Igrejas batistas são um ramo importante do protestantismo evangélico que se distingue por batizar apenas crentes cristãos professos (batismo de crente) e fazê-lo por imersão completa. As igrejas batistas geralmente subscrevem as doutrinas da competência da alma (a responsabilidade e prestação de contas de cada pessoa diante de Deus), sola fide (salvação apenas pela fé somente), sola scriptura (somente a escritura da Bíblia, como regra de fé e prática) e governo da igreja congregacionalista. Os batistas geralmente reconhecem duas ordenanças: batismo e comunhão.
Diversos desde o início, aqueles que hoje se identificam como batistas podem diferir amplamente uns dos outros naquilo em que acreditam, como adoram, nas suas atitudes para com outros cristãos e na sua compreensão do que é importante no discipulado cristão. Os missionários batistas espalharam várias confissões batistas em todos os continentes. O maior grupo de igrejas batistas é a Aliança Mundial Batista e há muitos agrupamentos diferentes de igrejas batistas e congregações batistas.
Os historiadores traçam a origem da primeira igreja batista em 1609 em Amsterdã, com o separatista inglês John Smyth como seu pastor.Gourley, Bruce. "A Very Brief Introduction to Baptist History, Then and Now." The Baptist Observer. De acordo com a sua leitura do Novo Testamento, ele rejeitou o batismo infantil e instituiu o batismo apenas de adultos crentes. A prática batista se espalhou pela Inglaterra, onde os batistas gerais consideravam que a expiação de Cristo se estendia a todas as pessoas, enquanto os batistas particulares acreditavam que ela se estendia apenas aos eleitos. Thomas Helwys formulou um pedido distintamente batista para que a igreja e o Estado fossem mantidos separados em questões de direito, para que os indivíduos pudessem ter liberdade religiosa. Helwys morreu na prisão como consequência do conflito religioso com os dissidentes ingleses sob Jaime I.
Nome thumb|upright|João Batista pregando no deserto por Anton Raphael Mengs, 1760
O termo "batista" vem da palavra grega baptistés ("batista", a mesma que descrevia João, o batista), estando relacionada ao verbo baptízo, ("batizar, lavar, imergir, mergulhar algo"), e à palavra latina baptista, que significa também "o batizador", como em "João, o batista". Como prenome, é usado na Europa nas variantes Baptiste, Jan-Baptiste, Jean-Baptiste, John Baptist e Johannes Baptiste. Também é usado como um sobrenome, cujas variações geralmente usadas são Baptiste, Baptista, Battiste e Battista. Há registros de que os anabaptistas na Inglaterra foram chamados batistas já em 1569.
Por causa dessa compreensão da necessidade de fé pessoal para o batismo, e em conformidade com os exemplos bíblicos, o indivíduo é literalmente mergulhado na água, como era o costume na Igreja primitiva, daí se chamar batismo por imersão. Dessa forma, pretende-se simbolizar, com o mergulho, a morte do velho homem carnal e pecador, e o surgimento do novo homem, já com uma nova natureza, espiritual, semelhante a Cristo.
História miniaturadaimagem|upright|John Smyth (1570-1612) upright|miniaturadaimagem|Thomas Helwys, (1550-1616), co-fundador da Igreja Batista, advogado e estudioso da Bíblia, morreu na prisão, por defender a liberdade religiosa e de consciência. O livreto que escreveu, Uma Breve Declaração Sobre o Mistério da Iniquidade, é possivelmente a primeira obra da civilização ocidental a defender o princípio da liberdade religiosa e de consciência para adeptos de qualquer crença em matéria religiosa.
As igrejas batistas têm suas origens em um movimento iniciado pelos ingleses John Smyth e Thomas Helwys em Amsterdam. J. Gordon Melton and Martin Baumann, Religions of the World: A Comprehensive Encyclopedia of Beliefs and Practices, ABC-CLIO, USA, 2010, p. 298 William H. Brackney, Historical Dictionary of the Baptists, Scarecrow Press, USA, 2009, p. 530 Olivier Favre, Les églises évangéliques de Suisse: origines et identités, Labor et Fides, Genève, 2006, p. 328 Devido às suas crenças compartilhadas com os Puritanos e Congregacionalistas, eles foram para o exílio em 1607 para a Holanda com outros crentes que ocupavam as mesmas posições bíblicas. W. Glenn Jonas Jr., The Baptist River, Mercer University Press, USA, 2008, p. 6 Eles acreditam que a Bíblia deve ser o único guia e que o batismo do crente é o que as escrituras exigem.Robert Andrew Baker, John M. Landers, A Summary of Christian History, B&H Publishing Group, USA, 2005, p. 258 Em 1609, um ano considerado a base do movimento, eles batizaram os crentes e fundaram a primeira igreja batista. Robert E. Johnson, A Global Introduction to Baptist Churches, Cambridge University Press, UK, 2010, p. 33 Michael Edward Williams, Walter B. Shurden, Turning Points in Baptist History, Mercer University Press, USA, 2008, p. 36
Thomas Helwys organizou a Igreja Batista em Spitalfields, nos arredores de Londres, em 1612.Joe Early Jr., ed., The Life and Writings of Thomas Helwys. Macon, GA: Mercer University. Press, 2009.
Ainda em 1612, Thomas Helwys foi preso por publicar o folheto Uma Declaração Breve do Mistério da Iniquidade, no qual advertia à monarquia inglesa para que se submetesse a Deus, constando também uma crítica ao papado e aos puritanos. Ele permaneceria na prisão até falecer, em 1616. No teor da obra, escreveu:
O folheto de Helwys constitui a primeira publicação em inglês a defender a liberdade religiosa aplicável universalmente, e possivelmente a primeira obra da civilização ocidental a defender o princípio da liberdade religiosa e de consciência para todos os seres humanos.
Naqueles tempos, havia perseguição aos batistas e a outros dissidentes ingleses, por não concordarem com certas práticas e doutrinas da igreja oficial, a anglicana. Entre esses "dissidentes" estava John Bunyan, um batista, que escreveu sua obra-prima O Peregrino enquanto estava preso injustamente. Devido a essa perseguição, muitas pessoas emigraram para a América, para as colônias da Nova Inglaterra (que viriam a formar os Estados Unidos).
A primeira confissão dos particulares, a Confissão de Londres de 1644, também foi a primeira a defender o imersionismo no batismo. Michael Edward Williams, Walter B. Shurden, Turning Points in Baptist History, Mercer University Press, USA, 2008, p. 17
Em solo americano, a primeira igreja batista nasceu através de Roger Williams, que organizou a Primeira Igreja Batista de Providence em 1638, na colônia que ele fundou com o nome de Rhode Island, e John Clark, que organizou a Igreja Batista de Newport, também em Rhode Island, em 1648. Os batistas se espalharam pelas diversas colônias da América do Norte e foram influentes na formação da Constituição Americana, de 1788. Atualmente, a Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos conta com quase 16 milhões de membros, sendo a maior comunidade evangélica daquele país e a maior convenção batista do mundo. As igrejas batistas continuariam a se expandir, embora praticamente restritas à Inglaterra e aos Estados Unidos, até o final do século XVIII, quando missionários batistas começariam a ser enviados a todas as partes do mundo.
Expansão mundial As organizações missionárias promoveram o desenvolvimento do movimento em outros continentes. Na Inglaterra, houve a fundação da Sociedade Missionária Batista em 1792 em Kettering, Inglaterra. Robert E. Johnson, A Global Introduction to Baptist Churches, Cambridge University Press, UK, 2010, p. 99 J. Gordon Melton and Martin Baumann, Religions of the World: A Comprehensive Encyclopedia of Beliefs and Practices, ABC-CLIO, USA, 2010, p. 292 Nos Estados Unidos, houve a fundação de Ministérios Internacionais em 1814 e Junta de Missão Internacional em 1845. George Thomas Kurian, Mark A. Lamport, Encyclopedia of Christianity in the United States, Volume 5, Rowman & Littlefield, USA, 2016, p. 63 George Thomas Kurian, Mark A. Lamport, Encyclopedia of Christianity in the United States, Volume 5, Rowman & Littlefield, USA, 2016, p. 1206 Desde então missionários batistas foram enviados à América Latina, África, Ásia e Europa, de maneira que hoje em dia se podem encontrar igrejas batistas espalhadas por todo o mundo. A Aliança Batista Mundial foi fundada em 1905 em Londres por 24 associações batistas de vários países, durante o Primeiro Congresso Mundial Batista. Robert E. Johnson, A Global Introduction to Baptist Churches, Cambridge University Press, UK, 2010, p. 238 Em 2003, a Convenção Batista Internacional, uma associação internacional de igrejas de língua inglesa, tornou-se membro. William H. Brackney, Historical Dictionary of the Baptists, Rowman & Littlefield, USA, 2021, p. 314
Brasil
miniaturadaimagem|Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.
Os missionários batistas figuram entre os primeiros grupos de missionários protestantes no país, tendo sido precedidos por alguns missionários de outras associações, especialmente congregacionais e presbiterianos, sendo também contemporâneos dos primeiros missionários metodistas no Brasil. Os primórdios da história dos batistas no Brasil remontam à segunda metade do século XIX, quando missionários estrangeiros, na maioria estadunidenses, aportaram no país para dar início aos trabalhos de evangelização protestante, em uma nação que até então era oficialmente e socialmente católica. Os missionários difundiram a leitura bíblica entre a população, divulgaram os ensinamentos protestantes e fundaram as primeiras igrejas com brasileiros que haviam aderido à doutrina. Acredita-se que o primeiro missionário batista no Brasil tenha sido o estadunidense Thomas Jefferson Bowen. Anteriormente ele fora missionário estadunidense na Nigéria, tendo trabalhado entre os nativos da tribo iorubá.
Com o passar das décadas, as igrejas batistas cresceram e se multiplicaram, sendo que o evangelismo era realizado ativamente pelos membros das igrejas, assim como pelos pastores e missionários, tanto brasileiros quanto estrangeiros. Centenas de missionários foram enviados por igrejas e juntas norte-americanas até as regiões mais remotas do Brasil, e posteriormente viriam professores e educadores para aprofundar e consolidar o ensino teológico nos seminários, muitos dos quais foram construídos graças à contribuição e financiamento dos batistas americanos. Na década de 1950, surgiu no Brasil os primeiros batistas que confessavam a observância e repouso do sétimo dia da semana (o sábado). Após a rejeição das profecias da Ellen G. White de alguns membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Paraná, fundaram uma igreja com o nome "Evangélicos Adventistas do Sétimo Dia" em 1913. Por alinharem-se às doutrinas batistas, adotaram em 1950 o nome de Igreja Batista do Sétimo Dia no Brasil. Em 1965, as igrejas batistas do sétimo dia associaram-se à Federação Mundial Batista do Sétimo Dia. Atualmente a Igreja Batista do Sétimo Dia organiza-se em torno da Conferência Batista do Sétimo Dia Brasileira.
Portugal miniaturadaimagem|Tabernáculo Baptista do Porto em Portugal. Em Portugal os baptistas estão presentes desde o século XIX, quando missionários e expatriados britânicos fundaram a igreja no país. William H. Brackney, Historical Dictionary of the Baptists, Scarecrow Press, USA, 2009, p. 449 Em 1888, o missionário inglês Joseph Charles Jones (1848-1928) organiza uma comunidade baptista de comunhão aberta no Porto. Em 1920, já havia congregações baptistas o bastante para fundar a Convenção Baptista Portuguesa. Estão agrupados em diversos grupos, dentre os quais: a Convenção Baptista Portuguesa (90 igrejas, pouco mais de 4 mil membros, filiada à Aliança Batista Mundial).
Crenças thumb|Batismo do crente por imersão na Northolt Park Baptist Church, na Grande Londres, União Batista da Grã-Bretanha, 2015.