Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá é um livro do escritor brasileiro Lima Barreto. Foi publicado em 1919 pela Editora Revista do Brasil, sucedendo a obra Triste Fim de Policarpo Quaresma do autor. Trata-se de uma sátira ao Barão do Rio Branco e ao Ministério das Relações Exteriores, que gastavam tempo e dinheiro em coisas inúteis e aparentavam uma grandeza que ainda estamos longe de possuir.BARRETO, Lima. Lima Barreto: Obra reunida. Volume 1. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021. 876 p. (Obra reunida, 1). ISBN 978-8520942059.
Enredo Narrado pelo personagem Augusto Machado, um jovem funcionário público, negro e de origem humilde, conta a vida e morte de seu amigo Manuel Joaquim Gonzaga de Sá, velho, branco e também funcionário público. O livro é ambientado no Rio de Janeiro dos anos 1900, e constrói uma biografia marcada pela reflexão sobre a morte, o acaso, o fracasso e a condição do intelectual no Brasil.
Por meio de episódios do cotidiano burocrático e de longas digressões filosóficas, transparece o comportamento da alta sociedade do Rio de Janeiro do começo do século XX. São criticadas a falsa modernização republicana, o formalismo do Estado e a marginalização do pensamento livre, além de serem exploradas as diversas transformações urbanas pelas quais a cidade passava.
Publicação O livro começou a ser escrito já no início da carreira literária de Barreto, o que se pode constatar no Diário íntimo, em que há várias referências ao livro já no ano de 1906, indicando que a obra estava em adiantado processo de elaboração.BARRETO, Lima. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. Apresentação de Manoel Freire Rodrigues. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2024. 168 p. ISBN 978-85-268-1633-6.
A obra foi publicado pela primeira vez em 1919. Em carta a Godofredo Rangel, escreve Monteiro Lobato: "A Revista cresce e engorda como bananeira, e a seção das edições toma corpo. Ontem saiu o romance do Lima Barreto".Monteiro Lobato, A Barca de Gleyre, carta de 20 de fevereiro de 1919.
A segunda edição do livro, em 1949, também incluía dezoito contos do autor. São estes: "Três Gênios de Secretaria", "O Único Assassinato de Cazuza", "O Número da Sepultura", "Manuel Capineiro", "Milagre do Natal", "A Sombra do Romariz", "Quase ela Deu o "Sim", Mas...", "Foi Buscar Lã...", "O Jornalista", "O Tal Negócio de Prestações", "O Meu Carnaval", "Fim de um Sonho", "Lourenço, o Magnífico", "O Falso D. Henrique v", "Eficiência Militar", "O Pecado", "Um que Vendeu a Alma" e "Carta de um Defunto Rico".SCHWARCZ, Lilia Moritz. “Introdução – Lima Barreto: termômetro nervoso de uma frágil república”. In: BARRETO, Lima. Contos completos. Organização e introdução de Lilia Moritz Schwarcz. São Paulo: Companhia das Letras, 2010
Análise No livro, Lima Barreto expressa sua crítica em relação às transformações pelas quais passa a cidade do Rio de Janeiro de sua época. O autor era um observador em constante deslocamento, pois além de manifestar uma intensa crítica com relação à modernização, também ecoava, em sua literatura, vozes daqueles que estavam à margem da sociedade e toda uma multidão de tipos que percorriam a cidade.MELLO, Marina Brito de. Dilemas da modernidade em Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá. In: Anais do VII SAPPIL – Estudos de Literatura, 2016.
O narrador Augusto Machado desvenda o conteúdo complexo das relações sociais: nelas residem as forças mistificadoras que a repetição, a alienação e o automatismo transformam em essência de vida. Podemos também observar o desafio fundamental da existência – jogo entre a vida e a morte – no grau de imprevisibilidade da narrativa, que caminha por meio de associações soltas e descontínuas, comandadas pelo acaso.MELO, José Osmar de. As figurações da morte em Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, de Lima Barreto. Scriptorium, v. 5, n. 1, p. –, 2019. DOI: 10.15448/2526-8848-2019.1.33107.
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