São José é um município brasileiro localizado no estado de Santa Catarina, na região Sul do Brasil. Sua população, de acordo com o Censo de 2022 do IBGE, é de 270 299 habitantes. É a quarta maior cidade de Santa Catarina e a 104ª do Brasil. Faz parte da Grande Florianópolis, com sua área urbana conurbada com as cidades vizinhas de Florianópolis, Biguaçu e Palhoça, formando assim, a maior concentração urbana de Santa Catarina.
A cidade, colonizada principalmente por açorianos, é povoada desde o século XVIII e teve diversas fases na sua história, tendo sido por décadas um importante entreposto comercial, recebido os primeiros colonos alemães de Santa Catarina e atingido um status de eixo comercial e cultural. Uma fase de decadência se seguiu entre os anos 1930 e 1960, quando o município virou uma cidade dormitório de Florianópolis, que compartilha sua única fronteira terrestre com São José. Essa situação mudou nos últimos anos, e apesar da capital ainda influenciar o município vizinho, seus bairros principais hoje são tão relevantes quanto os de Florianópolis, a economia é uma das maiores do estado, tendo o 5º PIB de Santa Catarina, foi uma das 20 cidades que mais geraram emprego no Brasil no ano de 2019 e a qualidade de vida tem índices elevados para os padrões brasileiros.
A economia josefense hoje é bastante diversa, sendo hoje baseada na comércio e serviços, além da indústria, que é praticamente inexistente na capital catarinense e acaba sendo suprida por São José e as outras cidades da região. A cidade se destaca na indústria tecnológica, de alimentos, metalmecânica e na construção civil, sendo uma das dez cidades mais verticalizadas proporcionalmente do Brasil.
A região mais urbanizada fica em volta da BR-101, tendo bairros recentes e verticais como o Kobrasol e grandes loteamentos urbanos. Também passam pela cidade a BR-282 e o Contorno Viário da Grande Florianópolis. A parte a oeste ainda possui morros com vegetação abundante e áreas rurais. No sul fica o Aeroclube de Santa Catarina. São José ainda sedia campi do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e da Universidade Estácio de Sá.
História
Carijós Até a chegada dos colonizadores, no século XVI, todo o atual litoral do estado de Santa Catarina era habitado por índios guaranis chamados pelos europeus de carijós.
Um sítio arqueológico na Ilha da Casca, próxima a foz do rio Maruim, comprova a presença dos carijós em São José, que devem ter aproveitado as vantagens geográficas da região para sua subsistência. Eram um povo receptivo aos estrangeiros, o que não impediu seu desaparecimento - foram escravizados pelos habitantes do Desterro e, no século XVII, já eram raros.
Ocupação da terra e colonização açoriana O controle efetivo da região Sul do Brasil, palco de conflitos fronteiriços entre espanhóis e portugueses, e a necessidade de mais matérias-primas e produtos para a venda tornava necessária a ocupação do território por parte dos lusitanos. Moradores dos Açores, tendo problemas no arquipélago com a superpopulação, terremotos e epidemias, sugeriram a mudança para a então América Portuguesa.
O Brigadeiro José da Silva Paes, nomeado o primeiro presidente da província de Santa Catarina, pediu logo que chegou a Ilha de Santa Catarina em 1739 que viessem os açorianos para ocupar a região, pois a ocupação ainda era precária - haviam apenas três núcleos de povoação: São Francisco do Sul, Nossa Senhora do Desterro e Santo Antonio dos Anjos da Laguna - o que deixaria a terra propensa a invasões, e para aumentar a mão-de-obra e o plantio.
As primeiras levas iniciaram em 1748. Em 1750 chegaram à capitania do Desterro 182 casais açorianos que, no dia 26 de outubro de 1750, fundaram o povoado de São José da Terra Firme, o quatro mais antigo de Santa Catarina. No fim do mesmo ano, a população chegou a 338 pessoas. Em 1755 já existia uma pequena capela e um vigário, José Antônio da Silveira. O título de freguesia chegou seis anos após a fundação do povoado, em 1756. O povoamento do território, partindo do povoado original, seguiu pelo litoral e pelo vale do rio Maruim.
O território de São José ia de Lages ao Estreito. Com o passar dos anos, O vice-rei Luís de Vasconcelos e Sousa ordenou, em 1787, que o governador da província na época, José Pereira Pinto, convocasse o alferes Antônio José da Costa, para fazer o reconhecimento da terra, o que levou ao estabelecimento de um caminho ligando as duas cidades e, por consequência, a Serra Catarinense ao litoral.
Isso torna São José um entreposto comercial com os anos, visto que Lages passou a ser parte do Caminho dos Tropeiros, além da atividade portuária que envolvia a ligação com Desterro. Em 1797 já havia uma população de 2079 pessoas, entre pessoas livres e escravizadas, e povoações agrícolas indo de Barreiros a Ponta de Baixo.
Período imperial O século XIX trouxe diversas mudanças políticas e econômicas no mundo e também na freguesia. A abertura dos portos, resultado das Guerras Napoleônicas e do fim do Pacto Colonial, permite que a cidade seja visitada por estrangeiros a partir de 1808. Após a Independência do Brasil em 1822, uma nova leva de ocupação da terra começa em 1829, com a chegada dos primeiros imigrantes alemães. As 146 famílias com 523 indivíduos vindos principalmente de Bremen, no norte da atual Alemanha, criam a colônia de São Pedro de Alcântara, que é a primeira colônia alemã de Santa Catarina.FARIAS, Vilson Francisco de. São José: 250 anos: natureza, história e cultura. 2ª ed. São José: Edição do autor, 2001.PAIVA, J. G. de O. Memória Histórica sobre a colônia alemã de São Pedro de Alcântara. In: PHILIPPI, Aderbal João. São Pedro de Alcântara – A primeira colônia alemã de Santa Catarina. 1995.
Em 1 de março de 1833 São José passou de freguesia a vila, formada por duas freguesias, São José e Enseada do Brito, hoje parte da Palhoça. O limite norte, com Biguaçu - a época, São Miguel - no rio Carolina, permanece o mesmo até hoje. Em 1844, São Pedro de Alcântara também se torna uma freguesia. Os alemães encontraram dificuldades na adaptação por lá, tendo se espalhado pelo território josefense e vizinhanças, tanto na agricultura quanto no comércio, com destaque para a Praia Comprida.
Durante a Guerra dos Farrapos as forças imperiais buscavam impedir os avanços dos gaúchos em Santa Catarina, estando presentes em São José e Desterro. O tenente-coronel Joaquim Xavier Neves, morador de São José e considerado amigo de David Canabarro, foi eleito em Laguna presidente da efêmera República Juliana em 1839. Porém, ele nunca pode sequer deixar a cidade, que estava sob o controle do Império. A guerra não chegou a ameaçar a cidade após a vitória imperial sobre os farroupilhas no Morro dos Cavalos, perto do rio Maciambu.
São José recebeu a visita do Imperador Dom Pedro II e Imperatriz Teresa Cristina em 1845. Joaquim Xavier Neves comandou um grupo de homens que construiu pontes até as águas termais de Caldas do Cubatão, que passou a se chamar Caldas da Imperatriz após a visita, e teve sua casa, o Solar dos Neves, convertido em Paço Imperial. — Prefeitura de São José. Página visitada em 08/08/2012.. O casal imperial fez doações em dinheiro para a Igreja Matriz e assistiu a uma corrida de cavalos e laçamento de bois em Campinas, evento esse que atraiu moradores da serra catarinense e gaúchos para a cidade e é considerado o primeiro rodeio organizado da história do país.
Em 4 de maio de 1856, São José foi declarada cidade. Feliciano Nunes Pires foi nomeado presidente da província. Outras freguesias foram criadas e passaram a ser divisões de São José, mesmo antes dela se tornar cidade: Garopaba em 1846, Santo Amaro do Cubatão em 1854 e Palhoça, antes uma terra comunal de Desterro, passa a fazer parte de São José oficialmente em 1852 e se torna freguesia em 1882. Em 1886, Águas Mornas se torna freguesia também.
O período imperial foi bastante benéfico para São José, que dispunha de um grande território, exportava café, tapioca, açúcar, lenha, farinha de mandioca, cachaça e algodão, além de produtos de linho e da pesca, tinha um comércio ativo e era um entreposto comercial, com as duas rotas de tropas de bois que desciam da Serra Catarinense para a capital - a que ia por Angelina, margeando o rio Maruim, e a que ia por Rancho Queimado, chegando ao litoral pela atual Santo Amaro da Imperatriz - ficando nas terras josefenses. A atividade oleira também se torna bastante comum. No período imperial, São José era um eixo comercial e cultural em Santa Catarina, a ponto do primeiro teatro do estado e o terceiro do Brasil, o Teatro Adolpho Mello, ter sido fundado na cidade em 1854. A cidade tinha 20.602 pessoas em 1866.
Do fim do Império aos anos 1940 Em 1894, acontece a emancipação da Palhoça, a primeira grande perda de território de São José. Essa emancipação foi também uma represália do governador de Santa Catarina devido ao apoio de lideranças josefenses aos revoltosos na Revolta da Armada de 1893, que pretendia restaurar a monarquia, derrubada em 1889. A nova cidade ficou com mais da metade do território josefense na época. Nesse mesmo ano, surge a freguesia de Angelina após a divisão da freguesia de São Pedro de Alcântara.
Em 1910, foi criada a Usina de Geração de Energia Gustavo Richard, na região do Salto do Maruim, localidade na época habitada principalmente por alemães. Essa usina hidrelétrica começou a ser construida em 1907 e foi a principal fonte de eletricidade para São José, Biguaçu e Florianópolis por décadas. Desativada em 1972, foi tombada como patrimônio em 2005 e foi restaurada e reaberta em 2024.PISTORELLO, D. Uma usina hidrelétrica ao sul do Brasil: tombar para preservar?. Faces da História, v. 4, n. 1, p. 30-52, 7 set. 2017. Em 1941, é instalado na mesma região o Hospital Colônia Santana, voltado a psiquiatria, que acaba renomeando a localidade: o bairro Colônia Santana, formado no entorno do hospital, se torna o único bairro interiorano com características urbanas por muito tempo. O hospital manteve as atividades até 1995, e sua estrutura deu lugar ao atual Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina, criado no ano seguinte.
Até a década de 1930, São José permanece com bastante relevância, entretanto, vários fatores começam a iniciar uma dramática decadência: as atividades comerciais da região do Vale do Itajaí começam a superar em importância as de Florianópolis e São José, o rodoviarismo iniciado pela inauguração da Ponte Hercílio Luz diminui a importância da posição geográfica portuária e de entreposto comercial com a capital, e finalmente, a perda de território para Florianópolis em 1944, quando o Distrito de João Pessoa, a atual parte continental de Florianópolis, passa a fazer parte do cidade vizinha. Com isso, a cidade perdeu um dos seus principais portos e uma parte da sua relevância. Rancho Queimado, até então parte da Palhoça, foi anexado a São José como compensação.
Crescimento populacional e urbano A decadência josefense fez com que a cidade se colocasse como cidade dormitório de Florianópolis. Combinado a isso, migrações do campo para a cidade, em especial do Oeste Catarinense, e de outros estados como o Rio Grande do Sul fizeram com que a população da cidade começasse a crescer a partir dos anos 1950. O avanço urbano leva a criação do distrito de Barreiros em 1959 e formação de conjuntos habitacionais e loteamentos públicos e privados. A expansão é aumentada pela construção da BR-101 e o desenvolvimento de Florianópolis, que cresce com as instalações da Universidade Federal de Santa Catarina e da Eletrosul e gera demanda habitacional. Há ainda uma mudança territorial, com a emancipação de Angelina e Rancho Queimado em 1961 e 1962, respectivamente.SUGAI, Maria Inês. Segregação Silenciosa: Investimentos Públicos e Distribuição Sócio-Espacial na Área Conurbada de Florianópolis. Tese de Doutorado: USP. 2002.