thumb|350px|Representação esquemática das principais estruturas de uma flor perigínica: 1. receptáculo (ou nalguns casos hipanto); 2. cálice (sépalas); 3. corola (pétalas); 4. estames; 5. pistilo. O ovário corresponde à porção dilatada da base do pistilo.

Gineceu (do grego γυνή, gyne, mulher, e οἶκος, oikos, casa) é um termo usado em botânica para designar o conjunto dos pistilos, as estruturas que constituem os órgãos reprodutores femininos de uma flor.Gola, G., Negri, G. y Cappeletti, C. 1965. Tratado de Botánica. 2.ª edición. Editorial Labor S.A., Barcelona, 1110 p.Strasburger, E. 1994. Tratado de Botánica. 8.ª edición. Omega, Barcelona, 1088 p. O vocábulo é também usado como designação coletiva para as partes da flor que produzem os óvulos e para as estruturas a partir das quais se desenvolvem os frutos e sementes. Do ponto de vista anatómico, o gineceu é o quarto e o mais interno dos verticilos de uma flor completa, sendo constituído por um ou mais pistilos insertos sobre o receptáculo. Por ser o mais interno dos verticilos florais, em geral é rodeado pelo androceu, a parte masculina da flor. Descrição

thumb|300px|Gineceu de uma flor completa

O gineceu corresponde à parte da flor que produz os óvulos, ou seja à estrutura floral feminina, embora, em vez de produzir diretamente gâmetas femininos (ou seja, óvulos), o gineceu produza macrosporos, cada um dos quais se desenvolve num gametófito feminino que, por sua vez, produz óvulos. No entanto, apesar do gineceu ser geralmente referido como feminino, porque dá origem a gametófitos femininos (produtores de ovos), estritamente falando, os esporófitos não têm sexo determinado, já que apenas os gametófitos se diferenciam.

O gineceu é composto por um ou mais pistilos, estrutura que engloba um conjunto de folhas profundamente modificadas, os carpelos, que rodeiam o ovário e se prolongam pelo estilete e terminam no estigma.

Por vezes constituída por um único carpelo, o gineceu localiza-se, em quase todos os casos, no centro da flor, sendo quase sempre rodeado por um verticilo no qual se inserem os estames, os órgãos reprodutivos produtores de pólen, pertencentes à parte masculina da planta, coletivamente designada por androceu.

As flores que possuem gineceu, mas sem estames, são designadas por pistiladas ou carpeladas. Flores sem gineceu recebem a designação de estaminadas.

O nome «gineceu» provém da divisão que nas casas da Grécia Clássica era reservada às mulheres. Seguindo uma etimologia paralela, a parte equivalente masculina da flor designa-se por androceu (a «divisão dos homens»). Ontogenia e diferenciação Ao contrário da maioria dos animais, as plantas desenvolvem novos órgãos após o termo da embriogénese, incluindo novas raízes, caules, folhas e flores. Nesse contexto de desenvolvimento pós-embrionário, nas plantas com flor, o gineceu desenvolve-se na região central da flor tendo como origem um carpelo ou grupos de carpelos fundidos entre si.Recent Advances and Challenges on Big Data Analysis in Neuroimaging . Frontiers Media SA; 17 May 2017. . p. 158–.

Na continuação do desenvolvimento ontogénico, após a fertilização, o gineceu dá origem a um fruto que fornece proteção e nutrição para as sementes em desenvolvimento e, muitas vezes, auxilia na sua dispersão.Encyclopedia of Reproduction . Elsevier Science; 29 June 2018. . p. 2–.

O gineceu apresenta vários tecidos especializadosMolecular basis of fruit development . Frontiers Media SA; 26 March 2014. . p. 27–. que se desenvolvem a partir de interações genéticas e hormonais ao longo de três eixos principais.

Esses tecidos surgem a partir da diferenciação de meristemas que produzem células que se individualizam nas diferentes partes do gineceu, com destaque para o meristema da margem do carpelo, que tem origem no primórdio do carpelo, que, por sua vez, produz os óvulos, o septo do ovário, e a estruturas conectivas associadas, e desempenha um papel determinante na fusão das margens apicais dos carpelos.Fruit Ripening: From Present Knowledge to Future Development . Frontiers Media SA; 12 August 2019. . p. 155–.

O gineceu pode ser formado por uma ou mais folhas carpelares livres, sendo então classificado como gineceu dialicarpelar ou gineceu apocárpico, ou formado por folhas carpelares fundidas entre si na base, sendo então um gineceu gamocarpelar ou gineceu sincárpico.

Pistilo

O pistilo (lat.:pistillum, -i /pistillus, -i: pilão) é formado por uma ou mais folhas modificadas, os carpelos, que se fundem dando origem a uma porção basal dilatada, denominada ovário. O carpelo assim modificado passa a ter aspecto de um instrumento muito utilizado na manipulação de produtos químicos e farmacêuticos, conhecido como «pistilo»,ALMAFARIZ COM PISTILO Vidrarias de laboratório Unesp motivo pelo qual também é assim denominado. Uma flor pode ter um só carpelo ou vários que, fundindo-se total ou parcialmente, formam os lóculos.

O gineceu pode consistir num ou mais pistilos separados. Como em muitos casos só existe um pistilo, o gineceu, se considerado como o conjunto dos pistilos, confunde-se com este, razão pela qual o gineceu, por vezes é designado por pistilo, particularmente em literatura mais antiga.

O desenvolvimento e o arranjo do pistilo são importantes na pesquisa sistemática e na identificação das angiospermas, mas podem ser as partes florais mais difíceis de interpretar. Quando o pistilo é reduzido e não funcional, o que ocorre no caso das flores masculinas em espécies dioicas, designa-se por pistilódio.

Estrutura do pistilo

O pistilo é formado por folhas modificadas, as folhas carpelares, que formam os carpelos, estruturas sobre as quais são produzidos os óvulos, os primórdios seminais que contêm os gâmetas femininos. Funcionalmente, o pistilo corresponde ao conjunto dos órgãos femininos da flor das Angiospermas, sendo que cada um dos pistilos é normalmente constituído por: (1) uma porção basal expandida, designada por ovário; (2) uma seção alongada, designada por estilete; e (3) uma estrutura apical, o estigma, que recebe o pólen. Assim, no pistilo podem ser reconhecidos os seguintes elementos:

Ovário (do latim ovum, ovo) — a cavidade que encerra os óvulos, correspondente à porção basal alargada que contém as placentas, cristas de tecido contendo um ou mais óvulos (megasporângios integumentados). As placentas e óvulo(s) podem nascer a partir de apêndices gineciais ou, menos frequentemente, a partir do ápice floral. A câmara onde se desenvolve o óvulo é o lóculo (por vezes designado por cela); Estilete (do grego clássico: στῦλος, stylos, significando 'pilar') — é a parte estéril, constituída por um talo em forma de pilar, mais o menos alongada, que serve como um tubo através do qual os tubos polínicos crescem para alcançar o ovário. Algumas flores, como as de Tulipa, não têm estilo distinto e o estigma fica diretamente inserto sobre o ovário. O estilete é um tubo oco em algumas plantas, como os lírios, ou tem tecido transmissor através do qual os tubos polínicos crescem; Estigma (do grego clássico , stigma, 'marca' ou 'estigma') — cavidade superior do estilete onde são depositados os grãos de pólen, que ali ficam retidos pela secreção do fluido estigmático (uma substância pegajosa que retem os grãos de pólen). O estigma é geralmente localizado na extremidade do estilete, e corresponde à porção do(s) carpelo(s) que recebe o pólen (gametófitos masculinos), sendo em geral recoberto por um fluido pegajoso ou encimado por uma estrutura emplumada destinada a capturar o pólen.

O pistilo pode não ter estilete, tendo nesse caso o estigma disposto diretamente sobre o ovário, situação designada por estigma séssil. Ontogenia do pistilo Os pistilos começam como pequenos primórdios no meristema apical floral, formando-se mais tarde e mais perto do ápice (floral) do que os primórdios das sépalas, pétalas e estames. Estudos morfológicos e moleculares da ontogenia do pistilo revelam que os carpelos são provavelmente homólogos às folhas.

Um carpelo tem uma função semelhante a um megasporófilo, mas normalmente inclui um estigma e é fundido, com óvulos encerrados na porção inferior alargada, o ovário.

Em algumas linhagens de angiospermas basais, especialmente nas família Degeneriaceae e Winteraceae, o carpelo começa como uma taça rasa onde os óvulos se desenvolvem com placentação laminar, na superfície superior do carpelo. O carpelo eventualmente forma uma estrutura dobrada, semelhante a uma folha, não totalmente selada nas margens. Não existe estilete, mas uma ampla crista estigmática ao longo da margem permite o acesso dos tubos polínicos ao longo da superfície e entre os tricoma situados nas margens.

Dois tipos de fusão foram distinguidos: a fusão pós-genital que pode ser observada durante o desenvolvimento das flores e a fusão congénita que não pode ser observada, ou seja, fusões que ocorreram durante a filogenia. Mas é muito difícil distinguir os processos de fusão e não fusão na evolução das plantas com flores. Alguns processos que foram considerados fusões congénitas (filogenéticas) parecem ser processos de não fusão, como, por exemplo, a formação de novo de crescimento intercalar numa zona em anel na base dos primórdios ou abaixo dela. Portanto, "agora é cada vez mais reconhecido que o termo 'fusão', aplicado à filogenia (como em 'fusão congénita') é imprudente."

Carpelo

thumb|300px|Fruto de Cucumis metuliferus, originado de um ovário de 3 carpelos. As três suturas que vão da periferia ao centro, delimitam os lóculos.

Os pistilos de uma flor são compostos por um ou mais carpelos (do grego clássico: καρπός, karpós, "fruto" + Gr. φύλλον, phúllon, "folha"; latim folium), também carpófilo, é uma estrutura presente em todas as Angiospermas, sendo a unidade fundamental do pistilo. O carpelo é a parte reprodutiva feminina da flor, geralmente composta por estilete e estigma, por vezes tendo ovário individual e por vezes conectando-se a um ovário basal compartilhado.

Do ponto de vista anatómico, os carpelos são folhas modificadas que se fecham sobre os óvulos, formando o ovário das flores. Na vasta maioria dos casos, existe um prolongamento do carpelo no ápice do ovário, formando o estilete (responsável pela condução do tubo polínico ao ovário) e o estigma (responsável pela recepção do grão de pólen). Após a fecundação dos óvulos, o carpelo desenvolve-se para formar um fruto. Acredita-se que os carpelos sejam filogeneticamente derivados de folhas com óvulos, ou homólogos de folhas morfologicamente semelhantes aos megasporófilos das coníferas, que evoluíram para formar uma estrutura fechada contendo os óvulos. Esta estrutura é tipicamente enrolada e fundida ao longo da margem.

Um pistilo pode consistir num único carpelo (com o seu ovário, estilete e estigma); ou pode compreender vários carpelos unidos para formar um único ovário, sendo nesse caso a unidade inteira designada por pistilo. O gineceu pode apresentar-se como um ou mais pistilos unicarpelados ou como um pistilo multicarpelado. O número de carpelos é denotado por termos como tricarpelados (três carpelos).

Nos carpelos podem ser reconhecidos três nervuras principais, duas das quais correm ao longo dos bordos da folha carpelar e em cujas proximidades nascem os óvulos; essas nervuras são designadas por nervos placentários. A nervura central do carpelo, homóloga à mediana dos nomófilos, é a nervura carpelar.

Embora a maioria das flores satisfaçam a definição de carpelo atrás apresentada, existem flores que não possuem carpelos porque nelas o(s) óvulo(s), embora fechados, são formados diretamente sobre o ápice caulinar. Diferentes soluções têm sido sugeridas para este problema. Uma solução fácil, que se aplica à maioria dos casos, é redefinir o carpelo como um apêndice que encerra o(s) óvulo(s) e pode ou não suportá-los.

Os óvulos servem para originar as sementes, sendo por isso designados por primórdios seminais e aparecem como protuberâncias globosas nos bordos das folhas carpelares.