miniatura|O Papa João Paulo II abre a Porta Santa da Basílica de São Pedro, iniciando o Grande Jubileu de 2000 O Jubileu é uma comemoração religiosa da Igreja Católica celebrada dentro de um Ano Santo, com a diferença de que a celebração jubilar é realizada de 25 em 25 anos. A celebração cristã se fundamenta na Bíblia; tanto no Antigo Testamento, de onde temos a tradição judaica, como no Novo Testamento.
Origem da palavra A palavra jubileu vem do hebraico, yovel. Refere-se ao carneiro, cujo chifre foi usado para anunciar o ano festivo. Há estudiosos que oferecem mais uma explicação. Supõe-se que yovel vem do verbo hebraico trazer de volta, pois os escravos voltavam a seu estado anterior de liberdade, não sendo mais servos de homens e sim apenas do Criador; e os terrenos também voltavam aos proprietários originais.
Além da contagem do ano de shemitá, de sete em sete anos, existe a contagem do yovel — o jubileu, que ocorre a cada cinquenta anos, no ano seguinte ao término de sete anos sabáticos.
Na época do Templo Sagrado, isto era exatamente o que acontecia a cada 50 anos. O Yovel caracterizava-se por três obrigações, que recaíam sobre a nação inteira:
a) Abstenção de qualquer trabalho agrícola, exatamente como em Shemitá;
b) Liberdade incondicional para todo escravo hebreu;
c) A devolução de todos os campos aos seus proprietários originais.
No Yovel, os escravos judeus são libertados. A cada ano de Yovel, em Yom Kippur, o San'hedrin (Tribunal Superior) tocava o shofar. A seguir os judeus em Israel, tocavam o shofar. O som podia ser ouvido em Israel inteira, anunciando: Chegou a hora de libertar todos os escravos judeus. Todos os que possuem escravos judeus devem libertá-los e enviá-los à suas casas.
Não importava se o escravo recém começara a servir seu senhor, ou se já havia trabalhado seis anos, todo escravo judeu tinha de ser enviado de volta ao seu lugar de origem. O toque do shofar era um lembrete para ouvir e observar esta mitsvá.
Depois de possuir um escravo por um longo período, o amo deve achar difícil mandá-lo embora; assim como o escravo pode ficar relutante em deixar seu amo. De Rosh Hashaná até Yom Kipur do ano de Yovel, um escravo não retorna à sua casa; nem seu amo pode empregá-lo. Em vez disso, senta-se à mesa de seu amo, come, bebe, e relaxa. Quando o shofar é tocado em Yom kipur, ele finalmente parte. Este período de dez dias de transição ajudam-no a readaptar-se à liberdade. Deus disse: Quando tirei o povo judeu do Egito, tornaram-se Meus escravos. Por isto, nenhum judeu poderá servir a outro por toda a vida, somente Eu posso exigir tal submissão.
Como podemos observar na tradição judaica, como o Jubileu está alicerçado na Torá. Fala-se dele no livro do Êxodo (23, 10-11), no Levítico (25, 1-28), no Deuteronômio (15, 1-6).
Cada sete anos era celebrado o ano sabático (como anteriormente comentávamos), no qual se deviam perdoar todas as dívidas. E cada 50 anos se celebrava o Jubileu.
Santificareis o quinquagésimo ano, proclamando na vossa terra a liberdade de todos os que a habitam. Este ano será para vós Jubileu: cada um de vós voltará à sua propriedade e à sua família. (Lv 25, 10)
O tempo de Jubileu, era um tempo de Paz e Reconciliação, um tempo de festa e perdão. Um tempo de Graça Divina.
Tradição cristã O Evangelista São Lucas narra em uma passagem que Jesus vai a uma sinagoga no dia de sábado e proclama um trecho do livro do profeta Isaías: O Espírito do Senhor está sobre mim, por isso ele me ungiu e me mandou anunciar aos pobres uma mensagem, para proclamar aos prisioneiros a libertação e aos cegos a recuperação da vista, para colocar em liberdade os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor. (Lc 4, 18-20)
Os Jubileus na história 1300: O primeiro Jubileu cristão da história miniatura|Afresco de Giotto di Bondone representando o Papa Bonifácio VIII na Basílica de São João de Latrão, no Jubileu de 1300. O primeiro Jubileu cristão foi instituído pelo Papa Bonifácio VIII, em 22 de fevereiro de 1300 com a bula Antiquorum fide relatio. Esta decisão deu à peregrinação a Roma, aos túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo, uma nova dimensão e um novo significado. O início do novo século trouxe a Roma um número excepcional de peregrinos para venerar a mais famosa relíquia romana, a da Verônica que representa o rosto sofredor de Jesus na sua Paixão. O contínuo fluxo de peregrinos levou Bonifácio VIII a convocar um Jubileu cada cem anos e a promulgar a indulgência plenária. "Não houve, desde os tempos mais antigos, tão grande devoção e manifestação de fé do povo cristão," escreveu com entusiasmo um comentador da época.
1350: Um Jubileu sem Papa em Roma No ano 1343 uma delegação de romanos vai a Avinhão, França, onde o Papa Clemente VI se encontrava em exílio desde 1309, a fim de pedir um Jubileu extraordinário no ano 1350, com uma periodicidade mais breve, isto é, de 50 anos. O pedido fundamentava-se num antigo costume hebraico, do qual se fala no Levítico dos quarenta e nove anos depois dos quais o quinquagésimo seria o ano Jubilar. Os romanos eram também pressionados a pedir um jubileu pelo crescente incómodo provocado na cidade pela prolongada ausência do Papa. Este acontecimento jubilar seria uma ocasião oportuna para o regresso do papa à sua sede apostólica. Clemente VI convocou este Jubileu antecipado, concedeu a indulgência plenária àqueles que fossem junto dos túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo. A novidade a respeito do ano 1300 é que foi incluída a Basílica de São João de Latrão. Todavia, por motivos políticos, ao Papa não foi possível ir a Roma.
1390: O Jubileu teve uma nova periodicidade A sequência dos jubileus depois de 1350 foi perturbada pelo grande Cisma do Ocidente de 1378. Foi um conflito ligado à legitimidade da escolha e eleição do papa. O Jubileu teve uma data diferente. Urbano VI promulgou-o para o ano 1390. Era sua intenção introduzir uma nova periodicidade: a de trinta e três anos, em memória da vida de Jesus. Contudo, vários motivos levaram a que esta proposta não fosse considerada e o Jubileu realizou-se em 1390. Foi celebrado por Bonifácio IX, sucessor de Urbano VI. Neste Jubileu, juntou-se mais uma Basílica para os peregrinos visitarem: a Basílica de Santa Maria Maior.
1400: A peregrinação penitencial Bonifácio IX quis que se celebrasse também o Jubileu de 1400 para que o período de 50 anos decidido em 1350, passasse a ser respeitado. A Igreja estava ainda dividida entre Roma e Avinhão, onde reinava um antipapa. Os cristãos franceses, espanhóis e parte dos italianos não tomaram parte na peregrinação jubilar dado que os seus soberanos, tendo aderido ao cisma, impediram aos seus súbditos a participação no Jubileu. Bonifácio IX estendeu a peregrinação em busca de indulgências às basílicas de São Loureço fora de Muros, Santa Maria em Trastevere e Santa Maria Rotonda, que se juntavam assim às basílicas maiores, já escolhidas nos Jubileus anteriores, nas sete igrejas de peregrinação de Roma. No Jubileu de 1400 teve início um novo tipo de peregrinação penitencial que, partindo de vários pontos da Itália setentrional, se dirigiam para Roma sob o lema: "Paz e Misericórdia".
1423: O Jubileu da restauração pós-cisma Depois do Cisma do Ocidente, (período em que chegou-se a ter três papas), foi eleito em 1417, o Papa Martinho V, o papa que recuperou a unidade da Igreja. Para demonstrar sua autoridade, o Papa Martinho V retomou a ideia do Papa Urbano V, e contando 33 anos depois do jubileu de 1390, convocou um novo jubileu. Para este jubileu tampouco redigiu uma bula de convocação. O pregador para a preparação do jubileu foi São Bernardino de Siena.
1450: O Jubileu dos Santos Este Jubileu foi proclamado na Basílica de São João de Latrão por Nicolau V, considerado o primeiro papa humanista. A resposta dos fiéis foi excepcional, tanto que, o Jubileu de 1450 ficou na história como um dos mais participados e como a última grande manifestação coletiva da Idade Média. Nessa ocasião, Roma foi posta à prova pela presença de tão grande número de peregrinos, o que colocou problemas de ordem pública, sanitária além dos relacionados com o alojamento e obtenção de mantimentos de primeira necessidade. Ficou definido como o "Jubileu dos Santos", porque em Roma estiveram presentes, além de outros, Santa Rita de Cássia e Santo Antônio de Firenze. Este último definiu o Jubileu como o "Ano de Ouro", para indicar a restabelecida unidade da Igreja do Ocidente depois do Cisma.
1475: O Jubileu é também chamado Ano Santo Após 1475 a periodicidade dos jubileus é de vinte e cinco anos. Sisto IV para fazer convergir em Roma todo o mundo católico suspendeu, durante o ano jubilar, todas indulgências plenárias fora de Roma. Foi utilizada a nova tecnologia , a imprensa descoberta no ano 1444 por Johannes Gutenberg. As Bulas jubilares, as intenções para a jornada do peregrino e as orações a recitar nos lugares sagrados foram pela primeira vez escritas, nos caracteres modernos da imprensa A partir deste Jubileu, entrou em uso a simples e significativa denominação de "Ano Santo" que chegou até aos nossos dias. Sisto IV favoreceu a construção de muitas obras urbanas e arquitetônicas para preparar a cidade para acolher os peregrinos. Entre estas a ponte, de Sisto, com a finalidade de facilitar o fluxo dos fiéis.
1500: Em São Pedro abre-se a Porta Santa A América tinha sido descoberta há oito anos: O Ano Santo de 1500 representa uma passagem não só para um novo século mas também a abertura para um mundo mais vasto. No dia 24 de dezembro de 1499, Alexandre VI inaugurou, solenemente, o Jubileu e usou um novo rito: a abertura da Porta Santa, na Basílica de São Pedro, que a partir desta data passou a exercer a função desempenhada pela porta áurea de São João de Latrão. O Papa quis, além disso, que a abertura das "portas santas" fosse prevista em cada uma das quatro Basílicas Maiores fixadas para a visita jubilar. A partir de então a passagem através da Porta Santa tornou-se um dos acontecimentos mais importantes do Ano Santo. Foi também inaugurada a rua Alexandrina, que ligava o Castelo do Santo Anjo à Basílica de São Pedro.
1525: O Jubileu da crise religiosa na Europa Clemente VII abriu a Porta Santa deste Jubileu num tempo de conflitos religiosos e políticos. Estava-se em plena crise religiosa iniciada por Martinho Lutero, na Alemanha, no ano 1517. O monge Agostiniano tinha, entre outras motivos, levantado a discussão sobre o princípio das indulgências. Era assim que, um dos 'pontos - chave' do Ano Santo, era posto em questão. De um modo geral, de muitos lados era pedida uma Reforma da Igreja. Mas também no campo político o desentendimento era grande: o conflito entre Carlos V de Habsburgo e Francisco I de França deu origem à primeira ruptura política da época moderna na Europa. A Igreja também se ressentiu. Roma foi invadida e saqueada, dois anos depois do Ano Santo, pelas tropas imperiais de Carlos V. Contudo, o Jubileu realizou-se regularmente tendo a Porta Santa sido aberta num clima pouco pacífico.
1550: O Jubileu no tempo do Concílio de Trento São dois os papas deste Jubileu: Paulo III e Júlio III. O primeiro preparou-o até 1549, ano da sua morte, depois de ter encontrado Roma dilacerada pelo pela invasão de 1527 e de dar início à reforma da Igreja Católica com o Concílio de Trento. O segundo celebrou-o a partir de fevereiro de 1550, data da sua eleição. O Ano Santo prolongou-se até à Epifania do ano seguinte compensando assim o atraso inicial. Este Jubileu foi uma ocasião para a realização daquela renovação da vida religiosa que teria encontrado expressão no Concílio de Trento. O esforço realizado pelos romanos no acolhimento foi enorme, especialmente para com os mais pobres.
1575: Felipe Neri organiza o acolhimento dos peregrinos