No catolicismo, um dogma é uma verdade revelada sobre a Fé Absoluta.

Os dogmas têm estas características porque os católicos romanos confiam que um dogma é uma verdade que está contida, implícita ou explicitamente, na imutável Revelação divina ou que tem com ela uma "conexão necessária".Catecismo da Igreja Católica (CIC), n. 88 Para que estas verdades se tornem em dogmas, elas precisam ser propostas pela Igreja Católica diretamente à sua fé e à sua doutrina, através de uma definição solene e infalível pelo Supremo Magistério da Igreja (Papa ou Concílio ecuménico com o PapaCIC, n. 889-891) e do posterior ensinamento destas pelo Magistério ordinário da Igreja. Para que tal proclamação ou clarificação solene aconteça, são necessárias duas condições:

o sentido deve estar suficientemente manifestado como sendo uma autêntica verdade revelada por Deus;"O que é Dogma?", do site Sociedade Católica a verdade ou doutrina em causa deve ser proposta e definida solenemente pela Igreja como sendo uma verdade revelada e uma parte integrante da fé católica.

Mas, "a definição dos dogmas ao longo da his­tó­­ria da Igreja não quer dizer que tais ver­dades só tardiamente tenham sido re­veladas, mas que se tornaram mais cla­ras e úteis para a Igreja na sua progres­são na fé".Verbete "Definição dogmática", da Enciclopédia Católica Popular Por isso, a definição gradual dos dogmas não é contraditória com a crença católica de que a Revelação divina é inalterável, definitiva e imutável desde a ascensão de Jesus.

Os mais importantes dog­mas, que tratam de assuntos como a Santíssima Trindade e Jesus Cristo, "fo­ram definidos nos primeiros concílios ecuménicos; o Concílio Vaticano I foi o último a definir verdades dogmá­ti­cas (primado e infalibilidade do Papa)". As definições de dogmas "mais recentes estão a da Imaculada Conceição [...] (1854) e da Assunção de Nossa Senhora [...] (1950)".

Dogmas Católicos

A Igreja Católica proclama a existência de muitos dogmas, sendo 49 o número dos principais. Eles estão subdivididos em 8 categorias diferentes:

Dogmas sobre Deus Dogmas sobre Jesus Cristo Dogmas sobre a criação do mundo Dogmas sobre o ser humano Dogmas marianos Dogmas sobre o Papa e a Igreja Dogmas sobre os sacramentos Dogmas sobre as últimas coisas

Dogmas sobre Deus

A Existência de Deus: "A ideia de Deus não é inata em nós, mas temos a capacidade para conhecê-lo com facilidade, e de certo modo espontaneamente por meio de Sua obra." O dogma indica que a ideia de Deus não vem em nós, mas a capacidade de conhecê-Lo surge de maneira relativamente fácil e espontânea por meio da observação de Sua obra, como a criação e a ordem do universo. A Existência de Deus como Objeto de Fé: "A existência de Deus não é apenas objeto do conhecimento da razão natural, mas também é objeto da fé sobrenatural." Este explica que a existência de Deus não se restringe à razão natural, sendo principalmente uma questão de fé sobrenatural, indicando que vai além do conhecimento racional para envolver confiança e aceitação além do entendimento lógico. A Unidade de Deus: "Não existe mais que um único Deus." Esse dogma enfatiza o fato da existência de um único Deus, fato este que torna o catolicismo uma religião monoteísta. Deus é Eterno: "Deus não tem princípio nem fim." O quarto dogma diz que a ideia de que Deus é atemporal e além dos limites de espaço, não sendo sujeito às restrições temporais e espaciais que nós, humanos, experimentamos e concebemos. Indica que Deus transcende as categorias temporais e espaciais, não sendo limitado pelo início ou fim, nem pelas dimensões físicas. Santíssima Trindade: "Em Deus há três pessoas: Pai e Filho e Espírito Santo; e cada uma delas possui a essência divina que é numericamente a mesma." O quinto dogma descreve a doutrina da Trindade na teologia cristã, afirmando que em Deus, que é Uno, existem três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Cada uma dessas Pessoas compartilha a mesma e imutável Essência Divina, indicando uma unidade na divindade, mas uma distinção nas Pessoas da Trindade. Isso é um conceito fundamental na compreensão da natureza de Deus na fé cristã.

Dogmas sobre Jesus Cristo Jesus Cristo é verdadeiro Deus e filho de Deus por essência, sendo chamado em Isaías como "Deus Conosco" (Emanuel): "O dogma diz que Jesus Cristo possui a infinita natureza divina com todas suas infinitas perfeições, por haver sido engendrado eternamente por Deus." Jesus possui duas naturezas que não se transformam nem se misturam: "Cristo é possuidor de uma íntegra natureza divina e de uma íntegra natureza humana: a prova está nos milagres e no padecimento." O dogma afirma que Cristo possui integralmente natureza divina e humana, evidenciada pelos milagres que realizou e pelos sofrimentos que enfrentou. Isso reflete a compreensão cristã da dualidade da natureza de Cristo. Cada uma das naturezas em Cristo possui uma própria vontade física e uma própria operação física: "Existem também duas vontades físicas e duas operações físicas de modo indivisível, de modo que não seja conversível, de modo inseparável e de modo não confuso." Esse dogma se refere à doutrina cristã da dupla vontade e operação em Cristo. Ela afirma que em Cristo há duas vontades e duas operações, tanto divinas quanto humanas, de maneira indivisível, não conversível, inseparável e não confusa. Isso destaca a compreensão da coexistência harmoniosa das naturezas divina e humana em Cristo, sem mistura ou divisão, uma doutrina que foi debatida e formalizada nos primeiros concílios cristãos. Jesus Cristo, ainda que homem, é Filho natural de Deus: "O Pai celestial quando chegou à plenitude, enviou aos homens seu Filho, Jesus Cristo." O quarto dogma resume a crença cristã de que, quando chegou o tempo certo, o Pai celestial enviou seu Filho, Jesus Cristo, aos homens para cumprir um propósito redentor. Cristo imolou-se a si mesmo na cruz como verdadeiro e próprio sacrifício: "Cristo, por sua natureza humana, era ao mesmo tempo sacerdote e oferenda, mas por sua natureza Divina, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, era o que recebia o sacrifício." O dogma afirma que, na sua natureza humana, Cristo era simultaneamente sacerdote e oferenda, representando a união do sacerdócio e do sacrifício. Na sua natureza divina, com o Pai e o Espírito Santo, Cristo é visto como aquele que recebe o sacrifício, destacando sua centralidade no plano redentor. Cristo nos resgatou e reconciliou com Deus por meio do sacrifício de sua morte na cruz: "Jesus Cristo quis oferecer-se a si mesmo a Deus Pai, como sacrifício apresentado sobre a ara da cruz em sua morte, para conseguir para eles o eterno perdão." Esse dogma refere-se à doutrina cristã da expiação e redenção por meio do sacrifício de Jesus Cristo na cruz. Ele afirma que Jesus, por Sua própria vontade, ofereceu-Se como sacrifício a Deus Pai durante Sua morte na cruz. Esse sacrifício é entendido como a base para a obtenção do perdão eterno para a humanidade. Essa doutrina central na teologia cristã destaca o significado redentor da morte de Cristo como um ato voluntário para reconciliar a humanidade com Deus. Ao terceiro dia depois de sua morte, Cristo ressuscitou glorioso dentre os mortos: "ao terceiro dia, ressuscitado por sua própria virtude, se levantou do sepulcro." Esse dogma refere-se à crença cristã fundamental de que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos no terceiro dia após Sua crucificação. A afirmação destaca a ressurreição como um evento sobrenatural e central para a fé cristã, indicando que Jesus, por Seu próprio poder divino, superou a morte e emergiu do sepulcro. Essa ressurreição é considerada como prova da vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, e é um ponto central na mensagem cristã da redenção e da vida eterna. Cristo subiu em corpo e alma aos céus e está sentado à direita de Deus Pai: "ressuscitou dentre os mortos e subiu ao céu em Corpo e Alma." O dogma afirma que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos e ascendeu ao céu em corpo e alma. Ele destaca a crença na ressurreição corporal de Jesus, indicando que Ele não apenas retornou à vida espiritual, mas também fisicamente. A ascensão ao céu, por sua vez, enfatiza que Jesus subiu à presença divina, completando assim Sua missão terrena. Esses eventos são considerados elementos essenciais na narrativa cristã da redenção e da natureza divina de Jesus.

Dogmas sobre a criação do mundo Tudo o que existe foi criado por Deus a partir do Nada: "A criação do mundo do nada, não apenas é uma verdade fundamental da revelação cristã, mas também que ao mesmo tempo chega a alcançá-la a razão com apenas suas forças naturais, baseando-se nos argumentos cosmológicos e sobretudo na argumento da contingência." O dogma afirma que Deus criou o mundo a partir do nada (criação ex nihilo). Essa verdade, central na fé cristã, é também considerada acessível à razão, que pode compreendê-la por meio de argumentos cosmológicos, especialmente o da contingência, que destaca a necessidade de um Criador diante da causalidade no universo. Isso destaca a harmonia entre a fé e a razão na compreensão da origem do mundo. Caráter temporal do mundo: "O mundo teve princípio no tempo." Esse dogma declara que o mundo teve um começo ou início no tempo. Ele reflete a crença de que o universo não é eterno, mas foi criado em algum momento do passado por uma causa primordial, frequentemente associada a Deus. Essa afirmação destaca a ideia de que o tempo, como o conhecemos, começou juntamente com a criação do mundo, e é uma crença fundamental na teologia cristã sobre a origem do universo. Conservação do mundo: "Deus conserva na existência a todas as coisas criadas." Esse dogma expressa a crença de que Deus sustenta e mantém todas as coisas criadas em existência. Ele reflete a ideia de que a criação não é apenas um evento do passado, mas que Deus continua a sustentar ativamente a existência de tudo o que foi criado. Esse conceito destaca a dependência contínua de todas as criaturas da providência divina e é uma parte fundamental da visão teológica da relação entre Deus e o universo na tradição cristã.

Dogmas sobre o ser humano O homem é formado por corpo material e alma espiritual: "O humano como comum constituída de corpo e alma." O dogma afirma que a natureza humana é composta de corpo e alma, refletindo a visão dualista de que os seres humanos têm uma dimensão material (corpo) e uma dimensão espiritual (alma). Essa compreensão é essencial na teologia cristã. O pecado de Adão se propaga a todos seus descendentes por geração, não por imitação: "Pecado, que é morte da alma, se propaga de Adão a todos seus descendentes por geração e não por imitação, e que é inerente a cada indivíduo." O dogma afirma que o pecado, considerado a morte da alma, é transmitido de Adão a todos os seus descendentes não por imitação, mas por geração. Isso significa que a predisposição para o pecado é inerente a cada indivíduo desde o nascimento, devido à queda de Adão e Eva, e requer a redenção pela graça divina. O homem caído não pode redimir-se a si próprio: "Somente um ato livre por parte do amor divino poderia restaurar a ordem sobrenatural, destruída pelo pecado." Este dogma afirma que apenas um ato livre do amor divino pode restaurar a ordem sobrenatural, que foi danificada pelo pecado. Ele destaca a necessidade de uma intervenção divina, realizada por meio do amor livre de Deus, para reestabelecer a relação harmoniosa entre Deus e a humanidade após a quebra causada pelo pecado.

Dogmas marianos