Reduto é um bairro central e histórico, localizado na cidade brasileira de Belém, capital do estado do Pará. No bairro está grande parte da Zona Portuária de Belém, maior porto flúvio-marítimo da Região Norte, modernos edifícios, o Centro de Memória da Amazônia da Universidade Federal do Pará - UFPA, localização privilegiada e uma das regiões mais valorizadas da cidade são características atuais do bairro, onde está situada a Avenida Visconde de Souza Franco, um dos endereços mais caros da capital paraense com seus atrativos imobiliários, comerciais e de entretenimento. Bairro de múltiplas facetas, é um dos mais antigos da capital paraense, foi no passado o coração da economia belenense. Atualmente divide-se entre a modernidade e a manutenção de seus traços históricos.

O bairro já sofreu um processo de verticalização assim como seu vizinho Umarizal, contudo hoje não há mais obras do tipo, devido a uma lei municipal proibir a construção de edifícios em seus limites, pois existe na região um rico patrimônio histórico que precisa ser preservado. Gradativamente o bairro vem se remodelando, porém ainda mantendo suas ruas estreitas, fábricas, galpões e vilas operárias, herança histórica de seu passado fabril. Apesar de o Reduto encontrar-se em parte degradado e esquecido, o bairro resplandece como um dos mais valorizados de Belém, contando com uma localização privilegiada e uma das regiões mais valorizadas da cidade.

História

Toponímia

O nome do bairro remete a origem de um antigo forte militar, conhecido como Reduto de São José, construído no ano de 1771 com objetivo de garantir a segurança da sede da colônia e a conselho e experiência dos locais estratégicos do litoral à entrada da cidade. Entre 1806 e 1810 foi construído um semi-baluarte e uma muralha unindo a fortificação da Bateria de Santo Antônio com a de São José. Em 1832 esta muralha foi demolida para ser construída no lugar uma praça e serem abertas ruas. O terreno do Reduto de São José era situado em uma baixada com bastante irregularidades, sendo esta área utilizada como campo de instrução militares. Origem e ocupação

A ocupação no bairro do Reduto começou através de dois núcleos iniciais: o convento dos Capuchos de Santo Antônio e o Paul D`água, na nascente do Igarapé do Reducto. Sua bacia era demarcada por dois córregos: a do Igarapé da Fábrica (Canal General Magalhães) e a do Igarapé das Almas (Avenida Visconde de Souza Franco). Os referidos igarapés localizavam-se em paralelo, a nordeste da área, onde se localiza o atual Bairro da Campina. Em 1784 foi construído um obelisco na Estrada de Nazareth, e a partir dessa obra as áreas altas ao leste da freguesia do Reducto (Alto Reduto) começaram a ser ocupadas. O terreno próximo ao Reduto de São José era alagadiço e irregular sendo então, utilizado como campo para instruções militares. Já no início do século XIX ocorre à abertura das ruas da Princesa, da Glória e do Príncipe (Atuais ruas Benjamim Constant, Rui Barbosa e Quintino Bocaiúva, respectivamente) tais vias favoreceram a ocupação das áreas de baixada do Reducto.

Gradativamente o bairro ganhava novos moradores e consequentemente mais infraestrutura, pois as autoridades municipais já reconheciam a importância da freguesia como área de ligação com o núcleo urbano, trazendo para a localidade obras de terraplenagem e urbanização para incentivar a expansão da cidade. O processo de inserção daquela área foi feito paulatinamente, contíguo à consolidação da freguesia da Campina, na segunda metade do XVIII, a área do Reduto de São José foi efetivamente ocupada e inserida à vida da cidade em na primeira metade do século XIX. No começo da evolução do bairro, a maioria de seus moradores eram pessoas pobres, entretanto a proximidade com a Baía de Guajará favoreceu o desenvolvimento comercial no bairro, consolidado na segunda metade do século XIX. Bairro mercado (1850-1910) Desde sua origem o Reduto desempenhou uma importante função comercial na cidade, vários estabelecimentos comerciais ali que se favoreciam pela chegada de mercadorias vindas de cidades do interior e que eram descarregadas no Igarapé da Indústria. Na época estabeleceram-se ali muitos comerciantes, sobretudo de origem estrangeira. O comercio existente no Reduto era diversificado e bem abastecido. O referido igarapé recebia as águas pluviais que vinham do Largo da Pólvora (atual Praça da República) por meio de esgotos laterais construídos a partir do calçamento da Estrada do Paul d’Água 21. A partir dessa obra e do calçamento de várias ruas do Reduto realizados no final do século XIX o problema de saneamento das terras baixas predominantes na área foi sensivelmente reduzido. Em 1851 com o crescimento comercial e a necessidade de melhorar a área portuária da cidade foi inaugurada a Doca do Imperador, construído em um simples estaqueamento de madeira que posteriormente em 1859 seria construído de forma mais regular e duradoura passando a se chamar Doca do Reducto. O movimento comercial que se desenvolveu naquele bairro fez com que ele se tornasse um importante ponto de abastecimento para os seus moradores e para outros bairros vizinhos, o que lhe garantiu a referencia de “bairro mercado”.

300px|miniaturadaimagem|esquerda|Movimentação da Doca do Reducto em 1905 Nesta área além de pequenos comerciantes havia alfaiates, ferreiros, carpinteiros, operários de fábricas próximas entre outros trabalhadores que ao longo do desenvolvimento dessa atividade foram instalando-se nestas cercanias, sobretudo na Rua dos Mártires (28 de Setembro). No final do século XIX, com a economia belenense crescendo em virtude da exportação da borracha, a Doca do Reducto ganha uma importância ainda maior como ponto de embarque do látex das seringueiras, essas novas atividades de exportação foram tão relevantes para o logradouro que gerou uma prosperidade econômica nessa região, chegando até a rivalizar com a Doca do Ver-o-Peso (Principal porto da capital na época). A Doca do Reducto nesse momento chegou a ganhar o status de cartão-postal da cidade, que foram eternizadas em várias fotografias. Tais práticas mercantis deram ao bairro a identificação de ´´bairro mercado``. Declínio comercial

No início do século XX, Belém vivenciava seu apogeu econômico advindo da exportação da borracha amazônica, fase conhecida como Belle Époque. Em decorrência desse surto de prosperidade foi preciso expandir a zona portuária da cidade e capacita-la para o grande volume de borracha que seria exportado, fora essa necessidade, na capital paraense crescia cada vez mais a demanda de produtos manufaturados europeus, que para serem importados precisavam de grande aparelhamento de estrutura portuária. Visto que as atividades portuárias estavam restritas em apenas duas docas (Ver-o-Peso e Reducto) que já estavam ficando obsoletas e sobrecarregadas, Surge então a criação do Port of Pará. Os primeiros três armazéns do Port of Pará foram construídos entre 1907 e 1909, na freguesia da Campina, próximo ao Reducto. O Igarapé da Fábrica foi um dos primeiros da cidade a serem saneados, pois era considerado um entrave para a modernização da cidade. Entre 1910 e 1912 o igarapé foi aterrado pela Cia Port of Pará. O aterro da doca do Reduto deslocara para o Ver-o-Peso a dinâmica mercantil do Reducto, abalando assim sua estrutura de “bairro mercado”.

Ao projetar a construção do porto da cidade, os engenheiros ingleses contratados para o serviço planejaram acabar com as docas da cidade, porém não se preocuparam com as consequências sociais geradas por esse empreendimento. Desde a segunda década do século XX os moradores do Reduto passaram a conviver com constantes enchentes, principalmente nas adjacências do antigo igarapé. Com o aterramento do Igarapé da Fábrica, as atividades comerciais que ali duraram décadas entrou em completo declínio. Poucos anos depois a economia da cidade é drasticamente afetada pela queda dos preços da borracha no mercado internacional. A atividade comercial em toda a região amazônica entrou em descenso, portanto também os comerciantes de Belém ficaram arruinados e as falências sucederam no centro da capital paraense.

O Reducto fabril

A queda dos preços da borracha no mercado internacional a atividade comercial em toda a região amazônica entrou em descenso, portanto também os comerciantes de Belém e um grande número de pessoas que faziam do Reduto seu ponto de abastecimento. O aterro da doca do Reduto deslocara para o Ver-o-Peso a dinâmica mercantil do bairro abalando sua estrutura de “bairro mercado”.

Além desse fator, a proximidade com o centro, a infraestrutura do porto (na época única ligação da cidade com o resto do país e com o exterior) e da antiga Estrada de Ferro de Bragança (principal ligação terrestre da capital com o interior), que chegou a manter ali uma Estação Central, ligado ao porto, o antigo Igarapé das Almas, também servia de entreposto para embarque e desembarque de cargas eram importantes vantagens que atraiu para o bairro investimentos do setor fabril e industrial. Nas três primeiras décadas do século XX a população do bairro do Reduto cresceu significantemente em razão do grande número de unidades fabris que ali se instalaram, mas também em função das pequenas dimensões dos terrenos naquela área. Bairro operário (1920-1950)

Com a crise da borracha, a partir de 1920, a economia da cidade sofreu um duro golpe e as falências sucederam no comércio belenense. Apesar disso, houve certa canalização de investimentos para o desenvolvimento da atividade industrial na cidade e, devido às condições locacionais, as fábricas do Reducto não foram afetadas gravemente pela mazela gomífera, deste modo, o Reducto foi se constituindo um bairro operário com características bem particulares que o tornaram um dos mais bem individualizados bairros de Belém. As fábricas que foram se concentrando na área do Reduto eram de várias linhas de produção, marcadas por processos tecnológicos diversificados, mas pontuados por procedimentos operacionais simples. Entre o final da década de 30 e o início dos anos 40 a indústria do Reducto chega a seu auge chegando a concentrar mais de trinta fábricas e indústrias, transformando o bairro no terceiro maior parque industrial do Brasil, perdendo apenas para São Paulo e Rio de Janeiro.

A principal característica da indústria em Belém na metade do século XX era o seu franco desenvolvimento, apesar das dificuldades decorrentes da queda da borracha. As fábricas que surgiam nesse período operavam com baixa tecnologia, entretanto atendiam a demanda do mercado local, sobretudo as indústrias de bens de consumo e indústrias de matéria-prima semimanufaturadas voltadas para a exportação. A condição de distrito industrial trouxe ao Reducto um aumento considerável de moradores, em sua maioria operários das fábricas do bairro que decidiram morar perto de seu local de trabalho. Essa atividade foi de vital importância para a economia do município, pois se sustentava indiferente ao mercado externo. Contudo, no bairro também se registra a existência de estabelecimentos fabris de grande porte que marcaram a historia da indústria no Pará e que até hoje suas construções são imagens vivas de uma época próspera. Decadência

As fábricas que ainda atuavam no Reduto em meados da década de 1950 operavam com baixa tecnologia e atendiam somente o mercado local. Apesar desses fatores desfavoráveis, essas indústrias mantiveram-se firmes em sua produção durante muitos anos devido ao isolamento geográfico de Belém. Em 1960 com a inauguração da Rodovia Belém-Brasília, a entrada e a comercialização de produtos do sul e sudeste do país tornaram-se mais fácil, outrora impedidos de chegarem à Região Norte, em virtude logística, agora poderiam ser adquiridos pela população local. Devido à falta de tecnologia adequada e estrutura administrativa para competir com o mercado externo, gradativamente o Reducto assistiu ao fechamento de suas fábricas.