thumb|right|220px|Localização da freguesia no concelho de Almada (antiga divisão). Charneca de Caparica é uma vila portuguesa do Município de Almada que foi sede da extinta Freguesia de Charneca de Caparica, freguesia que tinha 23,14 km² de área, correspondendo a cerca de 35% da área do município de Almada. Segundo os Censos 2011, a freguesia possuía uma população residente de 29 763 habitantes, o que representou um aumento de cerca de 46% em relação ao Censos 2001.

A freguesia de Charneca de Caparica foi criada em 4 de Outubro de 1985 (Lei nº 125/85) com território destacado da freguesia da Caparica. Esta freguesia foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada à freguesia de Sobreda para formar a União de Freguesias de Charneca de Caparica e Sobreda.Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias)

Por sua vez, a povoação da Charneca da Caparica foi elevada à categoria de vila em 2 de Julho de 1993 (Lei n. º 35/93).

População Nº de habitantes Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1991 2001 2011 11 316 20 418 29 763 Criada pela Lei n. º 125/85, de 4 de Outubro, com lugares da freguesia da Caparica

Distribuição da população por grupos etários Ano 0-14 anos 15-24 anos 25-64 anos > 65 anos 0-14 anos 15-24 anos 25-64 anos > 65 anos2001 3 250 2 511 11 927 2 730 15,9% 12,3% 58,4% 13,4%2011 5 414 2 832 16 784 4 733 18,2% 9,5% 56,4% 15,9% Média do País no censo de 2001: 0/14 Anos-16,0%; 15/24 Anos-14,3%; 25/64 Anos-53,4%; 65 e mais Anos-16,4%

Média do País no censo de 2011: 0/14 Anos-14,9%; 15/24 Anos-10,9%; 25/64 Anos-55,2%; 65 e mais Anos-19,0%

Localidades Fazem parte da freguesia da Charneca de Caparica as seguintes localidades: Aroeira Marisol Vale Bem Pinheirinho Quintinhas Marco Cabaço Vale Cavala Casal do Poço Lagoa Vale do Rosal Vale Fetal Quinta Nova Quinta do Texugo Palhais Botequim Barriga Regateira Quinta da Morgadinha

Transportes Com a privatização da Rodoviária Nacional, a Charneca de Caparica ficou a ser servida pela Rodoviária Sul do Tejo (eventual Transportes Sul do Tejo), que durante os seus quase 30 anos de operação independente, chegou a operar estas carreiras: : Pinheirinho ⇆ Quinta do Brasileiro : Charneca de Caparica (Quinta do Texugo) ⇆ Cacilhas (Terminal) : Marisol ⇆ Cacilhas (Terminal) : Fonte da Telha ⇆ Cacilhas (Terminal) : Costa da Caparica ⇆ Fonte da Telha : Fonte da Telha ⇆ Cacilhas (Terminal) : Charneca de Caparica (Solmar) ⇆ Lisboa (Marquês de Pombal) : Marisol ⇆ Sete Rios : Marisol (X) ⇆ Sobreda (Escola) : Charneca de Caparica (Centro) ⇆ Vale de Figueira (Escola) : Charneca de Caparica ⇆ Sobreda (Escola) : Charneca de Caparica (Centro) ⇆ Sete Rios : Pinheirinho ⇆ Cacilhas (Terminal) : Quinta da Morgadinha ⇆ Hospital Garcia de Orta

Além da rede normal da empresa, os TST operavam uma linha da SulFertagus na localidade com ligação a Corroios, a : : Charneca de Caparica ⇆ Corroios (Estação)

No dia 1 de Julho de 2022, o serviço da TST e da SulFertagus foram substituídos pela Carris Metropolitana com a entrada desta no município de Almada. De todas as mudanças, as mais significativas foram a extensão da para o Almada Forum (deixando esta de ser apena uma linha escolar) e da para as Quintinhas, e a criação das linhas , de uma linha de madrugada para Lisboa () e de algumas linhas circulares locais (, e ). Entretanto, devido aos problemas sentidos durante o começo da Carris Metropolitana, algumas linhas foram apenas começadas uns meses depois do início da Carris Metropolitana (como as linhas locais e a ).

No dia 12 de Setembro de 2022, muito devido pelas queixas dos passageiros devido aos vários problemas sentidos inicialmente na operação da Carris Metropolitana, as linhas e foram extintas e absorvidas pelas e a nova , esta última restaurando o antigo percurso da .

No dia 1 de Maio de 2025, as linhas locais foram substituídas pelas e , com a também sendo extinta e substituída pela parcelar .

Atualmente, o serviço de transporte público da Carris Metropolitana opera na localidade as seguintes linhas: : Marisol ⇆ Almada Forum : Monte de Caparica ⇆ Quintinhas : Fonte da Telha ⇆ Cacilhas (Terminal) : Charneca de Caparica ⇆ Pragal (Estação) : Charneca de Caparica ⇆ Sobreda (Escola) : Charneca de Caparica ⇆ Trafaria : Fonte da Telha ⇆ Monte da Caparica (NOVA FCT) : Porto Brandão ⇆ Quinta do Texugo : Quinta do Texugo ⇆ Cacilhas (Terminal) : Aroeira ⇆ Charneca de Caparica : Charneca de Caparica ⇆ Casalinho da Rosa : Quintinhas ⇆ Hospital Garcia de Orta : Marisol ⇆ Cacilhas (Terminal) : Pinheirinho ⇆ Cacilhas (Terminal) : Charneca de Caparica ⇆ Corroios (Estação) : Marisol ⇆ Hospital Garcia de Orta : Pinheirinho ⇆ Laranjeiro : Charneca de Caparica ⇆ Marquês de Pombal : Charneca de Caparica (Centro) ⇆ Sete Rios : Charneca de Caparica ⇆ Sete Rios : Marisol ⇆ Sete Rios

Sinopse histórica Além de referências dispersas à ocupação humana em “terras de Charneca”, de um modo geral relacionadas com as situações de pastoreio e caça grossa nos prados e nos matos que constituíam a principal cobertura vegetal do território, e à incursão dos visigodos, romanos e árabes na procura do ouro lá para os lados da Lagoa, onde depois laboraram as minas da Adiça, a referência documental mais segura diz respeito ao Convento de Nossa Senhora da Rosa.REIS, Victor, Histórias da História de Charneca de Caparica, 2011

Este convento que teve inicialmente a designação de Convento da Cela-Velha foi fundado em 1410 por Mendo Gomes de Seabra em terrenos doados por D. João I para que nele fundasse um convento que albergaria eremitas religiosos de São Paulo. Toma posteriormente o nome de Convento de Nossa Senhora da Rosa devido a uma santa imagem que terá chegado intacta às imediações do convento, vinda desde o mar pelo esteiro acima num dia de forte tempestade.COSTA, P. António Carvalho da, Corografia Portugueza e Descripçam Topografica..., Lisboa, Anno 1712, tomo III, também transcrito em Almada na História, nº1, 2001

Cerca de 1559 os padres da Companhia de Jesus do Colégio de Santo Antão, de Lisboa, adquirem a D. Margarida Landim de Maia, viúva de Pedro Barriga que fora guarda-mor da Casa da Moeda, terras de mato num local designado “Pico do Cardo”, no limite da freguesia de Caparica, terrenos que foram ampliados pela doação de Afonso Botelho. Aí constroem uma casa ampla que juntamente com alguns casebres já existentes vão utilizar como lugar de repouso e de convalescença para os padres professores do Colégio de Santo Antão.

Decorre o ano de 1570. Para evitar os perigos da peste que grassa em Lisboa para esta Quinta, mais tarde designada Quinta de Vale do Rosal, vem o Padre Inácio de Azevedo (actualmente beatificado pela Igreja Católica) com um esquadrão de noviços fazerem a sua preparação física e espiritual para seguirem os caminhos da evangelização do Brasil. Após cinco meses de estadia nesta Quinta partem para o Brasil, mas quando chegam às imediações das Ilhas Canárias são atacados por corsários calvinistas e martirizados. Ficaram recordados para a posteridade como os “Quarenta Mártires do Brasil”.OSSWALD, Maria Cristina, Aspectos de devoção e iconografia dos Quarenta Mártires do Brasil entre os sécs. XVI e XIX, in Via Spiritus, 15 (2008)

A partir do ano de 1570 de tantos sucessos, ou até um pouco antes, a partir de finais de 1569, Fernão Mendes Pinto terá vindo passar longos períodos de tempo na Quinta de Vale de Rosal, na Charneca de Caparica, isolando-se das suas muitas actividades que desempenhava em Almada, onde escreve de memória a sua obra máxima “Peregrinação”.Celebrações 500º aniversário do nascimento de Fernão Mendes Pinto - Embaixada de Portugal no Japão

No último quartel de século XVIII muitos nobres e senhores endinheirados deixam Lisboa devido às epidemias e pestes agravadas pelas consequências do Terramoto de 1755, procurando ares lavados e puros para construírem as suas quintas. Muitas dessas quintas são construídas em terras da Charneca. Quinta de Monserrate, Quinta da Regateira e Quinta de Cima entre outras.

Património natural

Mata Nacional dos Medos Na extrema sul do Município de Almada, em Charneca de Caparica, situa-se o verdadeiro pulmão de toda a região - a Mata Nacional dos Medos (Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos), integrada no Pinhal do Rei que faz parte da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica.

Património construído

Quinta de Vale do Rosal A sua origem data de 1559 quando os padres da Companhia de Jesus do Colégio de Santo Antão constroem uma casa ampla e utilizam outros casebres já existentes em terras de Charneca de Caparica. A esta granja e casas é dado o nome de Quinta de Vale do Rosal destinada para convalescença dos seus doentes e para retiro espiritual

Em 1570 e durante cerca de cinco meses instalam-se nesta Quinta o Padre Inácio de Azevedo (actualmente beatificado pela Igreja Católica) com um esquadrão de noviços que aqui vêm fazer a sua preparação física e espiritual para depois seguirem os caminhos da evangelização do Brasil. Na viagem são atacados por corsários calvinistas sendo martirizados e mortos todos os religiosos que nela seguiam, a 15 de Julho de 1570.

A partir do ano de 1570, Fernão Mendes Pinto terá vindo passar longos períodos de tempo na Quinta de Vale de Rosal, na Charneca de Caparica, onde escreve de memória a sua obra máxima “Peregrinação”, obra que termina em 1578.

Cerca do ano de 1659, é levantado, por iniciativa do Padre Procurador-Geral do Brasil, um cruzeiro numa brenha da Quinta de Vale de Rosal, no local onde outrora existira uma cruz tosca de madeira.

Quando a 4 de Outubro de 1910 é declarada a Implantação da República na vila de Almada a propriedade da Quinta de Vale de Rosal é assaltada tendo sido incendiada a capela e furtado ou destruído todos os bens a que puderam deitar mão. A 16 de Outubro de 1916 um comerciante de Lisboa, de nome João Carlos, adquiriu a Quinta de Vale de Rosal em hasta pública e desde aí a Quinta de Vale Rosal manteve-se pertença das diversas gerações da família Ramalho Carlos que têm cuidado meticulosamente da sua preservação patrimonial.

Quinta da Regateira Foi construída em terrenos abrangidos pelo lençol freático de Vale da Rosa. Pertenceu a Domingos Rosa. Posteriormente foi de Domingos dos Santos e mais tarde de Mr. John (Senhor João, o inglês) que vendeu nos finais de século XIX a Luís Álvaro, estabelecido na Cova da Piedade, sendo actualmente propriedade dos seus herdeiros.

Tem adossada à casa principal a Ermida de Bom Jesus, devota ao Senhor do Bonfim e datada de 1746.

Quinta de Monserrate Originalmente conhecida por “Quinta do Banha” a que muitos chamam “Palácio do Sola”, por ter pertencido no século XIX a Francisco António Ferreira, conhecido por “Sola”, por herança dos seus avós. Tinha no seu pátio principal uma capela votiva a Nossa Senhora de Monserrate, muito embora fosse também venerada com especial devoção a imagem de S. Luís, Rei de França. A sua construção original data do terceiro quartel do século XVIII, cerca do ano de 1783.

A Quinta de Monserrate foi, posteriormente, propriedade do General Manuel António de Araújo Veiga, senhor de grande fortuna com que enriqueceu a Quinta em obras de arte.

Encontra-se hoje em dia completamente vandalizada e em precário estado de conservação.

Quinta de Cima Foi mandada construir de raiz no século XVIII por Feliciano Velho Oldenberg, nobre de origem austro-húngara, cavaleiro fidalgo da Casa Real e Escrivão da Mesa da Consciência no reinado de D. José I. Tinha uma ermida integrada no edifício principal votiva de São Miguel.