O Renault FT, chamado no pós-guerra de Renault FT-17 ou FT17, foi um dos primeiros tanques de guerra fabricados no mundo. Leve, rápido e fácil de ser produzido, operado, mantido e reposto, o Renault FT foi o mais bem sucedido tanque utilizado durante a Primeira Guerra Mundial. O FT foi o primeiro tanque de produção a ter seu armamento dentro de uma torre totalmente giratória.

A configuração do Renault FT tornou-se e continua sendo o esboço padrão para tanques: compartimento da tripulação na frente, compartimento do motor atrás e armamento principal em uma torre giratória. Consequentemente, historiadores da guerra blindada apontaram o Renault FT como o primeiro tanque moderno do mundo.

Mais de 3.000 tanques Renault FT foram fabricados pela indústria francesa, a maioria deles em 1918. Após a Primeira Guerra Mundial, os tanques FT foram exportados em grandes quantidades. Cópias e desenhos derivados foram fabricados nos Estados Unidos (tanque leve M1917, "Six Ton"), na Itália (Fiat 3000) e na União Soviética (tanque T-18, "Russkie Reno"). O Renault FT entrou em combate durante os conflitos do Entre-Guerras em todo o mundo, mas já era obsoleto na época da eclosão da Segunda Guerra Mundial.

Seu emprego foi observado pelo tenente brasileiro José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque em 1918, quando ele serviu como comandante de pelotão colonial em um regimento de dragões franceses na Frente Ocidental.

Desenvolvimento miniaturadaimagem|"Carros de Assalto: 1. Tipo Renault 2. Tipo Schneider 3. Schneider e Saint-Chamond em combate." Larousse du XXème siècle, 1932. O FT foi projetado e produzido pela Société des Automobiles Renault (Companhia de Automóveis Renault), um dos maiores fabricantes franceses de veículos motorizados de então e atualmente. Os carros de combate franceses, na época, pertenciam à nova arma da Artilharia Especial (, AS); aberta a todas as armas e especializações.

É possível que Louis Renault tenha começado a trabalhar na ideia já em 21 de dezembro de 1915, após uma visita do Coronel Jean Baptiste Eugène Estienne. Estienne havia traçado planos para um veículo blindado sobre esteiras baseado no trator de lagarta Holt e, com a permissão do General Joffre, abordou a Renault como um possível fabricante. Louis Renault recusou, dizendo que sua empresa estava operando em plena capacidade, produzindo material de guerra e que ele não tinha experiência com veículos sobre lagartas. Estienne então levou seus planos para a empresa Schneider, que produziu o primeiro tanque operacional da França: o Schneider CA.

Em um encontro casual posterior com Louis Renault no Hotel Claridge, em 16 de julho de 1916, Estienne pediu-lhe que reconsiderasse, o que ele fez. Renault ficou intrigado com a ideia de um carro leve e concordou em iniciar estudos sobre tal veículo sob a direção do seu engenheiro Charles-Edmond Serre. Este novo veículo foi chamado char mitrailleuse (veículo com metralhadora).

Um modelo-maquete de madeira foi construído em outubro de 1916 e apresentado a Estienne, e o coronel tentou em vão persuadir o General Léon Mourret da Direção do Serviço Automobilístico (, DSA) a iniciar a produção. Portanto, em 27 de novembro de 1916, Estienne passou por cima de Mourret e avançou a sugestão para o próprio General Joffre, o comandante-em-chefe francês. Joffre apoiou seu pedido de 1.000 desses veículos e, em 30 de novembro de 1916, escreveu ao Subsecretário de Estado para Artilharia e Munições, Albert Thomas, sobre o assunto. Thomas não se convenceu e autorizou apenas a produção de um único protótipo. Thomas foi um dos patrocinadores do projeto Saint-Chamond da DSA, e sua obstrução nos meses seguintes atrasou consideravelmente o programa do FT. Em 30 de dezembro de 1916, a Renault mostrou uma maquete de madeira refinada e em grande escala ao Comitê Consultivo da Artilharia de Assalto.

Membros do comitê dispararam comentários mordazes e contrários ao protótipo: o Gal. Mourret sentiu que o centro de gravidade do tanque estava muito para trás e o tanque muito leve; outro membro sugeriu que a ventilação era inadequada e resultaria na asfixia da tripulação após dez minutos atirando. Um oficial elogiou a elegância do projeto, mas sarcasticamente se referiu a ele como um “charmant joujou” (“brinquedo encantador”) de pouca utilidade para o combate. No entanto, isso não representou o ânimo geral do restante do comitê e, com base em uma votação de sete contra três, o comitê aceitou o projeto e aprovou a produção de um lote inicial de 100 chars mitrailleurs.

O próprio Louis Renault concebeu o desenho geral do novo tanque e definiu suas especificações básicas. Ele impôs um limite realista ao peso projetado do FT, que não poderia ultrapassar 7 toneladas. Louis Renault não estava convencido de que uma relação peso/potência suficiente poderia ser alcançada com os motores de produção disponíveis na época para dar mobilidade suficiente aos tipos de tanques pesados ​​anteriores - Schneider e Saint-Chamond. O projetista industrial mais talentoso da Renault, Rodolphe Ernst-Metzmaier, gerou os planos de execução detalhados do FT. Charles-Edmond Serre, um associado de longa data da Louis Renault, organizou e supervisionou a produção em massa do novo tanque. As lagartas do FT foram mantidas automaticamente sob tensão para evitar descarrilamentos, enquanto uma peça de cauda arredondada facilitou a travessia das trincheiras. Como o motor foi projetado para funcionar normalmente em qualquer inclinação, encostas muito íngremes poderiam ser negociadas pelo Renault FT sem perda de potência. A ventilação interna efetiva era fornecida pelo ventilador do radiador do motor, que puxava o ar pelo compartimento da tripulação dianteiro do tanque e o forçava para fora pelo compartimento do motor traseiro.

A encomenda de 100 carros feita em dezembro de 1916 foi alterada em fevereiro de 1917 para 150 carros. O primeiro protótipo char mitrailleur foi concluído no final de janeiro de 1917 e submetido a testes na fábrica da Renault em Billancourt. Estienne então enviou o protótipo para o centro da Artillerie spéciale em Champlieu para testes adicionais com o objetivo de corrigir quaisquer problemas remanescentes. O coronel estava ciente de que as recentes mudanças políticas francesas poderiam condenar seu projeto e insistia que o char mitrailleur deveria ser aperfeiçoado antes de seus testes oficiais em abril. O que Estienne temia de fato aconteceu quando Joffre foi demitido, em 13 de dezembro de 1916, por conta das pesadas baixas no enfrentamento titânico de Verdun e do Somme, e foi "banido" para a frente secundária de Salônica, onde as Potências Centrais passavam da defensa à ofensiva após a rápida queda de Bucareste em 6 de dezembro. O General Nivelle substituiu o célebre salvador de Paris - agora em desgraça - e Estienne perdeu seu protetor. Nivelle não gostava da ideia dos tanques e, em vez disso, queria os escassos recursos das fábricas sendo direcionados aos tratores de artilharia. Estes e muitos outros atrasos só possibilitaram a retomada da produção do FT após o final da Ofensiva Nivelle, com a assunção do General Pétain no lugar de Nivelle.

Estienne e Renault, cuja empresa já se preparava para produzir o tanque FT, ficaram furiosos com a decisão. A Ofensiva Nivelle fora lançada no Chemin-des-Dames durante os testes, e o seu resultado desastroso levou Estienne a ficar ainda mais convencido da necessidade de massas de tanques leves para superar o impasse da guerra de trincheiras. O Subsecretário Thomas, um socialista proeminente e correspondente do jornal L'Humanité, foi convidado a ir à Rússia para comemorar a derrubada do czar e a ascensão ao poder do governo provisório socialista de Kerensky. Enquanto Thomas estava fora da França, Estienne encenou outra série de testes diante de vários oficiais franceses que lutaram no Chemin-des-Dames durante as primeiras ações de tanques franceses, em 16 de abril de 1917; que reagiram de forma entusiástica ao Renault FT, convencendo até mesmo o cético General Mourret de que o tanque havia atingido um estágio de desenvolvimento suficiente para a produção. Também foi decidido que dos 1.150 tanques encomendados, 650 estariam armados com o novo canhão Puteaux de 37mm e 500 com a metralhadora Hotchkiss de 8mm. Quando o Subsecretário Thomas voltou à França, as repercussões da Ofensiva Nivelle impediram sua interferência no programa do Renault FT.

Emprego Projetado e fabricado ao final daquele conflito para "abrir caminho" em direção às trincheiras inimigas, dando cobertura aos avanços da infantaria, pesava apenas 6,5 toneladas, comportando dois tripulantes (comandante-atirador e motorista). Seu desenho com torre giratória, posição das lagartas e motor tornou-se padrão nos tanques que vieram depois. Seu consumo de combustível era bem menor que aquele dos demais tanques do período e era o único transportável por caminhão, dando-lhe uma imensa vantagem em termos de mobilidade estratégica. A exemplo de outros tanques da Grande Guerra, era fabricado em 2 versões: os modelos "canon", com o canhão Puteaux 37mm, que eram utilizados para destruir alvos duros como ninhos de metralhadoras e casamatas, enquanto os modelos "mitrailleuse", equipados com metralhadoras de 8mm, suprimiam a infantaria inimiga.

No Brasil miniaturadaimagem|Carros de assalto avançando para o combate no setor de Itaguaré, em São Paulo, durante a Revolução Constitucionalista de 1932. miniaturadaimagem|A missão Aché: Mais um oficial condecorado, matéria de capa da Gazeta de Notícias de 5 de novembro de 1918 enunciado a condecoração do então Tenente José Pessoa na França. O Renault FT foi comprado pelo Brasil por conta da insistência do futuro Marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, quando este observou a sua utilização em combate na Frente Ocidental na fase final da guerra, em 1918, quando era membro da Missão Aché. José Pessoa era então um tenente comandando o 4º pelotão de dragões – composto de tirailleurs argelinos (apelidados "turcos") – e observou a ação vitoriosa dos carros franceses operando de forma combinada em batalha. O próprio José Pessoa foi condecorado com a Croix de guerre 1914-1918 francesa com estrela de bronze e a Croix de guerre belga com palma de bronze, foi promovido a capitão por bravura e estagiou na escola de blindados franceses em Versalhes. Ele foi pessoalmente noticiado no jornal Gazeta de Notícias de 5 de novembro de 1918:"A missão Aché

Mais um official condecorado

Ao Sr. ministro da Guerra dirigiu o Sr. general Felippe Aché o seguinte telegramma á condecoração do 1º tenente José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, que desde 1917 faz parte da missão Aché, que se acha em França.