A temporada de furacões no oceano Atlântico de 2007 foi um evento do ciclo anual de formação de ciclones tropicais na bacia do Atlântico norte. Começou oficialmente em 1 de Junho de 2007 e terminou oficialmente em 30 de Novembro do mesmo ano, datas que convencionalmente delimitam o período quando a maioria dos ciclones tropicais se formam na bacia do oceano Atlântico norte durante o ano.
A formação da tempestade subtropical Andrea, em 9 de Maio, marcou o início antecipado da temporada. Esta foi a segunda ocasião em cinco anos que uma tempestade se formou antes do começo oficial do começo da temporada; a outra vez tinha sido a formação da tempestade tropical Ana em Abril de 2003. O furacão Dean foi o primeiro furacão "maior" desta temporada; alcançou a categoria 5 na escala de furacões de Saffir-Simpson e atingiu a península de Iucatã nesta intensidade na terceira semana de Agosto. Dean também foi o terceiro ciclone tropical atlântico mais intenso a atingir a costa em toda a história registrada. O furacão Felix foi o segundo furacão "maior" da temporada, atingindo também categoria 5, que fez desta temporada uma das quatro temporadas a terem mais de um furacão de categoria 5; as outras foram as temporadas de 1960, de 1961 e de 2005. Felix atingiu a costa nordeste da Nicarágua nesta intensidade, que fez desta temporada a única dentre todas em que mais de um furacão atingiu a costa como um furacão de categoria 5. O furacão Humberto, apesar de ter sido classificado como um furacão de categoria 1 e causar poucos estragos, foi o ciclone tropical que se intensificou de forma mais rápida em toda a história registrada. Em apenas 18 horas, o furacão passou de estágio de depressão tropical, com ventos máximos sustentados em um minuto de 55 km/h, para furacão, com ventos máximos sustentados em um minuto de 150 km/h. Outro aspecto notável do furacão é o fato desta rápida intensificação ter ocorrido a apenas 24 km da costa. Humberto também foi o primeiro furacão a atingir os Estados Unidos desde a passagem do furacão Wilma sobre a Flórida, em 2005. O furacão Noel foi o ciclone tropical que causou mais fatalidades no Atlântico norte em 2007; 151 pessoas morreram após a sua passagem pelo Caribe. A tempestade tropical Olga marcou o encerramento tardio da temporada de 2007, formando-se em meados de Dezembro.
Previsões para a temporada As previsões de atividade de furacões foram emitidas antes de cada temporada pelos especialistas Philip J. Klotzbach, Dr. William M. Gray e seus associados na Universidade do Estado do Colorado, separadamente das previsões feitas pelo National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). A equipe de Klotzbach (formalmente liderada pelo Dr. Gray) definiu o número médio de tempestades por ano (entre 1950 e 2000) em 9,6 tempestades tropicais, 5,9 furacões e 2,3 furacões "maiores" (furacões excedendo a categoria 3 na escala de furacões de Saffir-Simpson). Uma temporada normal, definida pela NOAA, tem 9 a 12 tempestades dotadas de nome, sendo que 5 a 7 delas se tornam furacões, e destes, 1 a 3 se tornam furacões "maiores".
+Previsões para a atividade tropical para a temporada de 2007FonteDataTempestadesnomeadasFuracõesFuracões"maioresCSUMédia (1950–2000)9,65,92,3NOAAMédia (1950–2005)11,06,22,7Recorde de máxima atividade28158Recorde de mínima atividade420––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––CSU8 de Dezembro de 20061473CSU3 de Abril de 20071795NOAA22 de Maio de 200713–177–103–5CSU31 de Maio de 20071795UKMO19 de Junho de 20079–15N/DN/DCSU3 de Agosto de 20071584NOAA9 de Agosto de 200713–167–93–5CSU4 de Setembro de 20071574CSU2 de Outubro de 20071773––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––Atividade final 15 6 2
Previsões de pré-temporada Em 8 de Dezembro de 2006, a equipe de Klotzbach emitiu sua primeira previsão a longo prazo para a temporada de 2007, prevendo uma atividade acima da média (14 tempestades dotadas de nome, 7 furacões e 3 furacões "maiores").
A equipe previu uma grande possibilidade de pelo menos um furacão "maior" atingir os Estados Unidos: a previsão indicava uma possibilidade de 64% de um furacão "maior" atingir os Estados Unidos Continentais, que inclui uma possibilidade de 40% de pelo menos um furacão "maior" atingir a costa leste dos Estados Unidos (incluindo a Flórida), e uma possibilidade de 40% de um furacão "maior" atingir os Estados Unidos pela costa do golfo dos Estados Unidos. A atividade de furacões "maiores" para o Caribe foi prevista ser acima da média, e a equipe previu que o El Niño iria se dissipar na porção ativa da temporada.
Em 3 de Abril, uma nova previsão foi liberada, chamando a atenção para uma temporada de furacões muito ativa, com 17 tempestades dotadas de nome, 9 furacões e 5 furacões "maiores".
O aumento na previsão foi atribuído à rápida dissipação do El Niño. A equipe também previu que a influência da La Niña na temporada iria ser de fraca a moderada e notaram que a temperatura da superfície do mar iria ser muito maior do que a média histórica. A possibilidade de pelo menos um furacão "maior" atingir os Estados Unidos aumentou para 74%, com uma possibilidade de 50% de um furacão "maior" atingir os Estados Unidos pela costa leste e uma possibilidade de 49% de um furacão "maior" atingir os Estados Unidos pelo golfo do México. Entretanto, Klotzbach notou que, enquanto estavam chamando a atenção para uma temporada de furacões ativa, não foi prevista ser tão ativa quanto à temporada de furacões no Atlântico de 2005.
Em 22 de Maio, a NOAA liberou a sua previsão para a temporada de 2007. Foi previsto 13 a 17 tempestades dotadas de nome, com 7 a 10 se tornando furacões, e destes, 3 a 5 se tornariam furacões "maiores".
Um dia antes do começo oficial da temporada, a equipe da universidade do Estado do Colorado liberou sua última previsão de pré-temporada, não fazendo mudanças em relação à previsão de Abril.
Em 19 de Junho, o Met Office (UKMO), o serviço nacional de meteorologia do Reino Unido, liberou suas previsões para a continuação da temporada de furacões baseado num novo modelo de previsão. A agência previu 10 tempestades dotadas de nome, não incluindo Andrea nem Barry, com 70% de possibilidades de 7 a 13 tempestades dotadas de nome. A previsão não incluiu previsões específicas para o número de furacões ou de furacões "maiores".
Previsões durante a temporada Em 3 de agosto, a equipe de Klotzbach abaixou a sua estimativa para a temporada para 15 tempestades dotadas de nome, com 8 se tornando furacões, e destes, 4 se tornando furacões "maiores". A equipe notou que as condições meteorológicas tinham ficado ligeiramente menos favoráveis para a formação de ciclones tropicais do que eles tinham previsto no começo do ano. A temperatura da superfície do mar foi menor do que o previsto e havia várias incidências de massas de ar vindas do deserto do Saara carregadas com partículas de areia, o que dificulta a formação de um ciclone tropical.
Em 9 de Agosto, a NOAA reviu sua estimativa para a temporada, que baixou ligeiramente para 13 a 16 tempestades dotadas de nome, com 7 a 9 se tornando furacões, e destes, 3 a 5 se tornando furacões "maiores". Entretanto, a NOAA reafirmou a sua chamada para uma temporada acima da média, citando a temperatura da superfície do mar mais quente do que o normal em partes do oceano Atlântico e do mar do Caribe, assim como numa previsão atualizada de que a La Niña estaria atuando provavelmente no pico de atividade da temporada.
Em 4 de Setembro, a equipe de Klotzbach reduziu novamente sua estimativa para a temporada para 15 tempestades dotadas de nome, com 7 se tornando furacão, e destes, 4 se tornado furacões "maiores". Em 2 de Outubro, a equipe de Klotzbach emitiu uma nova previsão sobre a temporada, não fazendo grandes mudanças em relação à previsão anterior, somente diminuindo a estimativa para os furacões "maiores" de 4 para 3.
Tempestades
Tempestade subtropical Andrea
Em 9 de Maio, um sistema que era anteriormente um ciclone extratropical se organizou enquanto se localizava cerca de 225 km a sudeste de Savannah, Geórgia. Alertas de tempestade tropical foram imediatamente emitidos para partes costeiras da Geórgia e da Flórida, embora fossem cancelados posteriormente. Andrea foi a primeira tempestade dotada de nome a se formar em maio desde a tempestade tropical Arlene, em 1981, e também foi a primeira tempestade a se formar antes do começo oficial da temporada desde a tempestade tropical Ana, em abril de 2003. Depois, a organização do sistema se deteriorou com uma significativa diminuição da convecção de ar assim que o sistema seguiu sobre águas mais frias, e em 10 de Maio, o sistema se enfraqueceu para uma depressão subtropical e o Centro Nacional de Furacões emitiu seu aviso final sobre Andrea às 15:00 UTC daquele dia. Entretanto, na manha de 11 de Maio, a convecção ganhou força próximo ao núcleo do sistema, indicando que o ciclone podia estar adquirindo características tropicais. Entretanto, isto não aconteceu.
A tempestade produziu ondas fortes da costa da Flórida até a costa da Carolina do Norte, causando ressaca e alguns danos. Um surfista afogou-se devido às ondas fortes. Um total de cinco pessoas morreram durante a fase extratropical de Andrea. Ventos fortes de Andrea alimentaram severos incêndios florestais no norte da Flórida e no sul da Geórgia. Andrea foi o responsável por prover fortes ventos que agiram como um "fole", alimentando os incêndios para níveis catastróficos, muito além do que os bombeiros poderiam fazer. Ventos fortes da tempestade espalharam fumaça dos locais dos incêndios numa área da Flórida entre a baía de Tampa e Miami.
Tempestade tropical Barry
Em 30 de Maio, uma grande área de baixa pressão formou-se no golfo das Honduras. Seguindo para o norte, o sistema lentamente se intensificou assim que seguia pelo noroeste do mar do Caribe e pelo sudoeste do golfo do México. Em 1 de Junho, o primeiro dia oficial da temporada, a perturbação se organizou para a tempestade tropical Barry, mesmo estando localizado numa área com forte cisalhamento do vento. Imediatamente foram emitidos avisos para a costa do golfo da Flórida. Barry proveu a precipitação que era muito esperada e necessitada para porções da Flórida e da Geórgia, que estavam enfrentando severa estiagem desde Janeiro. Barry atingiu a costa da Flórida perto da baía de Tampa em 2 de Junho como uma fraca tempestade tropical. Logo depois, Barry se enfraqueceu para uma depressão tropical assim que começou a sua transição extratropical. Barry tornou-se totalmente extratropical ainda naquela tarde. No dia seguinte, o ciclone seguiu para o norte através da costa das Carolinas trazendo chuvas para os estados da costa leste dos Estados Unidos. Em 5 de Junho, seu núcleo seguiu para a costa atlântica do Canadá.
Tempestade tropical Chantal
Uma área de baixa pressão desenvolveu-se perto das Bahamas em 28 de Julho e lentamente se organizou enquanto seguia para norte-nordeste. Na madrugada de 31 de Julho, o sistema foi classificado pelo Centro Nacional de Furacões (NHC) como a depressão tropical Três, o terceiro da temporada, depois de manter áreas convecção de ar profunda perto de seu centro na maior parte do dia anterior. No mesmo dia, o sistema se fortaleceu para uma tempestade tropical ao sul da província da Nova Escócia, Canadá. O sistema tornou-se extratropical na madrugada de 1 de Agosto assim que seguia sobre águas mais frias em direção à ilha de Terra Nova, Canadá.