Na Batalha de Alésia (actual Alise-Sainte-Reine, nas proximidades de Dijon), no ano de 52 a.C., os Romanos liderados por Júlio César venceram os Gauleses liderados por Vercingetórix.

O local da batalha foi provavelmente no topo do Monte Auxois, acima da moderna Alise-Sainte-Reine na França, mas este local, alguns argumentaram, não se encaixa na descrição de César da batalha. Uma série de alternativas foram propostas ao longo do tempo, entre as quais apenas Chaux-des-Crotenay (em Jura, na França moderna) permanece um desafiante hoje.

O evento é descrito por vários autores contemporâneos, incluindo o próprio César em seu Commentarii de Bello Gallico. Após a vitória romana, a Gália (a França praticamente moderna) foi subjugada, embora a Gália não se tornasse uma província romana até 27 aC. O Senado Romano concedeu a César uma ação de graças de 20 dias por sua vitória na Guerra da Gália.Julius Caesar, Commentarii de Bello Gallico 7.90

Foi o último grande confronto armado das guerras gálicas, cujo fim marcou a conquista da Gália por Roma. Para esta última tentativa dos gauleses de expulsarem a ameaça romana, Vercingetórix reuniu sob o seu comando várias tribos num total de cerca de 250 mil homens, somados aos 50 ou 60 mil guerreiros de Alésia, deveriam vencer facilmente os 70 mil romanos. O exército romano era constituído por entre 10 a 12 legiões romanas, mais auxiliares, num total de cerca de 70 mil homens comandados por Júlio César.

Para Alésia Depois de um confronto com os Romanos, Vercingetórix e os Gauleses foram para Alésia, praça dos Mandúbios, ordenando que o seguissem in continenti com as bagagens tiradas dos arraiais. Enviando sob a guarda de duas legiões as suas bagagens para uma colina, o perseguiu Júlio César enquanto durou o dia, e, mortos cerca de três mil da retaguarda dos inimigos, assentou no segundo arraiais junto de Alésia. Examinada a situação da praça e aterrados os inimigos por haver sido derrotada a sua cavalaria, força em que mais confiavam, exortou os soldados ao trabalho, e começou as suas linhas de circunvalação.

Inicia-se o cerco Estava a praça de Alésia em posição muito alta no cume de uma montanha, cujas raízes eram de dois lados banhadas por dois rios. Diante da fortaleza estendia-se uma planície de cerca de dois mil e trezentos metros de comprimento: os outros lados eram circulados por colinas de igual altura com medíocres intervalos entre si. Junto à muralha, a face leste estava cheia de tropas gaulesas, protegidas por um fosso e um muro de pedra insossa de um metro e oitenta centímetros de altura. A circunvalação, que começavam a fazer os Romanos, era de oito mil e quatrocentos metros em circuito. Os arraiais achavam-se assentados em lugares oportunos, e havia neles vinte e três redutos, onde de dia se postavam guardas, para evitar qualquer súbito ataque dos inimigos, e de noite sentinelas e fortes guarnições.

Começada a obra de circunvalação, deu-se um combate de cavalaria naquela planície, que, interposta as colinas, tinha dois mil e trezentos metros de extensão. Romanos e gauleses combatem ferozmente. Achando-se os Romanos em dificuldades, manda-lhes César em auxílio os Germanos, e forma as legiões em batalha diante dos arraiais, para evitar súbita investida da infantaria inimiga. Com o auxílio das legiões, aumenta o ânimo dos Romanos; os gauleses fogem desordenadamente e amontoam-se nas estreitas portas deixadas. Perseguem-nos os Germanos com ardor até os entrincheiramentos. Faz-se grande carnificina: tentam até alguns, deixando os cavalos, transpor o fosso e galgar o muro de pedra insossa. Manda César avançar um pouco as legiões, que formara diante do entrincheiramento. Não menos se perturbam os Gauleses, que estavam dentro das trincheiras: bradam armas, julgando se marchava contra eles in continenti; lançam-se alguns dentro da praça aterrados. Manda Vercingetórix fechar as portas desta, para não ficarem desertos os arraiais. Morrem muitos gauleses e tomados não poucos cavalos, retiram-se os Germanos.

Vercingetórix encaminha um pedido de ajuda thumb|250px|Memorial de Vercingetórix em Alésia

Antes que fosse pelos Romanos concluída a circunvalação, toma Vercingetórix a resolução de despedir durante a noite a toda a sua cavalaria. Aos seus que partiam, recomenda-lhes: "Que vão cada qual para as suas cidades, e reúnam para esta guerra a todos os que estiverem em idade de pegar em armas. Põe-lhes diante dos olhos todos os serviços, que lhes havia prestado, e conjura-os a atenderem à sua segurança, e a não abandoná-lo aos inimigos, para sofrer torturas, a ele benemérito da liberdade comum; pois, se fossem negligentes em socorrê-lo, haviam de com ele perecer juntamente oitenta mil guerreiros. Que mal tinha trigo para trinta dias, mas — esse podia aturar mais algum tempo poupando-se". Com tais recomendações, despede na segunda vela da noite a sua cavalaria em silêncio pela parte, a que não haviam ainda chegado às linhas de circunvalação. Ordena com pena de morte aos que desobedecerem, que lhe seja trazido todo o trigo que havia; o gado, de que os Mandubios tinham recolhido grande quantidade, o distribui a cada um parcamente, e por intervalos; a todas as tropas, que tinha em frente da praça, fá-las recolher para dentro dela. Tomadas estas providências, dispõe-se a esperar as tropas auxiliares da Gália, e a sustentar a guerra.

Sobre o cerco Ao fato de tudo pelos trânsfugas e cativos, assentou Júlio César nestes gêneros de fortificação. Abriu um fosso de seis metros de largura, cujos lados eram cortados a pique, e cuja profundidade igualava a largura. Trezentos metros por detrás deste colocou outras fortificações, isto para que (pois se via obrigado a abranger tamanho espaço, que não podia facilmente guarnecer com soldados), de improviso ou à noite, não houvesse ataque de gauleses contra os entrincheiramentos, ou não pudessem de dia arremessar dardos contra os romanos ocupados no trabalho. No espaço que ficava de permeio, abriu outros dois fossos de onze metros e meio de largura, e profundidade igual, dos quais o interior em paragens campestres e baixas, encheu com água . Atrás construiu um terrado e trincheira de três metros e meio. A esta revestiu de parapeito e ameias, ficando nas junturas do parapeito com o terrado eminentes cervos, para dificultar a subida aos inimigos, e flanqueou toda a obra de torres, que distavam vinte e quatro metros e meio, uma das outras.

Tendo que cortar madeira, conseguir trigo e fazer tantas fortificações, era necessário que as tropas romanas ficassem reduzidas. Os Gauleses tentavam paralisar as obras, atacando por todas as portas da praça. Por isso César decidiu aumentar as fortificações , para que pudessem ser defendidas por menor número de soldados. Assim, cortavam-se troncos de árvores com ramos muito firmes, que descascados se aguçavam em ponta, e faziam-se covas contínuas de um metro e meio de profundidade. Nestas, lançavam-se aqueles estrepes, que se prendiam pela parte de baixo, para que não pudessem ser arrancados, e ficavam expostos pela parte dos ramos. Havia deles cinco ordens conjuntas e entrelaçadas, nas quais quem entrava, achava-se cravado por pontas. Chamavam-lhes cepo. Diante destes, em ordens obliquamente dispostas em grupos de cinco, faziam-se outras covas de noventa centímetros de profundidade, e um pouco mais estreitas para baixo. Nestas se colocavam estacas da grossura da coxa com pontas endurecidas ao fogo, com dez centímetros para fora da terra, e para cuja firmeza e estabilidade calcava-se um pé de terra em cada cova, sendo o resto para ocultar a cilada, coberto de vimes e mato. Havia oito grupos de estacas a noventa centímetros umas das outras. Chamavam-lhes lírios pela semelhança com a flor. Diante destes escondiam-se enterrados, e espalhados por toda parte com pequenos intervalos, estacas de trinta centímetros com pontas de ferro, os aguilhões.

Os romanos,para que não pudessem ser cercadas as guarnições dos entrincheiramentos; e para que não fossem obrigados a sair dos arraiais, armazenam trigo e forragem para trinta dias.

O exército de socorro dos Gauleses Enquanto estas coisas se passam em Alésia, os Gauleses, convocados a conselho os principais, resolvem não chamar a todos os que pudessem pegar em armas, como queria Vercingetórix, foram exigir de cada cidade um certo número de homens; pois receavam na confusão de tanta multidão, não poder disciplinar os seus, nem distingui-los dos outros, nem fornecer provisões a todos. Dos Éduos e seus clientes Segusiavos, Ambluaretes, Aulercos Branovices, Branóvios, exigem trinta e cinco mil homens; igual número dos Arvernos conjuntamente com os Eleuteros Cadurcos, Gábalos, Velávios, que estavam na sua dependência deles; dos Sequanos, Sênones, Bituriges, Santonos, Rutenos, Carnutes, mil; dos Belóvacos, dez mil; outros tantos, dos Lemovices; oito mil, dos Pictões, Turões, Parísios e Helvécios; dos Sênones, Ambianos, Mediomátricos, Petrocórios, Nérvios, Morinos, Nitiobriges, cinco mil; dos Aulercos Cenomanos, outros tantos; dos Atrébates, quatro mil; dos Veliocassos, Lexóvios e Aulercos Euburovices, três mil; outros três dos Rauracos e Boios; trinta mil, de todas as cidades que vizinham com o oceano Atlântico e soem chamar Armóricas, em cujo número se compreendem os Curiosolites, redões, Ambibários, Caletes, Osismos, Lemovices, Unelos. Destes os Belócavos não preencheram o número exigido, dizendo que haviam de fazer a guerra aos Romanos por conta própria, porém, a pedido de Cômio, seu hóspede, enviaram dois mil homens.

Júlio César já havia contado com a colaboração de Cômio, que serviu anos na Britânia; por seus serviços a cidade tinha sido isentada de tributos, restituindo-a em seus direitos, e a mesma, sujeitado os Morinos. Mas tamanha era a aspiração da Gália de reaver a liberdade, e recuperar antiga glória das armas, que nem pelos benefícios, nem pela recordação da amizade, se demoviam os Gauleses; e todos concorriam para esta guerra . Reunidos oito mil de cavalo, e cerca de duzentos e cinqüenta mil peões, nas fronteiras dos Éduos se fazia alardo destas tropas, verificava-se seu número, davam-se-lhes chefes. Ao Atrébate Cômio, aos Éduos e Eporedórix, ao Arverno Varcacos Velauno, primo de Vercingetórix é conferido o comando supremo. Juntam-se a estes os escolhidos das cidades, com cujo conselho devia a guerra ser feita. Partem todos para Alésia cheios de ardor e confiança, confiando em sua superioridade numérica.

Situação em Alésia thumb|350px|esquerda|Reconstrução das fortificações de Alésia, Arqueódromo de Beaune, Merceuil, Borgonha

Mas os gauleses sitiados em Alésia, passado o prazo em que aguardavam os socorros dos seus, consumido todo o trigo, ignorando o que se passava nos éduos, deliberavam em conselho sobre a resolução que deviam tomar. Alguns sugeriam a rendição, outros, um ataque surpresa contra os romanos, enquanto havia forças para tentá-la, não devo passar em siléncio o discurso de Critognato, por causa da singular e nefanda crueldade do orador. Este, descendente de família muito preclara entre os Arvernos, e homem de grande autoridade, falou nesta substância: