thumb|280px|Inflorescências típicas das compostas.
Asteraceae (asteráceas), também conhecida por Compositae (compostas), é uma numerosa família de plantas com flor, maioritariamente herbáceas, pertencente à ordem das Asterales, que agrupa mais de 32 000 espécies validamente descritas, divididas por mais de 1 900 géneros, o que corresponde a cerca de 10 % da totalidade de espécies de angiospérmicas. Muitas das espécies que integram esta família são cultivadas como plantas alimentares, oleaginosas, plantas medicinais ou plantas ornamentais e para flores de corte. Integra algumas das plantas mais conhecidas e comuns, como a alface (Lactuca sativa), o girassol (Helianthus) ou o crisântemo (Chrysanthemum, entre muitas outras. A família tem distribuição cosmopolita, com espécies presentes em regiões tropicais, subtropicais, temperadas e subpolares, vegetando nos mais diversos habitats.
Descrição O número de espécies em Asteraceae é rivalizado apenas pelas Orchidaceae, embora não seja seguro qual seja a maior família, uma vez que o número de espécies extantes em cada uma delas é mal conhecida.
A família Asteraceae foi descrita em 1740 sob o nome de Compositae. Daí a família ser vulgarmente conhecida pelo nome comum de compostas, embora também receba outros os nomes comuns, como asteráceas ou família do girassol.
A maioria das espécies de Asteraceae são plantas herbáceas, podendo ser anuais, bienais ou perenes, mas também existem algumas espécies arbustivas, trepadeiras e mesmo pequenas árvores. A família tem uma distribuição generalizada, do tipo cosmopolita, estando presente desde as regiões subpolares às regiões tropicais, numa grande variedade de habitats. A maioria das espécies ocorre em climas semi-áridos, e são encontradas em todos os continentes, exceto na Antártida.
A caraterística primária comum diferenciadora deste agrupamento taxonómico é a presença de flores agrupadas em inflorescências em forma de capítulo floral, compostas por múltiplos pequenos flósculos (os floretes) individuais, por vezes centenas, envoltos por um verticilo de brácteas involucrais protetoras.
O registo fóssil mais antigo das Asteraceae que se conhece é a presença de grãos de pólen em depósitos do Cretáceo Superior (Campaniano a Maastrichtiano) da Antártida, datados de há 76-66 milhões de anos (Ma) atrás. Estima-se que o grupo coroa das Asteraceae tenha evoluído há pelo menos 85,9 Ma (Cretáceo Superior, Santoniano), com uma idade de ramificação de 88-89 Ma (Cretáceo Superior, Coniaciano).
A família Asteraceae é economicamente muito importante, fornecendo alimentos básicos, oleaginosas, plantas de jardim e ervas medicinais. As espécies que se encontram fora da sua área de distribuição natural podem tornar-se ervas daninhas infestantes ou mesmo invasoras. Morfologia Hábito Os membros da família Asteraceae são maioritariamente plantas herbáceas, bienais ou perenes, mas existem alguns arbustos, trepadeiras e pequenas árvores (como Lachanodes arborea). Assim, quanto ao hábito, o grupo integra espécies com todas as tipologias, embora predominem claramente as ervas de pequeno porte, eretas e com folhagem densa.Judd W.S., C.S. Campbell, E.A. Kellogg, P.F. Stevens & M.J. Donoghue. 2009. Sistemática vegetal: um enfoque filogenético. Rodrigo B.Singer et al. (Trad.) 3a ed. Armed. Porto Alegre. Existem espécies em quase todos os tipos de habitat, mas apenas algumas espécies são verdadeiras epífitas ou aquáticas. Em alguns taxa, as plantas contêm seiva leitosa.
A família integra espécies monocárpicas e policárpicas, sendo comum a semelparidade.
As espécies de Asteraceae são geralmente fáceis de distinguir de outras plantas devido à sua inflorescência única e a outras caraterísticas partilhadas, entre as quais a presença de anteras unidas nos estames. No entanto, a determinação de géneros e espécies de alguns grupos, como Hieracium e similares, é notoriamente difícil (daí o dito da «damned yellow composite», ou seja da «maldita composta amarela», quase impossível de identificar, que corre entre os botânicos de campo). Raízes e caules Os membros da família Asteraceae produzem geralmente raízes axiais, mas por vezes apresentam sistemas radiculares fibrosos. Algumas espécies apresentam caules subterrâneos na forma de caudices ou rizomas. Estes podem ser carnudos ou lenhosos, dependendo da espécie.
Os caules são herbáceos, aéreos, ramificados e cilíndricos, geralmente eretos, mas por vezes prostrados a ascendentes, com tricomas glandulares. Os caules podem conter canais de secreção com resina, ou latex, o que é particularmente comum entre as espécies da subfamília Cichorioideae.
Folhas As folhas das Asteraceae são caracterizadas por apresentarem filotaxia maioritariamente alternada ou espiralada, raramente oposta ou verticilada, mas frequentemente unidas numa roseta basal.
As folhas são pecioladas a sésseis, raramente com limbos simples, sendo frequentemente pinadas a pinatífidas. Apresentam consistência herbácea a coriácea, por vezes transformadas em espinhos. A lâmina foliar pode ser simples, com enervação peninérvea ou palmada, mas são muitas vezes profundamente lobadas, ou incisas de outra forma, por vezes conduplicadas ou revolutas. A margem pode ser inteira, serrilhada ou dentada, sendo por vezes ondulada. Apresentam como característica comum não terem estípulas. É frequente a presença de resina ou látex nas folhas.
Inflorescências As inflorescências são tipicamente em capítulo, característica marcante da família. Os capítulos são formados por várias flores, geralmente pequenas, agrupadas sobre um receptáculo comum, geralmente aplanado, cercada por brácteas involucrais dispostas em uma ou mais séries. Dependendo da espécie, um capítulo floral contém de uma a mais de mil flores. As flores de um capítulo desenvolvem-se e desabrocham de fora para dentro (ântese centrípeta).
Agrupadas em várias inflorescências de estrutura diferente, os capítulos florais ocorrem em hastes mais ou menos desfolhadas ou isoladas. As flores em densos capítulos rodeados por brácteas involucrais, produzem inflorescâncias de tal forma densas que, quando visto à distância, fazem com que cada capítulo pareça uma única flor. Esta característica faz o capítulo funcionar como uma única flor para atração dos polinizadores.
Assim, nas plantas da família Asteraceae o que parece ser uma única flor do tipo margarida é, na verdade, um conjunto de várias flores muito mais pequenas. Ao apresentar-se visualmente como uma única flor, o capítulo funciona como uma grande flor para atrair polinizadores, da mesma forma que as flores de plantas de floração mais vistosa presentes em outras famílias de plantas mais antigas. Em ambos os casos, estas plantas evoluíram para atrair polinizadores. O nome anterior para a família, Compositae, reflete o facto de que o que parece ser uma única entidade floral é de facto um composto de flores muito mais pequenas.
Exceções notáveis a este tipo de inflorescência incluem: a espécie Hecastocleis shockleyi (a única espécie da subfamília monotípica Hecastocleidoideae) e as espécies do género Corymbium (o único género da subfamília Corymbioideae), que apresentam capítulos florais bissexuais com uma só flor; o género Gundelia, com capítulos unissexuais com uma só flor; e a espécie Gymnarrhena micrantha, com capítulos femininos com uma única flor e capítulos masculinos com poucas flores.
O capítulo, que muitas vezes parece ser uma única flor, é frequentemente referido como uma cabeça. Em algumas espécies, toda a cabeça é capaz de girar sobre a sua haste floral ao longo do dia para seguir o sol (como um painel solar inteligente), maximizando assim a refletividade de toda a unidade floral, maximizando a atração de polinizadores voadores.
Na maioria das espécies, as pétalas (ou raios de sol) do capítulo são, de facto, flores individuais em forma de cinta chamadas flores de raio ou floretes de raio, e o disco de sol, a parte central da inflorescência, é composto por flores individuais mais pequenas, com simetria radial, chamadas flores de disco ou floretes de disco. A palavra aster significa estrela em grego clássico, referindo-se à aparência da maioria dos membros da família como um corpo celeste com raios.
Mais próximo do pedúnculo da inflorescência encontra-se em geral um conjunto de pequenas brácteas, geralmente verdes, semelhantes a escamas. Estas são conhecidas como filárias e coletivamente, formam o invólucro, que serve para proteger o capítulo imaturo e os floretes durante o seu desenvolvimento. Os floretes individuais estão dispostos sobre uma estrutura em forma de cúpula chamada receptáculo.
Flores As flores, hermafroditas ou unissexuais, geralmente pentâmeras e de pequeno tamanho, maioritariamente apresentam ovário ínfero, carpelos fundidos com apenas um lóculo e um único óvulo. As sépalas são parcialmente ou totalmente reduzidas, sendo em muitos táxons, transformadas numa coroa de pelos característica ou, mais raramente, num bordo membranoso que origina o papus do fruto. As pétalas estão fundidas num tubo. Apresentam apenas um verticilo com três a cinco estames. Os filamentos são curtos. As anteras estão fundidos num tubo, o que constitui uma característica típica da família. Os dois carpelo estão fundidos num ovário ínfero. Em cada ovário existe apenas um ovário basal e epitrópico. Os estiletes, sempre com dois ramos, empurram-se através do tubo anteral e, ao fazê-lo, empurram o pólen para fora do tubo com pêlos varredores, que se encontram na parte exterior ou na ponta dos estiletes. Só depois disso é que o estigma fica pronto para a fecundação.
As flores individuais (os flósculos ou floretes) podem ser bissexuais ou unissexuais, por vezes estéreis. O plano de simetria floral pode ser radial (actinomorfia) ou zigomorfo.Raven | Biologia vegetal. Ray F. Evert e Susan E. Eichhorn; revisão técnica Jane Elizabeth Kraus; tradução Ana Claudia M. Vieira... [et.al.]. – 8. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014 No contexto da inflorescência, as flores indivualmente consideradas são designadas por flósculos ou, muito frequentemente, floretes.
Os flósculos individuais que formam o capítulo consistem, em termos de desenvolvimento, em cinco pétalas fundidas (raramente quatro) e, em vez de sépalas, apresentam estruturas filiformes, peludas ou eriçadas, conhecidas coletivamente como papus. O papus envolve o ovário e pode, quando maduro e ligado a uma semente, aderir ao pelo de animais ou ser transportado por correntes de ar, ajudando na dispersão de sementes. A cabeça esbranquiçada e fofa de um dente-de-leão é constituída por numerosas sementes que repousam no recetáculo, cada semente presa ao seu papus. Os papus fornecem uma estrutura semelhante a um para-quedas para ajudar a semente a viajar do seu ponto de origem para um local onde possa germinar longe da planta-mãe.
Alguns membros da família Asteraceae apresentam dois tipos de flósculos distintos na sua morfologia: (1) flores do disco, aquelas que se encontram na porção central do capítulo; e (2) flores de raio, flores radiais ou flores periféricas, as que ocorrem dispostas na porção periférica do capítulo, podendo estas ser pistiladas ou estéreis. Esta difernciação leva a que existem duas formas básicas de flores na família: flores tubulares (as flores do disco) com simetria radial; e flores liguladas (as flores radiais) com simetria zigomórfica. Dependendo da subfamília, ambas as formas de flores estão presentes ou apenas uma delas.