O Sport Clube Estrela, mais conhecido como Estrela de Portalegre, é um clube desportivo centenário, fundado em 1919 na cidade portuguesa de Portalegre.
História O Sport Clube Estrela foi fundado em 23 de setembro de 1919, através do grupo formado por Manuel Milhinhos, Domingos Mourato, José Fonseca, Miguel Sajara, Joaquim Bagina, José Maravilha, Edmundo Mão de Ferro, Francisco Pereira, Manuel Caldeira, António Garção, David Paula, Manuel Biquinhos e António Bernardo Ceia.
O nome do Estrela deriva do local das reuniões, junto ao centenário Plátano do Rossio (onde uma placa regista esse dia histórico), sob as estrelas.
A sede própria do clube está situada no Largo Frederico Laranjo, onde são também as instalações do Centro de Convívio para Idosos (depois de muitas sedes, durante os seus 102 anos de existência, esta é já há muitos a "casa" do Sport Clube Estrela).
Dos jogadores do clube, destacam-se nos seus primeiros anos Armando Esteves; Luciano Calado, que se transferiu para o Vitória de Setúbal em 1939/40, tendo jogado 5 épocas nos sadinos; António Rosa, que foi transferido para o S. L. Benfica em 1952 (onde ficou até à época de 1953/54, tendo jogado também no Salgueiros em 1957/58); Carlos Canário (jogou nas camadas jovens do Sport Clube Estrela de 1931/1932 a 1935/36, e na IIª Liga, em 1936/37 e 1937/1938, fazendo 71 jogos e marcando 36 golos, e sendo 4 vezes Campeão Distrital. Depois da transferência para o Sporting, jogou neste clube de 1938/39 a 1951/52, tendo feito parte da famosa equipa dos "Cinco Violinos", sendo 7 vezes campeão nacional, ganhando ainda 4 Taças de Portugal e 6 Campeonatos de Lisboa. Foi também o jogador alentejano da época mais vezes internacional, vestindo por 10 vezes a camisola da Seleção (contra a Irlanda, País de Gales, Itália, Inglaterra, Escócia e Espanha). No Sporting, fez 271 jogos para o Campeonato e marcou 40 golos, e no total fez 429 jogos e marcou 95 golos); o seu irmão Cristóvão Canário, que jogou no Estrela de 1938/39 até 1945/46 e é considerado um dos melhores futebolistas alentejanos de sempre, marcando 271 golos ao serviço do Estrela; e ainda dois jogadores que também se transferiram para o Sporting, Manuel Santana, "o Calceteiro" (vencedor do Campeonato de Reservas de Lisboa, em 1934/35) e José Lopes, "o Galveias".
Nas décadas áureas de 70 e 80, destacam-se jogadores de grande qualidade, como os guardiões Grilo (8 épocas, entre 1965/66 e 1973/74); Chapelly (10 épocas, entre 1975/76 e 1987/88) e Figueiredo (1982/83 a 1988/89, depois também treinador do Estrela); Formiga (7 épocas, entre 1970/71 e 1979/80); Curinha (10 épocas, entre 1970/71 a 1983/84); Falcão (1974/75 a 1981/82); Belo Gonçalves (1974/75 a 1986/87); Adérito (8 épocas, entre 1974/75 e 1985/86); Álvaro (1975/76 a 1988/89); Nina (1975/76 a 1978/79); Bétinho (1976/77 a 1989/90); Semedo (1979/80 a 1986/87, depois também treinador das camadas jovens do Estrela); Catinana (1981/82 a 1985/86, depois também treinador do futebol feminino do Estrela); Dorinho (1982/83 a 1985/86); José Monteiro (11 épocas, entre 1984/85 e 2003/04) e Fidalgo (1984/85 a 1986/87), os dois transferidos em finais dos anos 80 para o Vitória de Setúbal, da 1ª Divisão Nacional, entre muitos outros.
Nos anos mais recentes, destacam-se muitos jogadores transferidos para os três grandes do futebol português e outros clubes de nomeada, como o guardião João Garção (camadas jovens do Estrela de 1978/79 a 1986/87, e depois em 1987/88 e 1988/89 nos Seniores da Académica de Coimbra); Rui Cid (camadas jovens do Estrela de 1979/80 a 1986/87. Jogou ainda nos Seniores do Estrela de 1987/88 a 1991/92); Saião (camadas jovens do Estrela de 1982/83 a 1986/87, transferido para os Juniores da Académica em 1987/88. Jogou ainda nos Seniores do Estrela de 1992/93 a 1994/95); Luís Nabais (camadas jovens do Estrela de 1982/83 a 1989/90, tendo sido internacional Júnior. Jogou ainda nos Seniores do Estrela entre 1990/91 e 2005/06 (8 épocas)); José Barros (camadas jovens do Estrela de 1984/85 a 1991/92. Jogou ainda nos Seniores do Estrela de 1992/93 a 1995/96, antigo treinador adjunto do AS Monaco e atual treinador adjunto do Cruzeiro de Belo Horizonte; Tito (camadas jovens do Estrela de 1984/85 a 1987/88. Jogou ainda nos Seniores do Estrela entre 1996/97 e 2008/09 (5 épocas). Antigo Treinador das camadas jovens do Estrela; Renato Sousa (camadas jovens do Estrela de 1985/86 a 1991/92. Jogou ainda nos Seniores do Estrela entre 1992/93 e 2007/08 (4 épocas). Antigo Treinador das camadas jovens do Estrela); Marco Nabais (camadas jovens do Estrela de 1985/86 a 1989/90, transferido para os Juvenis do FC Porto em 1990/91. Jogou ainda nos Juniores do Estrela de 1991/92 a 1992/93 e nos Seniores em 1993/94 e 1998/99); Pedro Canário (camadas jovens do Estrela de 1986/87 a 1994/95. Transferido para o Campomaiorense (da Divisão de Honra), em 1996/97. Jogou ainda nos Seniores do Estrela entre 1995/96 e 2002/03 (5 épocas)); Jorge Cordeiro (camadas jovens do Estrela de 1987/88 a 1991/92, transferido para os Iniciados do Benfica em 1992/93, depois Campeão da Europa de sub-16, em 1995 e Vice-Campeão da Europa de Sub-18, em 1997); Nuno Coelho (camadas jovens do Estrela de 1988/89 a 1995/96, transferido para o Sporting de Espinho (da Divisão de Honra), em 1999/00. Jogou ainda nos Seniores do Estrela entre 1996/97 e 2002/03 (4 épocas)); Filipe Romão (camadas jovens do Estrela de 1988/89 a 1991/92. Transferido para os Juvenis do Benfica em 1992/93. Jogou ainda nos Seniores do Estrela entre 1994/95 e 2007/08 (10 épocas)); Nuno Alemão (camadas jovens do Estrela de 1989/90 a 1995/96. Transferido para os Juvenis do Benfica em 1996/97. Jogou ainda nos Seniores do Estrela entre 1997/98 e 2007/08 (9 épocas)); Francisco Canário (camadas jovens do Estrela em 2010/11 e 2011/12. Transferido para os Benjamins do Sporting em 2012/13. Campeão Nacional de Iniciados em 2017/18).
Em agosto de 1983, o Estrela recebeu do então Presidente da República, Mário Soares, o distinto estatuto de Pessoa Colectiva de Utilidade Pública, e em 1989, por despacho do Ministro da Educação e Cultura, Roberto Carneiro, viu ser atribuída ao clube a Medalha de Bons Serviços Desportivos.
Em maio de 1998, foram inauguradas a Sala de Troféus e de Honra, na Sede Social do clube e foi feita uma homenagem ao Plátano do Rossio, onde o Sport Clube Estrela nasceu, através de uma placa comemorativa.
Em 1999, foi atribuída ao Estrela, pela Secretaria de Estado do Desporto, a Medalha Desportiva, pelo portalegrense Miranda Calha.
Em 2002, o Presidente da Câmara de Portalegre, Mata Cáceres, atribuiu ao Estrela a Medalha de Mérito Municipal.
Em 2019, o Estrela comemorou o seu Centenário com uma série de iniciativas: o regresso da equipa sénior, uma exposição Retrospectiva na Biblioteca Municipal de Portalegre, o cantar dos Parabéns no dia 23 de setembro, junto ao Plátano do Rossio (na presença de muitos jovens atletas), e ainda com a Gala dos 100 Anos, que juntou centenas de pessoas, desde simpatizantes e sócios, até atuais e antigos dirigentes e atletas.
O Estrela possui todos os escalões jovens, desde os Petizes e Traquinas aos Juniores, movimentando cerca de 200 atletas, e ainda um Centro de Convívio para Idosos, que movimenta na sede (desde 1992), mais de 300 utentes.
Nos escalões jovens do S.C. Estrela, destacam-se, nos últimos anos, os seguintes títulos: de Benjamins, em 2011 e 2016; Infantis, em 2013, 2023 e 2026 (sub-12); Juniores, em 2015 (ao fim de 16 anos) e 2023; Iniciados, em 2018 (ao fim de 20 anos) e Juvenis, em 2023 (ao fim de 16 anos); as seguintes vitórias na Taça A.F.P.: de Infantis, em 2013, 2023 (Sub-13) e 2024 (Sub-13); de Juvenis, em 2015, 2019, 2022 e 2023; de Iniciados, em 2017 e de Juniores, em 2022 e 2023; a Supertaça A.F.P. de Iniciados, em 2015 e 2017; de Juniores, em 2015 e 2018 e de Juvenis, em 2019; e ainda os Torneios de Iniciados de Encerramento, em 2003 e de Abertura, em 2015; os Torneios de Juniores de Encerramento, em 2015 e a Taça de Honra, em 2018 e o Torneio de Infantis de Abertura de Sub-13, em 2024.
Histórico em futebol Nº Presenças TítulosFinais Temporadas na 1ª Divisão 0 - - Temporadas na Liga de Honra 0 - - Temporadas na 2ª Divisão 22 - - Temporadas na 2ª Divisão B 3 - - Temporadas na 3ª Divisão 32 - 1 Taça de Portugal 34 - - Campeonato de Portugal 7 - - Campeonato Distrital A.F.P. 57 20 -Taça A.F.P. - 3 5Supertaça A.F.P. - 3 3Taça Honra/Mário Paínho (Abertura) - 1 3
Classificações (2001 a 2024) Escalão00/0101/0202/0303/0404/0505/0606/0707/0808/0909/1021/2223/241a Divisão-- ----- ----2a Divisão-- ----- ----2a Divisão B--2º----- ---III Divisão3º1º-----16º ---1a Divisão Dist.---3º3º5º1º-3º3º7º4º
Participações em campeonatos nacionais e distritais O Estrela foi o clube do distrito com mais sucesso entre 1926 e 1940, altura em que foi 11 vezes Campeão Distrital de Portalegre em 15 edições (1925/26, 1926/27, 1927/28, 1929/30, 1930/31, 1931/32, 1932/33, 1933/34, 1935/36, 1938/39 e 1939/40).
O Campeonato Distrital de Portalegre iniciou-se em 1911 (organizado pela Associação de Futebol de Portalegre, a 2ª mais antiga do país, fundada em 29 de outubro de 1911, 1 ano depois da Associação de Lisboa). Os seus primeiros campeões foram o Sport Lisboa e Portalegre (em 1911/12, 1912/13 e 1913/14), e o Sport Clube Esperança (em 1914/15 e 1915/16).
Em 1922/23, na 1ª vez que o Estrela participou no campeonato distrital (que regressou 6 anos depois, com a "refundação" da Associação de Futebol de Portalegre, em 1922), foi 3º classificado, atrás do Grupo Futebol Bombeiros Voluntários (0-2, em casa e 1-5, fora) e do campeão Portalegre Tiro e Sport (2-2 em casa e 1-3, fora), e à frente do Alentejo FC (2-1, fora, no 1º jogo oficial do Estrela, a 24 de dezembro de 1922 e 1-3, em casa). Em 1923/24, o campeonato distrital voltou a não ser disputado, e em 1924/25, o Estrela foi 2º classificado, atrás do Alentejo FC.
Em 1925/26, a primeira vez em que o Estrela foi campeão distrital, a vitória foi conseguida apenas no último jogo do campeonato, num empate 1-1 em casa, contra o vice-campeão, o Tiro e Sport. Como curiosidade, refira-se que o Tiro e Sport, em janeiro de 1927, decidiu fundir-se com o Sport Clube Estrela.
Depois de mais duas épocas como campeão, em 1926/27 e 1927/28, o Estrela em 1928/29 foi 3º classificado, atrás do Alentejo FC e do Portalegrense.
Os jogos do Estrela eram disputados, assim como os de todas as equipas da cidade, na Quinta Formosa, no Campo da Fontedeira (inicialmente designado como Campo da Bola), inaugurado a 2 de Abril de 1911, num jogo entre as equipas dos Bombeiros Voluntários Robinson e dos Bombeiros Voluntários de Portalegre (que, conjuntamente com o Sport Clube Esperança e o Sport Lisboa e Portalegre, foram os primeiros participantes no campeonato distrital, em 1911/12), e que serviu as equipas portalegrenses até maio de 1969 (a época seguinte, a de 1969/70, já foi disputada no pelado do Estádio Municipal).
O clube verde participou na 1ª competição oficial portuguesa, o Campeonato de Portugal, por duas vezes na década de 20 (o apuramento distrital, de presença facultativa, era feito por inscrição, à parte do campeonato distrital): na época de 1925/26, foi o único inscrito no distrito, tendo sido derrotado, em Santarém (campo neutro), pelo Luso de Beja, na 1ª eliminatória, por 0-2.
Em 1928/29, derrotou o Alentejo FC, na final a duas mãos, e depois na 1ª eliminatória perdeu com o Casa Pia, por 0-5, em casa.
Na década de 30, voltou a participar várias vezes no Campeonato de Portugal: na época de 1929/30, apurou-se de forma controversa, no jogo único que resolveu a ida à competição, contra o Portalegrense, que abandonou o campo aos 15 minutos da 2ª parte, com o resultado em 2-1 para o Estrela. Depois, perdeu em casa com o União de Lisboa, na 1ª eliminatória, por 2-5.
Em 1930/31, foi o único inscrito no distrito, tendo sido depois derrotado pelo S.L. Benfica, na 1ª eliminatória, por 3-8, no Campo das Amoreiras.