Gália é um município brasileiro do estado de São Paulo. Sua população estimada pelo IBGE em 2025 era de 6.413 habitantes.
História
Fundada em , o povoamento da região onde hoje o município se localiza teve início em 1906, quando o primeiro engenho de cana-de-açúcar foi instalado por Bernardo José dos Santos e sua família, precisamente nas terras localizadas entre as nascentes do rio Feio e do Peixe.
Logo em seguida, os coronéis Galdino Manoel Ribeiro, Pedro Alves Pacheco e Eduardo de Souza Porto, além de Manoel Laureano Ribeiro, entre outros, iniciaram um povoado às margens do Ribeirão das Antas, dividindo os primeiros lotes e fazendo o traçado das ruas. Em 25 de março de 1925 foi fundado o povoado de São José das Antas, pelo Cel. Galdino Manoel Ribeiro.
Com a chegada da estrada de ferro pertencente à Companhia Paulista de Estradas de Ferro, foi instalada uma estação denominada Gallia, em homenagem ao antigo nome do território francês. Em setembro de 1926, passou a ser distrito do município de Duartina com a denominação de Anta.
Em 20 de dezembro de 1927, foi desmembrada de Duartina, passando a se chamar Gallia, e em 14 de abril de 1928 foi oficialmente constituído Distrito Sede. Não se sabe ao certo quando a denominação de "Gallia" mudou para "Gália"; muito provavelmente, no acordo ortográfico.
Além do distrito homônimo, o município de Gália era composto também pelo distrito de Fernão (anteriormente chamado de Fernão Dias) até 1995, quando este se desmembrou, passando a constituir Distrito Sede do recém emancipado município de Fernão.
Geografia Localiza-se a uma latitude 22º17'29" sul e a uma longitude 49º33'10" oeste, estando a uma altitude de 561 metros. Sua população estimada em 2022 era de 6.380 habitantes.
O relevo é suave ondulado com solo arenoso. Seu clima é subtropical úmido com temperatura média de 21 °C. A vegetação é predominantemente típica de florestas subtropicais com grandes matas e pequenas áreas de vegetação arbustiva, isto é, clareiras.
Faz divisa ao norte com Presidente Alves e Avaí, ao sul com Alvinlândia e Ubirajara, a leste com Duartina, Lucianópolis e Fernão, e a oeste com Garça.
Possui uma área de 355,914km².
Meio Ambiente miniaturadaimagem|esquerda|Estação Ecológica Caetetus A Estação Ecológica dos Caetetus é uma Unidade de Conservação sob a administração do Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria do Ambiente - Instituto Florestal. Localizada entre os Municípios de Gália e Alvinlândia, cuja criação se deu através do Decreto 26.718 de 02/06/1987, é considerada a segunda maior reserva do Estado de São Paulo.
A unidade conta com uma área total de 2.178,86 hectares de Floresta Estacional Semidecidual (Mata Atlântica de Interior) protegidos por lei, de acordo com o SNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Lei 9.985/00). Por isso, o acesso à área é permitido apenas com objetivos de educação ambiental e pesquisas científicas, sempre com visitas monitoradas e previamente autorizadas pela administração da unidade.
A Estação Caetetus protege o ecossistema da mata atlântica, abrigando espécies da fauna como o mico-leão–preto, a onça parda, o cateto, o queixada, dentre outros. A biodiversidade existente é ampla: são encontradas centenas de espécies de passeriformes, dentre eles sabiás, azulões, canários da terra, maritacas, papagaios, tucanos, aves de rapina, gaviões, corujas, além de mamíferos como a anta, capivara, pacas, cutias, animais carnívoros como a onça parda, cachorro e gato do mato, e dentre os primatas, o mico-leão-de-cara-preta, saguis, entre tantos outros de inestimável valor para a sustentabilidade.
Na floresta da unidade, encontram-se árvores com mais de 30 metros de altura, de espécies como o jequitibá-branco, a cabreúva, a peroba, o jatobá, o guaritá, o cedro, o pau-marfim etc. Dentro da Estação, existem algumas quedas d’águas, mas, para não colocar em risco o ecossistema, que nessas áreas é muito frágil, esses locais não são acessíveis aos visitantes.
O local possui infraestrutura muito agradável para se conhecer, dispondo de museu, local para exposições e palestras, trilhas no interior da mata, cachoeiras e lagos naturais e contato direto com a natureza e os animais no seu estado selvagem, além de hospedaria que acomoda grupos de estudantes e pesquisadores.
Demografia População
Política e administração Administração 2025/2028 Prefeito: José Silvino Zaniboni Junior (2025/2028); Vice-Prefeito: Mateus Antonio de Souza (2025/2028); Presidente da Câmara: Rinaldo Pinheiro de Carvalho (2026); Vereadores:
Ana Priscila Nunes Cervelin (PSDB) Antônio Carlos Pepinelle (PP) Emerson Wander Cazzo (Republicanos) Francisco Martins Saraiva (MDB) Guilherme Ferrarezi Altran (PP) José Augusto da Silva (Republicanos) José Eduardo Sanavio (PL) Ricardo Gonçalves Gutierrez (MDB) Rinaldo Pinheiro de Carvalho (PSD)
Prefeitos
Economia 1. Ciclo do café
O primeiro ciclo econômico que motivou a chegada de muitas famílias ao território galiense foi caracterizado pela produção de café. Destaca-se, nesta época, o empreendimento agrícola que é até hoje conhecido como Companhia inglesa. Segundo o relato de Hamilton Carvalho, ex-morador da fazenda dos ingleses:
"Em 1924, um grupo de investidores ingleses criou uma companhia em Londres com o objetivo de implantar um empreendimento agrícola no Brasil. A empresa recebeu a denominação legal de “BRASIL WARRANT”.
Seguido ao relato de Armando Yoshinaga filho de Hisahiko e irmão de Fusae Yoshinaga, "É importante também mencionar como a família Yoshinaga ajudou a crescer Gália, com a Companhia Inglesa, pois tiveram bons comércios na décadas de 30 a 40. O senhor Hisahiko Yoshinaga era comerciante na cidade de Gália em frente a igreja, que o estabelecimento era chamado Casa Tateichi. Eles tiveram bons empreendimentos com Companhia Inglesa. Na época, no Brasil, o café era rei. Assim, a cultura de escolha seria uma fazenda de café. A empresa brasileira, subsidiaria da Brasil Warrant, foi denominada “Companhia Agrícola do Rio Tibiriçá”, pois a área escolhida para sua implantação, no município de Gália, SP, era perto das nascentes do rio Tibiriçá. A fazenda foi denominada SÃO JOÃO DO RIO TIBIRIÇÁ, mas era também conhecida pelo nome de “INGLESA”, ou “FAZENDA DOS INGLESES” ou “AGRÍCOLA” devido à sua origem e ao seu nome legal.
Sob qualquer ponto de vista, a Fazenda era um portento. Era uma vila, quase uma cidade, chegou a ter 3.000 residentes e, mesmo hoje, 50 anos depois, teria mais habitantes que 40 municípios atuais do Estado de São Paulo.
A Fazenda tinha uma área de 2.500 alqueires, isto é, 6.250 hectares e três milhões de pés de café. Além disso, era uma grande produtora de algodão. Produzia sementes selecionadas de algodão e milho em convênio com a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. Era também um empreendimento industrial, pois chegou a ter fábrica de fio de seda, fábrica de pinga, fábrica de cal, serraria, fábrica de farinha de mandioca e moinho de milho para a produção de fubá. Dispunha de caminhões e maquinário agrícola o mais moderno da época, inclusive contratava aviões tipo teco-teco para pulverização de inseticida nas lavouras de café. Na estação ferroviária de Gália dispunha de um desvio com terminal próprio para embarque de café, sem interferir no tráfego ferroviário normal. Embarcava por ano, diretamente para o exterior, cerca de 50.000 sacas de café, trabalho executado pelos escritórios da Brasil Warrant em Santos. O café era beneficiado (retirado da casca) nas instalações da própria Fazenda.
Aquilo foi um terremoto na vida das famílias, pois a maioria já estava na Fazenda há anos. Consta que os ingleses ficaram descontentes com uma lei editada no governo do presidente Getúlio Vargas que estabelecia limites na remessa de lucros de companhias estrangeiras para suas matrizes no exterior. Decidiram, portanto, que o negócio não era mais viável e venderam a BRASIL WARRANT para o grupo Moreira Salles. Como a BRASIL WARRANT era a proprietária legal da fazenda, o grupo Moreira Salles passou a ser o novo proprietário.
Acontece que, o Sr. João Moreira Salles [pai do banqueiro Walther Moreira Salles], presidente do grupo, não se interessou pela fazenda e a vendeu para a CAIC – Companhia de Agricultura, Imigração e Colonização (CAIC), empresa paulista subsidiária da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, cujo objetivo era o loteamento em propriedades menores, que poderiam com aumento de produtividade, proporcionar aumento de carga a ser transportada em seus trens.
A CAIC, como era sua função, decidiu encerrar o empreendimento e dividir a Fazenda em lotes. Todos os funcionários foram demitidos, com todos os direitos trabalhistas rigorosamente cumpridos. E todos começaram a procuram uma alternativa para suas vidas.
Diariamente partiam caminhões com as mudanças. Um tempo se encerrava e outro começava. Hoje, a Fazenda ainda existe na memória dos que lá viveram, e já são poucos. A maioria dos lotes criados pela CAIC, salvo algumas alterações, permanecem em suas confrontações originais. A CAIC juntamente com a Companhia Paulista de Estradas de Ferro empresas modelo, lamentavelmente foram desapropriadas pelo governo do Estado de São Paulo, na gestão do governador Carvalho Pinto. Fica esta memória."
2. Ciclo da seda
Com a derrocada do café no estado de São Paulo, muitas cidades que dependiam economicamente de sua produção definharam. Em busca de outro cenário que guiasse seu desenvolvimento, os cidadãos de Gália, acolheram, com todas as esperanças por um futuro próspero, a chegada do “Bicho da Seda”. A seda para a cidade de Gália foi muito importante. Graças a uma pequena larva, o município conseguiu manter o ritmos de sua economia.
O início da criação do Bicho da Seda em Gália aconteceu por volta de 1960. O pioneiro a trazê-la para o município de Gália, descobrindo que este seria um grande investimento, foi o Sr. Luciano Rivaben. Este personagem teve ao seu favor uma região que era propicia para criação, manutenção e propagação desse tipo de produção, já que existe todo um processo minucioso, que precisa ser respeitado para podermos chegar ao fio da seda.
No período de 1968 a 1973, o Brasil passava por um momento favorável de sua economia, denominado de “Milagre Econômico Brasileiro” (veloso et al., 2008). As empresas voltadas à exportação, entre elas as fiações de seda, foram beneficiadas em função de fatores como: políticas monetárias e de crédito expansionistas, incentivos à exportação e um quadro de grande expansão da economia internacional. As exportações de fio de seda brasileiras, a partir de 1971, tiveram aumento significativo, refletindo a expansão industrial ocorrida no setor sericícola (murayama, 1983). Em 28 de setembro de 1971, por decreto do governador Laudo Natel, foi atribuída à Companhia Agrícola Imobiliária e Colonizadora (C.A.I.C) a administração de uma gleba de terras (fazenda São Vicente), situada em Gália, com o fim específico de ser colonizada e loteada, para a exploração sericícola. Esta fase de progresso econômico durou até a Crise Internacional do Petróleo, que se deu a partir de 1973. Com o agravamento da situação ocorreu a paralisação da exportação de fios de seda para o Japão, surgindo assim, nova crise sericícola nacional. A exportação brasileira de fios de seda, que em 1973 atingiu um pico de 24 mil toneladas, sofreu uma redução de 32%, passando a 16,3 mil toneladas em 1974.
Após a crise de 1973, a Sericicultura brasileira teve grande desenvolvimento em função de fatores como: entrada de investimentos de novas empresas de capital japonês no país, níveis recordes de preços do fio de seda no mercado internacional, transformação do Japão, de país produtor em comprador e a expansão da atividade para novos estados.