thumb|right| |alt=|Ponta de flecha do Neolítico Uma flecha (do francês flèche, que por sua vez veio do frâncico flukka), frechaSignificado/definição de frecha no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa ou seta é um projétil de madeira ou metálico, pontiagudo e disparado com um arco.FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 787. Suas origens são remotas. É um artefato comum à maioria das culturas humanas.

Uma flecha consiste em uma haste longa e fina, com seção circular, feita originalmente de madeira e agora também de alumínio, fibra de vidro ou de carbono. Ela é afiada na ponta ou armada com uma ponta de flecha em uma extremidade, dispondo na outra de um engaste (o conto, em inglês denominado de "nock" ) para fixação na corda do arco.

Pontas de flecha são disponibilizadas em uma variedade de tipos, adequando-se ao uso que será feito da flecha, seja desportivo, caça ou militar. Próximo à extremidade posterior da flecha, são colocadas superfícies de estabilização que constituem a empenagem da flecha, a fim de ajudarem na estabilização da trajetória de voo. Geralmente em número de três, as penas são dispostas ao redor da haste formando um ângulo de 120 graus entre si. Nas flechas modernas, as penas são fabricadas em plástico e afixadas com cola especial.

Artesãos que fabricam flechas são conhecidos como "flecheiros".

Feitio Dimensões Comprimento No que toca ao comprimento, as flechas costumam ser tão compridas quanto a amplitude de abertura tênsil máxima do fio do arco, acrescida de mais dois ou três centímetros. Quer isto dizer que, se estivermos a falar do arco simples ou laminado médio, as setas medirão entre 35% a 45% do comprimento do arco, ao passo que, se estivermos a falar de arcos compósitos, que por sinal são mais flexíveis e por isso têm uma amplitude de abertura tênsil maior, já poderemos estar a falar de setas com até 70% do comprimento do respectivo arco.

Em média, portanto, as flechas dos arcos curtos mediriam entre 30 a 40 centímetros de comprimento, ao passo que as dos arcos longos, já mediriam 70-80 centímetros.

Peso miniaturadaimagem|289x289px|Representação oriental de arqueiros a desfrechar setas sobre o inimigo No que toca ao peso, as flechas devem estar equilibradas face ao poder de tracção do arco que as vai disparar. Assim sendo, se estivermos a falar da prática de tiro com arco, basta ao arco que o seu poder de tracção seja 900 a 1.400 vezes superior ao peso da seta. Se estivermos a falar de um contexto bélico, o arco deverá ter um poder de tracção pelo menos 700 vezes superior ao peso da flecha. Por último, se estiver em causa a prática de "tiro à distância", então o arco já terá de ter um poder de tracção 4.300 vezes superior ao do peso da seta, de feição a dispará-la o mais longe possível.

Contam-se, portanto, as seguintes categorias de peso, para as flechas:

Flechas pesadas- que são as que pesam de 60 a 120 gramas, sendo que o seu desiderato principal era a guerra. Usavam-se com arcos de médias dimensões. Ofereciam uma cadência de disparo, ou "desfrechamento", mais lentígrada e um âmbito de alcance mais exíguo, mas, em contrapartida, também propiciavam um potencial cinético de perfuração maior. Sendo, por isso, mormente utilizadas contra adversários couraçados. Flechas médias - que são as que pesam entre 30 a 60 gramas. De uma maneira geral, mostram-se mais céleres na cadência de desfrechamento e oferecem um âmbito de alcance maior, sendo certo que o seu poder de perfuração é menos significativo do que o das flechas pesadas.http://www.manchuarchery.org/manchu-war-arrows

Flechas leves - que são as que pesam por torno dos 15 a 30 gramas, sendo que o seu desiderato primacial é o tiro ao alvo. São, naturalmente, as que têm maior raio de alcance e as que têm a cadência de desfrechamento mais rápida e produzindo a menor quantidade de danos, mercê do pouca força cinética que são capazes de obter, quando comparadas com os outros tipos de setas. Flechas voadoras- que são as que pesam menos de 15 gramas. Estas setas têm pequenas dimensões e primam pela seu notável aerodinamismo, foram concebidas com o propósito de se usarem no tiro à distância, pelo que a precisão não é o escopo principal a que se prestam. São particularmente populares no Próximo Oriente, em locais como a Turquia ou os países do Levante.https://eastonarchery.com/2018/12/arrow-shaft-design-and-performance/http://www.turkishculture.org/lifestyles/turkish-culture-portal/turkish-flight-arrows-554.htm Composição No que toca à sua composição, as flechas são compostas por uma haste de madeira; uma ponta, geralmente metálica e perfurante; e uma contraponta, o chamado conto.

Haste A haste é o corpo da flecha e é nela que encaixam as suas outras componentes. Na Europa, as hastes das flechas pré-históricas eram feitas de viburno ou noveleiro (Viburnum lantana), ulteriormente, na Idade Média, tornam-se mais populares as hastes de choupo (Populus tremula), de faia (Fagus sylvatica), freixo (Fraxinus angustifolia) e aveleira (Corylus avellana). Actualmente, ainda há alguns tipos de flechas de madeira, feitas de cedro, mas em geral costumam ser feitas de fibras de carbono ou tubos ocos de alumínio, o que as torna particularmente leves e potencia as distâncias máximas que aquelas conseguem percorre, com a vantagem acrescida de que são menos propensas a entortar e nunca ganham farpas. O espectro de grossuras das hastes alterna entre os 3 milímetros, nas flechas de fibra de carbono, que têm maior alcance, e os 13 milímetros nas flechas de guerra de madeira mais pesadas. Por seu turno, a flecha-média de caça medieval mediria cerca de 8 milímetros, ao passo que para as flechas de guerra ascenderia aos 9,5 milímteros.

Pontas É a parte final da flecha, geralmente é metálica e serve finalidades perfurantes, porém, tal como sucede com os virotes, há muitas variedades de pontas diferentes, e nem todas almejam as mesmas finalidades. As flechas além de classificados em função do tamanho, também eram classificadas em função do tipo de ponta.

Conto À contraponta da flecha dá-se o nome de «conto», deste tempos medievais. Esta componente da flecha era, geralmente, emplumada ou empenada, isto é, dotada de rémiges. As rémiges das flechas medievais geralmente eram de pena de ganso ou cisne; os povos orientais, por seu turno, perferiam-nas de pena de águia, gavião, faisão ou garça, enquanto que os ameríndios brasileiros privilegiavam as penas de mutum, arara e harpia. As flechas eram emplumadas com 3 rémiges, presas com fio ou resinas, e dispostas de forma helicoidal, de maneira a imprimir uma trajectória giroscópica à seta, conferindo-lhe assim um maior poder cinético, uma maior estabilidade de voo e, por conseguinte, um maior poder de penetração. Os japoneses distinguiam entre as flechas que descreviam trajectórias giroscópicas que giram em sentido horário, as haya e as que giram em sentido anti-horário, as otoya, essas diferenças de sentido eram dadas pelo sentido helicoidal em que eram dispostas as rémiges do conto da flecha.

Ação da flecha Conforme a flecha voa em direção ao alvo, sua haste irá entortar-se e flexionar de um lado para o outro, lembrando um peixe debatendo-se fora da água e caracterizando um fenômeno conhecido como paradoxo do arqueiro.thumb|esquerda|Pintura de Jean-Baptiste Debret de 1834 retratando diferentes tipos de flechas indígenas brasileiras.

O equipamento, espécie de coldre ou estojo, usado para carregar as flechas usadas pelos arqueiros desde a mais remota antiguidade, é chamado de aljava.

Derivações do termo O termo "flecha" também é usado para o símbolo gráfico utilizado universalmente para apontar ou indicar direção, sendo em sua forma mais sintética um segmento de linha com um triângulo afixado numa ponta, e em formas mais complexas a representação de uma flecha de verdade. Pode ser utilizado para indicar uma posição no mapa, um item na tela do computador (no caso de um cursor), ou em uma lista, por exemplo.

Em aviação, o termo flecha serve para dar a maior distância entre a linha média (linha formada pelos pontos médios entre o intradorso e o extradorso) e a corda de um perfil de uma asa.

Quanto às pontas miniaturadaimagem|344x344px|Diferentes tipos de pontas de flechasHavia uma enorme variedade de pontas de flechas, muitas dos quais coincidem com os tipos de pontas usadas nos virotes, pelo que se elencam as de uso mais corrente, sendo certo que haverá outros tipos ou mesmo que houve tipos mistos de pontas:

Ponta Romba – também chamada «ponta rombuda» ou mesmo «sem ponta» (em inglês dão pelo nome de blunt point; e em francês dão pelo nome de matras). Este tipo de pontas eram essencialmente compostas pela haste de pau e usavam-se mormente na então chamada caça passareira (i.e. a caça a aves, sem recurso a armadilhas- a chamada caça de aucúpio - e sem recurso a aves de rapina - a chamada caça de citraria ou de volataria) e na caça miúda (aquela que tem por alvo animais de pequena envergadura), com o intuito de preservar as penas ou a pelagem da peça de caça. Também se usavam no treino de tiro, fosse em alvo estático ou móvel, especialmente dado o seu módico custo de fabrico, face a outros tipos de projécteis dotados de pontas de metal perfurantes. Os matras franceses continham uma ponta metálica, mas romba, sendo certo que também terão existido exemplares portugueses do mesmo género. No entanto, nestes casos, estes tipos de pontas eram usados mais num contexto de treino militar, com o intuito de preparar os cavaleiros, envergando a armadura, para se esquivarem dos tiros dos besteiros, usando neles virotes que não perfuravam a armadura, mas que, mesmo assim, eram capazes de lhes causar hematomas, dado o poder percussivo dos disparos, que repercutia a energia cinética pelas armaduras.

Ponta coroada - a seta, neste caso, tem uma ponta serrilhada de lâminas, à guisa de coroa. Este tipo de pontas eram empregues principalmente na actividade venatória (caça), especialmente na caça grossa, havendo o objectivo principal de fazer sangrar a presa, a fim de a enfraquecer, ou de a jarretar (ou seja cortar os tendões das pernas dos animais), entorpecendo assim a sua fuga. Neste tipo de caça, há uma menor preocupação por preservar a pelagem do animal. Em inglês dão pelo nome de crownhead e em francês goujon.

Ponta farpada ou Ponta de garrocha - este tipo de ponta caracteriza-se pelas farpas metálicas que funcionam como um arpão, fazendo com que, assim que o virote perfure o alvo, se mantenha preso à vítima, a menos que ela o tente arrancar, o que- além de especialmente doloroso- implicaria esfacelar a carne à volta do ponto de perfuração do virote no alvo. São pontas especialmente lesivas. Segundo Viterbo, este tipo de pontas também davam pelo nome de garrochas e, no caso dos virotes, correspondiam ao tipo de virotes usadas pelos besteiros de garrocha (chamados «besteiros de garrucha» no reinado de D. João I). thumb|400px|Ponta de folha do século XIV.