thumb|253px|Litsea glutinosa (ilustração da obra Flora de Filipinas, 1880-1883, de Francisco Manuel Blanco). thumb|253px|Cassytha filiformis. thumb|253px|Folhagem de Cinnamomum tamala (malabathrum ou tejpat). thumb|253px|Folhas de Lindera triloba. thumb|253px|Folhas simples e coreáceas, típicas das Lauraceae. thumb|253px|Flores de Ocotea sp. thumb|253px|Fruto típico das Lauraceae. thumb|253px|Fruto do tipo bacáceo de Persea americana (abacateiro). O abacate é utilizado na culinária e também para uso medicinal. Lauraceae é uma família de plantas com flor da ordem Laurales que inclui cerca de 2850 espécies validamente descritas, repartidas por 45 géneros, maioritariamente arbustos ou pequenas árvores, perenifólios e aromáticos, embora alguns géneros, nomeadamente Sassafras, incluam espécies decíduas. O género Cassytha diferencia-se dos restantes ao agrupar lianas parasíticas. A família tem distribuição natural em todas as regiões tropicais e subtropicais, com centros de diversidade no Sudeste Asiático e na América do Sul. Entre as espécies mais conhecidas estão o loureiro, o abacateiro, a canela e a canforeira. Descrição Generalidades As Lauraceae constituem uma família botânica do grupo das plantas angiospermas (plantas com flor), com representantes amplamente conhecidos, tais como o abacateiro, a canela-da-índia e o loureiro.
O grupo está actualmente inserida no grande clado das Magnoliídeas, como parte da ordem Laurales. A sua distribuição natural é essencialmente pantropical, com raros representantes nas regiões temperadas, totalizando mais de 2850 espécies distribuídas por 45 géneros. No Brasil há registos de aproximadamente 441 espécies, agrupadas em 24 géneros, com ocorrência em todas as regiões, das quais 231 espécies endémicas, ou seja, que apenas ocorrem naquele território.
Quanto aos tipos morfológicos, a grande maioria são árvores e arbustos, com excepção do género Cassytha, uma liana parasítica (trepadeira parasita).
O padrão de distribuição das folhas ao longo dos ramos (a filotaxia) predominante é dos tipos alterno e espiralado, por vezes oposto, mas nunca dístico. As folhas são simples, raramente lobadas, com venação peninérvea ou palmada.
O grupo apresenta um cheiro característico nas folhas quando esmagadas, o aroma a louro, resultado da presença de óleos essenciais (terpenóides aromáticos), frequentemente associados a taninos, pelo que muitas espécies são consideradas aromáticas e algumas utilizadas como tempero.
A maioria são árvores e arbustos perenifólios, mas alguns géneros, como Sassafras, são decíduos, ou incluem indistintamente árvores e arbustos decíduos e perenifólios, especialmente em climas tropicais e temperados. O género Cassytha apresenta características únicas entre as Lauraceae por agrupar espécies de lianas parasíticas. Morfologia Hábito Em geral são plantas de porte arbóreo ou arbustivo, raramente trepadeiras parasitas, este último tipo apenas ocorrendo no género Cassytha. A maioria dos membros da família possui propriedades aromáticas. Os nós dos traços foliares são unilacunares, com células esféricas esparsas contendo óleos aromáticos (terpenóides aromáticos), frequentemente associados a taninos, em geral com alcalóides benzil-isoquinolínicos ou derivados da aporfina. Folhas A morfologia predominante das folhas é do tipo simples, raramente lobadas, com filotaxia (padrão de distribuição) geralmente alterna ou espiralada, ocasionalmente opostas e nunca dísticas. A venação é do tipo perinérvea, menos frequentemente palmada, com todas as nervuras conectadas por tecido lenhificado, com glândulas pelúcidas na lâmina. Estípulas ausentes. Flores As flores ocorrem em inflorescência em geral definidas, axilares, às vezes pseudoterminais, raramente terminais, racemiformes ou pseudo-umbelas, raramente capituladas ou reduzidas a uma única flor. As flores são frequentemente pequenas, brancas, esverdeadas ou amarelas. São flores unissexuadas (dioicas), raramente bissexuadas ou polígamas, com simetria radial (actinomorfas), com receptáculo côncavo, em geral trímeras, ou seja, peças florais em múltiplos de 3. Tépalas, geralmente 6, as vezes 4 em dois verticilos, rararmente 9 em 3 verticilos, iguais a desiguais (quando desiguais, as externas menores), caducas precoce ou tardiamente, ou persistentes e aumentadas na cúpula do fruto. Estames, geralmente 3-12. Filetes frequentemente com pares basais de glândulas (estaminódios) que secretam néctar ou perfume, os três estames mais internos geralmente modificados neste tipo de estaminódios. Anteras abrindo por 2 ou 4 valvas que se curvam da base para cima e expõem o pólen pegajoso, em geral dimórficas. Os grãos de pólen desta família não possuem aberturas e a exina é reduzida a pequenos espinhos. As flores geralmente possuem apenas um único carpelo. Ovário do tipo súpero e placentação apical. Fruto O fruto é uma drupa ou do tipo bacáceo (fruto semelhante a bagas), de semente única, em geral associado com o receptáculo carnoso ou lenhoso e persistente, sendo por vezes possível observar as tépalas soldadas ao fruto, com frequência contrastando na cor com o fruto. A base do fruto não possui cúpula, ou apresenta cúpula pouco a muito desenvolvida, envolvendo-o total ou parcialmente. O embrião é grande, com cotilédones carnosos. O endosperma está ausente. Polinização Moscas e abelhas são os polinizadores mais frequentes das flores da família Lauraceae, como também outros insectos, tais como os coleópteros e tisanópteros.
Pares de estaminódios modificados situados na base dos estames produzem fragrância e separam espacialmente os verticilos de estames, por vezes também secretando néctar. Os frutos, do tipo drupa na família de Lauraceae, são dispersos principalmente por aves, mas mamíferos também podem colaborar na dispersão (zoocoria). A coloração do fruto e da cúpula costuma ser contrastante, assim aumentando a atractividade dos frutos.
Filogenia A família Lauraceae é o maior grupo taxonómico incluído na ordem Laurales, um grupo que nas modernas classificações de base filogenética foi inserido no grande clade das magnoliids, o qual agrupo 4 ordens: (1) Magnoliales; (2) Laurales; (3) Canellales; e (4) Piperales.
Por sua vez, a ordem Laurales agrupa aproximadamente 3400 espécies, que segundo o mais recente sistema classificativo, o sistema APG IV (2016) do Angiosperm Phylogeny Group, se distribuem por 7 famílias: (1) Siparunaceae; (2) Gomortegaceae; (3)Atherospermataceae; (4) Hernandiaceae; (5) Calycanthaceae; (6) Monimiaceae; e (7) Lauraceae.
A ordem Laurales é considerada um grupo monofilético, tendo como sinapomorfias morfológicas potenciais os nós com traços foliares unilacunares, folhas opostas, estaminódios no verticilo interno, pólen com aberturas esculpidas, receptáculo cupuliforme (hipanto) e alguns detalhes da anatomia das sementes, sendo que algumas destas sinapomorfias se perderam em muitas espécies. A monofilia da ordem Laurales é confirmada por análises cladísticas com base em caracteres moleculares e morfológicos. A estrutura da ordem e o posicionamento das Lauraceae constam do seguinte cladograma:
A família Calycanthaceae é o provável grupo-irmão de todas as outras Laurales. As outras famílias estão agrupadas no mesmo clado com base na partilha das seguintes sinapomorfias morfológicas: grãos de pólen inaperturados, com exina fina e espinhosa, estames com pares de glândulas, anteras de deiscência valvar e presença de um único óvulo por carpelo.
A família Lauraceae parece ser o grupo irmão da família Hernandiaceae, embora estudos moleculares pareçam sustentar uma relação próxima com as Monimiaceae. A família Lauraceae apresenta diferenças morfológicas relevantes quando comparada com a família Monimiaceae, pois as suas folhas são alternas e espiraladas, enquanto em Monimiaceae são opostas e serreadas, e pela presença de flores com um único carpelo, enquanto em Monimiaceae as flores apresentam múltiplos carpelos. Quando comparada com a família Hernandiaceae, esta possui o ovário ínfero, enquanto nas Lauraceae o ovário é súpero, e quanto ao fruto, em Hernandiaceae os frutos são do tipo noz, frequentemente associados com estruturas acessórias, já em Lauraceae o fruto é do tipo drupa.
A família Lauraceae apresenta a maior biodiversidade entre as Laurales, com o maior número de espécies validamente descritas de entre as famílias incluídas naquela ordem. Os resultados obtidos com recurso a técnicas de biologia molecular demonstram que as Lauraceae em conjunto com as Hernandiaceae e as Monimiaceae constituem um clade monofilético, mas as relações de parentesco com as restantes famílias incluídas de Laurales (na sua presente circunscrição taxonómica) ainda não está completamente esclarecida.
thumb|253px|Actinodaphne malaccensis. thumb|253px|Fruto de Apollonias barbujana (barbusano). thumb|253px|Fruto de Beilschmiedia tarairi. thumb|253px|Habito e frutos de Cassytha ciliolata. thumb|253px|Hábito de Cassytha filiformis thumb|253px|Cryptocarya glaucescens thumb|253px|Litsea japonica thumb|253px|Ocotea bullata thumb|253px|Folhagem e inflorescência de Umbellularia californica. Estrutura da família A família Lauraceae foi proposta em 1789 por Antoine Laurent de Jussieu sob o nome «Lauri» na sua obra Genera Plantarum, p. 80, publicada naquele ano. Entre os sinónimos de Lauraceae contam-se Cassythaceae e Perseaceae , embora tenham tido circunscrição taxonómica muito diferente da actual família Lauraceae, pois eram famílias monotípicas com apenas um género (no caso Cassytha e Persea).
Na sua presente circunscrição taxonómica, a família contém de 45 a 57 géneros, dependendo do autor, com de 2000 a 2500 espécies. O número de espécies e a distribuição natural dos géneros que a seguir se apresentam seguem a obra de Rohwer (1990) e merecem actualização, embora tenham sido adicionados alguns dados retirados de obras mais recentes, como por exemplo, a Flora of China (2008), e Quinet (2005): Actinodaphne — com cerca de 100 espécies, distribuídas pelas regiões tropicais e subtropicais da Ásia; Adenodaphne — com menos de 5 espécies, originário da Nova Caledónia; Aiouea — com cerca de 19 espécies, nativas do Neotropis; Alseodaphne — com cerca de 50 ou mais espécies, nativas de Sri Lanka, Índia, Laos, Myanmar, Tailândia, Camboja, China, Vietname, Malásia, Indonésia até às Filipinas; Anaueria (frequentemente incluído em Beilschmiedia) — com apenas uma espécie: Anaueria brasiliensis — nativa da América do Sul; Aniba — com cerca de 48 espécies, nativas do Neotropis; Apollonias — com apenas duas espécies: Apollonias arnottii — nativa da Índia; Apollonias barbujana ) — nativa da Macaronésia (ilhas Canárias); Aspidostemon — com cerca de 29 espécies, endémico de Madagáscar; Beilschmiedia (sin.: Lauromerrillia , Bernieria , Nesodaphne , Thouvenotia ) — com de 250 a 300 espécies, predominantemente da África, Sueste da Ásia, Australásia e Américas; Caryodaphnopsis — com cerca de 14 espécies, nativas da Ásia tropical e do Neotropis; Cassytha (Calodium , Volutella ) — as 15 a 20 espécies são nativas da Ásia tropical e da África; Chlorocardium — com duas espécies, nativas do leste da bacia do Amazonas; Cinnadenia — com apenas duas espécies, nativas de Butão, Assam, Myanmar e Península Malaia; Cinnamomum (Camphora , Cecidodaphne , Parthenoxylon ) — com 250 a 370 espécies, nativas do Sueste da Ásia até ao extremo Oriente e Austrália; Clinostemon mdash; com duas espécies, nativas do Neotropis; Cryptocarya (sin.: Ravensara ) — com cerca de 200 a 350 espécies, nativas das regiões tropicais e subtropicais. O género está ausente da África Central e tem centro de diversidade na Malásia, estando presente também na Austrália e no Chile. Dehaasia (sin.: Cyanodaphne ) — com cerca de 35 espécies, nativas do Laos, Camboja, Myanmar, Tailândia, Vietname, China, Malásia, Indonésia e Filipinas, com centro de diversidade no oeste da Malásia. Dicypellium — com apenas duas espécies, nativas da América do Sul;