El Chapulín Colorado (bra: Chapolin) é um seriado de televisão de comédia mexicano criado, escrito, dirigido e protagonizado por Roberto Gómez Bolaños. Produzido pela Televisa e exibido por suas emissoras de 28 de fevereiro de 1973 a 26 de setembro de 1979, com sete temporadas e 290 episódios, o seriado apresenta Chapulín Colorado, uma sátira de super-herói que aparece quando é chamado por quem precisa de ajuda mas que, por ser atrapalhado, acaba provocando confusões.

Bolaños interpretou Chapulín pela primeira vez em 1970 no programa de esquetes Chespirito, seu nome artístico, que ele escrevia para a Televisión Independiente de México (TIM). Gradualmente, com o sucesso, o personagem obteve mais espaço na atração, até que, em 1973, após a fusão da TIM com o Telesistema Mexicano, criando a Televisa, ganhou um seriado próprio com 20 minutos de duração, assim como El Chavo del Ocho (no Brasil, Chaves), outro personagem de Chespirito oriundo do antigo programa. O elenco principal contava com Ramón Valdés, María Antonieta de las Nieves (que já atuavam desde o começo do programa Chespirito), Carlos Villagrán, Florinda Meza, Rubén Aguirre, Edgar Vivar, Horacio Gómez Bolaños, Angelines Fernández e Raúl "Chato" Padilla. Os atores interpretavam diferentes personagens a cada episódio, sendo que alguns antagonistas de Chapolin também apareciam recorrentemente.

El Chapulín Colorado é um dos maiores êxitos da Televisa ao lado de El Chavo, exibido em praticamente todo o mesmo período, continuando a ter esquetes produzidos em uma nova versão do programa Chespirito nas décadas de 1980 e 1990. O sucesso tornou o seriado o primeiro exportado pela televisão mexicana, principalmente para quase todos os países da América Latina, impactando a cultura popular do continente por seu humor pastelão e pela figura de um super-herói local, ainda que sem grandes poderes, em contraponto aos dos Estados Unidos. Comercialmente, o personagem também foi representado em histórias em quadrinhos, turnês e jogos eletrônicos, além de ter ganho duas séries animadas em 2015 e em 2026.

Produção

Chapolin Colorado surgiu para satirizar os heróis estadunidenses com seus "superpoderes" e fazer uma crítica social em relação à América Latina. É um herói "sem dinheiro, sem recursos, sem inventos sensacionais, débil e tonto". O personagem surgiu em um momento de grande visibilidade para a América Latina. A estreia da série, foi em 1970, ano da Copa do Mundo de Futebol, realizada no México. E, logo após a Olimpíada, sediada também na capital mexicana em 1968, a região foi palco de movimentos estudantis em protesto à Guerra Fria, disputa ideológica, militar e espacial, entre Estados Unidos e União Soviética. A influência estrangeira nos países latinos foi tema recorrente em "El Chapulín Colorado".

Chapolin se enche de patriotismo ao declarar que seus defendidos não precisam de "heróis importados". O "polegar vermelho" surgiu quando o povo da América Latina se deu conta a urgência de se ter um herói local. Na série, a hegemonia dos países industrializados no mundo subdesenvolvido é simbolizada por meio de "Super Sam". O personagem é o paradigma do poderio norte-americano e usa um uniforme semelhante ao do Superman – com direito ao famoso símbolo no peito do traje azul – e cartola com as cores da bandeira norte-americana. Como nunca fora chamado para ajudar alguém, suas aparições eram fruto da intromissão nas ações do Chapolin. As referências históricas nos episódios de "El Chapulín Colorado", como a alusão à Guerra Fria ("De los metiches líbranos señor") e à relação entre norte-americanos e latino-americanos ("Todos caben en un cuartito, sabiéndolos acomodar"), permeiam o trabalho de Roberto Gómez Bolaños em "El Chapulín Colorado", buscando satirizar uma época conturbada no mundo dos anos 60 e 70 e a fraqueza latino-americana, em contraposição ao individualismo estadunidense.

Antecedentes Em 1968, Roberto Bolaños escrevia roteiros para o programa Cómicos y canciones, estrelado pela dupla de comediantes "Viruta e Capulina". O programa chegou ao fim naquele ano mas, com o sucesso que o programa obteve, Roberto passou a escrever roteiros de humor para diversos comediantes. Foi quando o produtor Sergio Peña o contratou para trabalhar na Televisión Independiente de México e ofereceu-lhe um programa com duração de meia hora. Roberto então escreveu e atuou na série El ciudadano Gómez, que foi muito elogiada, apesar de só ter durado treze episódios. Depois desse programa, Sergio Peña ofereceu a Bolaños o trabalho de escreveu roteiros para quadros do programa Sábados de la fortuna. Seriam duas ou três intervenções de oito a dez minutos cada, todos os sábados. Bolaños criou, então, o quadro Los supergenios de la mesa cuadrada. Em 1970, a emissora Televisión Independiente de México resolve aumentar para uma hora o tempo de exibição dos projetos de Bolaños, que teria, agora, um programa só seu. Os quadros foram unificados e criou-se o Programa Chespirito, que era exibido às quintas-feiras em horário nobre, e incluía diferentes esquetes de humor.Kaschner, 2006, p.24.

Foi então que nasceu o Chapolin Colorado em 1970. Em 26 de novembro de 1970, foi ao ar o primeiro episódio de Chapolin, ainda como uma esquete, dentro do programa Chespirito. O primeiro episódio foi "O Casamento Forçado". O herói foi bem aceito e ofuscou o maior sucesso de Bolaños até então, Los Supergenios de la Mesa Cuadrada, e ganhou espaço próprio em 1973. Os estilos de humor dos dois programas eram bem diferentes: "Los supergenios" fazia piada em cima de notícias do dia-a-dia, lidando com o factual e muitas vezes se referindo a questões políticas; tinha, portanto, um humor datado, além de ser um programa eminentemente adulto. Chapolin, ao contrário, não tinha piadas datadas, o que permitiu que o programa durasse muito tempo; mostrava um herói atrapalhado tentando ajudar quem o chamasse. Possuía um humor abrangente e, assim, mais comercial. Pela sua fama, o herói acabaria sendo vendido a uma empresa de hipermídia (a DC Comics do México) em 1975, e foi ficando cada vez mais famoso no tanto na América do Norte quanto em toda a América Latina.

Concepção thumb|esquerda|200px|Alguns gafanhotos-do-milho fritos (chapulines). Na ocasião da primeira confecção do uniforme, só havia quatro cores de tecido na emissora: azul, preto, branco e vermelho. Preto não era interessante porque, para Chespirito, dava a impressão de luto. Branco também era ruim para a televisão, por ser uma cor muito clara, que refletia no vídeo analógico da época. Azul inviabilizava o uso do chroma key, recurso que Chespirito planejava usar. Optou-se, então, pelo vermelho, não porque contivesse algum significado especial, mas por simples eliminação. E assim surgiu o "colorado" ("avermelhado") do nome do personagem. Bolaños até chegou a cogitar o nome "El Chapulín Justiciero", mas logo percebeu a carga moral que esse nome trazia. Como a intenção não era política e sim cômica, "Colorado" foi o escolhido.Kaschner, 2006, p.28.

Baseado na cor escolhida Bolaños teve a ideia de fazer do super-herói um gafanhoto. Isso porque, no México, há uma espécie de gafanhoto vermelho conhecido como chapulín, que é usado na alimentação. A palavra chapulín vem do náuatle, língua dos astecas, e significa "grilo, gafanhoto". Em se tratando de super-heróis, é comum que tenham estampada em seus uniformes a primeira letra de seus nomes, mas Chapolin tem duas: (CH). Entretanto, no alfabeto espanhol, o dígrafo CH foi considerado (até 1994) como uma única letra ("che", pronunciada //), mesmo que seja escrita com dois caracteres. Os nomes de todos os personagens de Roberto Gómez Bolaños começam com "CH".

Elenco e personagens Chespirito tinha feito o personagem para que outros atores o interpretassem como um filme, e que rapidamente foi rejeitado devido as características do personagem. O próprio Chespirito abandonou esta ideia e o fez como um quadro em seu programa, dando vida ao personagem. O seriado tinha apenas o protagonista como personagem fixo, mas possuía alguns personagens que frequentemente apareciam em episódios, como os vilões Quase Nada, Tripa Seca, Nenê, entre outros. Em alguns episódios, a crítica aos heróis norte-americanos se torna ainda mais visível, com as aparições de Super Sam, interpretado por Ramón Valdés, um super-herói tipicamente norte-americano. O personagem tem em seu uniforme as cores da bandeira dos Estados Unidos, utiliza expressões em inglês, e carrega um saquinho de dinheiro, numa crítica direta ao capitalismo selvagem dos Estados Unidos. Chapolin é um personagem atemporal. Aparece nos lugares mais exóticos das mais variadas épocas: no Velho Oeste, na Idade Média, no Renascimento ou até no espaço sideral. Para que Chapolin apareça de qualquer lugar, sem o menor aviso, basta que alguém pronuncie as palavras "Oh! E agora quem poderá me defender?" e ele surge, frequentemente tropeçando em alguma coisa e sempre respondendo ao apelo: "Eu!". A começar pela entrada nada triunfal, o herói não impõe muito respeito e quase sempre é ridicularizado por seus inimigos.Kaschner, 2006, p.27.

Com exceção de Chespirito, o elenco geralmente interpretava personagens diferentes a cada episódio. Normalmente, os personagens a serem salvos tinham o mesmo nome do ator/atriz que o interpretava, e muitas vezes eles interpretavam papéis similares, como Florinda Meza sendo uma donzela e Carlos Villagrán como seu marido; ou Maria Antonieta de las Nieves fazendo uma mocinha e Ramón Valdés o seu pai.

Ao longo dos anos, o elenco atuante no seriado pouco mudou. Todo elenco fixo de El Chavo del Ocho participou da série, sendo que María Antonieta era regular até meados de 1973 quando saiu do programa para trabalhar em outra emissora. Ela retornou em 1975, mas a partir daí passou a ser recorrente, tendo Florinda a substituído nos papéis de mocinha. Outros atores como Angelines Fernández, Horácio Gomez Bolaños e Raul Padilla (que entrou no elenco a partir de 1979) foram recorrentes durante toda série, participando geralmente de episódios que exigiam um elenco superior a cinco ou seis atores.

Abaixo estão listados o nome de cada ator e o personagem ao qual interpretava. Após o ponto-e-vírgula, estão os personagens de aparição recorrente.

Roberto Gómez Bolaños: Chapolin; Chaves; Doutor Chapatín; Chompiras. Ramón Valdés: vários personagens; Tripa Seca, Peterete, Pirata Alma Negra, Super Sam; Seu Madruga; Racha Cuca; Seu Mundinho; O Abominável Homem das Neves; Rei da Tribo dos Discotecas; Mão Negra; Kassamba Urinawa; Cientista louco. Florinda Meza: várias personagens; Florinda; Celina; Clarissa; Rosa Rumorosa; Mocinha; Nissei; Diaba (na festa à fantasia); Dona Florinda; Pópis; Princesa do Alfaiatezinho Valente; Branca de Neve; Sophia Coren; Srta. Floripôndia; Camponesa de nobre coração que vai todos os dias ao bosque recolher lenha. Carlos Villagrán: vários personagens; Carlos; Quase Nada; Bebê Jupteriano; Quico; Homem Nuclear; Filho da Bruxa Baratuxa; Honorável Medidor de Luz; Seu Trocadeiro. Rubén Aguirre: vários personagens; Rubén; Poucas Trancas; Porca Solta; Matadouro; Nenê; Professor Girafales; Simpato Yamasaki; O Grande Shory; Capitão; Dr. Zurita. Edgar Vivar: vários personagens; Rei Bola Barrigola; Botina; Severiano Mirón; Garrafa; Pança Louca; Almôndega; Nhonho; Xerife. María Antonieta de las Nieves: várias personagens; Maria Antonieta; Mocinha; Bruxa Baratuxa; Fã do Chapolin; Rainha Má; Chiquinha; Dona Neves. Horacio Gómez Bolaños: vários personagens; Lagoa Seca; Pepe; Falso Chapolin; Godinez; Chato Resto Angelines Fernández: várias personagens; a louca dos dinossauros; a aia da Princesa do Alfaiatezinho Valente; Rainha Má (transformada em velhinha). Raúl Padilla: vários personagens; Raul Arturo García Tenorio: Bebê Jupiteriano; bandido de uma gangue de rua; líder dos marcianos. Ricardo de Pascual: vários personagens; Pouco Pêlo; Soneca

Episódios