Na ecologia, o bioma (justaposição em latim "bio": vida + "oma": massa) é um espaço geográfico ou unidade biológica com características específicas bem homogêneas, que são definidas por: macroclima, fitofisionomia, solo, altitude, dentre outros critérios. São tipos de ecossistemas, habitats ou comunidades biológicas com certo nível de homogeneidade.
miniaturadaimagem|Distribuição dos principais biomas terrestres do planeta
Em contraste, na regionalização biogeográfica, o critério usado é a composição taxonômica de espécies das áreas.
Conceito miniaturadaimagem|Distribuição de vegetação A definição de bioma varia entre os autores.INDRIUNAS, Alexandre; PARRUCO, Celso. Como funcionam os biomas. Super Interessante. Acesso: 4 de novembro de 2009. O conceito foi criado em 1916 pelo ecólogo estadunidense Frederic Edward Clements, originalmente como um sinônimo de comunidade biótica do professor alemão Karl August Möbius (1877).Clements, F. E. 1917. The development and structure of biotic communities. J. Ecology 5:120–121. Abstract of a talk in 1916, . Logo, surgiria a definição atual, baseada nos conceitos anteriores de fitofisionomia, formação e vegetação (comumente usado em oposição a flora), com a inclusão do elemento animal e a exclusão do elemento taxonômico da composição de espécies (composição florística, no caso de plantas).Coutinho, L. M. (2006). O conceito de bioma. Acta Bot. Bras. 20(1): 13-23, .Box, E.O. & Fujiwara, K. (2005). Vegetation types and their broad-scale distribution. In: van der Maarel, E. (ed.). Vegetation ecology. Blackwell Scientific, Oxford. pp 106–128, .Martins, F. R. & Batalha, M. A. (2011). Formas de vida, espectro biológico de Raunkiaer e fisionomia da vegetação. In: Felfili, J. M., Eisenlohr, P. V.; Fiuza de Melo, M. M. R.; Andrade, L. A.; Meira Neto, J. A. A. (Org.). Fitossociologia no Brasil: métodos e estudos de caso. Vol. 1. Viçosa: Editora UFV. p. 44-85. . Earlier version, 2003, . Em 1935, o botânico inglês Arthur George Tansley incluiu aspectos climáticos e pedológicos (de solo) ao conceito, chamando-o, entretanto, de ecossistema.Cox, C. B., Moore, P.D. & Ladle, R. J. 2016. Biogeography: an ecological and evolutionary approach. 9th edition. John Wiley & Sons: Hoboken, p. 20, .Tansley, A.G. (1935). The use and abuse of vegetational terms and concepts. Ecology 16 (3): 284–307.
Em alguns contextos, porém, o termo "bioma" tem sido usado de maneiras diferentes. Na literatura científica alemã, particularmente na terminologia de Heinrich Walter, o termo é usado de maneira similar a "biótopo" (uma unidade geográfica concreta), enquanto na definição de bioma do presente artigo o termo é aplicado internacionalmente - independentemente do continente em que uma determinada área se localiza, ela é denominada pelo mesmo nome de bioma, e não com um nome regional - e corresponde aos termos "zonobioma", "orobioma" e "pedobioma" de Walter (biomas determinados pelo clima, altitude, ou solo, respectivamente).Walter, H. (1986). Vegetação e zonas climáticas: tratado de ecologia global. São Paulo: EPU.Breckle, S.-W. (2002). Walter's Vegetation of the Earth: The Ecological Systems of the Geo-Biosphere. 4th ed. New York: Springer-Verlag, p. 86, .
Na literatura biogeográfica Brasileira (incluindo trabalhos do IBGE, Embrapa e algumas leis), o termo "bioma" é muitas vezes usado como sinônimo de "província biogeográfica", uma área determinada com base na sua composição taxonômica de espécies presentes (o termo "província florística" é usado quando se consideram as espécies de plantas), ou ainda, como sinônimo de "domínio morfoclimático e fitogeográfico", usado por Ab'Sáber, que se refere a um espaço geográfico de dimensões subcontinentais, com a predominância de características geomorfológicas e climáticas, e também de um certo tipo de vegetação. Logo, na realidade, em ambos os tipos de regionalização ("província biogeográfica" e "domínio morfoclimático e fitogeográfico", aplicados às áreas da Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal), estão inclusos vários tipos de biomas (de acordo com o uso de tal termo na literatura internacional).Batalha, M.A. (2011). The Brazilian cerrado is not a biome. Biota Neotrop. 11:21–4, .IBGE (2004). Mapa de Biomas do Brasil. Primeira Aproximação. Escala 1:5.000.000. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: <http://www.terrabrasilis.org.br/ecotecadigital/index.php/estantes/mapas/563-mapa-de-biomas-do-brasil>.Ab'Sáber, Aziz (2003). Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, . ISBN 978-85-7480-355-5.Fiaschi, P.; Pirani, J.R. 2009. Review of plant biogeographic studies in Brazil. Journal of Systematics and Evolution, v. 47, p. 477-496. Disponível em: <http://www.researchgate.net/publication/249500929_Review_of_plant_biogeographic_studies_in_Brazil>.
Definições elementares Biótopo: O solo, as águas, o ar, a luz solar. Área abiótica ou biótopo é a base onde estão os seres vivos, o chão, o solo, o ar do ambiente e as águas. O biótipo significa o conjunto dos fatores do meio ambiente que não têm vida tais como a areia, as rochas, a argila, os minerais, as substâncias inorgânicas, o ar, a energia do ambiente, os raios, os trovões, os relâmpagos, o calor, a radioatividade, a luz solar, a energia de uma forma geral compõe o biótipo. Biocenose: a fauna e a flora, os micróbios, os seres vivos em geral; os seres vivos são a biocenose: o conjunto de comunidades formadas pelas populações dos organismos das espécies de seres vivos interagindo entre si.
Ecossistema: o conjunto formado pela biocenose e pelo biótopo. Ao conjunto biocenose interagindo com o biótopo damos o nome de ecossistema. Bioma: um conjunto de ecossistemas constitui um bioma.
Biosfera: o conjunto de todos os biomas da Terra, constitui a biosfera da Terra.
Comunidades subclímax e comunidades clímax: biomas florestais que foram degradados por desmatamentos e queimadas e que ficaram com o biótopo desabitado, começam um difícil processo de reabilitação desenvolvendo gramíneas, vegetação rasteira chamada de vegetação pioneira, depois com o passar de muitos anos nessa vegetação rasteira começam a se desenvolver gramíneas mais altas, aparecem os primeiros arbustos e nessa fase essa comunidade vegetal pode ser chamada de "comunidade subclímax". Essa vegetação arbustiva vai se desenvolvendo ao longo de muitas décadas, aparecem árvores de porte médio e, quando o bioma atinge o máximo de seu desenvolvimento passa a ser chamado de comunidade clímax. Classificação dos biomas
Existem três tipos de biociclos: epinociclo, talassociclo e limnociclo.
Epinociclo O epinociclo é o biociclo terrestre. É o conjunto dos seres vivos que vivem sobre terra firme e apresentam quatro biócoros bem distintos: as florestas, as savanas, os campos e os desertos.
A biucora floresta aparece em diversos biomas diferentes, exemplos: Bioma amazônico ou bioma da Floresta Amazônica (floresta tropical úmida); Bioma da Mata Atlântica Bioma da Caatinga.
Alguns exemplos de biomas que apresentam a biucora savana: Bioma Cerrado: a savana do centro-oeste brasileiro; Bioma Caatinga: a savana seca do nordeste brasileiro; Bioma Pantanal: a savana alagada do centro-oeste brasileiro; Bioma Serengueti nas savanas da África.
Alguns exemplos de biomas que apresentam o biucoro campo: Bioma Pampas gaúcho no sul do Brasil; Bioma pradarias; Bioma estepes.
Alguns exemplos de biomas que apresentam o biucoro deserto: Bioma Deserto do Saara; Bioma Deserto da Líbia; Bioma Deserto da Arábia; Bioma Deserto de Calaári.
Talassociclo O talassociclo é o biociclo marinho. É o conjunto dos seres vivos que vivem em água salgada representados pelo plâncton, nécton e bentos. O plâncton são seres microscópicos, incluindo o fitoplâncton e o zooplâncton; o nécton são os animais que nadam livremente como os peixes e os golfinhos. O bentos são os seres vivos que passam a maior parte do tempo parados afixados nas rochas ou enterrados na areia do fundo dos mares e oceanos como, por exemplo, corais, ostras, mariscos etc. O talassociclo apresenta três biócoros distintos:
Biócoro da zona nerítica, que vai da superfície a até 200 metros de profundidade; Biócoro da zona batial, que vai de 200 a até 2000 metros de profundidade; Biócoro da zona abissal, que vai de 2000 a até o fundo do oceano em profundidades que chegam a 11.000 metros abaixo da superfície dos oceanos;
Limnociclo O limnociclo é o biociclo dulcícola, ou seja, é o conjunto dos seres vivos que vivem em água doce e apresenta dois biócoros distintos:
O biócoro das águas lênticas: que são águas paradas como pântanos, brejos, poças d’água e lagoas de água doce e parada; exemplos: bioma da Lagoa da Conceição, na Ilha de Santa Catarina, bioma da lagoa da Messejana. O biócoro das águas lóticas, que são águas correntes como riachos, ribeirões, rios e lagos de água doce e corrente; exemplo, bioma do Rio Amazonas.
Fatores inerentes do biótopo
A irradiação solar tem muitos períodos, nesta perspectiva a constante solar não é uma constante:
Ciclo Schwabe em média 11 anos (de 9 à 14); Ciclo Hale (ou ciclo magnético) por volta de 22 anos; Ciclo Schove por volta de 42 à 50 anos, Ciclo Gleissberg de 80 à 90 anos (até 120, entre mínimo e máximo existe por volta 40-45 anos), modula o Ciclo Schwabe, Ciclo Seuss (ou Zyklus) 208a, de 180 à 210 anos (média 208), Ciclo de 1 470 anosBraun H., Christl M., Rahmstorf S., Ganopolski A., Mangini A., Kubatzki C., Roth K., Kromer B. (2005); Possible solar origin of the 1.470-year glacial climate cycle demonstrated in a coupled model.- Nature 438: 208 - 211. Irradiação solar que atinge a Terra Durante os últimos 800 mil anos, o período dominante da oscilação glacial–interglacial era de 100 mil anos, que corresponde a alteração da excentricidade e a inclinação orbital da Terra. Durante o período de 3,0 à 0,8 milhões de anos atrás, a oscilação dominante da glaciação corresponde a um período de 41 mil anos da obliquidade da Terra (ângulo do eixo). Isso reflete as oscilações da Terra no mundo bidimensional (a variação orbital), uma simplificação da realidade no espaço tridimensional.
Fontes de energia da Terra
O fluxo de energia aquecendo a superfície da Terra consiste da soma da: Radiação Solar (99,978%; ou cerca de 174 petawatts; ou ca. 340 W/m²) Energia Geotermal (0,013%, ou ca. 23 terawatts; ou ca. 0,045 W/m²), gerada por Convecção, Fissão Nuclear e Cristalização. Energia da Maré (0,002%, ou ca. 3 terawatts; ou ca. 0,0059 W/m²), interação entre a Terra e a Lua, o Sol e outros. Perda de energia na queima de combustíveis fósseis (ca. 0,007%, ou ca. 13 terawatts; ou ca. 2 kW/pessoa).