Octopussy and The Living Daylights é uma coleção de contos de espionagem escritos pelo autor britânico Ian Fleming, sendo o décimo quarto e último livro da série James Bond escrito por Fleming. A obra originalmente continha apenas os contos "Octopussy" e "The Living Daylights", mas versões subsequentes também incluíram "The Property of a Lady" e "007 in New York".
Muitos dos elementos dos enredos vieram das próprias experiências e interesses de Fleming, também usando os nomes de amigos e conhecidos para personagens. "Octopussy" foi escrito durante problemas conjugais que ele estava tendo na época, "The Living Daylights" era para o lançamento de uma revista colorida do jornal The Sunday Times, "Property of a Lady" foi encomendado pela Sotheby's para seu jornal anual e "007 in New York" surgiu como uma compensação pelas críticas que Fleming fez contra Nova Iorque em seu livro de viagens Thrilling Cities. Todos os contos já tinham sido publicados separadamente antes.
Fleming morreu em agosto de 1964 e a Glidrose Productions, detentora dos direitos de Bond, decidiu publicar "Octopussy" e "The Living Daylights" como um livro. A obra foi lançada no Reino Unido em 23 de junho de 1966 pela editora Jonathan Cape e a crítica foi mista. Esses dois contos foram adaptados como parte da série cinematográfica de James Bond em 1983 e 1987, respectivamente, enquanto alguns elementos de "The Property of a Lady" e "007 in New York" apareceram em vários outros filmes.
Enredos "Octopussy" O agente secreto britânico James Bond viaja para a Jamaica para poder entrevistar o major Dexter Smythe, um ex-oficial dos Fuzileiros Reais que foi recentemente implicado no assassinato Hannes Oberhauser, um guia montanhista austríaco, e no roubo de um esconderijo de ouro nazista de uma valor estimado entre quarenta e cinquenta mil libras esterlinas. Smythe ficou vivendo no vilarejo austríaco de Kitzbühel depois da Segunda Guerra Mundial, encontrou o ouro com a ajuda de Oberhauser e o matou. Bond foi colocado no caso depois do corpo de Oberhauser ter aparecido em uma geleira depois de quinze anos; o guia tinha sido o instrutor de esqui de Bond e uma figura paterna.
Bond escolhe não prender Smythe imediatamente, deixando-o para contemplar suas opções: suicídio ou corte marcial. Smythe é picado por um peixe-escorpião enquanto pesca alimento para Octopussy, um polvo que vive no mar perto de sua praia. Ele é puxado para a água por Octopussy quando vai alimentá-lo ao mesmo tempo que o veneno do peixe começa a fazer efeito. Bond considera que a morte foi um suicídio, mas a classifica como um afogamento acidental para poupar a reputação de Smythe.
"The Living Daylights" Bond é designado como um atirador de elite para ajudar um outro agente britânico, codinome 272, a escapar de Berlim Oriental. O dever de Bond na missão é proteger a travessia do agente para Berlim Ocidental ao eliminar um assassino profissional da KGB conhecido apenas pelo codinome de "Trigger", que foi enviado para matar 272. Bond assume uma posição no limite ocidental da fronteira e um hotel com vista para a terra de ninguém que 272 terá de cruzar. Bond vê uma orquestra feminina chegar para ensaiar e depois ir embora durante três noites, com uma bela violoncelista especialmente chamando sua atenção. Quando 272 começa sua fuga, Bond enxerga Trigger assumindo uma posição para matá-lo e percebe que ela é a violoncelista. Ele ajusta sua mira no último momento e atira na arma dela em vez de matá-la, permitindo que 272 escape.
"The Property of a Lady" O Serviço Secreto descobre que Maria Freudenstein, uma de suas funcionárias e agente dupla para a União Soviética, recebeu um item valioso de joalheria criado por Peter Carl Fabergé e está planejando leiloá-lo na Sotheby's. Bond suspeita que o diretor da KGB em Londres comparecerá fará uma oferta abaixo do esperado para elevar o preço até o valor necessário para pagar Freudenstein. Bond comparece ao leilão, identifica o homem e vai embora arranjar para que ele seja expulso de Londres como persona non grata.
"007 in New York" Bond faz reflexões sobre Nova Iorque. Ele está em uma rápida missão na cidade com o objetivo de avisar uma funcionária do Serviço Secreto que seu novo namorado é na verdade um agente da KGB. Bond pensa em Solange, uma jovem que conheceu intimamente e que trabalha em uma loja da Abercrombie's.
Antecedentes e escrita O autor britânico Ian Fleming morreu de um ataque cardíaco em 12 de agosto de 1964. Na época ele já tinha publicado doze livros protagonizados por sua criação, o agente secreto James Bond: onze romances e uma coleção de contos. Um décimo terceiro livro, The Man with the Golden Gun, seu último romance, estava sendo preparado para publicação, que ocorreu oito meses depois em abril de 1965. Os direitos de suas obras estavam com a Glidrose Productions, empresa propriedade da família Fleming e hoje chamada de Ian Fleming Publications, que decidiu que dois contos escritos por ele, "Octopussy" e "The Living Daylights", seriam publicados como livro em 1966.
thumb|esquerda|240px|Goldeneye, onde Fleming escreveu todos os romances de James Bond Fleming estava em julho de 1962 tendo problemas conjugais com sua esposa Ann. Ele enviou um telegrama para ela de Nova Iorque dizendo que precisava de "tempo para descansar e refletir sobre nosso futuro, que neste momento parece intolerável", viajando em seguida para sua propriedade Goldeneye na Jamaica. Foi neste local que ele escreveu "Octopussy". A história tem Bond como o catalizador de uma narrativa contada em analepse, em vez de como o protagonista para a ação; consequentemente, "Octopussy" é contado de forma similar a "Quantum of Solace", um conto publicado pela primeira vez em 1959 e incluído no ano seguinte na antologia For Your Eyes Only. "Octopussy" foi serializado no jornal Daily Express entre 4 e 8 de outubro de 1965.
O jornal The Sunday Times decidiu lançar uma revista colorida a partir de 4 de fevereiro de 1962 e pediu que Fleming, um de seus colunistas, escrevesse um artigo para ela. Ele escreveu "The Guns of James Bond", mas este foi rejeitado por ser considerado muito longo e especializado para o público alvo, assim escreveu um conto de Bond como um atirador de elite. Como pesquisa, Fleming se correspondeu com o capitão E. K. Le Mesurier, o secretário britânico da Associação Nacional do Rifle em busca de informações, além de correções sobre as áreas mais especializadas de conhecimento necessárias para um atirador de elite. O título original do conto era "Trigger Finger", porém foi inicialmente publicado como "Berlin Escape". Também foi publicado em junho de 1962 em uma edição da revista estadunidense Argosy com esse mesmo nome. Para o The Sunday Times, Fleming contratou o artista Graham Sutherland para criar uma ilustração para o conto, ao custo de cem guinéus, porém a arte não foi usada.
thumb|170px|A casa de leilão da Sotheby's em Londres "Property of a Lady" foi escrito no início de 1963 e comissionado pela casa de leilões Sotheby's para que aparecesse no The Ivory Hammer, seu jornal anual, e foi publicado em novembro de 1963. Peter Wilson, na época o presidente da Sotheby's, é mencionado diretamente na história. Fleming ficou tão insatisfeito com o resultado final que escreveu para Wilson e recusou qualquer forma de pagamento por algo que ele considerava tão decepcionante. Seus títulos originais para o conto foram "The Diamond Egg" e "The Fabulous Pay-Off".
O The Sunday Times enviou Fleming em uma viagem ao redor do mundo em 1959 para escrever uma série de artigos sobre diversas cidades, com o material sendo depois reunido e publicado em 1963 no livro Thrilling Cities. O autor gostava de Nova Iorque, mas suas experiências na viagem azedaram suas opiniões sobre a cidade, com ele escrevendo: "Entre na primeira farmácia, peça orientação a um transeunte e a indiferença e a dureza do nova-iorquino cortam para fora do seu corpo o antigo afeto pela cidade com a mesma força que a faca de um cirurgião". Seus editores estadunidenses pediram para que ele modificasse o capítulo por causa de suas severidade sobre Nova Iorque, mas Fleming recusou. Como compensação, ele escreveu em agosto de 1963 um conto a partir do ponto de vista de Bond. "007 in New York" foi originalmente chamado "Reflections in a Carey Cadillac". A história foi primeiro publicada no jornal New York Herald Tribune em outubro de 1963 como "Agent 007 in New York", mas foi renomeada no ano seguinte para "007 in New York" nas edições estadunidenses de Thrilling Cities.
Fleming deu poucas informações sobre datas dentro de suas obras, mas dois escritores identificaram linhas do tempo diferentes a partir de eventos e situações relatados dentro da série: John Griswold e Henry Chancellor. Chancellor colocou os eventos de "The Living Daylights" em outubro de 1959, "Octopussy" em 1960, "007 in New York" no início de 1961 e "The Property of a Lady" em junho de 1961. Já Griswold colocou "Octopussy" em julho de 1960, "The Living Daylights" no final de setembro e início de outubro de 1960, "The Property of a Lady" em junho de 1961 e "007 in New York" no final de setembro de 1961.
Desenvolvimento Inspirações thumb|esquerda|245px|Os Alpes de Kitzbühel, com a cidade de Kitzbühel no centro esquerdo Chancellor e o biógrafo Andrew Lycett consideraram que boa parte do pano de fundo de "Octopussy" veio diretamente dos próprios interesses e experiências de Fleming, incluindo feitos de comandos em tempos de guerra, escaladas em Kitzbühel, ouro escondido e vida marinha na Jamaica. O autor costumava fazer caminhadas e esquiar em Kitzbühel na década de 1920 enquanto estudava em uma pequena escola particular para entrar no Escritório do Exterior. Ele conhecia bem a área e suas experiências foram usadas para a parte da história em que Smythe procura o ouro. Fleming se interessava em polvos e regularmente observou um, que ele chamou de "Pussy", enquanto nadava em sua praia em Goldeneye; ele chegou a escrever um artigo sobre o polvo em 1957 no The Sunday Times, "My Friend the Octopus". Uma de suas vizinhas na Jamaica, e posteriormente sua amante, era Blanche Blackwell. Ela presenteou Fleming com um coracle que ele nomeou de Octopussy, depois usando este nome para o conto. O "Escritório de Objetivos Diversos", a unidade de Smythe na Segunda Guerra Mundial, era uma versão ficcional da Unidade de Assalto 30, uma unidade de comandos criada por Fleming. O autor há muito se interessava em ouro escondido e se envolveu na criação de um artigo para o The Sunday Times sobre ouro nazista que tinha sido supostamente escondido no Lago Toplitz, na Áustria.
Parte do pano de fundo de "The Living Daylights" incluía usar o som de uma orquestra para acobertar a travessia por uma terra de ninguém. Isto foi inspirado pela fuga do capitão Pat Reid do campo de prisioneiros de Colditz durante a guerra, quando o barulho de uma orquestra foi usado para que pudesse passar por um pátio. O regente da orquestra de Colditz era Douglas Bader, que jogou golfe com Fleming várias vezes. Trigger, a assassina do conto, foi parcialmente inspirada em Amaryllis Fleming, meia-irmã do autor. Ela era uma violoncelista renomada e com cabelo loiro, com Fleming inclusive tendo conseguido colocar uma menção a ela no texto. Ele usou o sobrenome de sir Stewart Menzies, um conhecido seu e o chefe do Serviço Secreto de Inteligência durante a guerra, para o cabo Menzies, que ajuda Bond a praticar tiro com rifle no início da história.
Fleming amava ovos mexidos e chegou a incluir uma receita para o prato dentro do conto "007 in New York". Essa receita originalmente foi criada por May Maxwell, a empregada doméstica de Ivar Bryce, um dos melhores amigos de Fleming. O autor também usou o nome dela para May, a empregada doméstica de Bond.
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