Ephedra (vernacular, éfedra) é um género de gimnospérmicas que agrupa cerca de 60 espécies de arbustos e pequenas árvores, sendo o único género extante na família Ephedraceae e na ordem Ephedrales e um dos três membros vivos da divisão Gnetophyta, juntamente com Gnetum e Welwitschia. As várias espécies de Ephedra estão disseminadas em muitas regiões áridas do mundo, abrangendo o sudoeste da América do Norte, o sul da Europa, o norte de África, o sudoeste e o centro da Ásia, o norte da China e o oeste da América do Sul.Kew World Checklist of Selected Plant Families Em climas temperados, a maioria das espécies de Ephedra cresce em terrenos do litoral ou em solos arenosos com exposição direta ao sol. O nome chinês para as espécies de Ephedra é mahuang (), nome pelo qual tisanas destas plantas são comercializadas em ervanária na Europa. Várias espécies de Ephedra são a origem do estimulante conhecido por efedrina, que as plantas contêm em concentração significativa.

Descrição O uso medicinal destas plantas está documentado desde há cinco mil anos na China, onde esta erva é conhecida pelo nome ma huang. Os colonizadores adeptos a religião mórmon nos Estados Unidos conheceram seu uso ao estabelecerem contato com povos indígenas dos ute (ver Utah). São conhecidas variadas aplicações medicinais, principalmente devido ao facto de concentrar grandes quantidades de efedrina. As suas propriedades são usadas na preparação de produtos dietéticos de redução de apetite, e podem causar efeitos secundários graves. Presentemente, o uso de extractos de Ephedra está proibido nos Estados Unidos. Morfologia A família Ephedraceae, da qual a Ephedra é o único género extante, é m grupo de gimnospérmicas constituído por espécies que são geralmente arbustos, por vezes trepadeiras e, raramente, pequenas árvores. Os membros do género propagam-se frequentemente através de rizomas.

Os caules são verdes e fotossintéticos. As folhas são opostas ou espiraladas. As folhas, semelhantes a escamas, fundem-se numa bainha na base e esta muitas vezes cai logo após o desenvolvimento. As espécies deste género não apresentam canais de resina.

As plantas são maioritariamente dioicas, com os cones masculinos, os estróbilos produtores de pólen, em espirais de 1-10, cada um consistindo numa série de brácteas decussadas. O pólen é sulcado. Os estróbilos femininos também ocorrem em espirais, com brácteas que se fundem à volta de um único óvulo. As brácteas carnudas são brancas (como em Ephedra frustillata) ou vermelhas. Há geralmente 1-2 sementes amarelas a castanho-escuras por estróbilo. Distribuição e ecologia O membros do género Ephedra ocorrem em climas áridos, numa vasta área que inclui a Europa, Norte de África, Ásia central e sudoeste, América do Norte e do Sul, sendo que o género tem quase distribuição cosmopolita em regiões desérticas, mas não ocorre na Austrália.

As Ephedraceae estão adaptadas a regiões extremamente áridas, crescendo frequentemente em habitats com muito sol, e ocorrem até 4000 m acima do nível do mar, tanto nos Andes como nos Himalaias. Constituem uma parte significativa do ecossistema de arbustos de sálvia do Great Basin da América do Norte. Evolução e taxonomia

História evolutiva Os membros mais antigos conhecidos do género são do Cretáceo Inferior, datadod de há cerca de 125 milhões de anos, com registos conhecidos do Aptiano-Albiano da Argentina, China, Portugal e Estados Unidos da América.

O registo fóssil de Ephedra, com exceção de pólen, desaparece após o Cretáceo Inferior. As estimativas feitas pelo método do relógio molecular sugerem que o último ancestral comum das espécies vivas de Ephedra viveu muito mais recentemente, durante o Rupeliano (Oligoceno inicial) há cerca de 30 milhões de anos.

No entanto, o pólen modificado a partir da condição ancestral do género com pseudosulcos ramificados (sulcos), que evoluiu em paralelo nas linhagens vivas da América do Norte e da Ásia, é conhecido desde o Cretáceo Superior, sugerindo que o último antepassado comum é pelo menos tão antigo. Taxonomia O género Ephedra foi descrito pela primeira vez em 1753 por Carl Linnaeus, e a espécie-tipo é Ephedra distachya. A família, Ephedraceae, foi descrita pela primeira vez em 1829 por Barthélemy Dumortier.The Gymnosperm database: Ephedra. Retrieved 5 julho 2019.

Em 2021 a base de dados Plants of the World Online listava como validamente publicadas as seguintes espécies: Ephedra alata Decne. – Norte da África, Península Arábica Ephedra altissima Desf. non- Bové (1834), non- Delile (1813), non- Buch (1828) – Norte da África, Canárias Ephedra americana Humb. & Bonpl. ex Willd. – Bolívia, Equador, Peru, Argentina, Chile Ephedra antisyphilitica Berland ex C.A.Mey. – Texas, Oklahoma, New Mexico, Nuevo León, Coahuila, Chihuahua Ephedra aphylla Forssk. – leste da região mediterrânica, da Líbia e Chipre até às margens do Golfo Pérsico Ephedra × arenicola H.C.Cutler – Arizona, Utah (híbrido, E. cutleri × E. torreyana) Ephedra aspera Engelm. ex S.Watson – Texas, New Mexico, Arizona, Utah, Nevada, Califórnia, Chihuahua, Durango, Zacatecas, Sinaloa, Sonora, Baja California Ephedra aurantiaca Takht. & Pachom. – Cáucaso, Cazaquistão, Turquemenistão Ephedra aurea Brullo et al. Ephedra boelckei F.A.Roig – Argentina Ephedra botschantzevii Pachom. – Cazaquistão, região de Tuva na Sibéria Ephedra breana Phil. (frutilla de campo) – Peru, Bolívia, Chile, Argentina Ephedra brevifoliata Ghahr. – Irão Ephedra californica S.Watson – Califórnia, oeste do Arizona, Baja California Ephedra chengiae Yang & Ferguson Ephedra ciliata Fisch. ex C.A.Mey. Ephedra chilensis C.Presl – pingo-pingo - Chile, Argentina Ephedra compacta Rose – disseminada na maior parte do México Ephedra coryi E.L.Reed (Cory's Ephedra) – Texas, New Mexico Ephedra cutleri Peebles – Colorado, Utah, Arizona, New Mexico, Wyoming Ephedra dahurica Turcz. – Sibéria, Mongólia Ephedra dawuensis Y.Yang – Sichuan Ephedra distachya L. – sul da Europa e centro da Ásia, desde Portugal ao Cazaquistão Ephedra distachya subsp. distachya (sin.: Ephedra vulgaris) Ephedra distachya subsp. helvetica (C.A.Meyer) Aschers. & Graebn. Ephedra distachya subsp. monostachya (L.) Riedl Ephedra × eleutherolepis V.A.Nikitin – Tajiquistão (híbrido de E. intermedia × E. strobilacea) Ephedra equisetina Bunge – ma huang – Cáucaso, Ásia Central, Sibéria, Mongólia, Gansu, Hebei, Mongólia Interior, Ningxia, Qinghai, Shanxi, Xinjiang Ephedra fasciculata A.Nelson – Arizona, Califórnia, Nevada, Utah Ephedra fedtschenkoae Paulsen – Ásia Central, Sibéria, Mongólia, Xinjiang Ephedra foeminea Forssk. (sin.: Ephedra macedonica Kos.) – norte da África, Somália, Península Balcânica, Itália, Médio oriente; naturalizana no Santa Barbara County da Califórnia Ephedra foliata Boiss. ex C.A.Mey. – norte da África, Somália,Médio oriente, Índia Ephedra fragilis Desf. – Mediterrâneo ocidental, Canárias, Madeira Ephedra fragilis subsp. campylopoda (C.A.Meyer) Aschers. & Graebn. Ephedra frustillata Miers – Chile, Argentina Ephedra funerea Coville & C.V.Morton – Califórnia, Arizona, Nevada Ephedra gerardiana Wall. ex Klotzsch & Garcke – Himalayas, Tibete, Yunnan, Sibéria, Ásia Central Ephedra gracilis Phil. ex Stapf Ephedra holoptera Riedl – Irão Ephedra intermedia Schrenk & C.A.Mey. – China, Sibéria, Ásia Central, Himalayas, Irão, Paquistão Ephedra kardangensis P.Sharma & P.L.Uniyal – oeste dos Himalayas Ephedra khurikensis P.Sharma & P.L.Uniyal – oeste dos Himalayas Ephedra laristanica Assadi – Irão Ephedra likiangensis Florin – Guizhou, Sichuan, Tibete, Yunnan Ephedra lomatolepis Schrenk – Cazaquistão, Tuva (Sibéria) Ephedra major Host – Mediterrâneo, Oriente Médio, Ásia Central; das ilhas Canárias a Kashmir Ephedra milleri Freitag & Maier-St. – Oman, Yemen Ephedra minuta Florin – Qinghai, Sichuan Ephedra monosperma J.G.Gmel. ex C.A.Mey. (dan zi ma huang) – Sibéria, Mongólia, a maior parte da China, Tibete e Xinjiang Ephedra multiflora Phil. ex Stapf – Chile, Argentina Ephedra nevadensis S.Watson – Baja California, Califórnia, Arizona, Nevada, Utah, Oregon Ephedra ochreata Miers – Argentina Ephedra oxyphylla Riedl – Afeganistão Ephedra pachyclada Boiss. – Médio Oriente, do Sinai e Yemen ao Paquistão Ephedra pangiensis Rita Singh & P.Sharma Ephedra pedunculata Engelm. ex S.Watson – Texas, Chihuahua, Coahuila, Durango, San Luis Potosí, Nuevo León, Zacatecas Ephedra pentandra Pachom. – Irão Ephedra procera Fisch. & C.A.Mey. − Irão, Cáucaso Ephedra przewalskii Stapf – Ásia Central, Mongólia, Paquistão, Gansu, Mongólia Interior, Ningxia, Qinghai, Tibete Ephedra przewalskii var. kaschgarica (B.Fedtsch. & Bobr.) C.Y.Cheng Ephedra pseudodistachya Pachom. – Sibéria, Mongólia Ephedra regeliana Florin – Ásia Central, Sibéria, Paquistão, Xinjiang Ephedra rhytidosperma Pachom., sin.: Ephedra lepidosperma C.Y.Cheng – Gansu, Mongólia Interior, Ningxia, Mongólia Ephedra rituensis Y.Yang, D.Z.Fu & G.H.Zhu – Qinghai, Xinjiang, Tibete Ephedra rupestris Benth. – Equador, Peru, Bolívia, Argentina Ephedra sarcocarpa Aitch. & Hemsl. – Paquistão, Afeganistão Ephedra saxatilis (Stapf) Royle ex Florin Ephedra sinica Stapf – Mongólia, Sibéria, Primorye, Manchúria Ephedra somalensis Freitag & Maier-St. – Somália, Eritreia Ephedra stipitata Biswas & Rita Singh Ephedra strobilacea Bunge – Irão, Ásia Central Ephedra strongylensis Brullo et al. Ephedra sumlingensis P.Sharma & P.L.Uniyal – oeste dos Himalayas Ephedra tilhoana Maire – Chade Ephedra torreyana S.Watson – Nevada, Utah, Colorado, Arizona, New Mexico, Texas, Chihuahua Ephedra transitoria Riedl – Iraque, Síria, Palestina, Arábia Saudita Ephedra triandra Tul. − Bolívia, Argentina Ephedra trifurca Torrey ex S.Watson – Califórnia, Arizona, New Mexico, Texas, Chihuahua, Sonora, Baja California Ephedra trifurcata Zöllner Ephedra tweedieana C.A.Mey. – Brasil, Argentina, Uruguai Ephedra viridis Coville – Califórnia, Nevada, Utah, Arizona, New Mexico, Colorado, Wyoming, South Dakota, Oregon Ephedra vvedenskyi Pachom. – Irão, Cáucaso, Turquemenistão Ephedra yangthangensis Prabha Sharma & Rita Singh – Yangthang até Ka, Leo, Nako, Chango, Chulling, Sumdo, Hoorling e Lira, no distrito de Kinnaur de Himachal Pradesh Etnobotânica

Usos medicinais Os alcalóides da Ephedra, a efedrina e a pseudoefedrina constituintes da E. sinica e de outros membros do género têm qualidades sipatomiméticas e decongestionantes, e têm sido utilizados como suplemento dietético, principalmente para perda de peso. O medicamento efedrina é utilizado para prevenir a hipotensão arterial durante a raquianestesia.

Nos Estados Unidos, os suplementos de efedra foram banidos do mercado no início do século XXI devido a sérios riscos de segurança. As plantas do género Ephedra, incluindo a E. sinica e outras, eram usadas na medicina tradicional para tratar dores de cabeça e infecções respiratórias, mas não há provas científicas de que sejam eficazes ou seguras para estes fins.

A efedra também desempenhou um papel como precursor no fabrico clandestino de metanfetaminas. Teor de alcaloides As primeiras utilizações das espécies de Ephedra (mahuang) para doenças específicas remontam a 5000 a.C. A efedrina e os seus isómeros foram isolados em 1881 a partir de Ephedra distachya e caracterizados pelo químico orgânico japonês Nagai Nagayoshi. O seu trabalho para aceder aos ingredientes activos da Ephedra para isolar uma substância farmacêutica pura levou à produção sistemática de derivados semi-sintéticos que continua a ser relevantes na atualidade.

Três espécies, Ephedra sinica, Ephedra vulgaris e, em menor escala, Ephedra equisetina, são cultivadas comercialmente na China como fonte de efedrinas e isómeros naturais para utilização em produtos farmacêuticos.