLEN-WEATHINGTON (2007), p.37-56
O primeiro dos problemas era lidar com as consequências que o final da "Saga da Supergirl" teria. Embora Ordway discordasse da conclusão escrita por Byrne - Superman executou os três super-vilões kryptonianos mesmo após ter conseguido extirpá-los definitivamente de seus super-poderes - por acreditar que aquele não era um comportamento condizente com as características do personagem, as implicações psicológicas daquela decisão seriam abordadas na série de histórias publicadas entre novembro de 1988 e junho de 1989. Superman, se sentindo culpado, acabou desenvolvendo uma série de conflitos internos que o levaram à apresentar por certo período uma segunda personalidade e, posteriormente, a um exílio auto-imposto, durante o qual o personagem vagou pelo espaço tentando redescobrir se ainda poderia agir como um herói.
Década de 1990: Morte, ressurreição e casamento
De 1999 a 2004: Reavaliando o personagem